Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 1 de abril de 2020

OS GENERAIS ENTREGUISTAS E CARREIRISTAS PRONTOS PARA DEFENDER O IMPERIALISMO

Quarta, 1º de abril de 2020
Do Blog Política Econômica do Petróleo



*BRIZOLA E O GOLPE MILITAR DE 1964

* A CARTA TESTAMENTO E A MOBILIZAÇÃO NACIONALISTA

* BOLSONARO E SEUS FILHOTES DA DITADURA

* OS GENERAIS ENTREGUISTAS E CARREIRISTAS PRONTOS PARA DEFENDER O IMPERIALISMO

Por
Wladmir Coelho

1 – O golpe militar de 1964 foi financiado, planejado e executado a partir das determinações da Casa Branca, inicialmente ocupada pelo bilionário John Kennedy, assassinado antes da conclusão do projeto concluído pelo vice Lyndon B. Johnson ambos do Partido Democrata.

2 – O sucessor de mr. Johnson, mr. Richard Nixon, pertencia ao Partido Republicano e continuou apoiando a ditadura militar considerando, inclusive, o ditador General Emílio Garrastazu Médici o único “em condições de combater o comunismo soviético na América Latina” uma ladainha ainda repetida graças ao predomínio do irracionalismo base ideológica do discurso bolsonarista.

3 – O destaque que ofereço quanto a origem partidária dos presidentes dos Estados Unidos tem por objetivo chamar a atenção do interesse de Estado nos processos de intervenção – incluindo o golpe militar de 1964 – nos países da América Latina todos efetivados a partir da derrubada de governos nacionalistas entendidos estes como ameaça ao processo de controle econômico da região.

4 – Para analisar a intervenção do imperialismo estadunidense no Brasil a partir de 1964 necessitamos de um curto recuo no tempo e vamos até 1954, ano do suicídio do presidente Getúlio Vargas, reconhecendo este, através de sua Carta Testamento, a necessidade de rompimento com as forças imperialistas: “Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.”

5 – Em sua Carta Testamento Vargas, um conciliador com a burguesia, no momento de sua morte registrou a inutilidade de tal  prática política considerando a condição da burguesia nacional de submissão aos interesses imperialistas apontando, o documento, a necessidade de uma radicalização inclusive da classe trabalhadora como podemos observar ainda na Carta Testamento: “mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém.”

6 – O presidente Getúlio Vargas não escreveu, nos moldes academicamente aceitos, um manifesto a favor do socialismo e muito menos pregou diretamente a revolução deixando, todavia, um documento propondo o rompimento com o modelo econômico amparado na dominação imperialista, base da estrutura de poder nos Estados Unidos, assumindo os seus seguidores uma missão de base claramente revolucionária.

7 – Os sucessores na liderança do getulismo João Goulart e Leonel Brizola representam, com características distintas, a continuidade do processo de rompimento representando o segundo, em diferentes momentos, a radicalização através da mobilização popular e ações diretas contra os interesses econômicos estadunidenses no Brasil incluindo a nacionalização das multinacionais de eletricidade e telefonia quando governador do Rio Grande do Sul no final dos anos 50.

8 – A presidência de João Goulart, inclusive, somente foi possível graças a vitória de Leonel Brizola contra os militares golpistas em 1961 interessados em implantar naquele ano uma ditadura sempre com a velha desculpa da ameaça comunista entendida esta como qualquer ação de rompimento com o atraso econômico decorrente da dependência econômica.

9 – Leonel Brizola organizou uma corrente política nacionalista com forte presença popular incluindo a participação de setores militares, notadamente os sargentos do Exército, revelando a condição de classe de sua liderança ele mesmo um homem nascido filho de camponeses, estudante do que seria hoje a EJA, jardineiro da prefeitura de Porto Alegre graduando-se, posteriormente, em Engenharia Civil.

