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(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Fraudes em licitações no Governo do DF são alvo de operação

Sexta, 15 de fevereiro de 2019
Do Metrópoles
Carlos Carone e Mirelle Pinheiro

A Polícia Civil está cumprindo dois mandados de prisão e oito de busca e apreensão. Uma pessoa já foi presa

Hugo Barreto/Metrópoles

A Polícia Civil e o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) fazem operação nesta sexta-feira (15/2) contra fraudes em processos de licitações realizados por administrações regionais do Governo do DF. As investigações mostram que empresas, em conluio, teriam combinado a participação em concorrências para realizar obras públicas milionárias. Estima-se que o grupo tenha movimentado R$ 55 milhões de dinheiro público.

A Justiça expediu dois mandados de prisão e oito de busca e apreensão. Até as 7h20, uma pessoa já havia sido presa. O outro alvo da operação está foragido. Os nomes não foram divulgados. A PCDF e o MP cumpriram os mandados nas sedes de duas empresas e nas residências de sócios. Houve a apreensão de R$ 13 mil em espécie e flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

De acordo com o chefe da Divisão de Repressão à Corrupção e aos Crimes contra a Administração Pública (Dicap), Wenderson Teles, as investigações começaram em 2014, a partir do recebimento de denúncia anônima, e apontaram que empresários usavam um grupo de estabelecimentos registrados em nome de testas de ferro (em geral, funcionários ou parentes) para fraudar o caráter competitivo de licitações realizadas pelas administrações regionais do DF.

MAIS SOBRE O ASSUNTO

O Metrópoles apurou que se trata de um desdobramento da Operação Monopólio, que, em julho do ano passado, prendeu 17 pessoas – entre elas, o ex-administrador de Taguatinga e empresário Márcio Guimarães, e o filho dele, Márcio Hélio Guimarães Júnior.

Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, os integrantes da organização participam de licitações de valores pequenos nas administrações regionais, por meio de carta convite, modalidade na qual as empresas são convocados a apresentar propostas de preço. As concorrências seriam direcionadas, com combinação prévia de valores definidos pelos próprios contratados.

No ano passado, a Polícia Civil analisou 259 licitações, desde 2011, onde o grupo foi vencedor. Em 128 delas, duas ou mais empresas ligadas a Márcio Guimarães competiam para fechar o contrato. Na época, os investigadores apontaram que “ficou demonstrado que empresas eram registradas em nome de ‘laranjas’ apenas para participarem da concorrência e dar ar de legalidade ao certame. Porém, todas eram, na verdade, vinculadas à associação criminosa”.

                                               Hugo Barreto/Metrópoles
Agentes da PCDF cumprem dois mandados de prisão e oito de busca e apreensão

A operação é realizada pela Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e aos Crimes contra a Administração Pública (Cecor) e pela Coordenadoria de Controle Externo da Atividade Policial e dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Velho conhecido
Em junho de 2016, Márcio Guimarães foi alvo de operação semelhante, a Apate. Na época, a polícia também apurava indícios de fraudes em licitações. Com base nos cálculos da polícia, mais de R$ 250 milhões foram desviados entre 2012 e 2014, em contratos de 19 administrações regionais.

Em 2013, entrou na mira da Operação Átrio, responsável por apurar a venda de alvarás de funcionamento em Taguatinga e Águas Claras. Em virtude dessa diligência, tornou-se réu em uma ação penal que tramita na 2ª Vara Criminal da região administrativa já comandada por Guimarães.

A Operação Monopólio escancarou esquema de corrupção sofisticado que operava nas administrações regionais da capital. Historicamente, usados para atender interesses políticos dos mandatários do DF, os órgãos representativos de cada cidade foram transformados em cabides de emprego com fins eleitorais para acomodar aliados.

Desbaratado, o esquema de corrupção envolvendo servidores e administradores movimentou, de acordo com a PCDF, quantias milionárias, o que levou ao bloqueio de R$ 55 milhões pela Justiça. O valor teria sido arrecadado por meio de desvios em obras realizadas ao longo dos últimos sete anos.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Juiz determina demolição de obras de "apoio a autoescolas" no Parque do Gama

Terça, 12 de fevereiro de 2019
Do TJDF
publicado no site do TJDF em 11/02/2019 19:30
O juiz da Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do DF determinou que o Distrito Federal e a administradora regional do Gama, à época, Maria Antonia Rodrigues Magalhães, realizem, solidariamente, a demolição de obras de apoio a autoescolas, construídas na região do Parque do Gama, de modo a restaurar a composição física natural do espaço, no prazo de 30 dias da publicação da sentença, sob pena de multa diária no valor de R$ 2 mil, limitada ao valor de R$ 2 milhões. O magistrado proibiu ainda a execução ou autorização de obras públicas ou particulares na área, enquanto não houver plano de manejo e adequada consulta pública prévia, sob pena de multa no valor de R$ 50 mil por cada ato de violação.
A ação popular foi ajuizada por morador local, com pedido liminar, para embargar a continuidade das obras no interior do Parque Ecológico do Gama – PEG, sob a alegação de risco de degradação da unidade de conservação. A liminar foi deferida, mas, em grau de recurso, foi conferido efeito suspensivo à decisão liminar, permitindo-se o prosseguimento da obra. Na ocasião, o autor solicitou a proibição da execução de obras públicas ou privadas no interior do PEG em desconformidade com a legislação, enquanto não houver plano de manejo definido e oitiva do Grupo de Trabalho dos Parques do Gama, bem como que as atividades de autoescola sejam realocadas para outra área.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Uma importante vitória na luta pelo Parque Ecológico do Gama; Justiça determina ao DF e à ex-administradora da cidade demolir os irregulares banheiros para autoescolas; leia íntegra da setença

