“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

POR UM NOVO MODELO ORGANIZACIONAL E GERENCIAL DA COISA PÚBLICA NO DF

Segunda, 28 de agosto de 2023

Matéria escrita pelo colunista SALIN SIDDARTHA*

O caos urbano em que se transformou o DF é a expressão da sua balbúrdia econômica, política e social. Ao andar pela cidade, vê-se o abandono e o sem-sentido urbano e rural de toda a região e, para além dela, como consequência perversa, o seu Entorno largado.

A antiga belacap não estagnou, mas, como um câncer incontrolável, avança metastaticamente por todos os setores da geografia local, entumorada e sangrando pelas suas artérias expostas, caracterizada tal qual caricatura grotesca da outrora sonhada utopia de JK. A Capital Federal corre riscos de, se assim continuar, jazer, perder sua função, sua razão de ser.

Urge um pacto entre o setor público, o setor privado e a sociedade civil para uma redefinição que salve a cidade. E só o empoderamento das comunidades locais será capaz de ajustar políticas que redesenhem novas relações entre Estado e sociedade.

As elites políticas do DF precisam mudar seus viciados métodos políticos de governo. É preciso construir compartilhamentos com a sociedade para a gestão dos interesses públicos. Nesse aspecto, as noções de sociedade civil, participação e cidadania têm de manter entre si uma estreita relação na disputa política que venha a se travar no redesenho democrático da sociedade.

Só pela legitimação democrática dos meios participativos das comunidades será possível estancar o fluxo corrupto no DF, visto que somente uma maior participação direta da sociedade é capaz de atingir transversalmente a hegemonia oligarca estabelecida e oxigenar a transparência inibidora da corrupção. O clientelismo deve ser controlado pela própria sociedade, descentralizando o concentrado poder do GDF a partir dos sujeitos políticos inseridos na base das comunidades locais. O fortalecimento da sociedade civil para formular junto com o GDF políticas públicas é o caminho para o desenvolvimento social que beneficie a população.

Precisamos construir espaços coletivos de esperança a fim de recuperar a vontade social do brasiliense como elemento determinante do desenvolvimento, pois, do jeito como vai a autoestima da população, seus interesses e opiniões se manifestam cada vez mais como dados pré-políticos de perda de identidade sócio-histórica, de descrédito em seu papel protagônico, o que tem gerado uma cultura de descrença na política. Há que se mobilizar vontades para que a sociedade possa escolher o seu destino social e sua vocação histórica.

É uma questão de sensatez política promover uma racionalidade sistêmica comprometida com o bem-estar da população e com uma visão política que parta da ótica do cidadão. Para tanto, a criação de um equilíbrio democrático frente à centralização do poder pelas elites pode ser possibilitado pelo reforço do poder local desenvolvido com base em uma coalizão de forças estatais, empresariais e da sociedade civil, em âmbito local, exercida em um sistema híbrido de tomada de decisões para inserir novos atores sociais existentes na esfera local. Deve-se permitir maior participação dos cidadãos na formulação, implantação e monitoramento das políticas públicas, a fim de eliminar o clientelismo, advindo da concentração política desvinculada da comunidade.

Claro está que o desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal somente será possível se o Estado puder contar com um governo eficaz. Por exemplo, é notável a falta de uma política de Segurança Pública que seja permanentemente aperfeiçoada e que tenha continuidade, com princípios, metas precisas, diretrizes e objetivos exatos. Daí porque um projeto de desenvolvimento econômico e social deve propor, em nível local, que se crie um Plano Diretor de Segurança Pública — não apenas como política de governo, mas como política de Estado —, e que contemple um policiamento realmente comunitário, ou seja, com a participação ativa da população no processo de decisão do combate à criminalidade.

Outra questão fundamental é adotar políticas de desenvolvimento sustentável, pois não é possível, no século XXI, conceber gestão pública que não priorize a defesa do meio ambiente. Uma política ambiental na Capital da República pressupõe a integração da Secretaria de Meio Ambiente e dos órgãos a ela vinculados com as Administrações Regionais, levando em conta a reciclagem e o manejo dos resíduos sólidos e hídricos. Que se dê às Administrações Regionais o papel de ente executor, planejador, controlador e fiscalizador do uso racional dos recursos ambientais locais, propiciando a preservação e melhoria da qualidade de vida da comunidade, mediante interação com os cidadãos de sua Região Administrativa.

É mister organizar ecologicamente o sistema de transporte coletivo, capacitando ambientalmente os profissionais que atuam na área, seja como motoristas, cobradores, supervisores, mecânicos: isso significa a evidencialização de uma nova cidadania, atenta para a emissão de CO² na atmosfera pela poluição despejada pelos veículos no DF; carece operacionalizar a bicicleta como alternativa não-poluente, com ciclovias pavimentadas e sinalizadas, integradas com o transporte urbano, interligando todos os bairros da Capital.

É verdade, sim, que haverá riscos inerentes à execução das potencialidades políticas, pertinentes, por exemplo, ao fato de o sistema político não conseguir mais responder às demandas da sociedade. Por isso, há que se elaborar estratégia e táticas para cenários alternativos e inimagináveis, definindo um modelo adequado para o gerenciamento do risco, bem como estabelecendo quais são os perigos do processo de decisão, com base em uma estimativa que resulte da avaliação do grau de incerteza dominante.

Também se necessita articular o processo produtivo urbano-rural que leve em conta a continuidade espacial entre a cidade e o campo, modernizando a sociedade nos espaços locais rurais com fundamento em crescente paridade social. Além disso, devem-se aplicar políticas que fortaleçam a agricultura familiar, para fixar o brasiliense no campo e estimular a geração de renda e produtividade agropastoril, já que é a economia familiar a verdadeira responsável por colocar a comida no prato do brasiliense.

Mas, para que o desenvolvimento rural seja realizado, é necessário um novo paradigma técnico-produtivo dirigido à sustentabilidade, com inovações tecnológicas e prática de agricultura ecológica. Para atingir esse objetivo, fazem-se necessárias novas regras que propiciem a participação de conselhos e organizações comunitárias, fortalecendo uma rede de interesses e conhecimentos, a partir da interação com as instituições de desenvolvimento rural.

