“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Domingo e depois

Sexta, 23 de outubro de 2026

Domingo e depois

Quem promove Flávio deseja um nada no comando do país. Uma peça vazia a ponto de oferecer moeda, títulos, empresas públicas, serviços sociais, biomas e territórios. Mas as torrentes de manifestantes abriram fissuras imprevistas no projeto. Bora, Lula! Bora, frente antifascista e antissistêmica para tudo o que virá!

Não é apenas por Flávio, é sobretudo pelo que não é. Quanto pode valer um nada na cadeira presidencial?  A candidatura-tampão do bolsonarismo nasceu com a marca de ter um preço. A soltura de Bolsonaro pai era apenas o valor de face do entreguismo.  Na verdade, o que se oferece em troca é um valor sem face na forma de transações futuras com moeda, títulos, empresas públicas, serviços sociais, biomas e territórios. Uma desconstituinte que desamarre o Estado de obrigações sociais e ambientais e a subordinação econômico-militar do país como área anexa do Império

Como o Brasil detém autonomia real e potencial para travar o projeto super-imperialista norte-americano, nada melhor para Trump que a fulguração de um holograma programável na Presidência da República do maior país da América Latina. A guerra híbrida promovida por agências do Império e por plataformas digitais busca fazer com que as eleições consagrem no segundo turno uma peça oca e insubstancial no centro das cadeias de comando do país.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Brasil privatizou refinarias e postos para pagar “Dívida Pública”, agora não consegue segurar o preço dos combustíveis

Segunda, 30 de março de 2026


Brasil privatizou refinarias e postos para pagar “Dívida Pública”, agora não consegue segurar o preço dos combustíveis


A Guerra EUA X Irã fez explodir os preços de petróleo no mundo, porém, não deveria impactar os preços do setor de combustíveis no Brasil, em grande parte auto-suficiente, e que ainda exportou US$ 29,6 bilhões mais do que importou em 2025. Ou seja, seria uma questão de matemática que, mantidos os lucros do setor de combustíveis, os preços não precisariam subir.

Porém, as privatizações ocorridas nesse setor — que é estratégico — realizadas, sobretudo, nos governos Temer e Bolsonaro (BR Distribuidora e Refinarias) fragmentaram a cadeia do petróleo e abriram espaço para que interesses privados passassem a aumentar os preços, mesmo quando não há motivo para isso.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Leonel de Moura Brizola, o brasileiro patriota derrotado pelos entreguistas.


Quinta, 22 de janeiro de 2026

Leonel de Moura Brizola, o brasileiro patriota derrotado pelos entreguistas.

Brizola com Dona Neuza e os filhos João Otavio, José Vicente e Neusinha (Reprodução)

Pedro Augusto Pinho*

Leonel Brizola, a maior liderança trabalhista brasileira, nasceu em Carazinho, distrito rural de São Bento, região noroeste do Rio Grande do Sul, em 22 de janeiro de 1922. Faleceu em 21 de junho de 2004. Foi a criança pobre que, com seu esforço, dedicação e muitos sacrifícios, conseguiu contribuir de modo importantíssimo para o Brasil.

Apenas Getúlio Vargas (1882-1954), uma inspiração para Brizola, menino rico que morreu pobre, teve tão grande importância em nossa história política. Mas ambos foram derrotados pelos escravagistas e entreguistas, que formam a maioria dos “homens públicos” no Congresso, no Poder Judiciário e no Executivo brasileiro, principalmente hoje, quando o único brasileiro a governar dois Estados, completaria 104 anos.

A vida deste líder deve servir de inspiração e exemplo para a juventude, sem escola pública de tempo integral, um ideal dos signatários do Manifesto da Escola Nova, de 1932, abraçado por Brizola sempre que foi governador, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. E que hoje estaria contribuindo para juventude do Brasil e não para morrer na flor da idade, defendendo o crime organizado, o tráfico de drogas, e a marginalidade.

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

A INTENTONA BOLSONARISTA E A URGENTE REVOLUÇÃO NACIONAL TRABALHISTA

Quarta, 20 de novembro de 2024

     Pedro Augusto Pinho

A INTENTONA BOLSONARISTA E A URGENTE REVOLUÇÃO NACIONAL TRABALHISTA

O tiro no peito do Estadista Brasileiro prorrogou o 24 de agosto de 1954 até 15 de março de 1979, quase um quarto de século, quando o poder financeiro inicia a desinstitucionalização do Brasil. E, desde então, a cada dia, nossa Pátria vai sendo privatizada e os brasileiros escravizados.

Esta intentona que envolveu o Exército Brasileiro mostrou a urgente necessidade de promover a Revolução Nacional Trabalhista, ou seja, dos brasileiros retomarem o controle do Estado Nacional, para que o trabalho de nossa gente e não as finanças apátridas sejam os beneficiários das riquezas do Brasil.

Getúlio Vargas deixou seu testamento na forma de carta aos brasileiros. Recordemo-la sempre para imortaliza-la.

“Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente”.

Que síntese maravilhosa da nossa história, das farsas, das mentiras, das ferozes razões que nos persuadem a aceitar a dominação estrangeira!

E a intentona bolsonarista pretendia colocar o Exército Brasileiro a serviço da ideologia neoliberal, de austríacos, ingleses, estadunidenses, usando a bandeira brasileira como fosse uma fantasia carnavalesca.

Quem cumpriria a missão de defender o Brasil? Apenas seu povo, tomando consciência do que nos roubavam, como marginais perigosos que verdadeiramente são “as aves de rapina (que) querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro”.

E estes inimigos da Pátria dominam as comunicações, impedem o ensino, reduzem as verbas da saúde, tiram nossas casas, alienam as construções para nossa cidadania em favor de um abstrato “mercado”.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Contra apagões de-se-lhes o ”plantão Brizola”, a defesa da soberania

Quinta, 17 de outubro de 2024
© Família Brizola/Arquivo Pessoal

Pedro Augusto Pinho*
O engenheiro Leonel de Moura Brizola (22/01/1922-21/06/2004), maior líder trabalhista depois de Getúlio Vargas, foi o único brasileiro a governar, pelo voto popular, dois diferentes Estados do Brasil. O Rio Grande do Sul, de 1959 a 1963, e o Rio de Janeiro, de 1983 a 1987 e de 1991 a 1994.

