“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Atendendo pedido do MPF, Supremo decide que Carlos Bolsonaro deve ser julgado novamente por difamação

Quarta, 31 de maio de 2023

Corte entendeu que fundamentação da Justiça fluminense não foi suficiente para descaracterizar crime de difamação
Arte: Comunicação/MPF

Seguindo entendimento do Ministério Público Federal (MPF), o Supremo Tribunal Federal (MPF) determinou que a Justiça do Rio de Janeiro julgue novamente o vereador Carlos Bolsonaro pelo crime de difamação. Por maioria dos votos, a Segunda Turma do STF entendeu que a fundamentação do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) não foi suficiente para desconfigurar o crime de difamação do qual o vereador é acusado.

A queixa-crime foi apresentada pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol), após publicação de mensagens em que o vereador teria relacionado o partido e o então deputado federal Jean Wyllys ao atentado contra o então candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro, em 2018. O TJRJ considerou que a conduta de Carlos não configurou difamação.

Petróleo é energia; finanças, ONG e comunicação, fantasias – A técnica

Quarta, 31 de maio de 2023

Escrito por Pedro Pinho*

Publicado em A-Destaque em 31/05/2023

O consumo de energia per capita é o verdadeiro indicador da riqueza e do bem-estar dos países 

“O pragmatismo do empresário brasileiro é um estado de espírito que se sobrepõe tranquilamente a sentimentos nacionalistas. A venda de terras a empresas e cidadãos estrangeiros era feita por firmas brasileiras especializadas, principalmente na Amazônia Legal e no Brasil Central. Os setores do governo procurados pelo repórter, particularmente o Ministério da Justiça e o Ibama, manifestaram completo desconhecimento do assunto” (Delcio Monteiro de Lima, Os Sobrinhos de Judas, Francisco Alves, RJ, 1992).

Os Petróleos

O petróleo é uma mistura de hidrogênio e carbono, que se encontra na natureza nas formas líquida e gasosa. Além destes, muitos outros elementos participam da formação do petróleo, sendo o enxofre o mais comum, mas há oxigênio, minerais, principalmente os que resultaram da matéria orgânica decomposta há milhões de anos.

O petróleo está classificado, junto ao carvão mineral, aos xistos e às areias betuminosas, como combustível fóssil.

O petróleo é encontrado em “reservatórios” que são “rochas sedimentares”, onde ele impregna na sua corrida da “rocha geradora” para a superfície da terra. Isso porque o petróleo é menos denso do que outros compostos, como a água, por exemplo. Mas, neste caminho, ele encontra “rochas selantes” que bloqueiam seu deslocamento e, ao fim, formam os reservatórios.

A investigação exploratória é parte da indústria do petróleo que procura essas acumulações ou os reservatórios de petróleo.

Mas as misturas que formam o petróleo lhes dão características diferentes. Por isso, há classificação dos petróleos, e essas características fazem o petróleo variar no preço e, mesmo, na obtenção de derivados.

A classificação mais geral é o “grau API”, a gradação da densidade estabelecida pelo American Petroleum Institute (API). De modo geral, os petróleos até 22º API são considerados pesados; entre 22º e 31º API, médios; e acima de 31º API, leves. Os petróleos leves são os mais caros, pois permitem a maior produção dos derivados mais valiosos: o gás liquefeito (GLP ou gás de cozinha), a nafta (importante insumo petroquímico), o querosene (usado como combustível nos aviões) e a gasolina. Também a quantidade de enxofre acarreta valorização/desvalorização do petróleo conforme seja pouca ou muita.

O petróleo brasileiro, em média, tem 28,1º API, e temos cerca de 6,5% de petróleo pesado. No pré-sal do Sudeste, o petróleo é leve, com mais de 31,1º API, e tem baixas percentagens de enxofre, o que o valoriza ainda mais.

Mas existem outros componentes que classificam o petróleo como parafínicos, naftênicos e aromáticos, sendo estes últimos excelentes para produção de solventes de ótima qualidade e gasolina com alto índice de octanagem.

O reservatório de petróleo se organiza conforme as densidades: na parte superior, há gás; na intermediária, o óleo líquido; e na inferior, existe água.

Diferente do petróleo são as areias betuminosas (tar sands). Constituem uma forma quase sólida de petróleo, pois os hidrocarbonetos pesados, com outros compostos oxigenados e sulfurados, impregnam as rochas, compostas basicamente por areia e argila. A extração de petróleo das areias betuminosas, por lavagem de água e produtos químicos, emite muito mais poluição do que a mesma quantidade obtida de petróleo convencional. Das areias betuminosas, extrai-se o betume que é diluído com gás natural condensado na proporção de 75% de betume para 25% de condensado.

Mas o dano ambiental não para por aí. Essa produção esgota e polui as reservas de água doce e cria lagoas gigantes de lixo tóxico. Do refino resulta uma grande quantidade de coque, um subproduto perigoso para a saúde humana e para o ambiente.

Como se não bastasse, o petróleo obtido das “tar sands” é muito mais caro, o que levou os governos Federal e estaduais dos Estados Unidos da América (EUA) a encontrar fórmulas de absorver parte dos custos e dispensar cobrança de impostos. Mas, ainda assim, quase todas as empresas que se constituíram para essa atividade faliram.