É preciso desenvolver e intervir no espaço rural em paridade com os espaços urbanos e industriais, dinamizando o setor agrário por meio de canais de comercialização possibilitados pela intermediação do Estado. É necessário promover a biodiversidade no desenvolvimento rural e informatizar o campo para uma agricultura de precisão que racionalize o sistema de produção agrícola e o emprego de agroquímicos, reduzindo custos, minimizando impactos ambientais e melhorando a qualidade dos produtos. Evoluir para uma ruralidade moderna significa investir em uma educação rural que construa conhecimentos na direção do desenvolvimento social e econômico da população camponesa, defendendo aquela cultura, sem a visão determinista histórico-geográfica de que a escola urbana seja superior à escola rural. Assim, crescimento econômico-rural, redução das desigualdades sociais do campo e preservação do meio ambiente tem de ser o tripé do desenvolvimento da região agrária do Distrito Federal.

Outra necessidade é a da constituição de um consórcio interurbano que trate da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno, dada a interdependência existente entre o DF e sua circunvizinhança e as desigualdades sociais e econômicas entre a RIDE e a Capital Federal. Deve-se descentralizar a economia da Região e gerar polos de trabalho no Entorno, estabelecer a capacitação estratégica do ordenamento territorial, solucionando problemas comuns por meio de políticas e ações conjuntas.

É relevante a democracia participativa para as demandas de convívio que amenize a saturação de um processo econômico que já deixou de responder às reais necessidades dos diversos indivíduos e grupos que compõem a sociedade no DF. Um novo modelo organizacional e gerencial da coisa pública precisa advir em busca de patamares elevados de desempenho do GDF.

Faz-se mister elaborar um plano de metas como resultado de um compromisso histórico que planeje não para apenas o tempo de duração de um governo, mas de sucessivos governos alternantes, envolvendo, inclusive, partidos políticos que se contraponham no Distrito Federal. Um plano de metas viável, que formule a diversificação da economia da Cidade, que ponha fim ao gargalo em que ela se encontra, com metas e estratégias que avancem no tempo e tornem sustentável o futuro metropolitano.

Que se produza um plano de metas que aumente a capacidade do setor produtivo, descubra e valorize as vocações das diversas regiões administrativas do DF, tornando as cidades-satélites autossuficientes e versáteis, que olhe para o Entorno com muita atenção. Um plano de metas que considere a iniciativa privada como recepcionadora da mão de obra, que possibilite ao empresariado redução da burocracia, incentivos, especialização e segurança jurídica para investimentos em longo prazo.

Contudo não será possível cumprir um projeto de desenvolvimento da Capital da República com um plano de metas bastante abrangente e de aplicação de longo prazo, se não for viabilizada a incorporação de todos os principais partidos políticos desta unidade da Federação em conjunto com as orientações do Ministério Público. Isso envolve um compromisso das principais forças políticas da esquerda, do centro e da direita enfocadas no projeto de desenvolvimento econômico e social.

(E não será fácil conseguir esse compromisso histórico!)


Guará-DF,28 de agosto de 2023

SALIN SIDDARTHA

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*Matéria escrita originalmente em 28 de agosto de 2023 por SALIN SIDDARTHA na Coluna  Ângulo Aberto do Jornal InfoCruzeiro 

Vem aí o Xepa de Mamulengos. Atração artística com muita diversão e brincadeira, cortejo de bonecos gigantes. Será a partir do próximo domingo (3/9)

Segunda, 28 de agosto de 2023

Não dá pra perder. Vamos acompanhar. É arte, é cultura popular, é arretado de bom.
O Xepa de Mamulengos é um projeto de Vitor Hugo Silva Costa e será levado ao público pelo BAGAGEM CIA DE BONECOS (40 anos completados em abril), grupo da cidade do Gama/DF.


Vem aí, o Xepa de Mamulengos, uma atração artística com muita diversão e brincadeira. A atividade conta com um Cortejo de bonecos gigantes para atrair o público e em seguida a apresentação das peças “Varal de Bonecos” e “O Romance da Menina Feia”. Não deixe de acompanhar nossa programação.

Dia 03/09 - Feira do Pedregal
Dia 10/09 - Feira Permanente do Gama
Dia 16/09 - Feira Permanente da Ceilândia
Dia 24/09 - Feira Permanente de Sobradinho 2
Dia 07/10 - Feira São José de Brazlândia
Dia 22/10 - Feira de artesanato do Núcleo Bandeirante

Com início sempre às 9h.

Ficha técnica

Diretor de Produção — Vitor Hugo Silva Costa
Concepção, Dramaturgia e Direção: Airton Masciano e Leda Carneiro
Secretária - Katianne Leão
Elenco e manipulação de bonecos:
Airton Masciano,
Arthur Costa,
Cristiano Alves,
Crislaine Almeida,
Eudes Leão,
Gabriela Nascimento,
Heitor Nascimento,
Henrique Silva,
Leda Carneiro
Polliana Alves.

Cenário, bonecos gigantes e Adereços: Criar e Animar
Operador de som – Wesley Barbosa
Projeto Gráfico: Loyane Marques









PGR pede que ex-comandantes da PM do Distrito Federal cumpram prisões preventivas em diferentes unidades

Segunda, 28 de agosto de 2023

Foi pedido ainda que coronéis fiquem sob supervisão de oficial com patente superior à deles e que STF abra nova frente para continuar apuração

Arte: Comunicação/MPF

O coordenador do Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos (GCAA), subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos, requereu, nessa sexta-feira (25), que os sete ex-integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) que foram denunciados por omissão imprópria pela Procuradoria-Geral da República (PGR) cumpram a prisão preventiva em diferentes unidades militares de Brasília. A solicitação foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso do Supremo Tribunal Federal (STF), e responsável pelas ordens de prisão.

Outro pedido é para que três dos cinco coronéis, atualmente custodiados no 19º Batalhão de Polícia Militar do DF fiquem sob a supervisão de outro coronel da PM, com patente de antiguidade superior à dos investigados. A providência foi solicitada após a Secretaria de Segurança Pública do DF informar que os três denunciados — que têm patente de coronel — estão sendo supervisionados por um major que na hierarquia militar ocupa posição inferior à dos presos.

