Segunda, 18 de março de 2024

Guimarães é símbolo da resistência a ditadura militar em Brasília - Acervo família/Honestino Guimarães
Contemporânea do estudante desaparecido que escreveu um livro sobre a vida do jovem destaca: "reparação histórica"
Valmir Araújo
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 18 de março de 2024 às 16:51
O estudante de Geologia da Universidade de Brasília (UnB), Honestino Guimarães, que foi desaparecido pela ditadura militar, 1973, será homenageado, com o diploma acadêmico post mortem. A ação faz parte de um processo de reparação histórica a Honestino e tantos outros vítimas de um regime autoritário e violento a partir do golpe de 29 de março de 1964.
A professora Beth Almeida, contemporânea de Honestino, lembra que o processo de expulsão do estudante da UnB em 1968 foi fraudulento e injusto. “Faltavam 11 créditos para ele completar o número de créditos necessários para concluir o seu curso. Então, a concessão do diploma de biólogo, postumamente, será um de memória, verdade, justiça e reparação para Honestino”, descreveu Beth, que estudou na UnB de 1967 a 1968, depois se transferiu para a Universidade Federal do Rio de Janeiro e concluiu o curso de licenciatura em Química.
“Honestino era um bom aluno. Ele passou em primeiro lugar no vestibular da UNB em 1965, mas colocou o seu projeto de lutar contra a ditadura militar no Brasil e pelo socialismo democrático acima de seus projetos pessoais”, contou Beth. Ela também comemora o fato da expulsão de Honestino da UnB está sendo revertida.
Betty Almeida é autora do livro Paixão de Honestino, um relato histórico, sobre a trajetória violentamente interrompida quando o estudante foi sequestrado, torturado e morto. Segundo a autora, o livro aborda as circunstâncias da morte de Honestino, a partir do histórico luta e a resistência dessa vítima da ditadura militar. “Sua memória está viva em todos nós que convivemos com ele e nas pessoas que também conhecem a história dele, que foi uma história de grande luta e empenho pessoal na causa da democracia e do socialismo democrático no Brasil”, acrescentou Betty.