As reservas de petróleo e a política

Embora sob a roupagem técnica, as reservas de petróleo que são divulgadas para o público em geral contêm uma forte dose de interesse político e até fraudam os volumes com artifícios diversos. Analisemos a mais divulgada relação, publicada anualmente até 2022, pela empresa do Reino Unido, a British Petroleum – BP.

Ao fim da II Guerra Mundial (1948), o mundo teria 68,2 bilhões de barris de petróleo. Tem início o período que a Associação Francesa de Economia Política (Afep) denomina “os 30 gloriosos”, pois a França e também a Europa e o Brasil conhecem um período de grande crescimento que termina com as crises do petróleo em 1978.

As reservas de petróleo elevavam-se então a 645,8 bilhões de barris. Naquele ano, sempre em bilhões de barris, os EUA tinham 29,5; o Canadá, 6,0; a América Latina, 40,3; o Mundo Ocidental, 75,8; o Oriente Médio, 366,2; a África, 59,2; sobrando para Ásia e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) 68,8 bilhões de barris.

Mas é a partir da década de 1980, quando as finanças apátridas tomam o poder no Atlântico Norte, se expandindo pelas antigas, porém permanentes, colônias em todos continentes.

A produção de petróleo tem uma retração em meados dos anos 80, mas volta a crescer até a crise deste último quinquênio (2017). As reservas são mais reveladoras, conforme se observa na tabela seguinte, da BP Statistical Review.

RESERVAS PROVADAS DE ÓLEO EM BILHÕES DE BARRIS:

[Clique no quadro abaixo para melhor visualizá-lo]

Na medida em que vão sendo produzidos o óleo e o gás dos reservatórios, as reservas vão diminuindo. Para manter as produções e não reduzir as reservas, as empresas de petróleo desenvolvem métodos de recuperação das reservas.

Com a energia natural dos reservatórios, pode-se produzir até 30% dos volumes ali contidos. Esta razão entre os volumes existentes e os volumes produzidos, na ótica dos reservatórios, denomina-se Fator de Recuperação. O mais comum é promover a compressão do óleo com a injeção de gás e de água, que, pelas densidades, irá manter ou até elevar a pressão sobre o óleo impregnado nas rochas. Atualmente, pode-se, com métodos de recuperação especiais, e dependendo do óleo e das características do reservatório, atingir 75% de recuperação.

Os 30 anos observados na tabela relativos à Arábia Saudita são bom exemplo deste cuidado com a manutenção das reservas. No Canadá e nos EUA, constata-se a farsa de incluir as areias betuminosas como se fossem reservatórios convencionais de petróleo.

Cabe transcrever, em tradução livre, da ONG ambiental NRDC, o trecho seguinte:

“Há 300 anos, o explorador britânico James Knight observou a ‘goma ou breu que flui das margens’ do que hoje é o rio Athabasca, no Canadá. Knight estava descrevendo areias betuminosas, depósito lamacento de areia, argila, água e betume preto pegajoso (usado para fazer óleo sintético) que fica abaixo da floresta boreal do norte de Alberta, em região do tamanho da Flórida. Extrair e converter areias betuminosas em combustível utilizável é um empreendimento extremamente caro e intensivo em energia e água, que envolve a mineração em faixas gigantes de terra e a criação de cargas de lixo tóxico e poluição do ar e da água”.

“Apesar desses custos econômicos e ambientais, a corrida para ganhar dinheiro com esse combustível sujo foi iniciada, em meados da década de 1990, pelo aumento dos preços do petróleo. Em 2004, a produção canadense de petróleo de areias betuminosas atingiu 1 milhão de barris por dia – com grande parte da produção destinada aos EUA – e as grandes petrolíferas tinham planos ambiciosos de expansão” (Melissa Denchak, A luta suja pelo petróleo das areias betuminosas canadenses, Natural Resources Defense Council, 31 de dezembro de 2015).

As reservas da Noruega e do Reino Unido mostram que as expectativas para o Mar do Norte foram um jogo político europeu para reduzir o protagonismo árabe no petróleo mundial.

Quanto à Venezuela, foi a descoberta de petróleo na Faixa do Orinoco, correspondendo aos estados Guárico, Anzoátegui e Monagas, que transformou a Venezuela no país de maiores reservas de petróleo no mundo e responsável pelos acréscimos das reservas mundiais desde 2010. Os EUA, que perderam a gestão dessas riquezas venezuelanas a partir da Revolução Bolivariana de Hugo Chávez, em fevereiro de 1999, têm usado a agressão das sanções para impedir que a Venezuela possa auferir todos os ganhos daquela descoberta.

O crescimento das reservas brasileiras demonstra a subavaliação dos volumes para não valorizar a Petrobras, cuja alienação integral para os capitais estrangeiros é meta dos governos Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Também indicam o descaso dos governos após 2016 com a questão da energia no Brasil, submisso que está o país aos capitais financeiros, desde a denominada redemocratização, em 1985.

 
As energias e o progresso humano

As energias mostram a conquista humana da Terra. Também como foi aumentando a capacidade de transformação da natureza, em benefício do bem-estar e do conforto humano.