10 – O ódio das elites contra o povo – e Brizola foi durante toda sua trajetória o alvo predileto dos oligarcas colonizados – fundamenta-se exatamente na insegurança dos ricos diante de qualquer ameaça aos privilégios decorrentes da submissão ao imperialismo representando a crescente mobilização nacionalista, do final dos anos 50 e início dos 60, uma ameaça a continuidade do processo imperial recorrendo os seus beneficiários ao apelo direto à matriz envolvendo este desde a corrupção de generais, a compra de políticos carreiristas sempre apoiado pela cobertura alarmista dos grandes veículos de comunicação.

11 – O patriotismo ritualístico, o mesmo do bolsonarismo e seus generais carreiristas, a defesa da família e das tradições foram usados de forma hipócrita apresentando os golpistas fardados e civis planos para uma guerra civil através da Operação Brother Sam preparada pelo Departamento de Estado envolvendo desde a declaração de Minas Gerais, governada pelo banqueiro Magalhães Pinto, como nação beligerante anexando este o Estado do Espirito Santo para possibilitar o recebimento de armas, munição, combustíveis fornecidos diretamente pelos Estados Unidos com a intensão de dividir o território brasileiro através de uma guerra civil. Assim agiam os generais patriotas!

12 – Somente um completo alienado associa o golpe militar de 1964, um movimento das elites colonizadas desenvolvido a partir de Washington, ao patriotismo e defesa dos interesses nacionais caricatura efetivada graças a substituição da análise histórica de base cientifica pelo amontoado de irracionalidades e alucinações terraplanistas.

13 – O alienado, o tolo, não percebe o absurdo da transformação de um regime que perseguiu, torturou, matou em nome dos interesses imperialistas em salvação nacional e aqui recordo Leonel Brizola e sua incansável luta contra as “perdas internacionais” processo aprofundado durante a ditadura militar e atualmente ampliado através do processo de saque dos recursos nacionais e aprofundamento da exploração dos trabalhadores.

14 – Os generais carreiristas confortavelmente instalados no governo continuam guardando zelosamente os interesses do imperialismo e ao menor sinal de ameaça à ordem iniciam a conversa do perigo comunista sempre apoiados pelos mesmos donos dos meios de comunicação estes no papel de criar o pânico e desmobilizar.

15 – O golpe de 1964 foi a forma violenta de eliminar fisicamente os defensores da soberania, a independência do povo brasileiro a estes sim devemos prestar nossas homenagens através da continuidade da luta em favor da superação do nosso atraso.   

terça-feira, 10 de março de 2020

TRUMP VAI BOTAR DINHEIRO DO ESTADO PARA SALVAR INDÚSTRIA PETROLÍFERA NACIONAL

Terça, 10 de março de 2020
Do Blog Política Econômica do Petróleo
Por Wladmir Coelho

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* TRUMP VAI BOTAR DINHEIRO DO ESTADO PARA SALVAR INDÚSTRIA PETROLÍFERA NACIONAL

* BRASIL SAQUEADO PARA CUSTEAR OS GASTOS ESTATAIS NA MATRIZ

* LIBERALISMO OU MERCANTILISMO? QUAL A VERDADEIRA IDEOLOGIA DO PARTIDO NOVO?

Por Wladmir Coelho

1 - Adam Smith, lá no final do século 17, apontou os perigos da entrega de um governo aos grandes comerciantes em termos gerais, na opinião do pai do pensamento econômico liberal, uma categoria reduzida ao seu mundinho de negócios de ocasião desprovida de preocupação a longo prazo ignorando o trabalho como a base para a produção da riqueza.

2 – Ironia das ironias, passados 244 anos da sentença do pai do liberalismo econômico, em Minas Gerais um herdeiro de grandes comerciantes assume o governo estadual bradando um discurso liberal de botequim prometendo acabar com a presença do Estado na economia e colocar em dia a situação financeira cortando salários dos participantes do primeiro escalão, vendendo a Cemig, entregando o nióbio e por aí vai.

3 – O partido Novo do sr. Zema proclama-se liberal, contudo constitui um amontoado de grandes comerciantes todos defensores, vejam quanta ironia, dos fundamentos mercantilistas incapazes de detectar na base do pensamento liberal a necessária presença do Estado como entidade responsável pelo fomento e controle de setores produtivos ainda não plenamente em condições de sobrevivência e reprodução este ponto, diga-se de passagem, foi a mola para o controle burguês das instituições e suas revoluções na Inglaterra e França. Para o partido Novo o liberalismo fica reduzido ao culto da “mão invisível”.