Entre seus feitos, como governador dos gaúchos, ressaltam-se as encampações de duas empresas norte-americanas. A Companhia de Energia Elétrica Riograndense, da Bond and Share e dona do monopólio da energia elétrica na Região Metropolitana, nacionalizada em maio de 1959, e a Companhia Telefônica Riograndense, de propriedade da International Telephone and Telegraph, em fevereiro de 1962.

E não se diga que Brizola era comunista, pois recusou o apoio do Partido Comunista Brasileiro (PCB), na eleição de 1958, e teve sempre os comunistas na oposição a seus governos e a suas iniciativas políticas.

Também não se afirme que Brizola era um seguidor de Fidel Castro, pois a Revolução Cubana se tornou vitoriosa em 1º de janeiro de 1959, e foi a Lei de Reforma Agrária, de maio de 1959, que permitiu a expropriação das 75% melhores terras cultiváveis de Cuba, que eram de propriedade de indivíduos estrangeiros ou de companhias estrangeiras (principalmente estadunidenses).

Brizola também foi extraordinariamente dedicado à educação, como deve ser a instrução: pública, laica, universal e gratuita. O que levou a ter contra ele a Igreja Católica, que desde os jesuítas, que vieram com Tomé de Sousa, em 29 de março de 1549, tiveram verdadeiro monopólio da educação no Brasil, fazendo-nos um país de analfabetos, porém crentes, melhor se diria, supersticiosos.

Este grande político brasileiro é a inspiração do Portal que tem por principal missão a reconquista da soberania brasileira, hoje entregue a empresas que são verdadeiras hidras, oligopólios bancários que se ocultam numa miríade de empresas, estabelecidas em paraísos fiscais e países onde o financismo exerça seu poder na política local.

Temos, neste momento em que o partido que sempre foi de Leonel Brizola e, por artifício político normativo, lhe foi arrebatado no momento que o Brasil recuperava o direito de eleger seus presidentes, o Partido de Getúlio e de Jango, o maior partido em 1964, o Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB, e agora reconquistado, entra em processo de refundação, pelas mãos do Secretário de Justiça do Governador Leonel Brizola e Deputado Constituinte trabalhista, Vivaldo Barbosa.

A INVASÃO NEOLIBERAL E SEUS MALES PARA O BRASIL

Com o golpe de 31 de março de 1964, a ideologia neoliberal entra no Brasil pelas mãos de seu maior impulsionador, Roberto de Oliveira Campos, e de instituições que, pela comunicação e pela corrupção, iludiam o povo brasileiro: o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), fundado em 29 de novembro de 1961, por Augusto Trajano de Azevedo Antunes e Antônio Gallotti, para preparar o Golpe de 1964, e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), uma organização anticomunista, fundada em maio de 1959, por Ivan Hasslocher. Com este, estiveram vários empresários — Gilbert Huber Jr., Glycon de Paiva e Paulo Ayres Filho — que viriam a constituir o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), dois anos e meio depois. Em entrevista à Folha de S.Paulo, em 1998, o general reformado Hélio Ibiapina revelou que o IBAD possuía ligações com a Agência Central de Inteligência (CIA) estadunidense. O Instituto acabou sendo extinto em dezembro de 1963, por ordem judicial, sendo integrado ao Serviço Nacional de Informações (SNI).

Simultaneamente, intelectuais liberais e neoliberais brasileiros, passaram a ministrar aulas e conferências nas Escolas de Comando e Estado Maior, das três forças, para fazer crer aos futuros comandantes e membros dos Estados Maior, que o futuro estava entregue à ideologia do mercado e eles fariam melhor apoiá-la do que a combater. Pela disciplina hierarquizada das Forças Armadas (FFAA), esta doutrinação fluía pelos oficiais de menor patente, que nos cursos e academias militares também recebiam o reforço de conferencistas e professores neoliberais.

sábado, 31 de agosto de 2024

Guerra híbrida —Em debate sobre o livro "A Conspiração da Lava Jato", Luis Nassif faz um balanço sobre os 10 anos da operação

Sábado, 31 de agosto de 2024

Na UnB, o jornalista apontou fases e relembrou trajetória da Operação que mudou a história do país

Brasil de Fato | Brasília (DF) |
 
Isabel Gomes e Cleide Martins do Lawfare Nunca Mais, o jurista José Geraldo de Sousa e o jornalista Luis Nassif - Foto: Júlio Camargo/Brasil de Fato

O jornalista Luis Nassif esteve nesta quinta-feira (29) na Universidade de Brasília para apresentar o tema de seu livro mais recente, "A Conspiração da Lava Jato: O Jogo Político que Comprometeu o Futuro do País".

O livro oferece uma análise cronológica e detalhada da Operação Lava Jato e seus desdobramentos. A tese central é que além das principais consequências políticas da Lava Jato, liderado por Sérgio Moro, que culminou na derrubada de Dilma Rousseff da presidência, prisão de Lula no calor das eleições de 2018 e projeção de Bolsonaro, houve também um desmonte de empresas privadas brasileiras e de serviços públicos. 

“A Lava Jato é apenas um capítulo final. Ele se insere em um contexto mais amplo, envolvendo a década que contribuiu para o desmonte do país. Durante esse período, foi relativamente fácil obter informações, desde que houvesse critério na busca por elas. O livro reflete um conjunto de atores que participaram da conspiração dos anos 2010, que inclui mudanças significativas no campo social e tecnológico”, disse o jornalista Luis Nassif.

No livro que tem lançamento previsto para setembro, são vários os personagens que compõem a sina da história recente brasileira detalhados pelo autor. “No livro, você encontrará atores estrangeiros, como o Partido Democrático Republicano, a indústria de armas dos Estados Unidos, a máfia dos jogos dos Estados Unidos, o Supremo Tribunal Federal, que agora está se redimindo, o Ministério Público Federal com a Lava Jato, as Forças Armadas e o crime organizado”, explica o jornalista.

Elementos do golpe

Nassif destaca que o fio condutor do  livro foi identificar os fatores que levaram ao que ele chama de “desmonte do país”.  Ele reflete que revisou os últimos dez anos desde o início da Operação um grupo de agentes, movidos por interesses políticos particulares e assessorados por agentes dos Estados Unidos, que “manipularam a opinião pública e elevaram a figura do então juiz Sérgio Moro como herói de combate à corrupção no Brasil”.