Carlos Frederico salienta na petição que há indícios de que a referida unidade militar não tenha “condições para caucionar a disciplina mínima, imprescindível à regularidade da custódia dos denunciados, notadamente, de Jorge Eduardo Naime Barreto, Marcelo Casimiro Vasconcelos Rodrigues e de Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra, cujas patentes são superiores à ostentada pelo comandante do 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal, o que pode ocasionar intercorrências de subversão da ordem e disciplina”.

domingo, 27 de agosto de 2023

Atos antidemocráticos: PGR pede que Supremo declare inconstitucional lei municipal que criou Dia do Patriota

Domingo, 27 de agosto de 2023

Pedido consta de ADPF protocolada na noite dessa sexta-feira; objetivo é impedir legitimação de atos atentatórios à democracia

Foto: Leobark/Comunicação/MPF

Em ação protocolada na noite dessa sexta-feira (25), a Procuradoria-Geral da República (PGR) requereu que o Supremo Tribunal Federal (STF) declare inconstitucional a Lei 13.530/2023, do Município de Porto Alegre (RS). A norma instituiu o Dia Municipal do Patriota a ser comemorado em 8 de janeiro. O pedido consta de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), apresentada pelo coordenador do Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos (GCAA), Carlos Frederico Santos, que inclui solicitação de medida cautelar para a suspensão imediata da lei municipal. A PGR pediu que a ação seja distribuída ao ministro Alexandre de Moraes, considerando a conexão do tema como o tratado no Inquérito 4.879.

Na petição, Carlos Frederico Santos detalha o processo que envolveu a apresentação do projeto de lei, a sua tramitação e a sanção. Ele explica que, inicialmente, em 2 de junho, foi editada a Lei 13.496 com o propósito de designar o dia 8 de janeiro como Dia em Defesa da Democracia estipulando que o município usasse a data para divulgar mensagens de conscientização sobre a importância da preservação da democracia, do Estado Democrático de Direito e das instituições democráticas (art. 2º). No entanto, pouco mais de um mês depois, em 7 de julho, foi promulgada a Lei 13.530, que, "em lugar de defender e proteger, dirige-se a estimular e a promover o ataque e a afronta ao regime democrático estatuído nos arts. 1º, 23, I, e 34, VII, “a”, da Constituição Federal”.

Historiador defende espaço de memória em assentamento do MST. Usina foi usada como crematório de corpos durante a ditadura militar

Domingo, 27 de agosto de 2023
                                                            © MST/RJ

Usina foi usada como crematório de corpos durante a ditadura militar

Por Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

O historiador Lucas Pedretti, coordenador da Coalizão Brasil por Memória, Verdade, Justiça, Reparação e Democracia, defendeu a criação de um espaço de memória no assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) destinado à reforma agrária nas terras da antiga Usina Cambahyba, em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, usada como local de incineração de corpos durante a ditadura militar.

“Seria muito importante que o assentamento a ser construído na usina pudesse ser pensado como lugar de memória da violência do Estado, das lutas por democracia, das lutas pela reforma agrária, das lutas por Justiça e por direitos humanos porque aquele espaço é muito significativo ao acumular esse conjunto de simbolismos que nos mostram o quanto a gente ainda tem a avançar na consolidação de uma democracia no Brasil”, disse o historiador.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) publicou no Diário Oficial da União dessa quarta-feira (23) portaria que cria o Projeto de Assentamento Cícero Guedes. A área de 1.319,8148 hectares foi desapropriada em 2021, pela Justiça Federal, e destinada a assentar famílias do MST, que lutam pelo local desde 1998, quando um decreto presidencial considerou as terras improdutivas por não cumprir função social. De acordo com portaria do Incra, 185 famílias serão assentadas no local.

Na última quinta-feira (24), portaria do Incra criou o Projeto de Assentamento Cícero Guedes – MST/RJ

As terras da Usina Cambahyba pertenciam à família de Heli Ribeiro Gomes, já falecido. Ele foi vice-governador do Rio de Janeiro, de 1967 a 1971, e seria próximo ao agente do Departamento de Ordem Política e Social do Espírito Santo (DOPS), Cláudio Guerra.

Segundo Lucas Pedretti, Guerra teria sugerido a Gomes no auge da repressão à luta armada que a usina fosse usada para incinerar 12 corpos de militantes políticos desaparecidos, principalmente os que haviam sido torturados e assassinados na Casa da Morte, aparelho clandestino de repressão em Petrópolis.

“Essa narrativa do Cláudio Guerra foi recentemente atestada por uma perícia feita pela Comissão Nacional da Verdade que cita a possibilidade física de que os fornos foram utilizados para esse fim e mais recentemente a Justiça Federal condenou o Cláudio Guerra em uma decisão muito rara no Brasil por violações aos direitos humanos. Na decisão da Justiça, se confirma que os fornos da usina foram utilizados para a ocultação de cadáveres”, afirmou o historiador.

sábado, 26 de agosto de 2023

MARCA HISTÓRICA —Em festa para 4 mil pessoas, MST celebra 10 anos de escola referência nacional de agroecologia

Sábado, 26 de agosto de 2023

Ato político na festa da Escola Egídio Brunetto reuniu ministro, governador e parlamentares na Bahia - Matheus Alves

Evento também marcou a inauguração de novos espaços na unidade de ensino, que atende 15 assentamentos na região

Afonso Bezerra e Pedro Stropasolas
Brasil de Fato| Prado (BA) | 26 de Agosto de 2023

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) comemorou, neste sábado(26), os dez anos de fundação da Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Egídio Brunetto, no assentamento Jacy Rocha, no município de Prado, Extremo Sul da Bahia.

A festa também foi marcada pela inauguração de novos espaços na escola, como a criação de áreas administrativas, bloco de alojamentos, refeitório, auditório, salas de aula. Foi ainda inaugurada uma loja com produtos da reforma agrária.

