“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 15 de março de 2018

CHEGOU A HORA DO BASTA!

Quinta, 15 de março de 2018
Conversa com Tolentino

CHEGOU A HORA DO BASTA!

Passaram-se quase exatos 50 anos.

Foi no dia 28 de março, no sempre lembrado ano de 1968, que o comandante da tropa da PM, aspirante Aloísio Raposo, matou o secundarista Edson Luís de Lima Souto com um tiro a queima roupa no peito.
 
Ele não era uma liderança ou mesmo um militante do movimento estudantil. Morreu por estar lá. Os estudantes haviam marcado uma manifestação do restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, para protestarem contra o anunciado aumento do preço da refeição. Edson Luís tinha tudo para participar. Paraense, mudara para o Rio e fazia o curso secundário no Instituto Cooperativo, que funcionava no próprio Calabouço. O estudante Benedito Frazão Dutra também foi atingido e chegou a ser levado ao hospital, onde morreu.
 
Aquilo foi o suficiente para que explodisse o grito na garganta de estudantes do Brasil inteiro, no que foram acompanhados por milhares de outros brasileiros também indignados com o regime militar, que completava quatro anos.
 
A senha foi a “Passeata dos 100”, no Rio, que reuniu estudantes, artistas, intelectuais, políticos e clérigos. E manifestações se repetiram em praticamente todas as capitais e grandes cidades do País.
 
O duplo fuzilamento deste 14 de março, vitimando a vereadora Marielle Franco (PSOL-Rio) e Anderson Gomes, que dirigia o carro em que estavam, pode ser o momento da nova explosão.
 
O governo instalado ilegitimamente em 2016 não cansa de esbofetear o povo brasileiro. Após golpear a presidenta eleita, jogou no lixo o programa vencedor em 2014, com a chapa em que Dilma Roussef era acompanhada pelo próprio Michel Temer, e passou a demolir tudo quanto fosse conquista popular ou nacional.
 
Por meio de Emenda Constitucional impediu que venha a ocorrer ampliação de orçamento público em setores absolutamente indispensáveis por não menos que 20 anos. Esterilizou os currículos da escola pública, generalizou o sistema de terceirização de mão de obra, inclusive em cargos públicos, aboliu direitos trabalhistas vigentes há 70 anos, fragilizou a estrutura sindical de defesa dos trabalhadores, abriu a Amazônia à exploração internacional, entregou a interesses estrangeiros a Base de Alcântara, assim como a exploração do petróleo, aí incluídas as reservas do Pré Sal.
 
O crédito imobiliário foi contido, o salário mínimo foi reduzido, servidores públicos deixaram de ter reajustes e cancelaram-se concursos para novas vagas. Vários programas sociais simplesmente desapareceram, como o Ciência sem Fronteiras, a Farmácia Popular, o de formação técnica de mão de obra, entre outros.
 
Não é só. As universidades tiveram os seus orçamentos podados, foi abolido o controle sobre o trabalho escravo.
 
Não satisfeito, o governo enveredou pelo caminho das privatizações, colocando patrimônio público à venda por preços absolutamente aviltados, como promete fazer com o setor elétrico. Ao mesmo tempo, negocia a entrega a multinacionais do Aquífero Guarani, uma das duas maiores reservas de água do mundo. 
 
A população conseguiu conter ao menos a reforma da Previdência, com a qual simplesmente se retira dos trabalhadores a expectativa da aposentadoria, além de precarizar as condições de subsistência, por exemplo, de pensionistas e deficientes físicos.
 
Até quando suportar?
 
A população assiste a tudo isso e muito mais. Um arranjo entre o governo ilegítimo, a grande mídia e o judiciário dá sustentação a essa política em que os interesses nacionais e populares são solapados. A docilidade do Congresso Nacional, inclusive com relação à ampliação da corrupção numa escala estratosférica, é desavergonhadamente comprada, com recursos para os próprios parlamentares e pela satisfação de interesses dos grupos econômicos que os mantêm, especialmente o setor financeiro (patrono do golpe) e o agronegócio.
 
Até aqui, fica a impressão de que a revolta popular tenta se resolver inflando os índices de preferência da candidatura de Lula, numa clara provocação ao arranjo golpista e numa demonstração enfática de onde reside a esperança. Mesmo nada indicando que os detentores do poder permitirão que os brasileiros elejam o presidente que parece já terem escolhido.
 
Ao lado disso, embora tudo indicasse que a instauração de intervenção militar no Rio de Janeiro fosse uma jogada de “marketing”, o que se vê é que se sente respaldado o que há de banditismo no aparelho policial do Estado.
 
E não podia ser diferente. A vítima simbólica é uma mulher, negra, favelada, lutadora, de esquerda, comprometida com os direitos humanos. 
 
Este é o alvo da violência. Se é mulher, se é negra, se é pobre, se está revoltada, cale-se. Esconda-se na sua favela para que tudo pareça que caminha “normalmente”, como alardeiam manchetes de jornais e programas de TV.
 
O que pode deter isso é a resposta vigorosa da sociedade, a demonstração de que está disposta a enfrentar os que não cansam de pisoteá-la.
 