Quinta, 7 de fevereiro de 2019
Dado que os réus Distrito Federal e a administradora regional Maria Antonia Rodrigues Magalhães insistiram em resistir ao embargo judicial, prosseguindo na edificação ilegal, têm a obrigação solidária de recompor o estado de fato anterior do imóvel, mediante a demolição e remoção dos entulhos da obra causadora do dano ambiental, de modo a restaurar a composição física natural, no prazo de 30 dias desde a publicação desta sentença, sob pena de multa diária no valor de R$ 2.000,00, limitada ao valor global de R$ 2.000.000,00.



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Uma importante vitória na luta pelo Parque Ecológico do Gama

Por
Dom Juan Ricthelly

UMA IMPORTANTE VITÓRIA NA LUTA PELO PARQUE ECOLÓGICO DO GAMA
Em novembro de 2017 ao passar pelo Parque Ecológico do Gama percebemos que uma obra se iniciava sem identificação, custos ou quem estava fazendo, em questão de um dia haviam cavado todos os buracos da fundação e alocado um contêiner ao lado.
Fomos ao Diário Oficial do Distrito Federal e verificamos que havia o anúncio da ‘construção de banheiros públicos com sala de apoio institucional’, exatamente nesses termos, no valor de R$ 248.696,49 e ficamos surpresos pela falta de diálogo da Administração com a Comunidade, depois soubemos que somente os diretamente beneficiados haviam sido consultados sobre a questão.
Nossa reação precisava ser imediata, pois ao que parecia  as obras indicavam que um ritmo acelerado de construção seria imposto. Promovemos uma representação junto ao Ministério Público na Promotoria do Meio Ambiente solicitando que a Audiência Pública realizada anteriormente fosse refeita, em razão de ter pautado o debate com base em pressupostos equivocados e ao mesmo tempo ingressamos com uma Ação Popular solicitando o embargo da obra e outras providências em defesa do Parque.
Para atrasar um pouco o avanço da construção, um grupo de ambientalistas se uniu e numa manhã de domingo invadimos o local da obra, tapamos novamente os buracos das fundações com pás e enxadas e plantamos uma muda de árvore em cada buraco, com isso atrasamos os trabalhos em um dia, o que deu tempo da liminar sair embargando a obra.
Infelizmente a Administração Regional adotou uma postura de ataque, continuou com às obras, descumprindo a decisão e foi para as redes sociais tentar angariar a simpatia da população, fizemos o mesmo e o retorno foi incrível, com um alcance maior até.
A obra seguiu embargada até janeiro de 2018, a liminar havia sido derrubada pelo Tribunal, e ocorreu, então, imediato reinício da construção. Recorremos e fomos defender a liminar perante um colegiado de desembargadores e, infelizmente, fomos massacrados diante de uma plateia repleta de pessoas, por julgadores insensíveis à questão ambiental.
O IBRAM foi obrigado a refazer a Audiência Pública a pedido do Ministério Público, e isso nos movimentou no sentido de fazer um levantamento completo sobre a história e a situação do parque, pois ao contrário das outras vezes, queríamos preparar a população para o debate.
Nesse espírito, fizemos uma pesquisa que durou meses, onde fomos nos arquivos poeirentos de vários órgãos públicos, buscar a história perdida do Parque Ecológico do Gama, e quanto mais fundo íamos, mas fundo tínhamos que ir, pois às informações nunca eram completas e tínhamos que ir em busca de documentos de órgãos públicos que não existiam há vários governos, até mesmo escrevi um conjunto de crônicas narrando essa aventura, chamado de Aventuras Burocráticas, muita gente riu muito acompanhando cada capítulo que se desenhava.
Após reunir toda informação que conseguimos, sistematizamos um seminário, onde abordávamos os aspectos históricos, sociais, ambientais, econômicos, políticos e jurídicos do Parque Ecológico do Gama, o objetivo era capacitar quem quisesse participar da audiência, para fazermos um contraponto ao tecnicismo dos órgãos públicos, que chegam vomitando um universo de informações, numa linguagem que às pessoas não entendem sobre coisas que são importantes no seu dia a dia, e assim muitas vezes uma Audiência Pública é utilizada para legitimar ações que vão contra os interesses da comunidade.
Mais de 100 pessoas participaram dos seminários, que ocorreram em várias edições em várias escolas da cidade e em horários acessíveis.
No dia da Audiência compareceram aproximadamente 200 pessoas e houve uma rara participação massiva e ativa da comunidade, infelizmente o IBRAM adotou uma postura belicosa, atacando o Conselho Gestor do Mosaico de Unidades de Conservação do Gama e diretamente a minha pessoa, o que fez com eu exigisse direito de resposta e rebati ponto a ponto.
Ficou clara naquela audiência que a intenção do governo seguia sendo a de governos anteriores, que era adotar o caminho mais fácil para a consolidação do Parque Ecológico do Gama, removendo um grupo de pessoas em situação de vulnerabilidade social e contemplando instituições invasoras do parque, nos oferecendo uma poligonal que contemplava o segundo grupo, doando frações consideráveis do parque para eles.
Saímos desmotivados daquela audiência, veio carnaval, Copa do Mundo, Eleições e o processo foi seguindo o seu curso, confesso que já o tinha como perdido até ontem, quando saiu a sentença da Vara do Meio Ambiente nos dando razão.
Peço licença agora, para narrar diretamente em primeira pessoa, pois às emoções me obrigam.
Confesso que não tinha nenhuma expectativa positiva em relação a um desfecho favorável ao que eu defendi junto com outras lideranças da cidade, ao longo de toda essa briga que ainda não acabou, adquiri inimigos, coisa que nunca tive, fui atacado, ofendido e acusado de estar em busca dos meus 15 minutos de fama, teve quem dissesse inclusive que eu e os que estavam comigo, atrapalhávamos o progresso e o desenvolvimento de nossa cidade, comecei a ter medo de frequentar o parque, de caminhar na rua e de sentar num bar para tomar uma cerveja...
Financeiramente não ganhei absolutamente nada com tudo isso, muito pelo contrário, gastei dinheiro e tempo que poderia ter dedicado à outras coisas. Me lembro que em dezembro de 2017 estava relaxando em São Paulo enquanto acompanhava a Comic Com, e tive que interromper o meu descanso e a minha peregrinação à Meca Nerd  para comparecer à uma reunião com o Ministério Público em Brasília, tendo que adiantar passagem e abrir mão dos dias de hospedagem que havia pago, sai direto do aeroporto para a reunião e inclusive tive que me vestir dentro do carro, e não me arrependo de nada disso, pois tudo foi feito em nome da coletividade, da proteção ao meio ambiente e do desejo sincero de que possamos usufruir de espaços públicos de qualidade onde vivemos, sem precisar se deslocar para o Plano Piloto ou outros locais.
Certamente o GDF vai recorrer, tenho receio de que a mesma turma que derrubou o embargo seja sorteada para decidir, mas essa é uma vitória a ser comemorada, pois em uma luta que ocorre há mais de 30 anos, conseguimos uma pequena vitória que jamais tivemos, e isso sinaliza para o Poder Público que aqui existe um grupo de pessoas comprometidas com a defesa de seu território e dos interesses coletivos, e que não aceitaremos mais silenciosamente qualquer imposição inventada de cima para baixo que insistam em aplicar arbitrariamente em nossa cidade.
Vencemos uma importante batalha, a guerra segue, certamente estaremos aqui cumprindo o nosso papel de cidadãos apaixonados pela natureza e por nossa cidade e o que ela representa para nós.
Dom Juan Ricthelly
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Em face do exposto, julgo procedente o pedido, para declarar a nulidade dos atos administrativos que importaram na execução da obra de pavimentação e edificação de sala de apoio institucional a autoescolas na região do Parque do Gama.

Dado que os réus Distrito Federal e a administradora regional Maria Antonia Rodrigues Magalhães insistiram em resistir ao embargo judicial, prosseguindo na edificação ilegal, têm a obrigação solidária de recompor o estado de fato anterior do imóvel, mediante a demolição e remoção dos entulhos da obra causadora do dano ambiental, de modo a restaurar a composição física natural, no prazo de 30 dias desde a publicação desta sentença, sob pena de multa diária no valor de R$ 2.000,00, limitada ao valor global de R$ 2.000.000,00.

Comino aos réus a proibição de executar ou autorizar obras públicas ou particulares na área a ser destinada ao Parque do Gama, enquanto não houver plano de manejo e adequada consulta pública prévia, sob pena de multa no valor de R$ 50.000,00 por cada ato de violação à presente cominação, sem prejuízo da responsabilidade criminal e/ou por improbidade administrativa respectiva.

Sem custas e sem honorários.

Brasília, 6 de fevereiro de 2019 14:32:33.

CARLOS FREDERICO MAROJA DE MEDEIROS


Juiz de Direito

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Do Gama Livre: 
Saiba mais um pouco sobre esse rumoroso caso da "Construção de banheiros públicos com salas de apoio institucional [que zorra é essa? E que custou a bagatela de 248.696,49. Ô banherinho caro da zorra] no Parque Urbano Norte - ST. Norte Gama - DF" 

Ao final da matéria do link abaixo, há links que levam a outras matérias sobre o caso.

Avisaram que a cagada da "construção de banheiros públicos com salas de apoio institucional" no Parque do Gama podia dar merda. Administradora regional do Gama vira ré na ação popular