Segunda 18 de maio de 2026
Educação: desafios nas pequenas e médias cidades
Justiça escolar precisa ir além da igualdade formal de acesso. E a permanência e evolução dos estudantes depende, em muito, da gestão das escolas. Debate atravessa saúde mental, construção coletiva de estratégias e relação com o território
OUTRASPALAVRAS Desigualdades
Por Roberto Amaral
Publicado em 18/05/2026
Ao discutir os desafios contemporâneos da escola pública, François Dubet chama atenção para a necessidade de pensar a justiça escolar para além da simples igualdade formal de acesso. Em sociedades marcadas por profundas desigualdades sociais, de acordo com o sociólogo francês, a democratização da educação exige a construção de políticas capazes de enfrentar as diferentes condições de partida dos estudantes e produzir formas mais justas de escolarização. Tal como defenderemos ao longo deste breve texto, essa reflexão torna-se especialmente relevante para os sistemas municipais de ensino, que convivem cotidianamente com os efeitos concretos das desigualdades sociais sobre as trajetórias escolares.
A gestão educacional nos municípios de pequeno e médio porte ocupa hoje um lugar decisivo na construção de políticas públicas comprometidas com a equidade e com a proteção das trajetórias estudantis. Em um contexto marcado pela ampliação das desigualdades sociais, pelas mudanças nas dinâmicas familiares, pelos impactos persistentes da pandemia ou mesmo pelas múltiplas vulnerabilidades que atravessam a vida de crianças e adolescentes, a escola pública passou a concentrar expectativas ainda maiores. Mais do que garantir matrícula e frequência, espera-se que os sistemas municipais sejam capazes de assegurar condições efetivas de aprendizagem, pertencimento e desenvolvimento humano.