Passados 50 anos, o nome de Edson pode ser Marielle.

Fernando Tolentino

Frente de Mulheres Negras do DF e Entorno convoca para ato nesta tarde de quinta (15/3) em homenagem a vereadora Marielle Franco

Quinta, 15 de março de 2018

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Imprensa internacional repercute morte da vereadora Marielle Franco

Quinta, 15 de março de 2018

Marieta Cazarré - Repórter da Agência Brasil
A imprensa europeia voltou hoje (15) os olhos para o Brasil por causa da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) na noite desta quarta-feira (14).  "A onda de violência que sacode o Rio de Janeiro subiu mais um degrau". É assim que começa a matéria do periódico espanhol El País, que noticia a comoção no Brasil pela morte da vereadora .

Nota urgente da Anistia Internacional: Justiça para Marielle Franco; Autoridades devem investigar o assassinato da defensora de direitos humanos Marielle Franco

Quinta, 15 de março de 2018
Da Anistia Internacional

O assassinato de Marielle Franco, 38 anos, vereadora da cidade do Rio de Janeiro, defensora de direitos humanos conhecida por denunciar abusos policiais e execuções extrajudiciais, é um caso gravíssimo que deve ser imediatamente investigado, disse hoje a Anistia Internacional. .
Marielle foi morta à tiros no bairro Estácio do Rio de Janeiro na noite desta quarta-feira, 14 de março. Seu motorista também foi morto e uma assessora de imprensa ficou ferida no ataque. .
“O que aconteceu é um fato assustador e é mais um exemplo dos perigos que os defensores e defensoras dos direitos humanos enfrentam no Brasil. Como membro da Comissão Estadual de Direitos Humanos do Rio de Janeiro, Marielle trabalhou incansavelmente para defender os direitos das mulheres negras e jovens nas favelas e em outras comunidades marginalizadas “, disse Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil.
“As autoridades brasileiras devem assegurar uma investigação rápida, minuciosa e imparcial sobre este trágico assassinato. O Estado deve proteger as testemunhas e os sobreviventes, identificar o motivo do assassinato de Marielle e levar os culpados à justiça. As autoridades não podem deixar que defensores e defensoras dos direitos humanos sejam mortos e seus assassinos fiquem impunes”. .
Em 2016, Marielle foi eleita vereadora da cidade do Rio de Janeiro. Duas semanas atrás, foi nomeada relatora de uma comissão especial da cidade para monitorar a atual intervenção federal no Rio de Janeiro e a militarização da segurança pública.
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Quinta, 15 de março de 2018
Da Anistia Internacional
O Estado, através dos diversos órgãos competentes, deve garantir uma investigação imediata e rigorosa do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro e defensora dos direitos humanos Marielle Franco.
Marielle foi morta a tiros na noite desta quarta feira, 14 de março, no bairro do Estácio na cidade do Rio de Janeiro.
Marielle Franco é reconhecida por sua histórica luta por direitos humanos, especialmente em defesa dos direitos das mulheres negras e moradores de favelas e periferias e na denúncia da violência policial.
Não podem restar dúvidas a respeito do contexto, motivação e autoria do assassinato de Marielle Franco.
#JustiçaParaMarielle

Nota da CUT RJ sobre a execução de Marielle Franco

Quinta, 15 de março de 2018

Da CUT

15 de março de 2018


A Central Única dos Trabalhadores no Rio de Janeiro se solidariza com os familiares e amigos da combativa vereadora Marielle Franco.
Marielle é o retrato do Rio de Janeiro. Mulher, negra, da favela, trabalhadora e sonhadora.
Sua história de luta pelos direitos dos abandonados pelo Estado é notória, longa e motivo de admiração de todos que conheceram e tiveram a honra de em algum momento dividir trincheiras de luta com ela. Exigimos uma rápida e profunda investigação sobre o ocorrido. Não aceitaremos meias histórias. O ataque a vida de Marielle é um ataque a democracia.
Os sonhos de Marielle são os sonhos dos trabalhadores. A CUT Rio convoca toda a sua militância, seus sindicatos filiados e dirigentes para somar suas vozes ao ato convocado nesta quinta feira (15) na Cinelândia às 17 horas.
Mataram Marielle, mas não calarão sua voz.
Se eles querem silêncio, seremos todos eco.

MARIELLE FRANCO,
PRESENTE!

Ninguém está a salvo da epidemia de violência que se abate sobre o Brasil

Quinta, 15 de março de 2018

Ninguém está a salvo da epidemia de violência que se abate sobre o Brasil. Fruto de políticas desastrosas das elites brancas e ricas para a maioria do povo brasileiro, vamos ter que chorar a perda de nossos entes queridos por muito tempo, se nada for feito. Amanhã poderá ocorrer com algum parente, amigo ou  vizinho. Ontem, perdemos uma guerreira no Rio de Janeiro. O assassinato brutal de Marielle Franco, nascida e criada na Favela da Maré, vereadora do PSOL, negra e militante socialista e de vários movimentos em defesa das mulheres e dos direitos das comunidades pobres do Rio de Janeiro. Os assassinos também tiraram a vida do motorista Anderson Gomes, que estava trabalhando naquele momento com Marielle. Ela lutava incansavelmente contra a violência e a discriminação sobre os trabalhadores e o povo pobre nas comunidades do Rio. Nesse momento, além de exigir a apuração completa dos assassinatos, quero manifestar minha solidariedade aos familiares de Marielle e de Anderson, extensivo  a todos os militantes e dirigentes do PSOL e dos movimentos sociais do Rio de Janeiro. Essa situação não pode continuar! Nosso luto deve orientar a continuidade de nossa luta contra a violência! BASTA DE VIOLÊNCIA!

