Terça, 24 de junho de 2014
Da Pública
Agência de Reportagem e Jornalismo
Investigativo
por Bruno Fonseca | 24 junho, 2014
Em Belo Horizonte, população de rua é vítima da repressão às
manifestações e de práticas de “limpeza da cidade” – pertences pessoais
são recolhidos pela prefeitura
No dia de abertura da Copa do Mundo, 12 de junho, Rômulo Félix surgiu
nas telas de uma emissora de televisão regional sendo arrastado pelo
chão por um policial militar nas proximidades da Praça da Liberdade,
cartão-postal da capital mineira.

O morador de rua,
negro, 59 anos, há oito vivendo nas ruas de Belo Horizonte, estava no trajeto
do protesto contrário à Copa do Mundo quando eclodiu o conflito entre policiais
e manifestantes. Rômulo diz que foi agarrado pelo PM quando tentou defender uma
jornalista. Foi preciso que uma conhecida, a produtora cultural Sílvia Andrade,
interviesse para que o homem fosse liberado pela PM: “Em questão de segundos, o
Rômulo estava sendo levado pela polícia. Ele estava sendo arrastado muito violentamente
e chutado por vários policiais. Pedi para levá-lo para casa porque era meu
amigo. Foi preciso que o Alberto-Luiz [tenente-coronel e chefe da comunicação
da PM de Minas Gerais] mandasse os policiais pararem de bater”, conta. Sílvia
conheceu Rômulo através do “Viaduto Ocupado”, movimento de ocupação do espaço
do viaduto Santa Tereza, no Centro de BH, ponto tradicional de reunião de
pessoas em situações de rua, da cultura do Hip-Hop e de movimentos sociais.