Um dos pioneiros do hip hop no Brasil afiança: o gênero é afrobetização, dando voz (e palco) a quem antes só escutava. Abençoado por James Brown e Fanon, ele narra sua trajetória para “apertar a tecla SAP da poesia para traduzir o dia a dia”
Publicado no OUTRASPALVARAS em 29/07/2024 às 19:50

Gog em entrevista a Joaquim Barroncas e Antônio Carlos Queiroz

Sai nesta terça-feira, 30, mais uma edição do Guia Musical de Brasília, periódico impresso dedicado à cadeia de produção da música no Distrito Federal, com um catálogo de endereços dos profissionais e dos espaços onde a música acontece, além de entrevistas com os principais artistas atuantes na Capital Federal.
O brasiliense Gog, o Poeta do Rap Nacional, é a capa da 12ª edição do Guia. Orgulhoso de fazer parte da “geração James Brown”, Gog disserta sobre o hip hop, gênero de origem jamaicana aclimatada no Brasil há 41 anos, e fala de conceitos quase vez mais usuais nas lutas da população negra, como a afrobetização, o pretoguês e a literatura divergente.
A publicação traz a última entrevista concedida pelo professor, cantor e compositor Clodo Ferreira, falecido no dia 17 de julho, coautor da célebre Revelação, imortalizada na voz de Fagner. Ex-professor da Faculdade de Comunicação da UnB e pesquisador da produção musical brasileira, Clodo deixa um amplo legado, compartilhado em parte com os irmãos, os três nascidos no Piauí, Clésio e Climério. O show de lançamento do Guia nesta terça-feira, no Clube do Choro de Brasília, será dedicado à sua memória.
A nova edição do Guia publica também uma entrevista com o maestro Jorge Antunes, precursor da música eletroacústica no Brasil, para lembrar os 40 anos da Sinfonia das Diretas, que Antunes compôs e regeu no comício da Torre de Televisão, com a presença do Dr. Ulysses Guimarães, o então comandante das lutas contra a ditadura militar. A Sinfonia da Diretas foi executada pelas buzinas de 300 automóveis e um coral que entoou versos do poeta Tetê Catalão, comparando o buzinaço de Brasília às trompetas bíblicas que derrubaram as muralhas de Jericó. Realizado no dia 1º de junho de 1984, mais de um mês depois da derrota da Emenda Dante de Oliveira, o comício marcou a retomada da campanha por eleições livres, com a consigna da convocação da Assembleia Nacional Constituinte.
Por fim, comparecem nesta edição um trio de músicos do Ceará, o violoncelista Ocelo Mendonça, o violonista João Marinho Junior e a cantora Myrlla Muniz, que retratam a formação do caldeirão cultural de Brasília, composto por artistas oriundos de todas as partes do País.
Cultura e turismo – Concebido pelo músico e publicitário Joaquim Barroncas e editado pelo jornalista Antônio Carlos Queiroz (ACQ), o Guia Musical de Brasília é o único veículo do DF dedicado ao fazer musical.
Além de contar a história musical da cidade, sem discriminação de gênero, a publicação traz informações sobre os artistas, escolas, professores, alunos, luthiers, corais, bandas, livrarias, lojas e outros espaços onde a música é produzida e executada.
Impressa, a publicação tem duplo caráter: cultural, por enfatizar o amálgama das expressões musicais do Distrito Federal, e turístico, por oferecer dicas dos locais onde os visitantes da Capital podem fruir essa riqueza: bares, restaurantes, teatros, o Clube do Choro, a Casa do Cantador, os CTGs, as batalhas de hip hop etc.
Distribuído gratuitamente, o Guia atinge um público muito amplo, de músicos amadores e profissionais, produtores musicais, gente do teatro e amantes da música em suas diversas manifestações, nos principais espaços culturais e turísticos, entre eles o Clube do Choro, o Departamento de Música da UnB, o Teatro dos Bancários, o Teatro da Caixa, a Casa Thomas Jefferson, o Instituto Cervantes, o CCBB, o Catetinho, as autarquias da Esplanada dos Ministérios, o Congresso Nacional etc.
Leia abaixo a entrevista com Gog, que estampa a capa do Guia.

