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(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 16 de abril de 2024

Ingleses e judeus fraudam fatos e ameaçam-nos com extermínio mundial

Terça, 16 de abril de 2024

Por: Pedro Augusto Pinho (*) – Pátria Latina

Em 1290, Eduardo I, rei da Inglaterra, expulsa os judeus de suas terras. Para lá retornarão por volta de 1664, no reinado de Carlos II, como resultado da petição do português Manuel Soeiro (1604-1657), conhecido como Menasseh Ben Israel, rabino, dirigida a Oliver Cromwell (1599-1658).

Na realidade, os judeus foram incentivados por Guilherme III, que precisava criar o Banco da Inglaterra, como os Países Baixos haviam constituído seu Banco de Amsterdã, em 1609, com auxílio dos judeus.

Faltava-lhes, holandeses e ingleses, a experiência em finanças dos judeus, especialmente dos italianos, perseguidos pelas Inquisições.

Desde o Império Romano havia, além de Roma, significativas comunidades judaicas no sul da Itália como nas regiões da Sicília, Calábria e Apúlia. As condições de vida, mesmo quando se estabeleceram os guetos, incentivaram judeus alemães, franceses, do norte da África a se dirigirem para cidades italianas. Além de se dedicarem às finanças, formavam comunidades poliglotas que cresciam com o comércio.

Inglaterra e os Países Baixos, ligados por casamentos e rivais pelo domínio do comércio, empreenderam três guerras durante o século XVII. E Inglaterra e França disputavam a primazia colonial.

A Inglaterra atinge seu apogeu com o Tratado de Versalhes (1919), mas já fazia alianças para manter o imenso império (Tratado Naval de Washington, 1922). A economia financeira logo cairia em crise (1929) e a principal energia primária que garantira a industrialização inglesa, o carvão mineral, já cedia importância para o petróleo, onde as principais reservas saiam das mãos britânicas para as estadunidenses, russas e do Oriente Médio.

O mundo europeu se transformava e, dada sua influência mundial, contaminava o mundo. No Brasil é o período das revoltas tenentistas que culminam na Revolução de 1930. Surgia o primeiro país comunista em 1918, e em 1922 a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), ocupando imensa área da Europa e Ásia (Rússia, Belarus, Ucrânia, Geórgia, Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Uzbequistão).

Por todo século XIII e XIV, os judeus vinham sendo expulsos de cidades e países do centro-norte europeu: Baviera, Suíça, Hungria, Eslováquia, Fribourg, Holanda, Mainz, França, Varsóvia, Áustria entre outras. Apenas nos século XV/XVI, Nápoles, Gênova, Cremona, Pavia, Pésaro, localidades italianas, passaram a expulsar os judeus. No século XIX, o General Grand expulsa os judeus das áreas de sua jurisdição no que se constituirão os Estados Unidos da América (EUA).

Em 1797, as tropas de Napoleão derrubaram os portões do gueto de Veneza simbolizando o fim das restrições étnicas.

Porém parte desta discriminação foi criação dos próprios judeus que há 3.000 anos construíram um Deus só para eles, Jeová, de modo a se valorizarem como povo e diante dos poderosos do Egito e da Mesopotâmia.

O “povo escolhido” sempre leva à pergunta: por quem? Por um Deus feito por eles?

Disso resulta uma história de perseguições e de guetos pelos séculos, desde 250 d.C. de Cartago e 415 d.C. de Alexandria.

A Inglaterra, por seu turno, constituíra a aristocracia fundiária, com as Magnas Cartas de 1215 (João sem Terra), duas em 1216 (firmadas pelo regente William Marshal e pelo rei Henrique III) e mais nove, até 1399, por Ricardo II. Assim, foram as finanças, financiando guerras e comércio, que dominaram o poder no Reino Unido.

SÉCULO XX DOS ANOS GLORIOSOS OU DAS GUERRAS PELO PODER MUNDIAL?

