Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 3 de outubro de 2021

DIA DA AGROECOLOGIA. Por que agricultores e pesquisadores defendem que agroecologia pode sanar a fome no Brasil

Domingo, 3 de outubro de 2021

"A agroecologia nos oportuniza pensar e agir, e consequentemente transformar muitas realidades, territórios e vida", afirma a presidenta da ABA - Divulgação Cooperar


"Nós produzimos a maior parte do que a população come", diz agrofloresteiro: "o que falta é vontade política"

Gabriela Moncau
Brasil de Fato | São Paulo (SP)
03 de outubro de 2021

O 3 de outubro, Dia Nacional da Agroecologia, chega nesse ano de 2021 no momento em que mais da metade da população brasileira vive com insegurança alimentar. Mais do que um modelo de agricultura baseado em conhecimentos tradicionais de interação com o ambiente por meios sustentáveis; agricultores, pesquisadores e ativistas ouvidos pelo Brasil de Fato apontam que a agroecologia é o caminho para responder à crescente devastação do meio ambiente, para desenvolver soberania nacional e capaz de sanar a fome de toda a população. 

"A agroecologia se apresenta, nesse contexto de sindemia covídica como a estratégia possível de enfrentamento à fome porque ela traz o olhar a partir de um passo atrás ao ato de se alimentar", descreve Islândia Bezerra, pesquisadora e presidenta da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA). "O passo da produção de alimentos que enfatiza a natureza como sujeita de direitos", resume. 

Marcos José de Abreu, conhecido como Marquito, é vereador em Florianópolis pelo PSOL e foi autor do projeto de lei que fez da capital santa catarinense o primeiro município do país a banir agrotóxicos de seu território. 

Em sua opinião, as cadeias agroecológicas — diferentemente do setor econômico do agronegócio — estão pouco suscetíveis ao mercado financeiro global de commodities. Assim, avalia Marquito, "o modelo mais adequado para alcançarmos uma soberania nacional é o agroecológico".