4 – Vejamos como exemplo a postura do governo estadunidense -   sempre citado pelos novistas, bolsonaristas, enfim, entreguistas – como exemplo a ser seguido em função do “sucesso” econômico. Na matriz mr. Trump, diante da queda dramática dos preços do petróleo, anunciou o estudo de medidas incluindo desde empréstimos até a redução de tarifas de produtos importados da China tudo isso para salvar a indústria nacional petrolífera notadamente aquela associada ao xisto extremamente dependente do apoio estatal.

5 – Diante da mesma crise o que defendem os liberais do Novo, Guedes, bom rapaz Maia, generais carreiristas e demais representantes dos poderes constituídos? simplesmente a continuidade do processo de destruição do Estado e consequente abandono da economia nacional a própria sorte através das chamadas “reformas” um eufemismo para o processo de recolonização.

6 – Vejam bem, enquanto a matriz procura salvar a sua indústria e seus empregos com recursos do Estado o governo entreguista do Brasil organiza a venda, aos pedaços, na bacia das almas, da Petrobras utilizando para este fim recursos como o anuncio da demissão de pelo menos 30 mil trabalhadores nos próximos 2 anos sem falar das demissões nas subsidiárias, entrega ao capital internacional das refinarias. O negócio é vender; repetem os alucinados do governo.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

À meia-noite levarei sua alma; Bolsonaro, neoliberalismo, Petrobras e o preço do óleo diesel

Segunda, 15 de abril de 2019
Do


Por
Wladmir Coelho

O grupo governante, em sua composição civil e militar, apresenta-se claramente submisso aos interesses do imperialismo estadunidense possuindo, inclusive, um mentor ou guru residente naquele país.

As orientações do astrólogo estadunidense servem, como sabemos, para diversão do grande público enquanto os agentes do entreguismo realizam na prática as políticas de negação da soberania nacional e consequente destruição da economia nacional conforme os ditames da matriz.

O problema desta docilidade governamental ao imperialismo encontra-se exatamente no fato “sistema econômico nacional” princípio negado, em função do fundamentalismo ideológico, pelos seguidores do ministro Paulo Guedes e defendido, o fundamentalismo, ao extremo nos editoriais e colunas dos jornais de maior circulação nacional como verificou-se no episódio do cancelamento do aumento no valor do óleo diesel.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

DOUTRINA DE SEGURANÇA NACIONAL COMO FATOR DE SUBORDINAÇÃO IMPERIALISTA

Segunda, 1º de março de 2019


Do Política Econômica do Petróleo


Wladmir Coelho

Em 1931 escrevia o então capitão Mário Travassos em seu livro Projeção Continental do Brasil: “A influência mundial dos Estados Unidos é hoje realidade que não se discute. (...) É servidão contra a qual inutilmente se debatem os que contra ela se revoltam.”

Travassos revela neste ponto o inequívoco movimento do imperialismo estadunidense em direção a América do Sul prevendo como porta de entrada as bacias do Orinoco – a partir da Venezuela – e do Magdalena na Colômbia.

O motivo do interesse imperialista na região, descreve Travassos, encontra-se na “importância avassaladoramente crescente do avião e do automóvel, sem dúvida nenhuma cabem a borracha e ao petróleo as referencias que devem balizar as influências poltitico-econômicas yankees no território sul-americano.”

Decorridos 88 anos da primeira publicação da obra aqui citada verificamos a Colômbia transformada, a pretexto do combate ao tráfico de drogas, em gigantesca base militar estadunidense enquanto a Venezuela é pressionada, através da ameaça de ocupação militar, a rever o processo de nacionalização petrolífera efetivada durante o governo do coronel Hugo Chaves.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Quem não te conhece que te compre

Quinta, 7 de março de 2019


QUEM NÃO TE CONHECE
QUE TE COMPRE

Do Política Econômica do Petróleo
Por
Wladmir Coelho

Miriam Leitão e o processo de construção da imagem de inocentes e ingênuos dos políticos militares filiados ao bolsonarismo.