Neuza de Jesus é técnica de agroecologia e se formou na primeira turma da escola, iniciada em 2017. Ela mora no assentamento Irmã Dorothy, na cidade de Eunápolis, na Bahia, e recordou da relevância da formação para vivência dela no campo.

"Eu vim para escola estudar visando que eu poderia me capacitar profissionalmente para poder atuar dentro dos acampamentos e assentamentos. Consequentemente, fazer um trabalho dentro do meu lote e fazer esse trabalho tanto na minha casa como também para os meus vizinhos", explicou.

"A escola foi um divisor de águas na minha vida. A educação sempre vai libertar todo mundo, e com o apoio da escola popular eu consegui me formar, mesmo tendo três filhas, mesmo sendo mãe solo."

Hoje, Neuza integra uma equipe composta por biólogos, agrônomos e técnicos em agropecuária, para orientar as famílias no processo de transição agroecológica no Assentamento Irmã Dorothy.

MST e autoridades políticas inauguram as novas instalações da Escola Popular de Agroecologia Egídio Brunetto / Luara dal Chiavon

Metodologia

A metodologia da Egídio Brunetto tem quatro vertentes centrais: produção, comercialização e os eixos ambiental e social. Em parceria com a Fiocruz, a especialização em Educação do Campo e Agroecologia formou 48 pessoas em sua primeira turma.

Ministro Paulo Teixeira visita casa de assentada atacada pela CPI do MST

Sábado, 26 de agosto de 2023
O que a CPI veio aqui mostrar para nós é motivo de orgulho, disse o ministro durante a visita - Matheus Alves

Salles sugeriu que ela teria privilégios, mas para ministro, incidente deu visibilidade positiva para a reforma agrária

Afonso Bezerra e Pedro Stropasolas
Brasil de Fato | Prado (BA) | | 26 de Agosto de 2023

O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, visitou, neste sábado(26), o assentamento Jacy Rocha, na cidade de Prado, na Bahia, onde fica a casa da engenheira agrônoma e assentada, Juliana Lopes, mais conhecida na comunidade como Júlia.

Ela teve a residência invadida pelos membros da CPI do MST, na última quinta-feira (24), em uma tentativa da diligência da comissão de "denunciar" - sem provas ou mesmo indícios - supostas desigualdades entre os assentados, sugerindo que alguns seriam "privilegiados".

Teixeira está na região para participar da festa de inauguração das novas estruturas da escola popular Egídio Brunetto, que completa 10 anos de existência com dois dias de festividades.

O ministro caminhou pelo lote acompanhado da assentada e demais integrantes do MST na região. Ele contestou a narrativa dos deputados federais Luciano Zucco (Republicanos-RS) e Ricardo Salles (PL-SP), de que assentados da Reforma Agrária não podem ter casas de alvenaria


"A CPI quis dar luz ao sucesso deles [de Juliana]" disse o ministro ao Brasil de Fato, que afirmou ainda que a iniciativa de Salles e Zucco teria, involuntariamente, dado visibilidade positiva "à Reforma Agrária".

"Porque o sucesso deles é fruto de um bom programa de Reforma Agrária. E o que a gente quer para todos os agricultores é isso: que eles possam ter uma casa bonita, que os filhos possam se formar como eles se formaram. O que a CPI veio aqui mostrar para nós é motivo de orgulho", explicou.

O ministro também criticou a postura dos deputados na condução da diligência e os critérios adotados durante as visitas aos assentamentos

"Essa CPI precisa dizer se ela quer que as pessoas continuem pobres ou se ela quer retirar as pessoas da pobreza. A Reforma Agrária é para tirar as pessoas da pobreza e da miséria. Mas parece que não é a ideia do relator, que se assusta com uma casa melhor, com um carro melhor. Nós queremos a Reforma Agrária para as pessoas melhorarem de vida", disse Teixeira.

Ministro Paulo Teixeira visita assentamento Jacy Rocha, na Bahia / Matheus Alves

Contexto

A engenheira agrônoma Juliana Lopes não estava em casa quando os deputados chegaram, na última quinta-feira(24). Os parlamentares entraram em seu lote sem autorização.

Juliana e o esposo vivem do cultivo agroecológico do cacau, café e da venda de galinhas caipiras em feiras na cidade de Teixeira de Freitas.

Filha de assentados, Juliana vive no Jacy Rocha desde 2011. Ela estudou dentro do próprio assentamento e se formou engenheira agrônoma pelo Pronera. Toda a renda que ela e o esposo, também engenheiro agrônomo, ganham mensalmente é fruto dos lotes implantados com o conhecimento adquirido pelo curso do Pronera.

"Eu sou a síntese da mudança que a reforma agrária faz na vida das pessoas", pontua.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Salles filma partes das casas de Juliana e até seus cachorros, colocando-a como a "liderança" do assentamento.


"Recebi com muita surpresa essa visita da CPI. Eu não estava em casa e não fui informada. Se tivesse sido informada eu teria recebido. Filmaram a minha casa, tiraram várias fotos. Eu não tenho problema nenhum de mostrar a minha casa, o meu lote. Pelo contrário seria muito importante mostrar como é a minha vida, como é o meu sistema de produção", pontua a agricultora.

Os parlamentares tentaram boicotar a presença dos militantes do MST durante a diligência e tomaram decisões de modo a confundir a logística do movimento para receber o grupo.

Quando se aproximavam da entrada do Jacy Rocha, Salles e Zucco optaram por outra entrada, distante de onde os moradores estavam concentrados. A fuga dos dois parlamentares pegou de surpresa os integrantes do movimento, que aguardavam os membros da CPI para apresentar a Escola Popular de Agroecologia Egídio Brunetto, responsável pela alfabetização de 800 famílias no extremo sul da Bahia e referência na região.

"Minha casa fica no fundo do lote. Eles entraram por uma cancela que fica no início do lote, para construir uma narrativa de criminalização do MST. Invadiram minha casa para propagandear uma narrativa que não é real. Eu tenho roça, eu produzo comida".

Lucinéia Durães, assentada no acampamento Fábio Henrique, também ficou indignada com a conduta dos deputados durante a diligência da CPI do MST. Ela é responsável pela plantação de 10 mil pés de café na região e agora está focada no cultivo de pimenta do reino.