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Folha defende privatização de estatais e ignora importância das empresas para a economia do país

Quinta, 29 de agosto de 2024
Da AEPET.
Por
Rosangela Buzanelli Torres
Rosangela Buzanelli Torres é engenheira geóloga formada pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). É a representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobrás

Folha defende privatização de estatais e ignora importância das empresas para a economia do país

Editorial do jornal paulista mostra o desconhecimento do papel crucial das estatais no desenvolvimento do país
Publicado em 28/08/2024

A Folha de S.Paulo publicou um editorial neste domingo (25) defendendo a privatização de três importantes estatais brasileiras: a Petrobrás, Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. É surpreendente como o veículo tenta apontar a ineficiência dessas empresas sem apresentar nenhum dado consistente. O editorial ou é fundamentado na ignorância, o que não se justifica para um veículo de imprensa, ou na má-fé, pois desconsidera os fatos amplamente conhecidos da eficiência e do protagonismo das empresas públicas e estatais brasileiras, especialmente das três citadas. E ignora também o papel estratégico dessas estatais no desenvolvimento social e econômico do nosso país.

Aliás, as assertivas mencionadas no editorial sobre governança, gestão e eficiência dessas três estatais, em particular, podem ser classificadas como “fake news”. Afinal, um veículo de imprensa não tem o direito de desconsiderar relatórios, fatos e dados, já fartamente divulgados.

O texto exalta o programa brasileiro de privatizações dos governos neoliberais e as vantagens das concessões. E ignora, completamente, as consequências negativas que esse processo tem trazido ao povo brasileiro, nas últimas décadas. Só como exemplos de alguns dos muitos casos existentes, vou citar os efeitos da privatização da Vale e seus crimes ambientais, que até hoje não foram reparados; o escândalo de subfaturamento da Eletrobrás; a telefonia, atualmente cara, de má qualidade e campeã de reclamações no Procon; a concessão das estradas, de onde germinam e se multiplicam pedágios; e a venda de refinarias da Petrobrás, que passaram a cobrar preços abusivos pelos combustíveis, esfolando, principalmente, o consumidor das regiões Norte e Nordeste.

Defender a privatização dessas estatais em nome do benefício da sociedade brasileira não é apenas um sofisma, mas é de um cinismo constrangedor. É ignorar o quanto essas empresas geram resultados positivos, tanto econômico quanto social, para os avanços e o futuro do Brasil. E o editorial faz isso, simplesmente descarta a relevância da Caixa, do BB e da Petrobrás.

sábado, 19 de agosto de 2023

RECONQUISTAR O BRASIL PROMOVENDO A REVOLUÇÃO NACIONALISTA

Sábado, 19 de agosto de 2023

Pedro Augusto Pinho *


Há 40 anos o mundo conheceu um golpe financeiro, disfarçado sob diversas máscaras e fantasias. Ele se organizava desde a década de 1920; levou sessenta anos para alcançar o poder. No Brasil estava travestido de redemocratização. A partir das desregulações financeiras, nas duas maiores praças ocidentais, Londres e Nova Iorque, as finanças galgaram rapidamente o poder político, econômico e administrativo, e passaram de menos de uma dezena para 84 paraísos fiscais, espalhados pelo mundo.


A consequência foi a ausência de soberania para os Estados Nacionais e a desindustrialização, o desemprego, a crescente miséria, a fome e as guerras, que não deixaram de ocorrer num único ano desde a divulgação do Consenso de Washington (1989), envolvendo diretamente diversos países e, indiretamente, quase todos.


Muitos anos de guerra fria, após a disputa ideológica entre nazismo e demais ideologias na II Grande Guerra, fez a cabeça ocidental raciocinar em termos bipolares: democracia vs ditadura, comunismo vs democracia, capitalismo vs ditadura, sem se dar conta da pedagogia colonial, embutida nestas opções, que sempre colocavam os Estados Unidos da América (EUA) num polo e qualquer outro país ou associações nacionais no outro.


Hoje, quando já não existem Estados Nacionais, mas representações financeiras, ou de gestores de ativos, coordenando as administrações e instituições políticas nos países, ainda se menciona os EUA como uma parte, onde estão as finanças apátridas. É só verificar como está a população estadunidense para confirmar que mesmo aquele país, que elaborou há quase dois séculos e meio uma constituição plutocrática, se curvou às finanças apátridas.


O Brasil, que foi colônia de Portugal e da Inglaterra, só teve 50 anos de governos nacionais, e, mesmo assim, poucos sem render tributo aos capitais estrangeiros (1930-1980).


A situação brasileira de hoje nos remete à República Velha, submetida aos banqueiros ingleses. Temos representantes das finanças apátridas na gestão do Brasil. E em todas as representações formais do governo nacional: o judiciário, o legislativo e o executivo, como discorreremos a seguir.


OS PODERES E O CAPITAL APÁTRIDA


É relevante entender a ação do capital financeiro como um poder. Não se trata de colocar capitalismo e socialismo em disputa. É dentro do próprio capitalismo que o poder financeiro combate o capital industrial, o trabalho e qualquer forma de domínio, como a conquista tecnológica.


Trata-se de exercer o poder em proveito das finanças, e somente delas. Mas isso seria aceito por todos, que constituem a imensa maioria das pessoas, que trabalham e investem, na produção, seu dinheiro e seu talento? Claro que não. Apenas os que se locupletam com o rentismo, seja monetário seja fundiário, podem apoiar o poder das finanças.


Então as finanças vestem fantasias, colocam máscaras para simular o que não são: agentes necessários e corretos em prol da sociedade. Vejamos um exemplo que está nos noticiários das televisões brasileiras nos últimos dias, especialmente o que tem efetivo monopólio privado da comunicação: o sistema Globo.


A energia elétrica brasileira teve entregue seu controle e lucro para o capital financeiro; uma negociata de bilhões de dólares que renderão milhões de dólares anuais. Estamos tratando da venda da Eletrobrás, em todo território nacional, e da Copel, no Paraná. Mas é este escândalo que já provocou um apagão e aparecerá nas contas de todos usuários proximamente que é tratado nas televisões? Nem por sombra.


