“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 30 de março de 2025

João Goulart Filho relembra amizade do pai com Rubens Paiva e diz que país precisa aprender o que foi a ditadura

Domingo, 30 de março de 2025

Ex-deputado defende investigação sobre as mortes de Jango, Juscelino e Carlos Lacerda



Brasil de Fato
Matéria postada originariamente no Brasil de Fato em 28.MAR.2025 ÀS 19H07

O ex-deputado João Goulart Filho, filho do presidente deposto pelo Golpe Militar de 1964, João Goulart, relembrou a relação do pai com o também deputado federal Rubens Paiva, preso e morto pela ditadura militar. Em entrevista ao programa Bem Viver, no quadro Conversa Bem Viver, Goulart Filho destacou a amizade e a militância política dos dois parlamentares.

Ele recorda que seu pai e Rubens Paiva eram filiados ao PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e mantinham um forte laço de companheirismo dentro e fora do parlamento. Segundo ele, ambos se mantiveram fiéis às suas convicções políticas, especialmente ao enfrentar adversários em comum.

Antes do golpe de 1964, o governo de João Goulart incentivou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o financiamento estrangeiro de candidaturas oposicionistas.

“Foram eleitos 174 com dinheiro estrangeiro, com dinheiro vindo diretamente do Departamento de Estado para financiar parlamentares que estivessem contra o governo João Goulart, para que as reformas de base não fossem implantadas. E isso vazou, em certo momento vazou. E o meu pai, o presidente Jango, pediu à bancada do PTB que instalasse a CPI do Ibade. E essa CPI foi relatada, ele pediu que o Rubens Paiva relatasse essa CPI para se investigar aqueles deputados e senadores que foram eleitos com dinheiro de multinacionais e dinheiro de um caixa dois do Departamento de Estado americano.”

Para Goulart Filho, o filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que retrata a jornada de Eunice Paiva em busca da verdade sobre o marido, cumpre um papel essencial ao manter viva a memória da ditadura e destacar a necessidade de justiça para as vítimas do regime.

“A importância desse filme é exatamente trazer de novo a história e memória da tragédia que foi o golpe de Estado, da tragédia que são os golpes em geral, a tragédia que nós não podemos repetir”, afirmou.

Ele alertou ainda para a persistência da ameaça golpista no Brasil e criticou a falta de conhecimento histórico entre os mais jovens.

segunda-feira, 18 de março de 2024

MEMÓRIA E JUSTIÇA —Honestino Guimarães terá expulsão da UnB revertida e deve receber diploma acadêmico post mortem

Segunda, 18 de março de 2024

Guimarães é símbolo da resistência a ditadura militar em Brasília - Acervo família/Honestino Guimarães

Contemporânea do estudante desaparecido que escreveu um livro sobre a vida do jovem destaca: "reparação histórica"

Valmir Araújo
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 18 de março de 2024 às 16:51

O estudante de Geologia da Universidade de Brasília (UnB), Honestino Guimarães, que foi desaparecido pela ditadura militar, 1973, será homenageado, com o diploma acadêmico post mortem. A ação faz parte de um processo de reparação histórica a Honestino e tantos outros vítimas de um regime autoritário e violento a partir do golpe de 29 de março de 1964.

A professora Beth Almeida, contemporânea de Honestino, lembra que o processo de expulsão do estudante da UnB em 1968 foi fraudulento e injusto. “Faltavam 11 créditos para ele completar o número de créditos necessários para concluir o seu curso. Então, a concessão do diploma de biólogo, postumamente, será um de memória, verdade, justiça e reparação para Honestino”, descreveu Beth, que estudou na UnB de 1967 a 1968, depois se transferiu para a Universidade Federal do Rio de Janeiro e concluiu o curso de licenciatura em Química.

“Honestino era um bom aluno. Ele passou em primeiro lugar no vestibular da UNB em 1965, mas colocou o seu projeto de lutar contra a ditadura militar no Brasil e pelo socialismo democrático acima de seus projetos pessoais”, contou Beth. Ela também comemora o fato da expulsão de Honestino da UnB está sendo revertida.

Betty Almeida é autora do livro Paixão de Honestino, um relato histórico, sobre a trajetória violentamente interrompida quando o estudante foi sequestrado, torturado e morto. Segundo a autora, o livro aborda as circunstâncias da morte de Honestino, a partir do histórico luta e a resistência dessa vítima da ditadura militar. “Sua memória está viva em todos nós que convivemos com ele e nas pessoas que também conhecem a história dele, que foi uma história de grande luta e empenho pessoal na causa da democracia e do socialismo democrático no Brasil”, acrescentou Betty.