"O Ricardo Salles escolheu aqui no assentamento uma família que há mais de 8 meses não mora mais aqui, tava inclusive com o barraco abandonado. Ele foi lá, mostrou a foto do barraco abandonado e veio aqui mostrar a casa de Juliana para dizer que as lideranças tem casa boa, e o povo não vive bem."

"Esse assentamento tem mais de 50 casas como essa da Juliana", explicou.

"Nós, do Movimento Sem Terra, não temos nenhuma simpatia pela pobreza dos companheiros e das companheiras. Nós fazemos a luta para implementar a Reforma Agrária, porque ela é que garante emprego, renda e, sobretudo, dignidade", concluiu.


Edição: Rodrigo Durão Coelho


Ministro Alexandre de Moraes proíbe contato de Mauro Cid com Jair e Michelle Bolsonaro

Sábado, 26 de agosto de 2023

Ministro decidiu proibir o contato de Mauro Cid com o ex-presidente para preservar as investigações - Alejandro Zambrana/Secom/TSE

Documento da PF que embasou decisão do ministro aponta indícios de que militares da ativa financiaram atos golpistas

Redação
Brasil de Fato| Recife(PE) | 26 de Agosto de 2023

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre Moraes proibiu nesta sexta-feira (25) que o tenente-coronel Mauro Cid - atualmente detido - tenha contatos com o ex-presidente Jair Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A determinação também se estende aos outros investigados no inquérito sobre a suposta venda ilegal dos presentes recebidos pela presidência da República e os atos do oito de janeiro. A decisão do ministro também proíbe o contato de Mauro Cid com sua esposa, Gabriela Cid.

O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro está preso em um Batalhão do Exército, em Brasília, desde maio, por causa das investigações que apuram um esquema de fraude nos cartões de vacina contra a covid-19.

Segundo a decisão de Alexandre de Moraes, a análise feita pela Polícia Federal nos dados encontrados no celular de Mauro Cid apontam para a existência de novos fatos e pessoas que estão diretamente envolvidas em várias frentes de investigações, como o caso das joias e os atos golpistas.

De acordo com a CNN Brasil, a Polícia Federal encontrou no celular de Mauro Cid indícios de que militares da ativa financiaram os atos golpistas e uma tentativa de golpe após as eleições. Em documento da PF obtido pela emissora, os investigadores destacam a existência de mensagens que confirmam a participação dos militares.

"Análise parcial dos dados armazenados no aparelho telefônico” de Cid e de sua mulher, Gabriela Santiago Cid, identificou “várias mensagens postadas em grupos e chats privados do aplicativo WhatsApp, em que os interlocutores, incluindo militares da ativa, incentivam a continuidade das manifestações antidemocráticas e a execução de um golpe de Estado após o pleito eleitoral de 2022, inclusive com financiamento aos atos ilícitos.”

EBC e ABI pedem revogação de descredenciamento de fotógrafo em CPMI. Lula Marques foi impedido de acompanhar CPMI do 8 de Janeiro

Sábado, 26 de agosto de 2023

O diretor-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Hélio Doyle, pediu nesta sexta-feira (25) que seja revista decisão de impedir o fotógrafo Lula Marques de acompanhar as sessões da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre os Atos Antidemocráticos de 8 de Janeiro. 

Por Agência Brasil — Brasília

O profissional foi advertido pelo presidente da comissão, deputado Arthur Maia (União-BA), por divulgar fotos de conversas privadas de parlamentar integrante da comissão com uma jornalista.

"A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) tomou conhecimento da decisão de impedir o acesso do repórter fotográfico Lula Marques às sessões da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre os Atos Antidemocráticos de 8 de Janeiro. Essa decisão, que viola o livre exercício da profissão e a liberdade de imprensa, é autoritária e injustificável. Por isso, peço ao presidente da CPMI, deputado Arthur Maia, que reconsidere o descredenciamento do profissional, para que não haja qualquer restrição ao exercício de sua atividade. Informo que, caso a decisão não seja revista, a empresa não irá designar outro profissional para a cobertura fotográfica da CPMI", diz a íntegra nota.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), por meio da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos, também manifestou-se pela revogação da medida. A ABI classifica o impedimento como ilegal, inconstitucional, autoritário e inaceitável.

"A decisão do descredenciamento do fotógrafo, tomada pelo deputado Arthur Maia, na condição de presidente da referida CPMI, que aciona inclusive a Polícia Legislativa para fazer cumprir sua determinação, constitui não apenas censura ao trabalho do jornalista, o que por si só já fere a Constituição Cidadã aprovada por esse Congresso Nacional", diz a entidade.

"Impedi-lo de circular no Plenário da CPMI por conta de um dos flagrantes por ele registrados na reunião da comissão é mais um ato facilitado pelos anos recentes de ataques à democracia e ao Estado democrático de direito. Nem precisaríamos lembrar que fotos como a dele, registrando texto, mensagens e documentos, captados por câmeras fotográficas à revelia de quem os lia e/o manuseava, já ocorreram às dezenas ao longo da história contemporânea, sem que nenhum de seus autores sofresse punição como a que vem sendo imposta pelo presidente da CPMI", acrescenta.

A associação destaca que a única exigência feita pela Câmara dos Deputados e o Senado Federal é que os profissionais de imprensa sejam credenciados para exercerem as atividades nas duas Casas, regra que deve vigorar também para a CPMI. O fotógrafo Lula Marques tem credenciamento das Casas Legislativas, "estando portanto apto a exercer seu trabalho tal como os demais profissionais de comunicação, mesmo que o resultado de seu trabalho desagrade a parlamentares".

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Getúlio Vargas deixou legado que resiste a ataques antinacionais

Sexta, 25 de agosto de 2023
Oswaldo Aranha e Getulio Vargas na sacada do Palácio do Catete, 31 de outubro de 1930. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FGV – CPDOC

Vargas criou a Petrobras e a Eletrobras: 'Meu atestado de óbito'
Por Marcos de Oliveira em 24 de agosto de 2023

Oswaldo Aranha e Getulio Vargas na sacada do Palácio do Catete, 31 de outubro de 1930. Rio de Janeiro, RJ / Acervo FGV – CPDOC

Há 69 anos, Getúlio Vargas deixava a vida para entrar na História, talvez o trecho mais famoso de sua Carta Testamento.

