Quarta, 28 de outubro de 2020
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Nossa principal parceira comercial, milhões de dólares à frente dos EUA, da Europa e do Mercosul, a China é o maior comprador mundial de soja, a cereja do agronegócio brasileiro, a “salvação da lavoura” de nossa raquítica balança comercial, onde, com o recesso industrial, pesam as exportações de matérias primas in natura, como alimentos não processados, ou minério de ferro que exportamos para importar trilhos e lingotes de aço. A China comprou do Brasil nada menos que 7,25 milhões de toneladas de soja no último setembro, contra 4,79 toneladas no mesmo mês do ano passado, donde um aumento de 51%. Pois é contra esse país (e, portanto, contra nossos interesses comerciais e estratégicos) que o governo do capitão investe, irresponsável e impunemente, por todos os meios ao alcance de sua demência sub-ideológica, arrastando o país à mais abjeta subserviência aos caprichos de Trump. Com o silêncio cúmplice dos militares, que já tiveram mais apreço aos brios nacionais. Trata-se, porém, apenas, de um dos muitos itens de seu, e de sua jolda, programa de desconstrução nacional, anunciado em banquete na embaixada brasileira em Washington, ao lado do astrólogo da Virgínia e do desqualificado Steve Bannon, na presença de nosso então embaixador que, pelo que se sabe, embora com demissão já anunciada, e já aposentado, não teve os necessários brios para se levantar, pôr o chapéu na cabeça e voltar para casa pegando o metrô.
Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional- (consabidamente comprometido com os interesses dos EUA), a China, na companhia da Coreia do Sul e do Vietnã (o que indica, aos que ainda enxergam, para onde se desloca o eixo dinâmico da economia mundial), terá, ainda neste ano, desempenho econômico superior ao projetado para a média mundial. Enquanto a retração esperada do PIB global é de -4,4%, e a dos EUA de -4,3%, a previsão para a China é de um crescimento de 1,9%. Em comparação com o mesmo período do ano passado, o PIB chinês cresceu 4,9% no terceiro trimestre deste ano, em plena pandemia. Só para lembrar: o PIB brasileiro em 2019 ficou em 1,1%; e, para este ano, a média das estimativas sugere uma queda de algo em torno de 6%.