O século XX conheceu enorme transformação econômica e social que incorporou ao progresso milhões de pessoas, sempre colocadas à margem da sociedade. A Academia Francesa de Economia Política denomina os 30 anos que seguem a partir de 1945 de “anos gloriosos”.

Foi o triunfo da industrialização, com o barato e versátil petróleo, que possibilitou trazer para o consumo categorias sempre marginalizadas. E produzir riqueza sem igual, associada ao desenvolvimento tecnológico. Desde 1920 teve início a construção da sociedade da informática e da civilização termonuclear, expressão do gênio Darcy Ribeiro.

Energia e comunicação serão os motores do progresso mas, igualmente, do retrocesso após as desregulações da década de 1980.

quinta-feira, 15 de abril de 2021

APAVORANTE MUNDO NOVO: FIM DO VALOR DO TRABALHO

Quinta, 15 de abril de 2021



do


Pedro Augusto Pinho*

“O desemprego, que se agrava nas crises, hoje mais frequentes, não é cíclico”, assim começa o consultor Luiz Affonso Romano seu artigo, “Expirou o seu prazo de validade corporativo?”, no Monitor Mercantil (08/04/2021, página 2 Opinião). Neste mesmo jornal e data, Marcos de Oliveira, na coluna Fatos & Comentários, sob o título Paridade, nos informa que “o especialista Marcelo Gauto computou a média mensal gasta por grandes petroleiras com cada empregado em 2020: Equinor, US$ 10.061; BP, US$ 9.300; Shell, US$ 8.837; Total, US$ 7.032; Petrobrás, US$ 5.148 por trabalhador”. E ironiza ao final: paridade de preços só vale para os combustíveis.

Não é o covid-19, vírus que espalha universal pandemia, o culpado do desemprego nem das desigualdades salariais; e ambos só tendem a aumentar.

É uma nova ideologia, que tomou o poder na maioria das nações do mundo e se espalha como doença na mente das pessoas: o neoliberalismo.

Para o neoliberal só existe a moeda, o ganho financeiro. Tudo e todos agem para o maior lucro possível do capital financeiro. E este capital vem, desde os anos 1980, controlando as empresas, os países, as riquezas naturais e, obviamente, as pessoas. Logo o valor do trabalho, aquele que sob a égide da industrialização dignificava a pessoa, perdeu lugar para o valor da moeda.

Tal situação não se faz impune, sem outras consequências. Neste mesmo Monitor Mercantil, na primeira página, está a notícia que as “vendas no varejo paulistano caem 38,1%”, em março em relação a fevereiro de 2021. Nada surpreendente, não só pelas precauções da pandemia, como pelo crescente desemprego e reduções das rendas familiares.

Este é o mundo que se desenha no cenário neoliberal brasileiro e do mundo ocidental. Greves, manifestações de rua, agressões, tumultos, violências domésticas e das forças repressoras são e serão cada vez mais frequentes. Não há também entendimento do que está ocorrendo, e a comunicação de massa, já dominada pelos capitais financeiros há décadas, ajuda nesta incompreensão das causas do aumento da miséria e da fome, onde antes era apresentado o ápice da civilização.

Vemos na verdade a regressão à nova escravidão. Luiz Affonso Romano, no artigo citado, apresenta a automação, as pessoas trabalhando por mais tempo, a concentração dos negócios, o rearranjo da oferta de emprego, como causas. Tudo isso contribui, sem dúvida, mas em escalas diferentes.

Vejamos o que colocaria como o ponta pé inicial da tragédia. Não são mais os empreendedores industriais, os inventivos homens de negócio que descobrem novos produtos ou novas formas de produzir aqueles mais desejados. Tudo agora é conduzido pelas finanças que assumem o controle das empresas, onde antes estava a produção ou a venda.

E há um deslocamento dos objetivos; saem do mercado dos consumidores para o lucro maior e mais rápido. As empresas também perdem clientes e receitas.