O que domina o noticiário é alguns milhões de dólares em jóias, criminosamente obtidos, é claro, que serviram para facilitar a entrega de parte da geração de energia, esta de fonte fóssil, a capitais árabes, pelo governo anterior. E por que? Porque embora tenha sido um serviçal das finanças apátridas, a cúpula do executivo não mostrou competência, inteligência para agir sem deixar rastros. Foi suficientemente estúpida para o capital financeiro, mesmo tendo colocado Paulo Guedes e Roberto Campos Neto no governo, não quisesse sair junto na foto.


Apenas mais um exemplo, que atinge certamente o caro leitor que tem conta, mesmo modesta, em banco no Brasil.


A Lei 14.185, de 2021, que teve origem no Projeto de Lei 3.877/2020, do senador pelo Partido dos trabalhadores (PT), de Sergipe, Rogério Carvalho, deu aos bancos a possibilidade de aplicar, diariamente, no Banco Central (BC), o saldo das contas dos clientes em “depósitos voluntários remunerados”, para receita das instituições financeiras.


O projeto, que foi aprovado e sancionado em tempo recorde, teve objetivo formal de dar ao BC “ferramenta para controle da moeda que tivesse impacto menor sobre a dívida pública”. Já denunciando a malandragem que continha. Vamos descrever este sistema.


Como caro leitor sempre ouve e lê nas mídias, o grande problema do Brasil é a dívida pública, que não permite construir hospitais, asfaltar estradas, pagar melhor os professores e tudo que não seja “honrar a dívida”, com os mais altos juros do mundo. No entanto, desde o Governo de Getúlio Vargas não se realiza a auditoria da dívida pública. Quando foi realizada, em 1931, a dívida brasileira foi reduzida a 40% da que vinha sendo cobrada, desde a República Velha.


Ao aplicar o seu dinheiro depositado no Banco, para o enriquecimento dele, pelo “overnight”, o Banco Central necessita emitir um documento de dívida que vai aumentar a dívida do Brasil e, em consequência, justificar as altas taxas de juros que nos são cobradas. Que safadeza, não é mesmo? Mas foi aprovada pelo Poder Legislativo, sancionada pelo Poder Executivo, e se alguém arguir sua ilegitimidade junto ao Poder Judiciário, ainda estará sujeito a pagar a sucumbência pelo atrevimento!


ENERGIA BRASILEIRA, CONTROLE E LUCRO ESTRANGEIRO


O Brasil, visto sob a perspectiva da produção de energia, é o mais rico país do mundo e que tem a matriz energética menos poluidora. Verdadeiro prêmio da natureza.


Detalhemos. Em todo mundo, são as energias fósseis responsáveis por 82% da energia consumida, destas o petróleo (óleo e gás) respondem por 55% (BP Statistical Review of World Energy, 2022). No Brasil, as fósseis respondem por 53%, o petróleo por 47%, a hídrica por 27% e as renováveis por 10%; estas últimas, no mundo, atendem a 6,5% das necessidades, percentagem praticamente idêntica à hidroeletricidade.


O significado da energia é o da soberania nacional. O que é um país sem energia? Imagine o leitor sem geladeira, sem luz elétrica, sem energia para alimentar seu celular e ligar a televisão? Como seria sua vida?


Agora imagine que o interesse na energia se resuma ao lucro no fornecimento e que é impossível a competição – nenhum país no mundo tem na porta das casas, das lojas, das fábricas mais de um relógio a medir o consumo de energia para emitir a fatura. E, muito menos, a opção pela fonte geradora da energia.


São, fonte, produção, distribuição, fornecimento, responsabilidades públicas, dos Estados Nacionais, jamais da abstração de “mercado”.


O Brasil ao privatizar a energia está privatizando sua soberania, entregando às finanças apátridas, aquelas residentes em paraísos fiscais, inatingíveis pelas justiças, o poder sobre a vida de todos os brasileiros.


Definitivamente, o governo — executivo, legislativo e judiciário — que permite e promove a privatização da energia não é de brasileiros, portanto cabe-nos expulsá-lo do Brasil.


Onde está a energia brasileira? Na Eletrobrás, na Petrobrás, na Nuclebrás, na Biobrás, nas empresas estatais, nacionais e estaduais, de capital e governança nacionais, que têm capacitação técnica e recursos para nos garantir energia em todo território, de boa qualidade, ou seja, em potência e continuidade de fornecimento, e em preço adequado à economia do País e aos recursos da população.


Desde o presidente Ernesto Geisel que o mais alto dirigente do Brasil não se debruça com competência e seriedade na questão energética. Mas ele era um ditador, um torturador, um assassino! E o que temos hoje? Que democracia é essa que nos empurra estes defensores, advogados de multinacionais, de finanças apátridas que inundam o Congresso? Que defesa da população é essa que as polícias assassinam crianças diariamente em todo País? Que pobres, pretos, índios são torturados, sem saber por que, em quartéis, delegacias, instalações do Estado?

Vive-se o golpe financeiro, que inicia este artigo, sempre corrupto, sempre corruptor, sempre chantagista, sempre fantasiado para não ser reconhecido. Tirar sua máscara, denunciá-lo já é iniciar a revolução libertadora da Pátria Brasileira.

 

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, ex-membro do Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra (ESG), atual presidente da AEPET – Associação dos Engenheiros da Petrobrás.

segunda-feira, 10 de abril de 2023

DEUS E DIABO PROSSEGUEM DISPUTANDO A TERRA DO SOL

Segunda, 10 de abril de 2023

    Pedro Augusto Pinho*


DEUS E DIABO PROSSEGUEM DISPUTANDO A TERRA DO SOL

“Os objetos não têm os aspectos que encontramos neles. A tela da memória volta para trás projetando ao contrário infinitos instantes. Cenas, coisas, fatos, que se superpõem sem se misturarem” (Augusto Roa Bastos, Eu, o Supremo, 1974).


“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” (Bíblia Novo Testamento, João 1:1-5, circa 80 d.C.).


“Se o Deus benevolente e justo é um substituto do pai, não é de admirar que também sua atitude hostil para com o pai, que é uma atitude de odiá-lo, temê-lo e fazer queixas contra ele, ganhe expressão na criação de Satã. Assim, o pai, segundo parece, é o protótipo individual tanto de Deus quanto do Demônio” (S. Freud, Uma neurose demoníaca do século XVI, 1923).

Nação e religião convivem e disputam o Brasil. A religião eram as Ordens, admitidas pela autoridade inconteste do Pontífice Máximo. Porém quem garantia a Nação? O Rei, o Imperador, o Presidente, representantes do poder político? 0s senhores da terra, do capital, das riquezas, donos do poder econômico, ou as forças armadas, explícitas agentes do poder militar?