A citada jornalista revela sua condição chacriniana assumindo o bordão “eu vim para confundir e não para explicar” e promove uma grande confusão ao associar os generais bolsonarianos, incluindo o vice, como representantes das Forças Armadas no governo e afirma o risco destes senhores transformarem-se em “bucha de canhão nas querras que interessam apenas ao bolsonarismo”.

Primeiro é preciso esclarecer o seguinte: os militares ocupantes de cargos públicos no governo federal optaram  por uma carreira política e defenderam conscientemente uma plataforma eleitoral fundamentada nos seguintes aspectos: discurso moralista de base fundamentalista religioso, defesa do neoliberalismo, apoio incondicional ao imperialismo estadunidense, retirada dos direitos dos trabalhadores, fim das políticas sociais incluindo a destruição das universidades públicas, pesquisa e redução do acesso ao ensino básico.

Com uma plataforma destas é evidente a contradição dos generais bolsonaristas com o discurso do patriotismo, nacionalismo e mesmo com a função elementar das Forças Armadas de defesa da SOBERANIA NACIONAL.

A jornalista Leitão tenta confundir os brasileiros ao criar a imagem dos políticos militares presentes no governo como inocentes senhores envolvidos em uma trama de bolsonaristas. Isso não é verdade.

Na realidade os grandes meios de comunicação reclamam da estabilidade necessária ao governo para aprovarem o fim da aposentadoria, a entrega da Petrobras, os cortes na educação, o fim das políticas sociais, a privatização do SUS dentre outras ações nefastas cujo objetivo é oferecer mais dinheiro aos banqueiros internacionais.

O capitão Bolsonaro, ao que tudo indica, não possui as condições mínimas de liderar o projeto de destruição econômica do Brasil e não deve durar muito no cargo. O vice, o político militar general Mourão, vai recebendo a maquiagem de governante competente ocultando, a dita grande imprensa, a sua condição de aliado de primeiro momento do capitão e defensor dos mesmos fundamentos moralistas, entreguistas, autoritários.

Vamos recordar: para realizar medidas contra os trabalhadores e a economia nacional as forças entreguistas, com apoio decisivo do imperialismo estadunidense, implantaram uma ditadura de 25 anos.
Neste momento aprofundam-se estas medidas através das ditas reformas bolsonarianas estando estas, para terror da imprensa golpista e entreguista, empacadas e submetidas a pressão popular fato verificado nas manifestações durante o carnaval.

O golpe defendido por Miriam Leitão apenas revela a condição de vitória de nosso povo contra um governo de civis e militares entreguistas expondo o pavor das elites diante da derrota próxima.

Este fato, a força popular contra o bolsonarismo, aponta como caminho não a substituição, baseada na hierarquia, de um capitão entreguista por um general de igual ideologia e sim a construção de uma proposta popular e o necessário impedimento de um governo comprovadamente incompetente.

Voltando a questão militar; não é possível confundir os políticos fardados com o posicionamento das Forças Armadas hoje a caminho de novo desgaste cujo caminho para evita-lo constitui unicamente em apoiar um projeto contrário a entrega do patrimônio nacional e defesa da economia brasileira além de evitar a tragédia social embutida na chamada reforma da previdência.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

O PETRÓLEO LATINO-AMERICANO: O BRASIL E A VENEZUELA

Terça, 19 de fevereiro de 2019

Do Política Econômica do Petróleo
Por
Wladmir Coelho

A campanha contra a Petrobras concentra seus argumentos na incapacidade de uma empresa controlada pelo Estado em oferecer resultados satisfatórios entendendo como restritivo ao livre comércio a existência do monopólio estatal do petróleo conforme era previsto na Lei 2004 de 1954 responsável pela criação da petrolífera.

Neste caso precisamos observar que os defensores da livre concorrência como fator de harmonia econômica simplesmente ignoram o período de 43 anos (1891 a 1934) no qual a Constituição brasileira simplesmente garantiu ao proprietário do solo o controle do subsolo oferecendo, deste modo, a qualquer interessado privado, nacional ou estrangeiro, a exploração direta de qualquer recurso mineral.