Terça, 6 de setembro de 2016
Da Auditoria Cidadã da Dívida
Por João Luis Abrantes Bertoli (Economista / integrante da ACD/ Santa Catarina)
No dia 31 de agosto de 2016, logo após o impeachment ter sido
aprovado no Senado, Michel Temer foi em cadeia nacional de televisão
fazer um pronunciamento. Dentre os absurdos ditos pelo atual presidente,
um deles me obrigou a ter que escrever uma resposta. Não que temas como
a reforma da previdência e ataques à CLT não mereçam ser motivo de um
artigo, mas estes temas já costumam com frequência ser pauta de debates
ao menos entre a classe trabalhadora. O que me chamou a atenção no
pronunciamento da última quarta-feira foi a seguinte frase: “o governo é
como a sua família, se estiver endividada precisa diminuir despesas
para pagar as dívidas.”
A lógica de bar e a lógica do Estado
Isso me fez lembrar de um bar que eu ia com os amigos no começo da
faculdade, como era estudante costumava frequentá-lo porque vendia a
cerveja mais barata da região. Uma vez eu escutei de um freguês antigo
deste bar que o dono procurava manter à venda algumas cervejas de baixo
preço mas, que em períodos de “vacas gordas” do país, ele passava a
vender algumas cervejas mais caras e reconhecidamente de melhor
qualidade. O objetivo era não perder a clientela, pois nesses momentos a
freguesia passava a frequentar outros bares que ofereciam cervejas melhores. Quando as “vacas magras” voltavam a
aparecer, ele deixava de comprar as cervejas mais caras e vendia apenas
as mais baratas. Assim, ele mantinha uma certa margem de lucro em ambos os momentos.
