“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Michel Temer representa um modelo econômico morto

Terça, 24 de janeiro de 2017
Do site Política Econômica do Petróleo




MICHEL TEMER REPRESENTA UM MODELO ECONÔMICO MORTO

Wladmir Coelho

O fundamentalismo neoliberal é o responsável pelo estado de torpor no qual encontram-se os analistas de economia de nossa imprensa. Esses ficavam em seus veículos de comunicação, de forma plácida, a escrever e falar diariamente sobre os benefícios milagrosos do livre comércio, não ingerência do Estado na economia, austeridade econômica e outros dogmas.

Escreviam para um mundo que desmoronava; a União Europeia, antes do Donald Trump, revelava o fracasso neoliberal através do desemprego, retirada de direitos sociais e fortalecimento do fascismo.

No Brasil, aqueles citados no inicio desse texto, apresaram-se em apoiar uma ditadura do fundamentalismo neoliberal mantendo as aparências democráticas através do funcionamento, não confundir com pleno funcionamento, das instituições. Essas, percebemos diariamente, subiram no telhado ou no avião como queiram.

Em polvorosa a imprensa do Brasil não sabe como explicar aos leitores, muitos iludidos graças a catequese neoliberal promovida em seus espaços, o fim da supremacia econômica e militar dos Estados Unidos e deste fato a necessidade de reorganização geopolítica.

Temos, por isso, a reorganização do modelo de participação no chamado mercado internacional, agora sem a máscara do fundamentalismo neoliberal, incluindo a necessidade de geração de empregos e essa situação implica em intervenção estatal através dos chamados planos econômicos.

Em termos democráticos essa discussão, a geração de empregos, seria acompanhada do debate relativo às condições de trabalho e nesse ponto encontramos o verdadeiro sentido do discurso nacionalista de Donald Trump e seus similares europeus.

Ambos desejam aumentar o número de empregos distantes, contudo, da recuperação salarial e ampliação dos direitos sociais. Desejam manter o controle do maior número possível de mercados, mas sem preocupação nenhuma com a natureza, educação, saúde.

Não vamos criar ilusões; o modelo nacionalista de Donald Trump, do mesmo modo o europeu, inclui elementos da ortodoxia neoliberal de negativa ao acesso dos trabalhadores à saúde e educação. Não foi do nada, por exemplo, a frase no discurso de posse defendendo a diminuição dos recursos destinados às escolas afirmando que muito se gastava no setor com resultados insatisfatórios.

Enquanto isso, em um  mundo de nacionalismos, o governo Temer busca os meios para ampliar a submissão do Brasil aos interesses das corporações multinacionais interessadas, em seus respectivos territórios, na prática antes condenada.

Não foi sem propósito a presença dos representantes das maiores corporações na assinatura do decreto, ainda sem maiores detalhes, que teria retirado os Estados Unidos do Tratado de Livre Comércio do Pacifico. Livre Comércio; essa ilusão fundamenta o discurso do atual governo brasileiro cuja tradução encontra-se no aprofundamento da base colonial de nossa economia.

Michel Temer, na prática, não vai encontrar no nacionalismo dos Estados Unidos  oposição sua política de base colonial, afinal o modelo Trump mantém a forma colonial de sempre.

O problema, e vamos verificando posições inclusive de empresários nacionais, está localizado no fim do predomínio ideológico do fundamentalismo neoliberal. O fato nacionalismo coloca em debate a necessidade de proteção da economia considerando a necessidade de proteção do mercado interno. Pronto! Encontramos a causa do pânico de nossos analistas econômicos.

Como explicar a venda da Petrobras, uma empresa fundamental à defesa do mercado interno brasileiro? Qual seria a desculpa para manter um modelo de exploração mineral aberto a política econômica elaborada fora do território brasileiro? Existe probabilidade de associar verde amarelismo com negativa da existência do mercado nacional?

Nos Estados Unidos Trump assumiu o discurso nacionalista, mas negou falar em qualidade de emprego, recuperação salarial. Substituiu essa ausência pela defesa da criação de empregos através da reativação de antigos parques industriais.

Para justificar o desemprego, mesmo com eventual reativação dos parques industriais, reforçou o discurso contra os imigrantes somado ao sobrenatural quando transfere para Deus parte dos problemas econômicos. Os supersticiosos seguidores de Trump entendem, como parte destes problemas, a existência de um castigo divino, cuja causa seria o aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, movimentos feministas e outras falas moralistas.

Em nossa terra temos o discurso de base supersticiosa e moralista em plena ação, mas falta a justificativa nacionalista ao governo.

