Quinta, 29 de agosto de 2024
Da AEPET.
Por

Rosangela Buzanelli Torres
Rosangela Buzanelli Torres é engenheira geóloga formada pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). É a representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás
Folha defende privatização de estatais e ignora importância das empresas para a economia do país
Editorial do jornal paulista mostra o desconhecimento do papel crucial das estatais no desenvolvimento do país
Publicado em 28/08/2024
A Folha de S.Paulo publicou um editorial neste domingo (25) defendendo a privatização de três importantes estatais brasileiras: a Petrobrás, Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. É surpreendente como o veículo tenta apontar a ineficiência dessas empresas sem apresentar nenhum dado consistente. O editorial ou é fundamentado na ignorância, o que não se justifica para um veículo de imprensa, ou na má-fé, pois desconsidera os fatos amplamente conhecidos da eficiência e do protagonismo das empresas públicas e estatais brasileiras, especialmente das três citadas. E ignora também o papel estratégico dessas estatais no desenvolvimento social e econômico do nosso país.
Aliás, as assertivas mencionadas no editorial sobre governança, gestão e eficiência dessas três estatais, em particular, podem ser classificadas como “fake news”. Afinal, um veículo de imprensa não tem o direito de desconsiderar relatórios, fatos e dados, já fartamente divulgados.
O texto exalta o programa brasileiro de privatizações dos governos neoliberais e as vantagens das concessões. E ignora, completamente, as consequências negativas que esse processo tem trazido ao povo brasileiro, nas últimas décadas. Só como exemplos de alguns dos muitos casos existentes, vou citar os efeitos da privatização da Vale e seus crimes ambientais, que até hoje não foram reparados; o escândalo de subfaturamento da Eletrobrás; a telefonia, atualmente cara, de má qualidade e campeã de reclamações no Procon; a concessão das estradas, de onde germinam e se multiplicam pedágios; e a venda de refinarias da Petrobrás, que passaram a cobrar preços abusivos pelos combustíveis, esfolando, principalmente, o consumidor das regiões Norte e Nordeste.
Defender a privatização dessas estatais em nome do benefício da sociedade brasileira não é apenas um sofisma, mas é de um cinismo constrangedor. É ignorar o quanto essas empresas geram resultados positivos, tanto econômico quanto social, para os avanços e o futuro do Brasil. E o editorial faz isso, simplesmente descarta a relevância da Caixa, do BB e da Petrobrás.
