Sexsta, 30 de janeiro de 2026
Universidade: Protopia para a era digital
Persistem, em meio ao turbilhão do século 21, as visões liberais-utópicas. Falta, para superá-las, um projeto capaz de mobilizar quem segue acreditando em instituição autônoma, transformadora e comprometida com a emancipação eco-etno-social
OutrasPalavras Crise Brasileira
Parte I – Glossário utopiano para entender a tecno-utopia do capitalismo
Em sociedades marcadas pela colonialidade iluminista eurocêntrica, a milenar instituição chamada Universidade tem cumprido uma missão histórica como produtora de utopias alimentadoras da cosmovisão hegemônica. Ao analisar modelos de instituição universitária estabelecidos no hemisfério Norte nos séculos 19 e 20, o hermeneuta francês Paul Ricoeur (2005, p.324) afirma que a Universidade provêm da utopia liberal humanista que “denega, por vezes até ingenuamente, as verdadeiras fontes do poder que são a propriedade, o dinheiro, a violência, todas as forças que não são as da inteligência”. Para Ricoeur (2005, p.324), o cerne dessa forma utópica “estava presente no Iluminismo francês (talvez de um modo mais político e mais imediato), assim como no Iluminismo alemão (mais como teoria da cultura)”. A utopia universitária, no primeiro caso, encontra-se na alegoria das Luzes (Lumières), no segundo caso, na ideia de formação geral (Bildung).