Temos um caminho a percorrer para garantir aos trabalhadores brasileiros o acesso aos direitos sociais. O fundamentalismo neoliberal apagou dos debates a necessidade de proteção do mercado interno. O governo Temer representa um modelo econômico morto. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O golpe: Governo anuncia reforma trabalhista; acordo deve prevalecer sobre legislação

Quinta, 22 de dezembro de 2016
Luciano nascimento e Mariana Tokarnia - Repórteres da Agência Brasil

A poucos dias de encerrar o ano, o governo anuncia hoje (22)  mudanças na legislação trabalhista. Entre as possíveis medidas, está a ampliação da terceirização - restrita hoje a atividades de suporte, como segurança e serviços de limpeza -, que deverá incluir novas áreas além das permitidas atualmente. Outra medida deve ser a prevalência do acordo entre empresas e sindicatos dos trabalhadores sobre a legislação.

Outros temas que estão sendo discutidos são a ampliação do contrato de trabalho temporário de 90 para 120 dias. Há também a formalização da jornada diária de até 12 horas. Atualmente, contratos de trabalho com jornadas superiores a oito horas diárias são frequentemente questionados na Justiça do Trabalho, que ainda não reconhece formalmente a jornada mais longa.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Meirelles e Temer ajudam patrões a desempregar com menor custo

Sábado, 17 de dezembro de 2016
Da Tribuna da Internet Sindical
José Carlos de Assis

Em plena crise de desemprego, a maior de nossa história, Michel Temer baixa em seu minipacote da infâmia medidas para reduzir o custo das demissões por parte dos empregadores. Um ingênuo diria: isso é uma extrema insensibilidade política. Não é. Temer, orientado por Henrique Meirelles, faz o que a banca manda. E ordem da banca se cumpre sem considerações com popularidade, conforme recomendou aquele publicitário imbecil, em discurso inflamado, na reunião do chamado Conselho de Desenvolvimento Econômico.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

OAB cria Frente em Defesa da Previdência para mobilizar sociedade contra PEC

Quarta, 14 de dezembro de 2016
Maiana Diniz - Repórter da Agência Brasil
Em audiência pública na sede nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nesta quarta-feira (14), o conselho federal da entidade, junto com representantes de institutos de direito previdenciário e conselhos de classe, criou a Frente em Defesa da Previdência, como contraponto à proposta de emenda à Constituição 287, que trata da reforma da Previdência.

Além de representantes da OAB nos estados, participaram da reunião representantes da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip) e da Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos (COBAP), entre outros convidados.

A guerra declarada e escancarada contra a população que protestava ontem (13/12), em Brasília, na visão de um guerreiro que se recusa a parar de lutar

Quarta, 14 de dezembro de 2016

Quarta, 14 de dezembro de 2016
'Navegar é preciso, viver não é preciso' (Fernando Pessoa)

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Veja a seguir o relato de Jairo Mendonça, 45 anos, casado, pai de 05 filhos, professor, arteeducador, músico, poeta, sonhador utópico, pertencente à classe trabalhadora. Um guerreiro que não se entrega.


“Ontem, na manifestação, fui detido juntamente com um grupo de estudantes e militantes do MST.

Foi uma operação de guerra declarada e escancarada à população que protestava.

Sou filho do período de redemocratização, após os anos de chumbo.

Fiz curso de formação de fé e política no movimento das CEB's (Comunidades Eclesiais de Base) com um certo assessor de movimentos sociais chamado Frei Betto, em 1985, na região do bico do papagaio, extremo norte de Goiás, hoje, Tocantins.

Fui contemporâneo de Padre Josimo Morais Tavares, que se tornou mártir, na luta pela defesa da causa dos posseiros (sem terras) daquela região, dominada e controlada pelos coronéis latifundiários.

Fruto desse percurso histórico, me tornei militante dos movimentos sociais e de todas a causas justas dos humilhados e explorados pelo sistema vampiresco e desumano chamado capitalismo.
Não conhecia a repressão policial e nem o estado de exceção...

Ajudei a construir os 25 anos de democracia. Lutei pelo direito ao voto aos 16 anos, pra poder votar num operário, social democrata, candidato a presidência da república por sempre desconfiar dos gestores públicos ligados ao poder econômico.

Namorava meninas negras, mestiças, mulatas... achava bela aquela miscigenação!

Realizava místicas, em qualquer trabalho que fôssemos fazer, seja oração, estudo ou lazer.

Aprendi a dimensão da poesia, da subjetividade e de, especialmente, tocar o coração das pessoas.

Sou filho da uma geração alimentada pelo surgimento e fortalecimento dos movimentos sociais ligados a mãe terra, a grande casa comum:

CPT (Comissão Pastoral da Terra), MST (Movimento dos Sem Terra), CEB's (Comunidades Eclesiais de Base), etc. Geração alimentada pela utopia, pela esperança, pela abertura e a possibilidade de uma sociedade mais horizontal e menos injusta.

Não vivi a repressão de fato como experimentei no dia de ontem (13/12/16).

Jairo Mendonça.