450 ANOS DE BRASIL

A religião toma conta do Brasil. Com o poder do Estado colonizador português, chegou a religião para tudo que não fosse as finanças reais, a repressão interna e a defesa contra outras nações colonizadoras. A vida das pessoas, querendo ou não, era e será conduzida pela religião. É a razão pela qual a história constata, mas não questiona, que não houve povo na Independência?

A Independência do Brasil foi uma questão da aristocracia, dos poderosos, caso único no mundo em que a independência mantém regime e pessoas do sistema colonial. E pior, a compra ao colonizador por dois milhões de libras esterlinas que, não dispondo, submete a ex-colônia a outro colonizador: as finanças da Inglaterra, que governarão o Brasil Império e o Brasil Primeira República. Esta situação histórica volta com a redemocratização, ao final do século XX, atualizada pela ideologia neoliberal e pelas finanças euro-estadunidenses.

Também não houve povo, na proclamação da República. “O estudo da participação política dos militares no Segundo Reinado passa pelo reconhecimento sui generis que vivia o Império Brasileiro no tocante ao papel das Forças Armadas em seu contexto regional. Ao contrário de nossos vizinhos, onde a presença do exército na política tinha sido fundamental desde a independência, no Brasil essa presença foi declinante”. “A formação da academia militar do Império era fortemente marcada pela presença do ensino técnico. Estudos de mineralogia, geografia, matemática diferenciavam o modo do pensamento militar do pensamento típico dos bacharéis em direito que governavam o Brasil do século XIX”. “O exército se autoincumbia da missão regeneradora da nação que, em alguma medida, permanecerá por mais de um século, com consequências políticas sérias para a vida nacional” (João Daniel Lima de Almeida, História do Brasil, Fundação Alexandre de Gusmão, Brasília, 2013).

Não há causa única nos fenômenos sociais. Os militares se dividiam em “doutores” e “tarimbeiros”, os primeiros estudiosos, receptores de filosofias, como o positivismo, importadores de exemplos, como dos turcos de Mustafa Kemal Atatürk, fundador da República da Turquia.

Os tarimbeiros, nome originado de tarimba, ripa de madeira que formava o leito dos quartéis, tinham conhecimento empírico, eram os experientes.

O abolicionismo, com diversas percepções, foi um divisor de águas da sociedade escravista aristocrática com o exército. Esta situação tem um estopim: a recusa do Major Sena Madureira, professor de esgrima dos netos do Imperador, de colocar seu regimento à cata de negros fugidos, como desejava o Marquês da Gávea, Manuel Antônio da Fonseca Costa, rico carioca, conselheiro do Exército e comandante-superior da Guarda Nacional.

A insurreição de Sena Madureira ao Marquês da Gávea não foi seu único feito. Servindo na Escola Militar, nos primeiros anos da década 1880, recebe o jangadeiro cearense Francisco José do Nascimento (Chico da Matilde) que liderara os jangadeiros de Fortaleza a não transportar escravos do Ceará para o sul. Sena Madureira é punido, defendido por Deodoro da Fonseca, e divide os militares.

O Regimento Militar de Fortaleza é transferido para Belém, no Pará. Sena Madureira saiu da capital para o Rio Grande do Sul.

Os historiadores se dividem na questão do abolicionismo nos quartéis.

E a religião? Igreja e Império consolidaram relações muito próximas nas esferas políticas e religiosas portuguesas. No espaço colonial, membros da Igreja ocupavam posição de destaque auxiliando na administração e no regulamento dos costumes. Em contrapartida, o próprio Vaticano emitira, ainda no século XVI, autorização para que os reis portugueses pudessem tratar dos ordenamentos na Igreja, em regiões ultramarinas, pelo chamado Padroado Régio.

No entanto, durante o Segundo Reinado, grave crise se instaurou entre Pedro II e os clérigos católicos brasileiros. Tudo começou em 1864, quando o papa Pio IX enviou nova bula determinando que todos os católicos, envolvidos com a prática da maçonaria, fossem imediatamente excomungados da Igreja. O que atingia diretamente Dom Pedro II, que integrava os quadros da instituição censurada.

Desta situação decorre a Questão Religiosa, pois Pedro II não reconheceu o valor da ordem dada pela Santa Sé, o que não teria maiores repercussões, tendo em vista que a maioria dos clérigos brasileiros apoiava incondicionalmente o regime monárquico, se não fossem os bispos de Olinda e Belém preferirem acatar a orientação de Pio IX, promovendo a expulsão dos párocos envolvidos com a maçonaria.

Inconformado com a insubordinação destes bispos, o imperador reagiu com a condenação dos mesmos à reclusão e prestação de trabalhos forçados. Imediatamente, os membros da Igreja passaram a atacar o regime imperial dizendo que Pedro II cometera ato de extremo rigor e autoritarismo. Mesmo anulando a decisão, o governo imperial perdeu fundamental e influente base de apoio político ao regime (apud Rainer Sousa, Mestre em História).

Como se observa, por todos estes 450 anos, o enriquecimento produzido no Brasil foi, primordialmente, transferido para o exterior e apropriado por ínfima minoria de brasileiros, que combatiam qualquer perspectiva de mudança.


50 ANOS DE BRASIL

Neste minoritário tempo de nossa história, o Brasil foi dirigido em grande parte pelo Estado Nacional, satanizado por religiosos e por interesses estrangeiros. Considerando que apenas algumas religiões de matriz africana foram desenvolvidas no Brasil, pode-se, sem erro, afirmar que as religiões sempre representaram aqui interesses forâneos. Algumas, de cunho calvinista, como as neopentecostais, têm, como a católica, seus mais destacados chefes com residência no exterior.

O primeiro período se inicia com a Revolução de 1930 e dura 15 anos, aos quais se acrescenta o segundo governo Vargas, de 1951 à sua morte, em 24 de agosto de 1954, totalizando 19 anos. O segundo período foi o curto Governo João Goulart, dois anos e meio. O terceiro vai da posse de Artur Costa e Silva, 1967, ao fim do Governo Geisel, em 1979, 12 anos. Ao todo 33 anos e meio de governos onde o interesse nacional prevaleceu para as decisões políticas (mar continental brasileiro), econômicas (criação de empresas estratégicas nacionais) e sociais (alfabetização e direitos trabalhistas e previdenciários).