Tomando o mesmo segmento de negócio da comparação apresentada na coluna Fatos & Comentários examinemos a ExxonMobil.

A junção destas duas grandes petroleiras se deu em 30 de novembro de 1999, ambas surgidas em 1911 da divisão da Standard Oil Company, para evitar o monopólio privado. O nome Exxon aparece em 1972, onde tivera designações tais como Esso, Enco e Humble, nos Estados Unidos da América (EUA) e em outros países.

Este novo nome da antiga Standard Oil, surge nas “crises do petróleo”, movimentos orientados pelas finanças, majoritariamente inglesas, na luta contra o industrialismo estadunidense e soviético. E a Exxon logo ganha posição privilegiada nos EUA. Antes da fusão com a Mobil, a Exxon havia desenvolvido negócios em todas as fases da indústria do petróleo, de campos de petróleo a estações de serviço (do poço ao posto). Também liderou no transporte de petróleo por oleodutos e operou uma das maiores frotas de petroleiros do mundo. Os interesses da Exxon incluíam gás natural, carvão, combustíveis nucleares, produtos químicos e minérios como cobre, chumbo e zinco.

Vieram as desregulações dos anos 1980, as finanças dominam o mundo na década de 1990, passam a controlar todos os negócios com suas gestoras de ativos, no século XXI.

Em 04 de setembro de 2020, The Washington Post publicou artigo de Dino Grandoni com título “Gigante petroleira não é tão grande quanto antes” e com subtítulo: “A expulsão da ExxonMobil do índice industrial Dow Jones é apenas o último sinal de que as grandes empresas de petróleo não são tão importantes para a economia como já foram” (Big Oil just isn’t as big as it once was – ExxonMobil’s expulsion from the Dow Jones industrial average is just the latest sign that major oil companies aren’t as important to the economy as they used to be).

O valor de mercado da gigante do petróleo é hoje, informa o artigo, cerca de um terço do que era em 2008, quando se aproximou de US $ 500 bilhões. A Exxon também saía, após 92 anos, do índice Dow Jones.

Seria um sinal do declínio do petróleo como principal motor das economias mundiais e estadunidense?

De certo modo é o fim do comando da economia pela produção de bens, pelo desenvolvimento tecnológico, pelo incentivo permanente ao consumo que ampliará negócios e lucros. Hoje é a especulação financeira que comanda a economia e corrompe a política, a justiça e a própria vida das famílias. Associada à informatização da vida, pois antes dos outros segmentos, há quase um século, viu na Teoria Matemática da Comunicação, surgida nos Laboratórios da Bell (A Mathematical Theory of Communication, por Claude E. Shannon, The Bell System Technical Journal, Vol. 27, julho/outubro, 1948), o recurso para voltar ao poder que perdera desde a I Grande Guerra.

Com o lucro máximo e mais rápido como única meta, as indústrias, dirigidas pelas finanças, eliminam seus centros de pesquisa e desenvolvimento, operações de risco tecnológico, aperfeiçoamento de pessoal e mesmo empregos. A indústria do petróleo que exige permanentemente tecnologias mais avançadas e assumir risco a cada novo objetivo exploratório, que manterá os volumes produzidos, foi a mais atingida.

O artigo de Dino Grandoni também lembra a pandemia do coronavírus, pois as pessoas pararam de viajar, sair de casa, consumir, enviando volumes e, consequentemente, os preços do petróleo para baixas históricas. O setor de energia foi o menor componente do índice de ações S&P 500, nos meses de junho a agosto de 2020, depois de cair abaixo de serviços públicos e imóveis entre outros.

São fatores que tornaram dispensáveis o trabalho, e provocaram sua volta à escravidão dos uber, da humilhação das incontáveis filas pela vaga que, eventualmente, surja, e onde não há mais direitos que lhe deem dignidade.

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.

Fonte: Site Pátria Latina