Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 12 de março de 2020

GUIA DE SOBREVIVÊNCIA NA GUERRA ATUAL OU DESPINDO-SE DA IGNORÂNCIA

Quinta, 12 de março de 2020
A banca não se resume às especulações e corrupções, à venda de drogas e contrabandos. A banca também está nas academias, nas pesquisas – especialmente no contínuo aperfeiçoamento da comunicação de massa – e na garantia de seu futuro com a indispensável redução da população do mundo: seu projeto malthusiano para prosseguir na concentração de fortunas e rendas.

Por
Pedro Augusto Pinho

A Guerra atual se chama Guerra Híbrida e é, por isso, um pouco mais complexa do que as anteriores. Um sinal que o mundo continua progredindo.

Todas as guerras sempre disputaram o poder. O poder ganha complexidade na medida em que as relações na sociedade também se tornam mais enredadas, intrincadas, mais difíceis de entender e descrever.

A cratologia, ramo do conhecimento que estuda o poder, nos ensina que o poder não diz unicamente respeito à conquista dos corpos, mas deve dominar também os corações e as mentes. Ou seja, o poder deve obviamente dirigir as ações dos outros, dos seus conquistados, mas deve também tomar-lhes as emoções e o pensamento.

Para a conquista dos corpos existem duas importantes armas: as que destroem e as que compram, a bomba e a conta bancária.

Para o coração e a mente, existe a pedagogia colonial.

O domínio do poder, neste século XXI, é da banca ou do sistema financeiro internacional. Por muitos anos, sendo colônia dos Estados Unidos da América (EUA), nos habituamos a encontrar o poder nas empresas e nos governos estadunidenses. Muito provavelmente nossos avós ou bisavós diriam o mesmo da Inglaterra. Mas esta mudança foi a mais importante alteração ocorrida no final do século passado. O poder de hoje está como num ser quase sobrenatural, em toda parte e só visível pela interpretação de suas ações.

Acompanhando a banca em toda sua história, vejo que neste século travou-se uma luta interna pelo controle da banca. Sendo uma das partes, ao fim vitoriosa, a dos capitais marginais. Designo capitais marginais aqueles que foram introduzidos no sistema financeiro por Margaret Thatcher, seu sucessor Tony Blair, e por Ronald Reagan e os presidentes dos EUA que lhe seguiram, até Donald Trump, com as desregulações e o acolhimento de todo dinheiro no sistema sem perguntar sua origem.