No período complementar houve algum tipo de acomodação entre os interesses nacionais e as pressões estrangeiras.

Embora a divulgação de indicadores econômicos seja a mais habitual maneira de demonstrar o nível de um país, o indicador mais relevante é o da apropriação nacional da produção doméstica, tanto no setor econômico, quanto no intelectual e, principalmente, no social, o bem estar do povo.

A incorporação de setores pobres, trabalhadores, populares nas participações em políticas nacionais foi o grande feito da Era Vargas que perdurou por meio século. Este feito foi todo realizado nos 19 anos de Governo do Estadista Getúlio Dornelles Vargas. Inexistia no Brasil anterior, e foi sendo desfeito a partir do Golpe de 1964 até ser objetivo explícito de destruição com a conquista neoliberal do poder, na “redemocratização” dos anos 1980 e pelos governos que se seguiram.

A grande questão que nos é imposta não pode ser desprovida de significado intrínseco, como assinala Felipe Quintas (“Nacionalismo Brasileiro: Fundamentos, Intérpretes, História”, artigo no Monitor Mercantil, Opinião, 05/04/2023): “direita e esquerda representam uma topografia política que não faz jus à complexidade brasileira” ao que acrescento, e servem de ocultação a interesses alóctones, no mais das vezes intencionalmente encobertos.

“Durante a Primeira República, os principais atores da vida política nacional eram os Estados da Federação e, dentro destes, suas respectivas oligarquias. A Federação era, em realidade, uma união de estados hierarquizados, com poder desigual” (L. R. Pecoits Targa, “Gaúchos e Paulistas na Construção do Brasil Moderno”, Mottironi Editore, Torres, 2020).

Após a Revolução de 1930 tem início o processo de centralização que ganha força com a Constituição de 1937. Esta centralização é desfeita com a Constituição de 1946, mas retomada com a Constituição de 1967. Não é portanto de se admirar que os períodos de maior desenvolvimento brasileiro tenham ocorrido nas vigências das Constituições de 1937 e de 1967. Usando a terminologia atual, os governos dos “centrões” foram os mais corruptos, pois exigiam troca de favores e de poderes para manter as oligarquias estaduais que os mantinham; a Constituição de 1988 só por piada pode ser denominada “cidadã”, pois é introdutória do afastamento do povo da participação política, quer pela alienação dos currículos escolares, por ação das igrejas, em especial a neopentecostal, quer pela falta de instrumentos que vocalizem as questões de efetivo interesse popular, pelo monopólio das comunicações.


A AGRESSÃO NEOLIBERAL

A sucessão do Presidente Geisel foi a primeira intromissão efetiva do neoliberalismo na política brasileira. A partir desta tomada do poder político, o Estado Nacional vem perdendo soberania e o povo brasileiro cidadania.

No Governo Sarney (1985-1990) 18 estatais, avaliadas na época em US$ 533 milhões, foram privatizadas, outras 18 estatais foram transferidas para governos estaduais, duas estatais foram incorporadas por instituições financeiras e quatro fechadas. As maiores estatais privatizadas no período foram a Riocel e a Aracruz Celulose, ambas na área de celulose; a Sibra (maior empresa produtora de ferro-liga), a Caraíbas Metais (metalúrgica de cobre) e a Companhia Brasileira de Cobre – CBC.

O Governo Fernando Collor (1990-1992) prosseguiu com as privatizações como parte de seu programa econômico, ao instituir o PND – Programa Nacional de Desestatização, pela Lei n.º 8.031, de 1990. 18 foram efetivamente privatizadas, pois Fernando Collor teve sua ação obstaculizada com os problemas surgidos na privatização da Viação Aérea São Paulo – VASP. Na área siderúrgica, foi extinta a empresa holding Siderurgia Brasileira S.A. – SIDERBRAS, após absorver os passivos das empresas subsidiárias e privatizada a USIMINAS (1991). O Grupo Gerdau, que adquiriu a maior parte das empresas siderúrgicas, foi naquela época o maior beneficiário.

O Governo Itamar Franco (1992-1995) privatizou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Aço Minas Gerais (Açominas), a Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa) e a Embraer.

Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), adotou as recomendações do Consenso de Washington (1989) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostrando seu propósito de implementar amplo programa de privatizações. A grande mineradora, Companhia Vale do Rio Doce, a Telebrás, monopólio estatal das telecomunicações, e a Eletropaulo, foram assim subtraídas do povo brasileiro.

O governo Lula (2003-2010) foi responsável pela concessão de cerca de 2,6 mil quilômetros de rodovias federais, leiloadas em 9 de outubro de 2007, para explorar, por 25 anos, os pedágios nas rodovias. As estradas concessionadas e os respectivos concessionários são:

BR-381 Belo Horizonte (MG) – São Paulo (SP) - grupo OHL; BR-393 Divisa (MG-RJ) – Via Dutra (RJ) – Acciona; BR-101 Ponte Rio–Niterói (RJ) – (ES) - grupo OHL; BR-153 Divisa (MG-SP) – Divisa (SP-PR) - BR VIAS; BR-116 São Paulo (SP) – Curitiba (PR) - grupo OHL; BR-116 Curitiba (PR) – Divisa (SC-RS) - grupo OHL e BR-116/376/PR-101/SC Curitiba (PR) – Florianópolis (SC) - grupo OHL. O governo Lula privatizou a Hidrelétrica Santo Antônio, a Usina Hidrelétrica de Jirau e a Linha de Transmissão Porto Velho (RO) – Araraquara (SP).

A Petróleo Brasileiro S.A. PETROBRÁS, a maior empresa brasileira, criada em 1953 por Getúlio Vargas, que transformou o Brasil de importador de derivados de petróleo em País autossuficiente em petróleo e derivados vem sendo privatizada aos pedaços, pois é grande demais para ser vendida de uma só vez. Todos os governos da era neoliberal deram alguma contribuição para a entrega a terceiros deste símbolo da capacidade brasileira.

Nos três últimos governos foram privatizados, conforme Privatômetro:

Total de desinvestimentos da Petrobrás (valores de 06/2022)


A mesma fonte apresenta, por área de atuação, as privatizações realizadas na Petrobrás.

