“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador lula e dirceu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lula e dirceu. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Cesar Benjamin explica a Zuenir como Lula e Dirceu manipularam o sonho do PT

Quinta, 22 de dezembro de 2016
Da Tribuna da Internet
Mário Assis Causanilhas
Lula e Dirceu só se preocupavam em se eternizar no poder
Na segunda parte da entrevista de Zuenir Ventura com o editor e jornalista Cesar Benjamim, feita em 2007 para o livro “1968: o que fizeram de nós”, o futuro secretário de Educação da Prefeitura do Rio de Janeiro fala sobre a criação do PT e manipulação do partido por Lula e José Dirceu para chegar ao poder, ao transformarem a legenda dos trabalhadores numa máquina eleitoral poderosa, mas inofensiva ao esquema de poder existente no país.
ZUENIR VENTURA – Quando você saiu do PT e por quê?
CESAR BENJAMIM – Fui expulso do Brasil em 76 e voltei em 78, antes da anistia, animado com o avanço do movimento pela redemocratização e o ressurgimento do movimento operário. Ajudei a fundar o PT e militei nele, intensamente, até 95. Saí quando comecei a ver coisas muito estranhas. Na verdade, foi um processo que culminou em 94, mas começou em 89. Você deve se lembrar como foi aquela campanha. Aliás, não foi uma campanha, mas um movimento no Brasil inteiro: primeira eleição presidencial depois de décadas! O Lula começou com 2,5%. Não tínhamos nada, mas éramos milhares, cheios de garra. O povo foi entendendo isso. Me lembro de uma noite ali no Catete, em frente a uma loja de televisores, uma pequena multidão de umas 50 pessoas vendo o horário eleitoral, e eu no meio. Eu participava da coordenação do programa de governo da campanha, e naquela noite o nosso programa de TV estava especialmente bem-feito, transmitindo muita autenticidade. Senti uma eletricidade percorrendo as pessoas, uma emoção, um silêncio profundo, emotivo e respeitoso. Cheguei em casa e disse para a minha mulher: “Nós vamos ganhar a eleição”. E ela: “Você está louco”. Praticamente ganhamos, pois saímos de 2,5% e chegamos a 49%. Paradoxalmente, foi no fim dessa campanha que me acendeu a luz amarela com o Lula.