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(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 24 de março de 2015

População pagará pela desastrosa gestão PT-PMDB no setor elétrico

Terça, 24 de março de 2015
Escrito por Valéria Nader e Gabriel Brito, da Redação - Colaborou Raphael Sanz
Mais um que promete debates calorosos em 2015, o setor elétrico também começa a ganhar espaço nos temores da população a respeito de crises de abastecimento e aumentos tarifários. Para analisar esse complexo tema, o Correio da Cidadania entrevistou Célio Bermann, engenheiro e professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP, um dos principais especialistas do país em energia e sustentabilidade.
 “É um conjunto de questões da política de 2012 que levou ao desequilíbrio econômico-financeiro do atual momento, acentuado pela disponibilidade hídrica, tendo de se recorrer à termoeletricidade. O resultado estamos vendo agora, com a mudança da gestão econômica do Brasil. O ministro Levy definiu a prioridade pelo equilíbrio das contas públicas e a não utilização de recursos do Tesouro e dos bancos públicos, fazendo com que o consumidor final arque com toda essa sucessão de erros”, resumiu.
Na longa conversa, Bermann ressalta que toda a questão passa pela forma de organização do capitalismo brasileiro, completamente subordinado aos grandes grupos multinacionais, que definem até as “necessidades” energéticas do país. Sobre os aproveitamentos hidrelétricos, diz ser urgente mudanças em seus estudos. “Estamos entrando num período em que a frequência de alteração hidrológica é cada vez maior, assim como sua intensidade. A concepção de projetos pede uma nova referência nos estudos de potencial, justamente por causa da imprevisibilidade do comportamento hidrológico”.
Ademais, lembra que não há espaço para a participação social na gestão do setor, e suas mega-obras, o que, consequentemente, mantém as portas fechadas para um maior esforço no desenvolvimento de alternativas energéticas. “A história recente mostra que, na questão energética, estamos enfrentando um governo que impõe sua agenda e política energéticas. Em outras palavras, a política energética no Brasil tem sido imposta de forma autocrática, sem possibilidade de espaço para debate e consulta”, criticou.
A seguir, a entrevista completa.