O homem descobriu o fogo, o uso da força dos animais, das correntes de água, o petróleo até a energia nuclear, ponto em que nos encontramos. Mas cada energia tem seu custo, sua capacidade e seus resultados. Portanto, devem-se avaliar a economia e as tecnologias para produção e uso das energias.

A energia contida em um barril de petróleo é semelhante a 5,8 milhões de unidades térmicas britânicas (MBTUs) ou 1.700 quilowatts-hora (kWh) de energia, e 1 m³ de condensado é igual a 6,29 barris.

Nessas relações, já se vê a impossibilidade de somar o óleo das areias betuminosas às do petróleo convencional, como faz a BP para reservas mundiais.

São falácias que acompanham todas as energias pretensamente ou potencialmente renováveis quando comparadas ao petróleo. Não é por qualquer outra razão que o consumo de energia fóssil corresponde a 82% do consumo total de energia no planeta. E isso, com todas as inúmeras Organizações Não Governamentais (ONGs) fazendo campanhas bilionárias contra o uso do petróleo.

O consumo de energia per capita é o verdadeiro indicador da riqueza e do bem-estar dos países. Usar o Produto Interno Bruto (PIB), seja pelo valor produzido ou pelo poder de compra, falseia a riqueza mal distribuída. E o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) também considera o PIB, a taxa de alfabetizados e matrículas escolares, que estarão muito influenciadas pela distribuição etária da população.

Vejam-se os consumos de energia per capita em países expressivos pela sua posição no poder mundial ou pela sua capacidade de atuar fora de suas fronteiras. Dados de 2021 obtidos da BP Statistical Review of World Energy e da US Energy Information Administration (EIA).

Cingapura, na Ásia, tem um dos maiores consumos de energia per capita do planeta: 161.103 kWh. Também no Oriente estão os Emirados Árabes Unidos – 134.317 kWh e o Kuwait – 113.650, entre os grandes.

Seguem-se, sempre em kWh: Noruega (105.148), Canadá (101.459), Arábia Saudita (83.635), EUA (78.634), Coreia do Sul (67.397), Luxemburgo (65.830), Bélgica (65.217), Austrália (61.297) e Suécia (60.610). A Federação Russa comparece com 59.914 kWh, e a Europa, como um todo, com 40.177 kWh. Abaixo temos o Japão (39.545), Suíça (34.322), Israel (32.816), Itália (29.800), Reino Unido (29.641) e o Chile (23.710), o primeiro sul-americano a comparecer neste rol privilegiado.

O mundo tem o consumo de 20.902 kWh per capita. Apenas a Argentina (21.057) o supera, entre os sul-americanos (além do Chile), e a Venezuela (20.011) à Ásia (18.819). O Brasil, com 16.286 kWh, só supera a América do Sul (15.836) e a África (3.985).

E não querem que aumentemos a produção do petróleo nacional, impedindo a pesquisa em áreas ainda virgens de investigação exploratória.

Que bilionárias ONGs, como Greenpeace, WWF, a pioneira UICN (1948), não queiram o desenvolvimento brasileiro, mantendo-nos como toda África, como reserva de recursos exauríveis para o futuro europeu e do Atlântico Norte, até se compreende, embora se deva combater. Mas que brasileiros, principalmente ocupando cargos nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, também o façam, é inadmissível.

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, atual presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet).

Fonte: Monitor Mercantil

terça-feira, 30 de maio de 2023

O TEATRO BRASILIENSE ESTÁ NA EUROPA

Terça, 30 de maio de 2023
O Coletivo Levante em cena

Vejam só. O Coletivo Levante é um grupo de teatro brasiliense composto pelos atores Lucca Marques, Rafael Salmona e Vinícius Facó.

Depois de apresentar "Uma Crônica para quem não deveria AMAR", de Rafael Salmona, em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, o grupo saiu do Brasil em março, para encenar a peça em Portugal e Espanha, para isso contando com o apoio do FAC.

Depois de apresentá-la em Porto, Lisboa, Barcelona e mais 3 cidades portuguesas, o grupo foi selecionado para levar a peça outra vez a Porto, Oeiras, Póvoa de Santa Iria e Sintra.

Com o sucesso alcançado, o Coletivo Levante foi convidado para encenar outras duas peças em Sintra, Setúbal, Barcelona, Oeiras, Povoa de Santa Iria e Porto. "Sombrio", de Lucca Marques e Rafael Salmona, que terá a direção de Fernando de Carvalho, e "O Jogo de Júlia", uma adaptação do autor sueco August Strindberg, publicada originalmente no século XIX com o título de "Miss Julie". A direção de "O Jogo de Júlia" é de Salmona e estarão no elenco Maria Léo Araruna e Vinicius Facó.

O grupo já apresentou "O Jogo de Júlia" em Brasília, mas a estreia de "Sombrio" será na Europa.

O grupo atualmente está mobilizando um financiamento coletivo para conseguir executar a circulação dos novos espetáculos. As informações podem ser obtidas pela página do grupo nas redes sociais, @ocoletivolevante.


