“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 20 de abril de 2017

O erro que o PT cometeu em 1997 explode na sua cara em 2017

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Do Blogue Náufrago da Utopia

Por Celso Lungaretti
 
Quase 20 anos depois, o alerta que lancei quando do primeiro episódio rumoroso de conivência explícita com a corrupção por parte do Partido dos Trabalhadores foi totalmente validado pelos fatos. 
O compadre Roberto Teixeira...

Pela porteira que foi então aberta para um boi enlameado passar, acabou entrando uma boiada inteira: seguiram-se ocorrências cada vez mais graves de desvios de recursos públicos para o financiamento de campanhas eleitorais e instrumentalização dos governos comandados pelo PT para favorecer interesses particulares, inclusive os de grandes empresas capitalistas e os de dirigentes petistas, esse estranho casal cuja repugnante promiscuidade hoje é exposta nos mínimos detalhes pela Operação Lava Jato.
Como se o destino quisesse corrigir um episódio histórico cujo desfecho tinha sido terrivelmente injusto, os dois principais responsáveis pela desastrosa decisão que o partido tomou em 1997 (ao sacrificar seus valores morais em nome de uma conveniência espúria e momentânea) estão atolados até o pescoço no mar de lama que jorra das delações premiadas da Odebrecht, conforme se constata em post de hoje (5ª feira, 20), do Blog do Josias. Vide este trecho:

domingo, 30 de dezembro de 2012

Paulo Okamotto, um filme déjà vu

Domingo, 30 de dezembro de 2012
Paulo de Tarso Venceslau,
Ex-petista, ex-secretário de Finanças de São José do Campos,  economista e diretor de redação do Jornal Contato.

O nome de Paulo Okamoto nas manchetes de jornais não é novidade. A imprensa insiste em mantê-lo nos cadernos políticos quando deveria confiná-lo nas páginas policiais. É a minha opinião por tudo que conheci e convivi com essa misteriosa figura, responsável, entre outras coisas, pela administração das contas pessoais do ex-presidente, desde o tempo em que Lula presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.
 
Okamoto tem muito a explicar

A leitura do Estadão de terça-feira,11, me deu a sensação de estar vivendo de novo uma experiência já vivida. O chamado déjà vu, termo inventado pelo filósofo francês Emile Boirac, que sonhava com o Esperanto um dia ser a língua universal da humanidade. Dizem que até Santo Agostinho já teria pesquisado o tema que, segundo o santo, não passava de um erro de nosso cérebro difícil de explicar.

Nos meus tempos de militante, Okamoto fazia parte de um esquema paralelo ao da greve que corria solto em 1979. Seu nome constava de uma lista de dirigentes sindicais que deveriam assumir clandestinamente o sindicato, caso a diretoria eleita fosse presa pela polícia política. Nessa mesma ocasião, eu era um dos coordenadores da parte financeira do Fundo de Solidariedade que funcionava na Assembleia Legislativa de São Paulo. Chegava muita grana do exterior. O Euro ainda não existia. Mas os dólares, francos e marcos eram muito bem recebidos.

O administrador do Sindicato, Sadao Higuchi, era quem encaminhava os recursos vindos do exterior para o compadre de Lula. Sadao morreu “afogado”na represa localizada nas proximidades de Bragança Paulista em 13 de junho de 1998, em plena campanha eleitoral. Lula fez questão de suspender todas as atividades para participar das buscas. Quem conhece a represa, como eu conheço, não consegue entender o que aconteceu. Sadao morreu afogado, mas tinha uma contusão na cabeça. Ele teria caído n’água e o barco teria se chocado com ele. Pequeno enorme detalhe: tratava-se de um bote inflável.

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AUDITORIA

Em 1992, o PT elegeu vários prefeitos no estado. Indicado por José Dirceu e Aloísio Mercadante, assumi a secretaria de Finanças de São José dos Campos. A empresa CPEM, representada pelo compadre de Lula, era a maior credora da prefeitura então comandada pela futura bailarina Ângela Guadagnin. Auditoria externa que contratei comprovou uma série de irregularidades. Informado pessoalmente por mim, Lula convocou Okamoto e ordenou que ele me acompanhasse em uma conversa com seu compadre. Ou seja, enviou-me para conversar pessoalmente com o acusado.

Por outro lado, na mesma ocasião, Okamoto circulava pela prefeitura de São José em busca de lista de empresários credores. Ele não ocupava qualquer cargo no paço. Era evidente que buscava recursos paralelos, com anuência da então prefeita.

No mesmo dia em que a auditoria externa encerrou seus trabalhos e me enviou o relatório fui exonerado sumariamente a pedido de Paulo Okamoto e Paulo Frateschi, segundo me relatou a própria prefeita. Algumas semanas antes da exoneração, sofri um atentado na então Rodovia dos Trabalhadores, hoje Ayrton Senna. O carro ocupado por três homens enormes tinha chapa fria, conforme informou a Polícia Civil onde registrei o Boletim de Ocorrência. Detalhe: o carro em que me encontrava era dirigido por um funcionário de carreira da prefeitura, que urinou nas calças, literalmente.

Quando Lula foi eleito em 2002, pensei seriamente em pedir asilo político em algum país europeu. Cheguei a ter pesadelos. Sonhava que Okamoto era chefe da Polícia Federal. Fui dissuadido por meu sogro, um advogado brilhante, Lupércio Marques de Assis, que morreu logo após a posse do governo petista.

Em 2006, defrontei-me com Paulo Okamoto em uma acareação realizada no Congresso Nacional por ocasião da CPI dos Bingos. Na ocasião, entreguei formalmente uma vasta documentação aos congressistas. Duvido que alguém tenha lido. Mas uma coisa me chamou a atenção: o olhar de ódio com que Okamotto me encarava.

Diante desse breve relato, não tenho nenhum motivo para por em dúvida o depoimento de Marcos Valério, um dos responsáveis pelo mensalão que o levou à condenação superior a 40 anos. Parece que foi para mim que Okamoto disse: “Tem gente no PT que acha que a gente devia matar você. (…) Ou você se comporta, ou você morre.”

Fonte: Tribuna da Internet