Nascido em São Borja (RS) em 19 de abril de 1882, o presidente Vargas cometeu suicídio em 24 de agosto de 1954, com um tiro no coração, em seu quarto, no Palácio do Catete, Rio de Janeiro, então capital federal.

Eletrobras, criada por Vargas, privatizada de forma vil

Na Carta Testamento, Getúlio deixava indicações do que levara à insidiosa campanha contra seu governo: “A Eletrobras foi obstaculizada até o desespero.” Vargas, em comício na Boca Maldita, em Curitiba, em janeiro de 1954, anunciara o decreto presidencial criando a Eletrobras, que viria a ser privatizada no governo Bolsonaro.

Em confissão ao então governador do Paraná, Bento Munhoz, Getúlio Vargas disse: “Ao assinar o decreto criando a Eletrobras, senti como se estivesse assinando meu próprio atestado de óbito.”

Para sustentar a industrialização, Vargas criou também a Petrobras, outra empresa objeto de campanhas contrárias de interesses antinacionais, tanto em 1954 quanto hoje.

A política externa foi dos pontos mais controversos da Era Vargas, e a que mais rendeu calúnias e desinformações. “Naturalmente, as forças antipatrióticas, vinculadas a interesses externos, jamais poderiam compreender o profundo sentido nacionalista assumido pelo Brasil no âmbito internacional durante a Era Vargas”, escreve Felipe Maruf Quintas, mestre e doutor em Ciência Política pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

“Elas medem a diplomacia e a defesa brasileiras no período conforme a sua régua. Daí que enxergam adesão ao nazifascismo ou subserviência aos Estados Unidos da América (EUA), onde o que estava em jogo era apenas o interesse nacional brasileiro, ideacionalmente definido pela visão de grandeza e unidade do Brasil, e pragmaticamente conduzido pelas possibilidades disponíveis em período de alta turbulência e incerteza internacionais”, ensina Quintas.

Muitas das instituições políticas, econômicas e sociais que Vargas criou continuam a existir e seu legado pode ser visto no trabalho, na educação, na economia e na política.



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VIOLÊNCIA POLÍTICA —Parlamentares vítimas de ataques lesbofóbicos se organizam contra ameaças coordenadas de 'estupro corretivo'

Sexta, 25 de agosto de 2023

A vereadora Mônica Benício (PSOL), do Rio de Janeiro, foi uma das parlamentares ameaçadas - Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro


E-mails com ameaças foram encaminhados em 14 de agosto para pelo menos seis parlamentares

Caroline Oliveira
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 25 de Agosto de 2023

As parlamentares que foram alvos de ameaças de “estupros corretivos” em seus e-mails institucionais e pessoais se organizam para reagir jurídica e politicamente contra os ataques que sofrem desde o dia 14 de agosto.

Até o momento, registraram denúncias a deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS), as deputadas estaduais Rosa Amorim (PT-PE) e Bella Gonçalves (PSOL-MG) e as vereadoras Mônica Benício (PSOL), do Rio de Janeiro, e Iza Lourença e Cida Falabella, ambas do PSOL em Belo Horizonte.

Nos e-mails de cunho lesbofóbico, um homem que se identifica como um psicólogo afirma que o estupro corretivo “é uma terapia de eficácia comprovada que cura o homossexualismo feminino porque ser sapatão é uma aberração”. O suspeito também sugere ir às casas das parlamentares para fazer “uma demonstração sem compromisso”.

No Rio de Janeiro, a delegada Rita Salim, da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), onde a vereada Mônica Benício registrou queixa, afirmou que o caso será investigado como lesbofobia e crime eleitoral, uma vez que o criminoso utilizou o e-mail institucional da parlamentar para proferir as ameaças. As outras parlamentares também buscaram registrar o caso nas polícias dos respectivos municípios.

Coletivamente, as parlamentares acionaram o Ministério da Justiça, que decidiu federalizar o caso e levar o assunto para ser investigado pela Polícia Federal. Em nota, a pasta informou que, na última segunda-feira (21), o ministro Flávio Dino recebeu, em Belo Horizonte, algumas das parlamentares ameaçadas e encaminhou a documentação com as denúncias à Polícia Federal (PF) para a abertura do inquérito.

PGR apresenta alegações finais em mais 30 ações penais e organiza estrutura para fechamento de ANPPs (acordo de não persecução penal)

Sexta, 25 de agosto de 2023

Arte: Comunicação/MPF

Com alegações desta sexta-feira (25), chega a 115 total de ações que já tiveram a manifestação que encerra fase da instrução processual

Do MPF
O Ministério Público Federal (MPF) enviou nesta sexta-feira (25), ao Supremo Tribunal Federal (STF), mais 30 petições com as alegações finais referentes a ações penais contra executores dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, em Brasília. Esta é a terceira leva de alegações finais, totalizando 115 petições enviadas ao STF no âmbito do Inquérito 4.922. Os documentos são assinados pelo coordenador do Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos (GCAA), subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos. Ele rebate todos os argumentos apresentados pelas defesas dos acusados e reforça os pedidos de condenação.

Os denunciados são acusados de terem cometido cinco crimes: associação criminosa armada (artigo 288, parágrafo único), abolição violenta do Estado Democrático de Direito (artigo 359-L), golpe de Estado ( artigo 359-M), dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância inflamável, contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima (artigo 163, parágrafo único, I, II, III e IV), todos do Código Penal, além de deterioração de patrimônio tombado (artigo 62, I, da Lei 9.605/1998). Somadas, as penas podem chegar a 30 anos de reclusão.

