Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Educação: desafios nas pequenas e médias cidades

Segunda 18 de maio de 2026

Educação: desafios nas pequenas e médias cidades

Justiça escolar precisa ir além da igualdade formal de acesso. E a permanência e evolução dos estudantes depende, em muito, da gestão das escolas. Debate atravessa saúde mental, construção coletiva de estratégias e relação com o território

OUTRASPALAVRAS                         Desigualdades
Publicado em 18/05/2026


Ao discutir os desafios contemporâneos da escola pública, François Dubet chama atenção para a necessidade de pensar a justiça escolar para além da simples igualdade formal de acesso. Em sociedades marcadas por profundas desigualdades sociais, de acordo com o sociólogo francês, a democratização da educação exige a construção de políticas capazes de enfrentar as diferentes condições de partida dos estudantes e produzir formas mais justas de escolarização. Tal como defenderemos ao longo deste breve texto, essa reflexão torna-se especialmente relevante para os sistemas municipais de ensino, que convivem cotidianamente com os efeitos concretos das desigualdades sociais sobre as trajetórias escolares.

A gestão educacional nos municípios de pequeno e médio porte ocupa hoje um lugar decisivo na construção de políticas públicas comprometidas com a equidade e com a proteção das trajetórias estudantis. Em um contexto marcado pela ampliação das desigualdades sociais, pelas mudanças nas dinâmicas familiares, pelos impactos persistentes da pandemia ou mesmo pelas múltiplas vulnerabilidades que atravessam a vida de crianças e adolescentes, a escola pública passou a concentrar expectativas ainda maiores. Mais do que garantir matrícula e frequência, espera-se que os sistemas municipais sejam capazes de assegurar condições efetivas de aprendizagem, pertencimento e desenvolvimento humano.

domingo, 19 de novembro de 2023

Políticas têm falhado no fim das desigualdades raciais, diz economista

Domingo, 19 de novembro de 2023
Livro mostra em números as discrepâncias entre brancos e negros


Professor do Insper (SP), Michael França, fala sobre a persistência das desigualdades entre brancos e negros no país. Foto: Insper/Divulgação

Publicado em 19/11/2023 — Por Gilberto Costa — Repórter da Agência Brasil — Brasília

No final de outubro, o Núcleo de Estudos Raciais do Insper (Neri), de São Paulo, lançou o livro Números da Discriminação Racial: Desenvolvimento Humano, Equidade e Políticas Públicas, pela editora Jandaíra, com análises de pesquisadores do Insper e autores convidados sobre causas e consequências do racismo e da segregação social no Brasil.

O livro trata da desigualdade racial descendente da exploração do trabalho de pessoas negras escravizadas ainda no período colonial e não resolvida mais de cem anos após a abolição e a Proclamação da República. Entre outros assuntos, os capítulos do livro abordam as assimetrias raciais que prejudicam pretos e pardos desde a primeira infância, sejam no acesso à educação, volume de renda, longevidade ou gênero. A violência contra essa população, as políticas afirmativas e a representatividade política dos grupos raciais também são abordadas.

A publicação é organizada pelos economistas Allysson Lorenzon Portella e Michael França. França é coordenador do Neri e em entrevista à Agência Brasil avaliou a necessidade urgente de o país pensar sobre a discriminação racial e combater as iniquidades. Para ele, “é preciso parar de fazer políticas desarticuladas para suavizar a pobreza quando tem de pensar em políticas integradas para gerar mobilidade social.”

A seguir os principais trechos da conversa.

Agência Brasil: O livro assinala a diferença de renda de 14,25% entre brancos e negros. Por que esse nível de desigualdade não é superado, apesar de mais de uma década de políticas afirmativas?
Michael França: A primeira coisa que é importante relacionar a esse número é a alta persistência. A gente abre a introdução do livro falando que nos últimos 40 anos negros ganham 14,25% menos do que brancos, quando a gente controla as variáveis de nível de educação, gênero, localização e várias outras. Essa persistência chama muita atenção porque estamos falando de um país que passou por uma redemocratização, por governos de esquerda e por governos de direita, e a lacuna no mercado de trabalho que não fecha. As ações afirmativas foram muito importantes no sentido de permitir com que um determinado grupo ascendesse.