“Maior parcela do que foi vendido é da área de Exploração e Produção (E&P). São ativos como: (i) 25% do Campo de Roncador e o (ii) bloco exploratório BM-S-8, na Bacia de Santos, ambos vendidos para a Equinor; (iii) participação de 10% no Campo de Lapa, vendido para a TotalEnergies; e (iv) participação de 50% na Petrobrás Oil & Gas B.V. (PO&GBV), empresa com ativos na Nigéria, vendida para holding holandesa.

O segundo setor com maiores privatizações foi o de Transporte, neste caso transporte de gás natural. Este setor é o responsável pelo transporte via gasodutos de gás natural no país. A Petrobrás vendeu a Nova Transportadora do Sudeste (NTS) e a Transportadora Associada de Gás (TAG), que, juntas à Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil S/A (TBG), detêm praticamente toda a malha dutoviária de gás natural do Brasil. Como são empresas gigantes, as privatizações da NTS e da TAG somaram em valores atuais quase R$ 70 bilhões, um quarto de toda privatização fatiada da Petrobrás.

O terceiro setor que mais sofreu com privatizações foi o da distribuição e revenda. Neste setor foram vendidas três empresas fundamentais para a economia brasileira: a BR Distribuidora (maior distribuidora de combustíveis líquidos do país), a Gaspetro (distribuidora de gás natural que detém participação em grande parte das distribuidoras estaduais de gás natural do Brasil) e a Liquigás (maior distribuidora de gás de cozinha – GLP do Brasil, vendida para uma das concorrentes).

Na quarta posição temos o refino. Este é um setor estratégico no plano de privatizações dos últimos governos e da Petrobrás. A Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, foi a primeira refinaria estatal vendida e única que já está em operação privada. Renomeada como Refinaria Mataripe, está sob gestão da Acelen desde dezembro de 2021, empresa criada pela Mubadala Capital, subsidiária de gestão de ativos da Mubadala Investment Company, dos Emirados Árabes. Além da RLAM já tivemos a assinatura de venda da Reman (Amazonas) e Lubnor (Ceará), além da venda das refinarias estrangeiras de Pasadena (EUA) e Nensei Seikyu (Japão).

Por fim, ainda temos privatizações na área de Biocombustíveis, Petroquímica e Geração de Energia” (Fonte: Privatômetro, atualização realizada em 1º de agosto de 2022).

Assim se esvai a Soberania, advinda do petróleo do Brasil, para o Canadá (22,7%), a França (19%), a Noruega (11,2%), os EUA (5,9%), o Japão (5,3%), os Emirados Árabes (4,5%), a Espanha (3,5%), a Malásia (3%), a Argentina (2,1%), a Austrália (1,8%), o Reino Unido (1,6%), o México e o Paraguai (9,0%, cada) e Portugal (0,01%).

A Cidadania se foi com o Micro Empreendedor Individual (MEI) sem direitos trabalhistas nem previdenciários, a nova escravização. O neoliberalismo faz o Brasil empobrecer, o operário ficar sem emprego, a família sem comida e a doença e a fome tomarem conta do país que tem a maior riqueza natural do planeta.

“Espero que o sinhô

Tenha tirado uma lição

Que a terra é do homem

Num é de Deus nem do Diabo” (Glauber Rocha e Sérgio Ricardo, Romance do Deus Diabo, 1964).


*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, atual presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET.

sexta-feira, 17 de março de 2023

E A BAHIA? MEU SENHOR DO BONFIM!

Sexta, 17 de março de 2023

Por Pedro Augusto Pinho*

E A BAHIA? MEU SENHOR DO BONFIM! 

 

Abrangente malignidade tomou o mundo ocidental no século XX: a ideologia neoliberal.  


Formado nas falácias, na hipocrisia, o neoliberalismo no poder resultou em um mundo de guerras, desemprego, fome, onde a carência, as faltas se dão pela ausência da produção e pelas dificuldades na aquisição. Veja-se, como exemplo, a Europa desprovida de energia, pela intencional destruição de gasoduto, pela política de exclusão de populações e pela desconsideração com o ser humano, neste século XXI de domínio neoliberal. 


O pensamento ocidental se dividiu, desde o início, entre corrente realista, que partia das relações observáveis da natureza, do meio físico e social em que se vivia, e a imaginosa, idealista, utópica. Dentre os primeiros, encontra-se Heráclito, de Éfeso, para quem tudo está sempre em mudança. Observação que Platão transformará em processo, o diálogo, maneira de educar (maiêutica). 


Perguntas e respostas que levarão à verdade, ao conhecimento, denominado, também, método socrático. Nesta linha, o iluminismo dos setecentos gerou o filósofo alemão Hegel, que colocou a dialética a serviço dos fenômenos do espírito, do mundo das ideias. 


Outro alemão, Marx, logo em seguida, toma este processo de contradições para analisar a sociedade humana, o mundo concreto e visível da vida em sociedade, e encontrou nas relações de trabalho sua resposta: os opostos eram os trabalhadores e os patrões, a luta de classes, assim sintetizada. 


Mas a teoria da informação viria criar, entre as grandes guerras da primeira metade do século XX, um obstáculo a esta contradição baseada no trabalho: a robotização, as relações virtuais. 


O neoliberalismo aproveita estas questões e as guerras que se desencadearam para sua primeira falácia: ou se está com o capital ou com o trabalho, não há convivência possível. E o capital é livre, gera oportunidade para todos, democrático; enquanto o trabalho se impõe pela força, é opressor, ditatorial.  


E, por cerca de 70 anos, o neoliberalismo, corroendo as conquistas do trabalho, impôs a falsa dualidade do próprio marxismo: ou você está com o capital ou com o trabalho. 


Nosso Brasil, tão pouco estudado pelos próprios brasileiros, foi um dos países que desenvolveu seu pensamento próprio, fora da dualidade incômoda, irreal e antinômica do capital e trabalho. E o produtor individual? E o comerciante de seu negócio? E o profissional de seu conhecimento? 


A síntese veio com o que se convencionou denominar “nacional trabalhismo”, a doutrina política do Governo Vargas, implantada durante seus períodos de Presidente do Brasil, e que nos proporcionaram meio século de crescimento, o maior dentre as nações em seu tempo, e de distribuição de riqueza e saber entre a população. 


O neoliberalismo, entre nós, veio combater o nacional trabalhismo e seus seguidores. 