Fernando Tolentino

Idoso deve ser indenizado por cobrança de serviços indevidos em seu veículo

Terça, 30 de maio de 2023

A 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal manteve decisão que condenou a Grid Pneus e Serviços Automotivos Ltda ao pagamento de indenização a idoso por cobrança de serviços indevidos em seu veículo. A decisão estabeleceu a quantia de R$ 5.713,52 a título de danos materiais.

Do TJDF
De acordo com o processo, em 20 de maio de 2022, o autor procurou a ré a fim de trocar dois pneus de seu veículo e realizar troca de óleo e das pastilhas de freio. O valor acordado entre as partes para a prestação dos serviços foi de R$ 1.230,39. Contudo, o idoso foi surpreendido com uma cobrança no valor de R$ 6.500,00.

O idoso alega que foi induzido contratar serviços desnecessários em seu automóvel. Laudo pericial indicou que alguns serviços cobrados pela empresa não foram realizados e que outros foram feitos em duplicidade. Além disso, os peritos concluíram que quatros rodas foram intencionalmente danificadas e posteriormente reparadas pela empresa. Por fim, afirmaram que os preços dos serviços estavam acima dos valores praticados no mercado.

Da fogueira ao altar

 Maio

30

Da fogueira ao altar

    Neste dia de 1431 uma jovem de dezenove anos foi queimada viva no velho mercado de Rouen.

    Ela subiu ao cadafalso com um enorme gorro, onde estava escrito:

Herética,

Reincidente,

Apóstata,

Idólatra.

    Depois de queimada, foi atirada no rio Sena, do alto de uma ponte, para que as águas a levassem longe.

    Ela havia sido condenada pela Igreja católica e pelo Reino da França.

    Se chamava Joana d’Arc.

    Ouviram falar?

                       Eduardo Galeano, no livro 'Os filhos dos dias'. 2ª Edição, pág. 176. L&PM Editores

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segunda-feira, 29 de maio de 2023

Amanhã, terça-feira (30/05) é dia de mobilização geral contra o PL 490 e o Marco Temporal! ✊🏾

Segunda, 29 de maio de 2023
A Associação de Acadêmicos Indígenas da Universidade de Brasília @aaiunb convoca a todos para o ato em mobilização contra o PL490/2007 que prevê inúmeras modificações nos direitos territoriais dos povos indígenas além de propor a tese inconstitucional do Marco Temporal.

Data: 30/05
Concentração: Museu Nacional da República
Horário: 14 horas

Clique na imagem abaixo para melhor visualizar Carta aos parlamentares do Congresso Nacional em defesa da Agricultura Familiar, dos Povos Indígenas, do Meio Ambiente

Chomsky e as 10 Estratégias de Manipulação Midiática


Quando a manipulação da mídia aumenta a cada dia, o Gama Livre acha conveniente repetir uma postagem de 30 de dezembro de 2011: Chomsky e as 10 Estratégias de Manipulação Midiática

Sexta, 8 de novembro de 2013

Chomsky e as 10 Estratégias de Manipulação Midiática

Sexta, 30 de dezembro de 2011
O lingüista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:  
1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.  
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')”.  

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.  

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.  

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.  
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.  

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.  

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.  
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…  

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.  
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.  

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.  
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto… 
 
9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.  
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!  

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.  
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

FOI POR POUCO —Abrir os cofres para reeleger Bolsonaro quase quebrou a Caixa Econômica, diz portal

Segunda, 29 de maio de 2023
Pedro Guimarães e Bolsonaro: dupla atuou para fazer da Caixa uma arma para tentar mudar os rumos das eleições de 2022 — Antônio Cruz/Agência Brasil

Empréstimos a pessoas de baixa renda, mesmo com nomes negativados, foram suspensos logo após vitória de Lula

Redação
Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) | 29 de Maio de 2023

Reportagem publicada nesta segunda-feira (29) pelo portal UOL mostra que a tentativa desesperada de Jair Bolsonaro de (PL) vencer a disputa com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e permanecer na presidência em 2022 teve consequências diretas na Caixa Econômica Federal. Ações determinadas por Pedro Guimarães, presidente do banco na gestão bolsonarista, tentaram reverter a desvantagem do então presidente em meio aos eleitores mais pobres com concessão de empréstimos, mas geraram inadimplência e colocaram o banco sob risco.

A reportagem cita duas linhas de crédito criadas em março de 2022, quando pesquisas indicavam que Lula liderava as intenções de voto entre as pessoas mais pobres por larga margem. Uma das iniciativas era a oferta de crédito para pessoas com nome negativado, em um programa chamado SIM Digital. O outro era a liberação de empréstimos consignados atrelados às parcelas do Auxílio Brasil.

Segundo apurou o UOL, contando com dados enviados pelo banco via Lei de Acesso à informação, foram liberados R$ 10,6 bilhões nos dois programas, em empréstimos para cerca de 6,8 milhões de pessoas. A maior parte desse dinheiro não retornou aos cofres da empresa, devido à inadimplência que, no caso do SIM Digital, por exemplo, chegou a 80%.

Com apoio de Damares, governo Bolsonaro pagou missionários religiosos em terra Yanomami

Segunda, 29 de maio de 2023
                                                                                    Reprodução Instagram Ypassali Associação Sanuma

Funai privilegiou projeto para enfrentar suposta prática de ‘infanticídio indígena’ quando crise humanitária se agravava


Anna Beatriz Anjos, Mariama Correia

29 de maio de 2023

Ministério deu atenção à pauta que é uma das bandeiras da agora senadora 

Agenda ligada a evangélicos dissemina racismo, alertam especialistas 

Enquanto a crise humanitária na Terra Indígena Yanomami se aprofundava sem a devida assistência do Estado, o governo Jair Bolsonaro destinou R$ 215,8 mil a uma iniciativa desenvolvida no território para enfrentar uma suposta prática de “infanticídio indígena”. As informações foram obtidas pela Agência Pública via Lei de Acesso à Informação (LAI). Essa é uma pauta ligada a organizações evangélicas que contribui para disseminar o racismo em relação aos povos indígenas, conforme denunciam lideranças e especialistas.

O valor foi direcionado pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) ao projeto Ulu, de acolhimento a crianças Yanomami que teriam sido rejeitadas por suas comunidades, realizado por missionários indígenas e não indígenas em uma aldeia Sanumá – um dos grupos Yanomami – na região de Auaris, perto da fronteira com a Venezuela.

Embora o dinheiro tenha sido cedido pela Funai, foi o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MMFDH), comandado de janeiro de 2019 a abril de 2022 pela hoje senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que atuou para viabilizar o apoio à iniciativa, segundo informações enviadas à reportagem pela atual gestão da pasta, que voltou a se chamar Ministério dos Direitos Humanos (MDH). Damares deixou o cargo para concorrer às eleições.

Enquanto agiu para favorecer o projeto ligado a missionários, o ministério de Damares se eximiu de suas responsabilidades no enfrentamento à crise humanitária entre os Yanomami, de acordo com relatório publicado pelo MDH no fim de janeiro. O documento aponta que, ao receber pedidos e recomendações de entidades como a Organização das Nações Unidas (ONU), Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e Ministério Público Federal sobre a situação, o MMFDH redirecionou casos de sua competência a outros órgãos ou simplesmente os arquivou. Por outro lado, quando o tema era “combate ao infanticídio” entre os Yanomami, diz o texto, a atenção era outra e o tema aparecia de modo “recorrente nas justificativas de viagem”.

Em 20 de janeiro, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decretou emergência em saúde pública devido ao cenário de desassistência à população Yanomami, agravado pela invasão de cerca de 20 mil garimpeiros ilegais no território, segundo entidades indígenas. Desde então, têm surgido indícios de que a gestão Bolsonaro não agiu de maneira adequada para enfrentar a situação, embora tenha sido alertada sobre o assunto em diversas ocasiões. 

Damares se eximiu de suas responsabilidades no enfrentamento à crise humanitária Yanomami, de acordo com relatório publicado pelo MDH / Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Novos documentos analisados pela Pública revelam que a Funai também não tomou as medidas necessárias ao receber solicitações de intervenção em relação à crise Yanomami entre 2018 — último ano do governo Michel Temer — e 2022. Durante esses cinco anos, quando questionado, o órgão respondeu que sua atuação estava limitada por fatores como baixo orçamento e falta de pessoal e promoveu apenas ações pontuais que não atacaram as raízes do garimpo ilegal na terra indígena. 

O médico Paulo Cesar Basta, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que trabalha com saúde nas comunidades Yanomami há 20 anos, destaca que as altas taxas de mortalidade infantil observadas no território não estão ligadas à prática de infanticídio, mas são decorrentes, sobretudo, de doenças evitáveis, como desnutrição, diarreia, malária e pneumonia.

Vampiros

Maio

29 

Vampiros
No verão de 1725, Petar Blagojevic se levantou de seu ataúde, na aldeia de Kisiljevo, mordeu seus nove vizinhos e bebeu seu sangue. Por ordem do governo da Áustria, que naquela época mandava naquelas bandas, as forças da ordem o mataram definitivamente cravando uma estaca em seu coração.

Petar foi o primeiro vampiro oficialmente reconhecido, e o menos célebre.

O mais exitoso, o conde Drácula, nasceu da pluma de Bram Stoker, em 1897.

Mais de um século depois, Drácula se aposentou. Não estava nem um pouco preocupado com a competição dos vampirinhos e vampirinhas bregas que Hollywood estava fabricando; outras façanhas insuperáveis o angustiavam.

Não teve outra saída a não ser se retirar. Sentia um incurável complexo de inferioridade diante dos poderosos glutões que fundam e afundam bancos, e que chupam o sangue do mundo como se o mundo fosse um pescoço.

Do livro "Os filhos dos Dias", de Eduardo Galeano, L&PM Editores, 2ª edição, página 175.

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É hoje (29/5) à noite a Live da Auditoria Cidadã da Dívida sobre as Consequências do Arcabouço Fiscal para a Educação Pública; Participe!!!

Segunda, 29 de maio de 2023

Da Auditoria Cidadã da Dívida (ACD)

A live desta segunda-feira, dia 29/5, vai tratar de tema que interessa a toda a sociedade brasileira, tendo em vista que o progresso do país como um todo depende de investimentos massivo em Educação!

No entanto, o projeto de lei complementar (PLP 93/2023) recém votado na Câmara dos Deputados ameaça o setor de várias formas. Você precisa saber disso para ajudar a pressionar o Senado para alterar esse projeto ou rejeitá-lo.

