Sexta, 23 de outubro de 2020
Embora Luis Arce rejeite papel de "líder da esquerda latino-americana", impacto da eleição não se restringe à Bolívia
A vitória eleitoral do Movimento ao Socialismo (MAS) na Bolívia, confirmada no início da semana, representa um giro de 180 graus na política do país. Onze meses após o golpe, Luis Arce e o vice David Choquehuanca obtiveram 25 pontos de vantagem sobre os adversários no primeiro turno.
O presidente eleito deixa claro que não se vê como líder da esquerda latino-americana. “Meu foco é resolver os problemas deste país”, ressaltou em um dos primeiros pronunciamentos após a eleição. Mesmo assim, sua chegada à Casa Grande del Pueblo, sede do governo boliviano, tem repercussões em todo o continente.
Para Igor Fuser, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC), o triunfo do MAS significa, em primeiro lugar, uma derrota expressiva da Organização dos Estados Americanos (OEA), que atua há anos "como instrumento dos Estados Unidos". A entidade, liderada pelo secretário geral Luis Almagro, foi protagonista do golpe de 2019 ao apontar indícios de uma fraude eleitoral que nunca se comprovou.

