Sábado, 30 de dezembro de 2017
O Brasil vive atualmente uma crise completa, a mais grave desde os momentos finais da ditadura e o início do processo de democratização em meados dos anos 80. Trata-se de um processo no qual converge um conjunto de vetores que confluem contraditoriamente retroalimentando-se e, ao mesmo tempo, repelindo-se mutuamente, pois todos os agentes que influenciam essas variáveis buscam encontrar saídas para os problemas colocados pela conjuntura, mas até agora, apesar da brutal ofensiva do capital, ainda não se verificou um desfecho definitivo da crise. Isso se explica em função da diversidade de projetos das várias frações burguesas sobre os rumos da conjuntura aberta com o impeachment da presidente Dilma, da impopularidade do governo golpista, assim como da resistência da população e, especialmente, do temor de setores da burguesia de um levante social provocado pela dramática conjuntura da qual não têm controle pleno.
Forja-se assim um ambiente complexo, confuso e de difícil compreensão plena da realidade. Nessa conjuntura, os diversos atores sociais e políticos buscam saídas para a crise de acordo com seus interesses, mas as saídas são todas problemáticas, pois envolve um conjunto de problemas de difícil solução na conjuntura atual, tais como o rompimento de pactos institucionais amadurecidos na consciência popular, como direitos e garantias que vêm desde a década de 40 do século passado, outros inscritos na constituição de 1988, além da necessidade de uma derrota completa das forças populares, o que tem se mostrado problemático na conjuntura atual. Num ambiente dessa ordem, deve-se levar em conta ainda que mudanças institucionais bruscas, sem apoio da sociedade, podem desatar forças que estavam latentes nos subterrâneos sociais e conflagrações sociais que não estavam presentes ainda na subjetividade dos trabalhadores e da juventude e que podem ficar fora de controle em função dos processos mais profundos da luta de classes que tende a emergir de situações desse tipo, muitas delas sequer imaginados quando se iniciou a crise.