Para tratar do assunto, o presidente do ANDES/SN, Professor Gustavo Seferian Scheffer Machado vai dialogar com a coordenadora nacional da ACD, Maria Lucia Fattorelli.

Participe com a gente, no canal do YouTube da ACD.

domingo, 28 de maio de 2023

ENERGIA MOVE O MUNDO E QUEM NÃO SE PREPARA, SUCUMBE

Domingo, 28 de maio de 2023 

Pedro Augusto Pinho*

Há cerca de 20 anos, uma série de três filmes ganhou muitos prêmios e receitas (bilhões de dólares estadunidenses). Foram “O Senhor dos Anéis”, dos três livros do sul-africano John Ronald Reuel Tolkien (1892-1973). Neles se observam as energias mais primitivas, a do corpo humano, do fogo e dos animais. Mas foi assim, com estas fontes de energia, que Roma construiu seu Império. É discutível, porém admissível, que a água, à época, também já fosse utilizada para geração de energia.

Mas a situação atual é muito diferente, na busca pelo progresso civilizatório o homem foi descobrindo e utilizando novas fontes de energia até a mais recente, a nuclear, que está presente em quase todas as atividades humanas, até no tratamento do câncer.

O mundo, desde a década de 1980, foi assolado por uma ideologia, a neoliberal, de interesse meramente financeiro monetário, que promoveu verdadeiro retrocesso civilizatório. E as energias, que movem a mundo humano, promovem a vida de conforto e bem-estar das sociedades, têm sido especialmente afetadas, em especial nos países que se deixaram dominar pelo neoliberalismo, submeteram-se ao poder financeiro.

As estatísticas que apresentamos foram obtidas do Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2021, produzido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), com informações do U.S. Energy Information Administration (EIA).

As séries estatísticas se referem ao quinquênio encerrado em 2018, salvo quando expressamente indicado, todos os valores estão em gigawatt (GW).

Iniciamos pela geração de energia elétrica pela potência instalada. A República Popular da China (China) é o país que, em 2018, liderava com 1.911 GW de capacidade, representando 27% da mundial. Seguiam-se, por ordem, os Estados Unidos da América (EUA), 1.114; Índia (411), Japão (316), Federação Russa (Rússia), 273; Alemanha (228) e o Brasil (165), 2,3% da capacidade mundial.

O Anuário do MME, ainda que apresente um Glossário, não explicita o que componha a energia renovável. Pelos gráficos, inferimos que sejam das fontes geotermais, solar, das marés, eólica e da biomassa e resíduos sólidos.

Quanto à capacidade instalada para energia renovável, o Brasil já ocuparia o pódio, atrás da China (724) e dos EUA (267), com 137GW. A China, nesta capacidade, representa 29% e os EUA 11% do Mundo.

Para Energia Nuclear temos os EUA (99; 27%), a França (63; 17%), a China (43,12%), e a Rússia (27,7%) como principais. O Brasil comparece em 19º lugar, com 2 GW e 0,5% na participação mundial.

Em relação à Energia Fóssil, os cinco grandes são: China, com 1.144 GW e participação de 27% da capacidade mundial; os EUA, respectivamente, com 748 e 17%; a Índia, 282 e 7%; o Japão, 193 e 4% e a Rússia, 190 e 4%.

O Brasil ocupa o 28º posto no ranking mundial com 25 GW e participação de 0,6%.

Na capacidade instalada de geração hidrelétrica, o Brasil está melhor situado, com 104 GW (8% da capacidade mundial), apenas depois da China (352; 27%). Seguem-se os EUA (103; 8%), o Canadá (81; 6%) e a Rússia (53; 4%).

Quanto à energia eólica, temos mais uma vez a China (184; 33%), na ponta. Seguem-se os EUA (94; 17%), Alemanha (59; 10%), Índia (35; 6%), Espanha (23; 4%), Reino Unido (22; 4%) e Brasil (15; 3%). É interessante apontar que na capacidade de geração eólica, no último quinquênio, todos países, embora alguns com mínima variação, tiveram acréscimos, exceto a Espanha.

Na geração de energia solar, mais uma vez a China (175; 36%) se destaca, seguida pelo Japão (56; 11%), EUA (51; 10%), Alemanha (45; 9%) e Índia (27; 5%).

Na capacidade de geração de energia da biomassa, o Brasil ocupa o “honroso” segundo lugar (15; 11%), superado apenas pelos EUA (16; 11%). Seguem-se a China (13; 10%), Alemanha (12; 9%) e Índia (10; 8%).

Na geração de energia elétrica pelo mundo, em 1980, a dos combustíveis fósseis representava a principal fonte, responsável por 69,2% do total. Seguiam-se a da hidreletricidade, com 21,5% e a nuclear, com 8,5%. A biomassa ainda era inexpressiva, com 0,22%, inteiramente devido às “crises” do petróleo, nos anos 1970, que levou à criação do Proálcool, no Brasil.

