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(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Quando a vida torna-se diagnóstico

Segunda, 29 de junho de 2026

Quando a vida torna-se diagnóstico

O sofrimento é ambíguo – e, cada vez mais, é enquadrado em categorias psiquiátricas. Isso limita a forma de interpretar a si e ao mundo. Talvez seja necessária uma expansão subjetiva para enxergar a diversidade da experiência humana…


Vivemos em uma época na qual emoções, comportamentos e experiências cotidianas são cada vez mais interpretadas através de diagnósticos psiquiátricos. Termos originalmente técnicos como ansiedade, depressão, T.O.C, bipolaridade, autismo, déficit de atenção e narcisismo, passaram a habitar conversas familiares, relacionamentos amorosos, ambientes de trabalho, redes sociais e narrativas pessoais.

Crescentemente, utilizamos tais classificações para dizer sobre alguém. Ou até mesmo para explicar quem somos, o que sentimos e por que sofremos.

À primeira vista, isso pode parecer apenas um reflexo dos avanços no conhecimento sobre saúde mental. E em muitos aspectos, é. Reconhecer o sofrimento constitui uma condição fundamental para que ele possa ser acolhido. Nomear determinadas experiências pode favorecer sua compreensão, reduzir estigmas e ampliar possibilidades de cuidado.

Entretanto, esse cenário levanta questões mais profundas: