Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 24 de outubro de 2020

O Canhoto e Os Blefes do Juiz

Sábado, 24 de outubro de 2020

Justiça determinou o retorno das aulas presenciais na rede pública do DF. Sobre o assunto, o jornal O Canhoto divulga texto sob o título "OS BLEFES DO JUIZ".  A seguir, o texto do jornal, que é do Gama (DF).


[Clique na imagem a seguir para melhor visualizá-la]


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OS BLEFES DO JUIZ

Escolas Particulares

As escolas particulares voltaram não porque cederam às pressões do Estado ou quaisquer outras. Ao contrário, foram elas e sua ganância por dinheiro que pressionaram o Estado para liberarem seu retorno à revelia dos reais interesses das crianças e jovens: sua saúde e de suas famílias.

Comércio

O mesmo vale para o comércio, e com o acréscimo de que não houve por parte dos sindicatos nenhum esforço de unificar a luta dos trabalhadores para impedir uma que não prejudicou ninguém mais que o povo, pois donos e empresários seguem em home office.

Culto

Os cultos religiosos devem ser analisados pela mesma lógica do lucro. Foram os mercadores da fé e sua sede por dinheiro que os levaram a pressionar pela reabertura dos templos. Aliás, cúmplices que são desse desgoverno, foram contra as medidas de segurança desde o início, negando a gravidade da pandemia que já matou mais de 150 mil brasileiros.

Injusto e ilegal

Injustiça e ilegalidade é o que pratica este governo contra o povo, negando a gravidade da situação, dificultando as medidas voltadas para o controle da pandemia, e as voltadas para o apoio e assistência aos trabalhadores. Flexibilizou demissões, que ocorreram em massa, ao invés de impedi-las! Travou uma guerra contra o auxílio emergencial! Alegar que o retorno irá corrigir uma injustiça é não perceber que a injustiça foi contra os trabalhadores, portanto, corrigi-la requer o retorno das medidas de isolamento social, conforme orientam especialistas da saúde pública.

Direito à educação

Isolamento social é uma medida de segurança contra uma pandemia em curso. Não tem a ver com negar direitos, mas garanti-los. Garantir saúde e vida. A educação, outro direito humano, está sendo ofertada conforme a possibilidade do momento, isto é, por meios remotos. Se está havendo exclusão, e sabemos que está, não é devido ao cumprimento de uma medida sanitária, mas pelo descumprimento por parte do GDF da promessa de entregar a TODOS OS ESTUDANTES internet e aparelhos eletrônicos. Assim, o Ministério Público e a Vara da Infância fariam melhor seu trabalho se exigissem do Ibaneis tal ação, e não jogar crianças, jovens, professores e professoras em salas lotadas para fazer circular ainda mais o vírus.

Defasagem no aprendizado e sofrimento psíquico

Dois argumentos absurdos. Primeiro porque o conteúdo é absolutamente recuperável, ao contrário das vidas já perdidas. Quanto ao sofrimento mental, é preciso saber que todo o planeta está mergulhado na mesma crise e não é possível fingir um mundo de fantasias para resguardar as crianças. Elas compartilham da mesma existência e aprenderão, como outras crianças em outras épocas, com esta dificuldade, que é passageira. O retorno certamente trará traumas maiores, pois evitáveis. Ver um parente morrer por uma doença que pode ser controlada pelo isolamento trará às crianças o sentimento de culpa, esse sim irreparável.

Rumo à greve geral!

Se o recurso do GDF for negado, estudantes, famílias e sindicatos devem se unir para construir uma greve geral urgente. Na Europa, onde já está havendo uma segunda onda de contágio e mortes, as medidas de isolamento estão sendo retomadas. Já se sabe que em todos os lugares do Brasil e do mundo onde as aulas voltaram, a curva de contágio, mortes e casos graves subiu enormemente. É isso que queremos?



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Ob.: As manifestações manifestadas no texto acima não correspondem, necessariamente, às opiniões do Gama Livre.