Trinta anos após, em 2010, as percentagens variaram, mas as importâncias daquelas fontes se mantiveram. A energia de origem fóssil passara para 67,1%, a hidrelétrica tivera maior queda percentual, para 16,4%, principalmente pelo surgimento da energia eólica, 2,1%. A nuclear passava para 11,9% e a biomassa para 1,8%. As campanhas das Organizações não Governamentais (ONGs) por energia limpa, contra poluição e seus efeitos indesejáveis, não correspondia ao que ocorrera com as fontes geradoras. Enquanto os combustíveis fósseis tinham redução da ordem de dois pontos percentuais, a limpa hidreletricidade caía cerca de cinco pontos percentuais. E fora a discutível energia eólica, avançando pelo Canal da Mancha, na área da Bélgica, prejudicando as aves, pescadores e o transporte com o Reino Unido, que tirara 2,1% da geração das hidrelétricas.

Em 2018, as posições pouco se alteraram: as fósseis passaram a 63,5%, ainda amplamente majoritárias, a hidrelétrica praticamente mantinha a posição, 16,3%, a nuclear caia para 10%, e as novas energias, no todo, passavam do traço, em 1980. A eólica representava 5%; biomassa 2,4% e solar 2,3%.

As posições em relação à energia no mundo estão correspondendo ás posições econômicas, políticas e dos avanços sociais. A China, com 6.802 TWh, é a líder mundial, com geração 62% superior à dos EUA (4.208 TWh), o segundo colocado. Completando os dez primeiros temos: Índia (1.551 TWh), Rússia (1.045 TWh), Japão (985 TWh), Canadá (637 TWh), Alemanha (609 TWh), Brasil (601 TWh), Coreia do Sul (553 TWh) e França (551 TWh), porém suas perspectivas são diferentes e diversas.

A China, que não seguiu as diretrizes do “Consenso de Washington” (1989), “bíblia” do neoliberalismo, é o país que mais cresce na capacidade de geração de energia, e nas suas diversas fontes. O mesmo ocorre com a Índia e, em menor escala, com a Rússia.

Os EUA, a Alemanha, a Coreia do Sul, o Brasil e a França estão praticamente estacionados neste último decênio. Mas o Japão e o Canadá estão com suas capacidades decrescentes, do que se pode inferir que adotaram o decálogo do “Consenso de Washington”, que não é bom para o crescimento econômico, social e para felicidade das Nações. 

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, atual presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET.

Cultura popular é feita na base da teimosia, diz militante quilombola

Domingo, 28 de maio de 2023
                                           Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil

Selma Dealdina avalia que falta apoio para as comunidades quilombolas

Por Alex Rodrigues — Repórter da Agência Brasil — Brasília 
Publicado em 28/05/2023

Aiuê de São Benedito. Festa da Capina. Marambiré. Suça…Graças ao interesse e ao empenho de grupos populares, um amplo conjunto de manifestações culturais tradicionais ainda pode ser apreciado por todo o Brasil. Identificadas exatamente por suas “práticas cotidianas de resistência na manutenção e reprodução de seus modos de vida”, as comunidades remanescentes de antigos quilombos tornaram-se uma das últimas trincheiras não só a preservar, mas também a vivenciar muitas destas tradições transmitidas de geração em geração.

Segundo a secretária executiva da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq), Selma dos Santos Dealdina, os folguedos, os ciclos festivos, as danças típicas e outras formas de expressão cultural cumprem um importante papel de coesão social, sendo um componente fundamental para o processo de identificação e reconhecimento das comunidades quilombolas. Além disso, respeitadas suas características, podem tornar-se uma fonte de renda a mais para as comunidades. Tanto que a Conaq pretende pedir apoio federal para mapear os eventos que ocorrem nos quilombos de todo o país a fim de divulgá-los e, assim, atrair quem, por exemplo, se dispuser a acompanhar parte do Ciclo do Marabaixo, em Macapá; dançar ao som dos tambores durante uma das muitas festas dedicadas a Santa Bárbara ou a provar dos pratos típicos da comunidade quilombola Kalunga, em Cavalcante (GO), durante a Romaria de Nossa Senhora da Abadia.

Ciclo do Marabaixo 2023 celebra as tradições das comunidades negras do Amapá - Gabriel Penha/ Fundação Marabaixo

“A cultura popular é feita na base da militância”, disse Selma à Agência Brasil na última terça-feira (23), quando participou de cerimônia alusiva ao Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, promovida pelo Ministério da Cultura e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Oriunda de uma comunidade quilombola capixaba, Selma é organizadora do livro Mulheres Quilombolas, Territórios de Resistências Negras Femininas (Editora Jandaíra).

Agência Brasil: Durante a cerimônia, você mencionou que é muito difícil organizar eventos culturais “para o povo preto” em geral, especialmente para as comunidades quilombolas. Quais são estas dificuldades?

Selma Dealdina: São muitas. A gente diz que a cultura popular, tradicional, é feita na base da teimosia. Na maioria dos casos, falta apoio adequado por parte dos espaços públicos, das prefeituras, dos governos estaduais. Até há editais [de apoio financeiro], mas a questão é como chegar para grupos tradicionais de comunidades que muitas vezes não têm sequer energia elétrica, que dirá acesso à internet, e pedir para os integrantes desses grupos se inscreverem nos editais e concorrerem à obtenção de verbas públicas. É necessário levar em conta se as pessoas que deveriam ser beneficiadas por determinada ação entendem [e têm condições de cumprir] os trâmites burocráticos, a exigência de um monte de documentos.