Solerte como sempre, o neoliberalismo distorce a realidade nacional trabalhista, trazendo apenas o que criara, por todas as mídias e processos educacionais, durante o período de 1917 a 1991: o anticomunismo. 


Já nem mais existindo, como a maioria dos cultos animistas, após o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), o fantasma do comunismo assusta como um bicho papão, às crianças, ou o Velho do Restelo (Camões, “Os Lusíadas”.), aos mais lidos: 


“Chamam-te Fama e Glória soberana, 

Nomes com quem se o povo néscio engana!”(Canto IV, 96). 

 

INFILTRADOS NA RECONQUISTA DA SOBERANIA 

 

Os neoliberais, reconheçamos, têm estrutura de atuação invejável; digna dos que assaltam todos povos e países para usufruir das vantagens do poder e assenhorear-se de suas riquezas. Planejam ações com antecedência, as vão reformulando conforme se desenvolvem as respostas das sociedades, criam instrumentos e situações diversionistas, lançam e desaparecem com veículos de comunicação; nada é feito de improviso. E assim conquistam e mantem seus ganhos.

 

Um capítulo especial deve ser destinado a explicar sua conquista do poder. É óbvio que a corrupção, o suborno e a chantagem são utilizados de modo amplo, geral e irrestrito. 


Poder-se-ia classificar os colaboradores do neoliberalismo em quatro grupos: 

 

(a) os ingênuos, pobres de letras e de espírito, que não percebem as causas de suas desditas;  


(b) os colonizados, aqueles que desde o nascimento são instruídos nos preceitos colonizadores, pela tradição, pela instrução, pela fé, por acomodação e descaso, para estes as comunicações de massa exercem importantíssima influência; 

 

(c) os oportunistas, os venais, não ignoram os males do neoliberalismo, das consequências de suas ações, mas imaginam que podem tirar vantagens pessoais colaborando com este poder;


(d) finalmente, uns poucos que acreditam, os adeptos que, nos limites de suas compreensões, exacerbam os males da fraternidade, da solidariedade e até da justiça social. Estes últimos têm um misto de ódio e de medo dos pobres. 


O Brasil submeteu-se ao neoliberalismo a partir de 1980, quando o mundo aprovava as desregulações financeiras, trazendo grande facilidade para as transferências de patrimônio e receitas, aumentando extraordinariamente a corrupção e o número de “paraísos fiscais”. 


Aqui, exacerbando as mazelas do regime autoritário, implantado a partir de golpe de estado de 1964, tramado e financiado pelos Estados Unidos da América (EUA), que até enviou agentes para orientar os nativos envolvidos (Vernon A. Walters), excluiu o golpe dentro do golpe, em 1967, que colocou no governo militares que viveram as transformações da Era Vargas, e agiam com interesse nacionalista (Costa e Silva, Médici e Geisel).

 

Desta maneira, o que poderia ter sido uma abertura para participação do povo no governo, foi principalmente, e depois unicamente, a abertura da economia brasileira aos capitais estrangeiros. 


Vivemos desde 1990 o período neoliberal, onde não apenas as conquistas tecnológicas, econômicas (Petrobrás, Eletrobrás, Nuclebrás, Embratel, Embrapa, Embraer, Itaipu, BNH), também os direitos trabalhistas e previdenciários, da saúde e da educação e cultura (INPS, Ceme, Mobral, Embrafilme, Dataprev, FGTS, Funrural, Programas de Alimentação – Pnae, Pca, Procab e Proab) foram saindo das mãos brasileiras, do poder nacional, para as finanças apátridas ou para o desaparecimento.

 

Desde 1990 até 2023, não houve recuperação das perdas nacionais pelas ações dos mais neoliberais governantes. 


Nenhuma reserva de petróleo voltou para Petrobrás, o ensino de tempo integral não foi restabelecido, as faculdades privadas passaram a receber alunos com financiamento estatal, ao invés deste recurso ir para as escolas públicas, os planos de saúde e previdência administrados pelo sistema bancário procuram desacreditar para substituir os órgãos públicos de previdência e a assistência. 


Todos os governos pós-redemocratização tiveram no poder representantes das finanças apátridas; uns mais outros menos, mas nenhum deixou de dar sua contribuição à desnacionalização dos empreendimentos brasileiros, à evasão das receitas obtidas com a mão de obra e recursos naturais brasileiros, e à desoneração dos ganhos financeiros. 


Também a probidade pessoal é irrelevante se a desnacionalização das riquezas nacionais é mantida e não há ação do Estado para que este patrimônio, muitas vezes insubstituível e que não se repõe, gere, primordial ou unicamente, riqueza e renda para o povo brasileiro. 


O terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva está quase integralmente composto de infiltrados, ou seja, daqueles que, se posicionando como políticos ou profissionais brasileiros, agem para proteger e facilitar as ações dos capitais financeiros internacionais. 


Lula não é um político criado no nacional trabalhismo. Ao contrário, o seu pouco conhecimento da história do Brasil levou-o a combater politicamente o herdeiro do nacional trabalhismo, Leonel Brizola, e ajudar a desmontar um eventual partido nacional trabalhista. 


Como afirmamos, o neoliberalismo age com planejamento, estuda detalhadamente as ações, como jogador de xadrez. A prisão de Lula foi montada em operação totalmente estruturada nos EUA com a participação dos ingênuos, colonizados e oportunistas aqui nascidos. Lula é sem dúvida o político mais popular do Brasil e único que pode dar continuidade ao que Jair Bolsonaro, ignorante, desastrado e imaturo, não soube prosseguir: o desmonte do Estado Nacional, para que não haja possibilidade de retomarmos o controle das riquezas nacionais, gerenciarmos este patrimônio em favor do Brasil e dos brasileiros. 


Não há que se iludir. E os petroleiros deram em Salvador, terra de Nosso Senhor, uma prova de ingenuidade, ignorância ou daquela esperteza que atinge, mais do que a qualquer outro, o esperto: prestigiou o infiltrado que preside a Petrobrás, que ele já lutou para a privatizar e agora vai, com toda assessoria das finanças apátridas, certamente conseguir. 


O evento ocorreu no domingo, 12 de março, na sede do Clube dos Empregados da Petrobrás. E este competente lobista falou como Brizola dizia da galinha: cisca para trás, cacareja para esquerda e bota ovo para direita. 

 

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, foi do Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra (ESG), atualmente preside a Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET.