“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 25 de dezembro de 2016

Em 2007, na fase da euforia do PT, Cesar Benjamim já previa a gravíssima crise atual

Domingo, 25 de dezembro de 2016
Da Tribuna da Internet
Mário Assis Causanilhas

Benjamim diz que o PT errou ao renegar a História

Na quinta e última parte da importante entrevista de Zuenir Ventura com o editor e jornalista Cesar Benjamim, feita em 2007 para o livro “1968: o que fizeram de nós”, o futuro secretário de Educação da Prefeitura do Rio de Janeiro já previa a gravíssima crise econômica que viria a atingir o Brasil, demonstrando a inviabilidade das políticas adotadas pelo governo Lula, que apenas aparentemente estavam levando o país a um ciclo de desenvolvimento que na realidade não tinha a menor sustentabilidade.
ZUENIR VENTURA – Você ainda acredita no estado nacional?
CÉSAR BENJAMIN – Tempos atrás, li no jornal que dona Marisa tinha feito uma viagem de Brasília por terra e, ao voltar, disse para o marido: “Luiz Inácio, as estradas estão muito esburacadas!” Aí o presidente da República foi pessoalmente lançar a operação tapa buraco. Disse publicamente que dona Marisa o alertara para o problema. Isso foi notícia durante semanas. Fiquei deprimido. Você consegue imaginar o presidente da França cuidando de tapar buracos? O presidente da China? O dos Estados Unidos? O primeiro-ministro da Alemanha? Isso é uma atividade rotineira do oitavo escalão. Aqui, para minha surpresa, ninguém gargalhou quando o presidente foi cuidar de buracos! Não há mais Estado, Zuenir, estamos em vôo cego. Povos sem estado se lascam.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Cesar Benjamin explica a Zuenir como Lula e Dirceu manipularam o sonho do PT

Quinta, 22 de dezembro de 2016
Da Tribuna da Internet
Mário Assis Causanilhas
Lula e Dirceu só se preocupavam em se eternizar no poder
Na segunda parte da entrevista de Zuenir Ventura com o editor e jornalista Cesar Benjamim, feita em 2007 para o livro “1968: o que fizeram de nós”, o futuro secretário de Educação da Prefeitura do Rio de Janeiro fala sobre a criação do PT e manipulação do partido por Lula e José Dirceu para chegar ao poder, ao transformarem a legenda dos trabalhadores numa máquina eleitoral poderosa, mas inofensiva ao esquema de poder existente no país.
ZUENIR VENTURA – Quando você saiu do PT e por quê?
CESAR BENJAMIM – Fui expulso do Brasil em 76 e voltei em 78, antes da anistia, animado com o avanço do movimento pela redemocratização e o ressurgimento do movimento operário. Ajudei a fundar o PT e militei nele, intensamente, até 95. Saí quando comecei a ver coisas muito estranhas. Na verdade, foi um processo que culminou em 94, mas começou em 89. Você deve se lembrar como foi aquela campanha. Aliás, não foi uma campanha, mas um movimento no Brasil inteiro: primeira eleição presidencial depois de décadas! O Lula começou com 2,5%. Não tínhamos nada, mas éramos milhares, cheios de garra. O povo foi entendendo isso. Me lembro de uma noite ali no Catete, em frente a uma loja de televisores, uma pequena multidão de umas 50 pessoas vendo o horário eleitoral, e eu no meio. Eu participava da coordenação do programa de governo da campanha, e naquela noite o nosso programa de TV estava especialmente bem-feito, transmitindo muita autenticidade. Senti uma eletricidade percorrendo as pessoas, uma emoção, um silêncio profundo, emotivo e respeitoso. Cheguei em casa e disse para a minha mulher: “Nós vamos ganhar a eleição”. E ela: “Você está louco”. Praticamente ganhamos, pois saímos de 2,5% e chegamos a 49%. Paradoxalmente, foi no fim dessa campanha que me acendeu a luz amarela com o Lula.