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(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Dois anos depois —Dois acusados de matar Mãe Bernadete são condenados em júri popular em Salvador

Quarta, 15 de abril de 2026

Dois anos depois
Dois acusados de matar Mãe Bernadete são condenados em júri popular em Salvador

Penas chegaram a mais de 40 anos de prisão em regime fechado; um dos réus segue foragido

Brasil de Fato – Salvador (Bahia)

Mãe Bernadete | Crédito: Arte sobre foto de Walisson Braga/Conaq


Os réus Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos foram condenados, em júri popular, pelo homicídio da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete. A sessão de julgamento, realizada no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador (BA), durou dois dias — começou na manhã de segunda-feira (13) e terminou na noite desta terça (14).

Arielson da Conceição foi sentenciado a cumprir 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão, além de multa. Já Marílio dos Santos deve cumprir 29 anos e 9 meses de prisão, ambos em regime inicial fechado. Ele, no entanto, segue foragido, embora tenha constituído defesa.

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Comissão Interamericana condena assassinato de Mãe Bernadete

Segunda, 21 de agosto de 2023
© Arte sobre foto de Walisson Braga/Conaq

Crime deve ser investigado com perspectiva étnico-racial e de gênero

Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil - Brasília

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou o assassinato da liderança quilombola e mãe de santo Maria Bernadete Pacífico, Mãe Bernadete, ocorrido no último dia 17, no Quilombo Pitanga dos Palmares, município de Simões Filho (BA). Para a entidade, o Estado deve investigar o ocorrido “de forma imediata e diligente, com perspectiva étnico-racial e de gênero”.

“CIDH urge ao Estado sancionar os responsáveis materiais e intelectuais e considerar como motivo do assassinato o papel que ialorixá Bernadete possuía como defensora dos direitos das pessoas afrodescendentes”, diz a entidade, em publicação nas redes sociais, neste sábado (19).

Mãe Bernadete era integrante da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (CONAQ) e ex-secretária de Promoção da Igualdade Racial de Simões Filho. Ela foi morta a tiros em sua casa e terreiro religioso, enquanto assistia televisão com dois netos e mais duas crianças.

Ameaças

A líder sempre denunciou a violência enfrentada pelas comunidades quilombolas e já vinha relatando há algum tempo, a diversas instâncias governamentais, que era ameaçada de morte. Mãe Bernadete estava no programa de proteção de defensores de direitos humanos desde 2017, quando seu filho, Binho do Quilombo, também foi assassinado a tiros.

Em entrevista à Agência Brasil, o secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, disse que a Polícia Civil trabalha com diversas linhas de investigação e que a atuação de Mãe Bernadete contrariava diversos poderes econômicos. A Polícia Federal também abriu inquérito para investigar o caso.

“Não é possível afirmar a qual interesse Mãe Bernadete havia contrariado, uma vez que ela era uma pessoa que, na sua posição de defender sua comunidade, podia estar incomodando muitas pessoas e grupos. Desde organizações como grupos ligados ao tráfico de drogas se sentiram, certamente, incomodados com liderança de Mãe Bernadete, grupos econômicos que tinham interesse na exploração do território, os responsáveis pela morte do filho dela também podem estar muito incomodados com a sua militância”, disse Felipe Freitas.

A Organização das Nações Unidas (ONU) também condenou o assassinato da liderança quilombola.

Edição: Aline Leal