Do
Correio da Cidadania
Escrito por Mário Maestri*
A notícia da recente
agressão de Olívio Dutra por assaltante em lotação levou milhares de
brasileiros a perguntarem-se o que fazia o ex-governador sulino em um meio de
transporte público. A resposta para a compreensível perplexidade é simples. A
progressão política do ex-sindicalista jamais causou maiores modificações em
sua vida pessoal. Discretamente, ele seguiu morando no mesmo apartamento,
veraneando na mesma praia, usando o mesmo meio de transporte. Ao cumprir seus
cargos públicos, voltava, sempre, ao mesmo trabalho, no Banrisul.
O comportamento plebeu
e republicano foi como uma extensão natural dos valores políticos desse
fundador do PT que já se definiu, caçoando das contradições, como marxista e
cristão. Não sabemos se, em 1989, ele festejou com alguns martelinhos a mais a eleição à
prefeitura de Porto Alegre. Em verdade, o apreço pela bebida, até há alguns
anos de caráter exclusivamente popular, foi talvez a grande insídia
conservadora lançada contra cidadão de vida irrepreensível. Na sua má fé, ela
revelava também o desgosto pela intrusão na alta política sulina de um sindicalista plebeu, que era, entretanto, homem de
cultura, de formação institucional.
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