Por Aldemario Araujo Castro
Advogado
Mestre em Direito
Procurador da Fazenda Nacional
Brasília, 19 de julho de 2024
Nos últimos tempos, tem-se observado uma estranha e absurda aceitação da barbárie como método de ação política. No Brasil e em diversas partes do mundo, atos de violência física e simbólica têm sido justificados por líderes e movimentos políticos como meios legítimos para atingir certos fins. Essa tendência é profundamente preocupante e sugere um retorno a práticas que a humanidade, em seu progresso civilizatório, deveria ter superado.
O atentado ao ex-presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, foi o mais recente episódio de violência política de grande magnitude. “O ex-presidente e candidato republicano na corrida à Casa Branca neste ano Donald Trump sofreu um atentado neste sábado (13), por volta das 18h15 (horário local), durante um comício na Pensilvânia. Logo após o incidente, ele foi levado às pressas pelo Serviço Secreto americano para fora do palco, ensanguentado, após ter sido atingido de raspão na orelha” (fonte: infomoney.com.br). Independentemente da repulsa que se possa ter em relação às ideias e práticas do candidato Trump, não é admissível que sua derrota política ocorra por meio de um assassinato. Sequer é aceitável tomar o ocorrido como uma grande encenação sem as provas consistentes para se fazer essa afirmação.
A barbárie, assim entendida como a apologia e a prática de violência cruel e desumana, esteve presente ao longo da história da humanidade. O progresso civilizatório, representado por excelência na ideia de dignidade da pessoa humana, fez recuar consideravelmente o império da barbárie. Entretanto, observa-se um fenômeno bastante original. Vivemos um momento em que a violência encontra justificações ideológicas intensas e atraentes. Não são poucos os atores sociais, dentro e fora da arena política, que têm utilizado discursos que normalizam a violência, apresentando-a como uma resposta necessária a supostas ameaças ou injustiças.