Antônio Carlos de Andrade (Toninho do PSOL)

A Direção Nacional do PDT, em face ao brutal assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), vem à público, com pesar, para:

Quinta, 15 de março de 2018

1- Prestar toda a solidariedade à parentes, amigos e companheiros de lutas de Marielle, que com sua militância na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, não descansou um minuto sequer, combatendo todos os tipos de discriminação contra as minorias.

2- Cobrar de todas as autoridades competentes a rápida solução do assombroso crime e punição exemplar aos envolvidos.

Importante ressaltar que o assassinato de Marielle é mais um capítulo na triste realidade que o Estado do Rio vive neste últimos anos, com um governo fracassado, deixando à própria sorte todos os cariocas e fluminenses que sonham com um futuro melhor. A hora é de respostas, rápidas e elucidativas, para que o assassinato de Marielle não passe em vão. Sua luta, com certeza, continuará abraçada por todos os brasileiros que sonham com uma nação plena, que trate todos os seus filhos com igualdade, fraternidade e sem qualquer tipo de discriminação.


Carlos Lupi
Presidente Nacional do PDT

Ciro Gomes
Vice-Presidente Nacional do PDT

Negra, favelada e feminista: quem é a vereadora do PSOL morta no RJ

Quinta, 15 de março de 2018

Militante dos direitos humanos, Marielle Franco foi a quinta vereadora mais votada do Rio; relatora da Comissão da Intervenção na Câmara, ela denunciava violência policial




Foto: Arquivo pessoal
Da Ponte — Direitos Humanos, Justiça, Segurança Pública
Por Leonardo Coelho e Maria Teresa Cruz
A vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Pedro Gomes foram assassinados a tiros na noite desta quarta-feira (15/3), no Estácio, no centro do Rio de Janeiro.  Marielle tinha saído do evento “Jovens negras movendo a estrutura” e quando estava passando perto da prefeitura, um carro emparelhou com o veículo, atirou inúmeras vezes e acelerou em fuga. Uma assessora de imprensa que estava no carro se feriu sem gravidade. No vidro do banco de trás do carro, onde estava Marielle, é possível ver marcas de muitos disparos.  A polícia do Rio de Janeiro ainda investiga o caso, mas trabalha com a hipótese de execução. A polícia identificou pelo menos 9 tiros na lataria e vidros do carro. A assessora da vereadora, que sobreviveu ao ataque, é única testemunha e prestou depoimento nesta madrugada na Delegacia de Homicídios do RJ.

Nota da OAB/DF sobre a violência; Seccional lamenta assassinato da vereadora na cidade do Rio de Janeiro, Marielle Franco, incansável defensora dos Direitos Humanos

Quinta, 15 de março de 2018
Leia a nota da OAB/DF:


Lamentamos o covarde e inadmissível assassinato da incansável defensora dos Direitos Humanos, vereadora na cidade do Rio de Janeiro, Marielle Franco.

Sua dedicação à defesa da joventude negra e à valorização das mulheres deixou marcas e será sempre lembrada.

A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do DF se junta à OAB/RJ para cobrar uma investigação séria e imparcial deste triste episódio ocorrido durante a intervenção militar no Rio de Janeiro.
A política não pode ter suas desavenças resolvidas com assassinatos, sob pena de matarmos a própria democracia.

Nossos sentimento aos familiares, amigos e à cidade do Rio de Janeiro, cada vez mais órfã de liderança, honestidade e esperança.

Conselho Seccional e Diretoria da OAB/DF.

A diretoria

Juliano Costa Couto
Presidente da OAB/DF

Daniela Teixeira
Vice-presidente da OAB/DF

Jacques Veloso
Secretário-geral da OAB/DF

Cleber Lopes
Secretário-geral adjunto da OAB/DF

Antonio Alves Filho
Diretor-tesoureiro da OAB/DF

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Comissão de Constituição e Justiça aprova Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que inclui direito ao transporte na Constituição

Quarta, 23 de abril de 2014
A Comissão de Constituição, Justiça (CCJ) aprovou nesta quarta (23) a proposta que inclui o direito ao transporte entre os direitos sociais previstos na Constituição Federal. O objetivo é incentivar a criação de políticas públicas voltadas para a melhoria do transporte público e a mobilidade nas cidades. A proposta deve ser aprovada em dois turnos pelo Plenário do Senado antes de ser promulgada. Ouça a reportagem de George Cardim, da Rádio Senado.

Fonte: Agência Senado