Agência Brasil: Neste sentido que você diz que eventos de cultura popular são feitos na base da teimosia?

Selma Dealdina: Sim. No sentido de que, nesses casos, a cultura é feita na base da militância, por pessoas que, muitas vezes, gastam do pouco que ganham com suas atividades profissionais para comprar as roupas, paramentos e utensílios necessários. Insisto: há editais, mas quem não tem acesso à informação segue na invisibilidade. Isso é uma realidade não só nas comunidades quilombolas, mas basta verificarmos quantos grupos, quantas manifestações de comunidades quilombolas, receberam recursos públicos, seja dos governos municipais, estaduais ou federal. É um número insignificante. Justamente porque essas comunidades têm dificuldade de obter as informações necessárias. E mesmo assim as pessoas seguem fazendo cultura, à sua maneira.

ACONTECEU EM VALÊNCIA . . .

Domingo, 28 de maio de 2023


Aldemario Araujo Castro
Advogado
Mestre em Direito
Procurador da Fazenda Nacional
Brasília, 28 de maio de 2023

ACONTECEU EM VALÊNCIA ...

Javier Ruiz, morador da cidade de Valência, na Espanha, começou o dia 21 de maio de 2023 postando freneticamente nas redes sociais. Era o dia do jogo de futebol entre o Real Madrid e o Valência. Os conteúdos das mensagens de Javier, torcedor entusiasmado do clube local, não versavam sobre questões esportivas. Todas as mensagens foram dirigidas a denegrir a imagem de um dos atletas do Real, o jogador negro Vinícius Júnior, também conhecido como Vini. Javier não poupou agressões ao jovem integrante da equipe de Madrid só, e somente só, por causa da cor negra da pele de Vini Júnior.

Depois de postar mais de vinte mensagens, Ruiz convidou um grupo de amigos para assistir o jogo entre o Real e o Valência. No convite havia a recomendação explícita de “zoar o mono”, antes, durante e depois do jogo. “Mono” é a palavra em espanhol para macaco. O “mono” em questão era ninguém mais, ninguém menos, que o atacante Vinícius Júnior.

Quatro amigos aceitaram o duplo convite, para comparecer a peleja e para atacar ferozmente o referido jogador do Real. No metrô, a caminho do Estádio de Mestalla, treinaram, sem descanso, os cânticos racistas que seriam utilizados nas arquibancadas a cada aproximação do craque Vinícius Júnior.

Na chegada do time do Real Madrid ao estádio, Javier e seus amigos se juntaram a dezenas de outros torcedores na execução impiedosa dos primeiros insultos contra a figura do jogador brasileiro com atuação no poderoso clube espanhol.

Durante a partida, o quinteto de amigos e inúmeros outros torcedores não pouparam gritos de “mono” e bizarrices semelhantes dirigidas ao mais talentoso jogador dos merengues. Os presentes ao Estádio, e depois o mundo, testemunharam um grotesco espetáculo da mais vil discriminação em estado bruto. Vinícius, o Vini, não aceitou passivamente às agressões sofridas. Protestou, resistiu e respondeu de todas as formas possíveis.

Os cinco amigos e tantos outros, dentro e fora do Mestalla, foram ao delírio com a expulsão de Vinícius Júnior no ápice dos imbróglios relacionados com as manifestações de racismo. Houve, para dizer o mínimo, uma estranha inversão de valores em termos de conduta esportiva.

Na saída do estádio, Javier foi empurrado por um dos amigos depois de uma discussão sobre algum assunto banal. O jovem torcedor caiu de uma altura de cerca de três metros batendo violentamente a cabeça em uma peça de concreto. A quantidade de sangue denunciava a gravidade da situação. O socorro chegou rápido e Javier foi levado ao Hospital General.

No hospital, estava de plantão uma equipe médica composta pelo doutor Alejandro Diaz, pelo enfermeiro Rafael Fernandez e pelas enfermeiras Maria Dolores Lopez e Vega Martinez, todos experientes profissionais. Nenhum deles contava com menos de dez anos de atuação em emergências hospitalares.

O caso era realmente delicado. O risco de morte estava presente. Os procedimentos de estabilização e recuperação do paciente, concluídos com sucesso, consumiram algumas horas de trabalho árduo e dedicado.

A família de Javier foi avisada que tudo estava sob controle e o dia terminaria bem para o jovem torcedor do Valência. No instante da ligação telefônica recebida do hospital, os pais de Javier acompanhavam pela TV a enorme repercussão dos atos de racismo ocorridos antes e durante a partida de futebol entre o clube da capital e a agremiação local.

Os pais de Javier receberam, via mensagem instantânea de celular, uma foto da equipe médica que manteve o filho vivo. Eram quatro pessoas sorridentes e plenamente realizadas com o nobre trabalho de salvar vidas e fazer o bem a um torcedor desconhecido, independentemente da cor de sua pele. Na foto apareciam um médico, um enfermeiro e duas enfermeiras, como dito antes. Todos eram negros. Todos eram negros como Vinícius Júnior.