Sexta, 22 de janeiro de 2021
A despesa executada da União em 2019 foi de R$ 2,711 trilhões. Desse total, cerca de R$ 1,038 trilhão foi gasto com o pagamento do chamado serviço da dívida pública contraída pelo Estado brasileiro junto a bancos e sistema financeiro. Já a despesa com Pessoal e Encargos Sociais foi cerca de R$ 292 bilhões (ou 3,55 vezes menos que o gasto com a dívida pública). Esses números são mais que suficientes para que se constatem as distorções financeiras no nosso sistema público.
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Alguns economistas alegam que não se pode comparar o serviço global da dívida, que inclui amortização rolada e não efetivamente paga, com as despesas correntes. É um equívoco. Em termos globais, o que está ocorrendo, com a amortização, é transferência patrimonial gigantesca em favor dos bancos e contra o povo, realizável no vencimento de curto prazo, pois basta apresentar os títulos vencidos no Tesouro para ter direito ao valor dele, corrigido.
Essa verdadeira arenga nas relações do sistema fiscal-monetário brasileiro são mal compreendidas pelo povo não por serem em si mesmas complexas, mas por serem absurdas. A maior parte do dinheiro “doado” pelo Governo ao sistema financeiro vem das chamadas operações compromissadas, um mecanismo pelo qual dinheiro barato do governo é oferecido diariamente aos bancos para que eles comprem títulos do próprio governo com pagamento de juros baseado na taxa Selic.



