Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

24 anos sem Edmundo Moniz, por Sergio Caldieri

Sexta, 22 de janeiro de 2021 

Por

Sergop Caldieri    

         Edmundo Ferrão Moniz de Aragão nasceu em Salvador-BA, no dia 2 de novembro de 1911, e morreu em 23 de janeiro de 1997, no Rio de Janeiro. Seu pai, Antônio Moniz Sodré de Aragão, foi deputado, senador e governador da Bahia, em 1916. Foi o primeiro professor de economia política a falar de Karl Marx em uma sala de aula da universidade do estado, em 1910, talvez o segundo da América Latina. O primeiro foi o general Abreu e Lima (1794/1869), quando escreveu o livro O Socialismo, em 1855. Ele tinha conhecimento de Babeuf e dos autores clássicos do Socialismo utópico como Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen. Imagino Edmundo Moniz em seu berço: ao lado direito, sua mãe, Maria Clementina Moniz Sodré de Aragão, rezando Ave-Maria ou Pai Nosso; e, ao lado esquerdo, deveria ouvir seu pai rezando na cartilha do Manifesto Comunista. Acho que quando Edmundo desceu do seu berço, o fez pelo lado esquerdo. Ele dizia que seu pai era religioso, mas Edmundo teve uma formação sem a influência religiosa, e tornou-se um materialista.

       Edmundo Moniz passou toda a sua vida pregando a igualdade entre os povos  brasileiros, da América Latina, e as sofridas populações do Terceiro Mundo. Aos 19 anos já, ingressara nos movimentos estudantis, organizando o I Congresso Operário-Estudantil - uma espécie de precursor da Aliança Nacional Libertadora, de 1935. A organização era formada por Jorge Amado e Carlos Lacerda.