Quinta, 27 de julho de 2023

Força Aérea Brasileira (FAB) resgata jovem Yanomami com quadro de desnutrição e malária - Divulgação Júnior Hekurari Yanomami
Dados foram apresentados pelo Cimi nesta quarta; Relatório mostra que, em 2022, 180 indígenas foram assassinados no país
Pedro Stropasolas
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | | 26 de Julho de 2023
Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), entre 2019 e 2022, a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) registrou um total de 3.552 óbitos de crianças indígenas com idade entre 0 e 4 anos. A informação consta no Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, lançado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) nesta quarta-feira (26), em Brasília (DF), com dados de 2022.
Os registros fornecidos pela secretaria por meio da Lei de Acesso à Informação revelam a ocorrência de 835 mortes de crianças indígenas desta faixa etária no ano passado.
"As crianças são as maiores vítimas deste cenário de violência", sintetizou a professora Lucia Helena Rangel, uma das coordenadoras da publicação.
O relatório
O relatório traz um panorama de quatro anos de paralisação total das demarcações de terras indígenas, aumento dos conflitos, invasões nos territórios e desmonte das políticas públicas voltadas aos povos indígenas e dos órgãos responsáveis por fiscalizar e proteger seus territórios.
"Estamos diante de um cenário de horrores. São horrores cometidos contra pessoas, natureza, espíritos, contra todos os povos", pontuou Lucia Helena Rangel.
O cenário desolador ficou evidenciado em casos como as mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, brutalmente assassinados em junho na região da Terra Indígena (TI) Vale do Javari (AM), e pela crise sanitária e ambiental sem precedentes no território Yanomami, gerada pela expansão do garimpo ilegal.
O levantamento do Cimi, organizado em três capítulos, reúne dados sobre violações contra os direitos territoriais indígenas, como conflitos, invasões e danos aos territórios; violências contra a pessoa, como assassinatos e ameaças; e violações por omissão do poder público, como desassistência nas áreas da saúde e da educação, mortalidade na infância e suicídios.