Para Carlos Frederico Santos, "a pena a ser aplicada aos acusados deve ser exemplar por se tratar de crimes graves praticados em contexto multitudinário que visavam a implantar um regime autoritário no lugar de um governo legitimamente eleito". As petições detalham os fatos registrados no dia da invasão ao Palácio do Planalto, ao Congresso Nacional e ao STF a partir de provas reunidas durante quase oito meses de investigação. Entre elas, estão registros fotográficos e em vídeo, documentos como relatórios de inteligências, autos de prisões em flagrante e depoimentos de testemunhas e dos próprios réus. Por tratar-se de crimes multitudinários, as alegações finais têm uma parte comum a todos os réus, mas também contemplam informações individualizadas.

As alegações finais rebatem os argumentos apresentados pelas defesas dos acusados, apontando a existência de provas de que “o propósito criminoso era plenamente difundido e conhecido” pelos denunciados antes do dia 8 de janeiro. Também afirmam que, tendo como pano de fundo suposta fraude eleitoral e o exercício arbitrário dos Poderes Constituídos, a associação criminosa insuflava as Forças Armadas a tomar o poder e agia com dolo para tentar impedir de forma contínua “o exercício dos Poderes Constitucionais e ocasionar a deposição do governo legitimamente constituído”. Para os investigadores, não há dúvidas de que os acusados incitaram o Exército para que fosse às ruas estabelecer e consolidar o regime de exceção pretendido pelo grupo, àquela altura, acampado em Brasília.

O QUE É ISSO . . .—Bizarrice: aliados de Trump fazem montagens de foto de fichado em apoio ao ex-presidente

Sexta, 25 de agosto de 2023

Marjorie Taylor Greene, uma das principais figuras do trumpismo no Congresso dos EUA, postou uma montagem nas suas redes sociais em apoio ao ex-presidente - Divulgação

O republicano é o primeiro presidente da história a ter a famosa "mug shot" tirada

Pedro Paiva
Brasil de Fato | Nova York (EUA) | | 25 de Agosto de 2023

No início da noite de ontem, Donald Trump se entregou à justiça da Geórgia na prisão do Condado de Fulton, em Atlanta. O presidente responde a 13 acusações de tentativas de reverter o resultado das eleições de 2020 no estado. O republicano pagou a fiança estipulada e agora responde em liberdade.

Diferentemente do que aconteceu nos 3 indiciamentos anteriores, em Atlanta Trump foi tratado como um criminoso comum, sem regalias. Apesar de protestos dos advogados, o ex-presidente precisou ser fichado na cadeia como acontece de costume.

O republicano foi medido, pesado e descrito em uma situação humilhante e sem precedentes na história política dos Estados Unidos. Em sua ficha, Trump é descrito como tendo 1,90m, 98kg e um cabelo “loiro ou morango”. A parte mais esperada, porém, foi a famosa mug shot, o retrato tirado do acusado nas dependências da prisão.

Em Nova York, Miami e Washington, Trump não precisou tirar a fotografia de fichado. O argumento é que o ex-presidente se trata de uma pessoa mundialmente conhecida e, por tanto, uma mug shot seria irrelevante no caso dele se tornar um foragido da polícia.

Quando Donald Trump foi indiciado em Miami, uma opositora que se manifestava em frente à corte disse ao Brasil de Fato: “se ele fosse uma pessoa qualquer, teriam tirado uma mug shot, a gente veria”. O anseio dela era o mesmo de muitos outros, ver Donald Trump ser tratado de forma igual aos demais criminosos, uma mensagem de que ninguém está acima da lei.

Mas há quem veja essa situação por outro ângulo. Alguns críticos de Trump alegavam que uma mug shot poderia ser usada pelo republicano como um símbolo da dita “caça às bruxas” à qual o ex-presidente afirma ser vítima. Uma imagem chocante que levaria a uma indignação ainda maior por parte dos apoiadores do magnata.

Não por acaso, Donald Trump rapidamente divulgou a imagem. Usou, inclusive, a rede social X, o antigo Twitter, para essa divulgação, uma plataforma que não usava havia dois anos, desde que foi banido e criou sua própria rede, a Truth Social. A narrativa, claro, é se colocar no local de vítima.

A tentativa de tornar a imagem algo favorável a Trump vai além do próprio ex-presidente. Marjorie Taylor Greene, deputada federal da Geórgia e uma das figuras mais fiéis a Donald Trump no Congresso, postou uma montagem de baixa qualidade como se ela própria também tivesse tirado uma foto de fichado. Na legenda a deputada diz: “eu estou com o presidente Trump contra a promotora comunista Fani Willis”.

A campanha de Trump também está usando a fotografia para pedir doações. No site do ex-presidente, ela ganha destaque com um texto que afirma que “o povo americano sabe o que está acontecendo” e que “o que está acontecendo é uma farsa judicial e interferência eleitoral”.

O povo estadunidense, porém, pelo menos de acordo com as pesquisas, talvez não veja a situação da mesma forma. Um levantamento nacional do Yahoo com a YouGov mostrou que 54% dos cidadãos acham que Trump deveria ser condenado em alguma das acusações, contra apenas 32% que se dizem contrários.

Edição: Rodrigo Durão Coelho


Artigo | Lei que garante gratuidade no transporte público do DF para PCDs é conquista

Sexta, 25 de agosto de 2023
"Agora é trabalhar e lutar para que a lei seja cumprida em sua integralidade"

Brasil de Fato | Brasília (DF) | 24 de Agosto de 2023

Nova lei também beneficia acompanhantes de pessoas com deficiência - Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília

Lei que garante gratuidade no transporte público coletivo do Distrito Federal foi aprovada e beneficiará idosos com idade a partir 60 anos e Pessoas com Deficiência e seu Acompanhante.

A lei nº 7.298/2023, de 24 de julho de 2023, de autoria do Deputado Distrital Chico Vigilante, institui em seu artigo 1º "a obrigatoriedade da admissão por qualquer porta dos veículos do Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal – STPC/DF aos passageiros legalmente identificados como pessoa idosa com idade igual ou superior a 60 anos, bem como às pessoas com deficiência e seus acompanhantes, mediante apresentação do documento oficial com foto”.

A lei não fala que pessoas com deficiência precisam ter renda mínima para usufruir do direito.

Além disso, a nova lei ainda estabelece que os idosos e as pessoas com deficiência têm prioridade no embarque e desembarque.

