Rastro de lama deixado pelo rompimento da barragem da mina do Córrego Feijão, em Brumadinho | Foto: Wikimedia Commons
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IHU — Instituto Humanitas Unisinos
Os dados mais atualizados dão conta de 165 pessoas mortas e outras 160 desaparecidas, entre empregados da Vale, terceirizados e população local. As demais espécies animais e vegetais somam outras milhares de vítimas da lama altamente tóxica. “Os crimes da Samarco e da Vale ensinam também que há uma aliança silenciosa entre empresas de mineração e Estado. As companhias extrativas precisam do aval do Estado para se instalarem e operarem, muitas vezes ignorando ou banalizando o processo de consulta e consentimento prévio, livre e informado das comunidades. O Estado precisa da mineração porque continua apostando nisso, aparentemente como uma das atividades de mais ‘seguro’ e rápido desenvolvimento”, pontua o entrevistado.
A principal justificativa de quem defende o modelo extrativista é a econômica. Ignora-se, contudo, a necessidade a transição do modelo dominante. “Em lugar de buscar a diversificação e transições econômicas que nos liberem da dependência do modelo extrativo, o Brasil mostra querer investir ainda mais nesta pauta, que não podemos mais definir como produtiva, mas destrutiva!”, acentua. As alternativas existem, o que não é interesse político. “O pós-extrativismo é um modelo de política macroeconômica que busca uma mudança radical no sistema de produção e consumo. Propõe e organiza transições, de um modelo saqueador dos recursos para um modelo pautado na economia local, na produção de bens duráveis, na diminuição do consumo, no desenvolvimento de uma noção de limites de produção e na reutilização de recursos. Pretende, assim, delimitar a mineração ao essencial, e reduzir também a circulação das matérias primas através do globo inteiro”, propõe.
Enquanto Dário Bossi respondia a entrevista, redes sociais e veículos de imprensa repercutiam a declaração do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles de que a memória de Chico Mendes era irrelevante. Menos que um “ato falho”, a fala do ministro apresenta de forma transparente e límpida o paradigma que orienta o atual governo. “Os seringueiros são considerados irrelevantes, os quilombolas descartáveis, os indígenas sobras a serem integradas. Mas a morte de cada vítima, quando se faz memória, mobiliza as pessoas, consolida a indignação, unifica as reivindicações, exige justiça”, destaca.

