“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

América Latina: a ultradireita tem projeto?

Segunda, 21 de setembro de 2026

América Latina: a ultradireita tem projeto? 

Ela governa quase toda a região. Mas, quando se volta a falar em soberania, propõe um neoliberalismo mofado e recolonial. Espera em vão por capital externo. Não mobiliza esperanças, mas rancor. É frágil, desde que surja horizonte de justiça social

OutrasPalavras                               Direita Assanhada

Por  

Arte: policypress.cy

Por Álvaro García Linera, em Other News | Tradução: Antonio Martins

Uma onda reacionária varre a América Latina. Com exceção do México e Brasil (as duas maiores potências da região), Uruguai e Guatemala, os demais países (Argentina, Chile, Colômbia, Bolívia, Peru, Equador, Paraguai, El Salvador, Honduras, Panamá, etc.) elegeram governos autoritários de extrema-direita. Isso ocorreu no segundo turno das eleições, por uma margem estreita, mas esses governos estão no poder e expressam um sentimento de ressentimento e agressividade política anti-igualitária, forte em parcelas da população.

Não estamos lidando com a direita liberal tradicional ou “republicana” que caracterizou o neoliberalismo triunfante da década de 1980. Naquela época, ele procurava ser o porta-estandarte de um destino universal e final para a humanidade, centrado no livre mercado, na globalização, no multiculturalismo e no Estado mínimo.

A extrema-direita de hoje não promete um futuro de paz mundial baseada nos mercados, mas sim uma purga apocalíptica dos ateus que se opõem às hierarquias “naturais” do empregador sobre empregado, do homem sobre mulher, da branquitude sobre todas as outras etnias e do rico sobre o pobre. Mais do que uma utopia, o que ela ostenta é uma “guerra santa” contra o comunismo, contra os imigrantes, contra os direitos e os bens públicos. Para a extrema-direita, não há paraíso a alcançar, apenas as brasas de um Armagedom onde purificar os desvios de uma humanidade corrompida por aspirações de igualdade.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Pochmann: Os clãs políticos sobreviverão à Era Digital?

Terça, 16 de junho de 2026

Pochmann: Os clãs políticos sobreviverão à Era Digital?

Pela primeira vez na história brasileira, parcela significativa da comunicação e formação de opinião é mediada por empresas estrangeiras. Os algoritmos definem a visibilidade. Como evitar que a revolução digital atualize o poder das antigas dinastias, e renove lideranças?

outraspalavras                       
Publicado originalmente no OUTRASPALAVRAS de 16/06/2026 às 17h10

Imagem: Nash Weerasekera/Foreign Policy

Há uma pergunta incômoda que atravessa toda a história política nacional. Os clãs políticos brasileiros que superaram as transformações econômicas, sociais e tecnológicas do Brasil desde a independência nacional serão capazes de sobreviver na era digital?

A dúvida é relevante porque o Brasil mudou profundamente desde o fim da colonização. O país deixou de ser uma economia agrária baseada originalmente no trabalho escravo para se tornar, posteriormente, numa sociedade urbana e industrial e, mais recentemente, uma economia dominada pelos serviços, pelas finanças, pelos dados e pelas plataformas digitais.

Mudaram as formas de produção, os meios de comunicação, as relações de trabalho e até os mecanismos de participação política. Mas teria mudado a estrutura do poder? Uma hipótese que merece atenção, uma vez que os clãs políticos não tenham desaparecido.