Agora, é trabalhar e lutar para que a lei seja cumprida em sua integralidade e as empresas do sistema de transporte público, juntamente com o Metrô, parem de barrar os usuários com a justificativa de que a desconhecem tendo em vista que já está em vigor.

Uma excelente conquista coletiva para o movimento de luta das pessoas com deficiência do Distrito Federal e para os cuidadores de PcD também, que são majoritariamente composto por suas mães que os acompanham em muitos lugares. Afinal, Pessoa com Deficiência também se diverte, trabalha e tem o direito de ir e vir para onde e quando quiser!

*Andréa Medrado é mãe e ativista pelos Direitos das Pessoas com Deficiência (PcD) e doenças raras, membra da Pitt-Hopkins Brasil.

**Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato - DF.


Edição: Márcia Silva

Assédio moral e sexual: combate e disfunção jurídica

Sexta, 25 de agosto de 2023


Aldemario Araujo Castro
Advogado
Mestre em Direito
Procurador da Fazenda Nacional
Brasília, 25 de agosto de 2023

No Brasil, a percepção e o combate aos assédios moral e sexual cresceram significativamente nos últimos anos. Vários órgãos públicos lançaram campanhas, inclusive importantes cartilhas, contra essas tristes práticas. Entre eles podem ser destacados o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Tribunal Superior do Trabalho (TST). O CNJ instituiu, por intermédio da Resolução n. 351, de 28 de outubro de 2020, no âmbito do Poder Judiciário, a Política de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação. O TST, no dia 13 de outubro de 2022, lançou a “Cartilha de Prevenção ao Assédio Moral e Sexual — Por um ambiente de trabalho mais positivo”. Trata-se de um material didático que busca retratar, em linguagem simples, situações do cotidiano de trabalho que podem caracterizar assédio moral ou sexual.

Também houve um relevante movimento de aperfeiçoamento da legislação em torno do assunto. Provavelmente, o último capítulo das iniciativas normativas seja a edição da Lei n. 14.612, de 3 de julho de 2023, que altera a Lei n. 8.906, de 4 de julho de 1994, para incluir o assédio moral, o assédio sexual e a discriminação entre as infrações ético-disciplinares no âmbito do exercício da advocacia.

Por assédio moral se entende a repetição deliberada de gestos, palavras faladas ou escritas ou comportamentos que criem situações humilhantes e constrangedoras, capazes de causar ofensa à personalidade, à dignidade e à integridade psíquica ou física. Essa caracterização aproveita a definição presente na referida Lei n. 14.612/2023. Dois aspectos merecem destaque: a) condutas repetidas e b) desnecessidade de relação hierárquica ou similar (contemplando as modalidades de assédio vertical descendente, assédio vertical ascendente, horizontal e misto).

Já o assédio sexual consiste na conduta de conotação sexual, manifestada fisicamente ou por palavras, gestos ou outros meios, proposta ou imposta à pessoa contra sua vontade, causando-lhe constrangimento e violando a sua liberdade sexual. Essa definição também considera os termos da aludida Lei n. 14.612/2023. Ressalte-se que a reiteração da conduta não é imprescindível para a caracterização do assédio sexual. Um ato único ou isolado pode ser suficiente para configuração desse tipo de assédio.

O olhar cada vez mais atento para os abusos nos ambientes laborais aponta para a identificação de um comportamento distinto dos assédios moral e sexual. Trata-se do chamado “mobbing”. São comportamentos abusivos, sistemáticos e repetitivos, praticados por um grupo de pessoas contra um indivíduo (ou grupo). O traço distintivo é justamente a ação coletiva voltada para humilhar com o objetivo de isolar e, no limite, forçar a vítima a deixar o local de trabalho.

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

STF tem cinco votos para afastar criminalização do porte de maconha para consumo próprio

Quinta, 24 de agosto de 2023
                                   Banco de Imagem do STF

O julgamento foi suspenso por pedido de vista do ministro André Mendonça.

Do STF
24/08/2023 —20h06

Pedido de vista do ministro André Mendonça suspendeu o julgamento, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), do Recurso Extraordinário (RE) 635659, com repercussão geral (Tema 506), em que se discute a descriminalização do porte de drogas para consumo próprio. Até o momento, há cinco votos pela inconstitucionalidade da criminalização do porte de maconha para consumo próprio e um voto que considera válida a previsão do artigo 28 da Lei de Drogas (Lei 11.343/2006).

Na sessão desta quinta-feira (24), o relator do recurso, ministro Gilmar Mendes, reajustou seu voto, que descriminalizava todas as drogas para uso próprio, para restringir a declaração de inconstitucionalidade às apreensões de maconha. Ele incorporou os parâmetros sugeridos pelo ministro Alexandre de Moraes, no sentido de presumir como usuárias as pessoas flagradas com 25g a 60g de maconha ou que tenham seis plantas fêmeas.

Autonomia

Ao acompanhar esse entendimento, a presidente do Supremo, ministra Rosa Weber, afirmou que a criminalização da conduta é desproporcional, por atingir de forma veemente a autonomia privada. A seu ver, a mera tipificação como crime do porte para consumo pessoal potencializa o estigma que recai sobre o usuário e acaba por aniquilar os efeitos pretendidos pela lei em relação ao atendimento, ao tratamento e à reinserção econômica e social de usuários e dependentes. “Essa incongruência normativa, alinhada à ausência de objetividade para diferenciar usuário de traficante, fomenta a condenação de usuários como se traficantes fossem”, disse.

Divergência

O ministro Cristiano Zanin reconhece discrepâncias na aplicação judicial do artigo 28, que leva ao encarceramento em massa de pessoas pobres, negras e de baixa escolarização. Contudo, entende que a mera descriminalização contraria a razão de ser da lei, pois contribuirá para agravar problemas de saúde relacionados ao vício.

De acordo com o ministro, a declaração da inconstitucionalidade do dispositivo retiraria do mundo jurídico os únicos parâmetros objetivos existentes para diferenciar usuário do traficante. Ele sugeriu, contudo, a fixação, como parâmetro adicional para configuração de usuário da substância, a quantidade de 25 gramas ou seis plantas fêmeas.


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