Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador arrocho governo temer. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador arrocho governo temer. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Temer: entre a renúncia, a cassação, o impeachment, ou a permanência como PERICLITANTE até 2018

Quinta, 15 de dezembro de 2016
Da Tribuna da Internet Sindical
Helio Fernandes

Os áulicos e acólitos, amealhados e acusados de torpes atos de corrupção, uma tormentosa preocupação: defender o chefe amado, idolatrado, acumpliciado. Como Temer, voluntariamente, pavimentou a estrada que percorreu, para se transformar de vice a presidente indireto, absolvê-lo e mantê-lo, cada vez mais difícil, praticamente impossível.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Reforma da Previdência do presidente não eleito põe fim à paridade no funcionalismo

Segunda, 12 de setembro de 2016
Do Sinpro/DF
Uma das propostas da Reforma da Previdência que o governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB) quer implantar no país propõe o fim da paridade entre os servidores ativos e aposentados. A medida, anunciada na última semana de agosto, se for aprovada, afetará servidores públicos das três esferas da União que iniciaram suas carreiras antes de 2003. Essa proposta desvincula o reajuste salarial de quem está na ativa da correção das aposentadorias.

domingo, 11 de setembro de 2016

Na manhã desta segunda (12/9), Audiência Pública na Câmara questiona projeto que visa legalizar roubo de recursos do Estado; à tarde audiência discute a PEC 241/2016 que congela gastos e investimentos por 20 anos [republicado]

Domingo, 11 de setembro de 2016
Da Auditoria Cidadã da Dívida

Audiência pública questiona projeto que visa legalizar roubo de recursos do Estado

Com o adiamento da votação do PLS 204/2016, para a próxima segunda-feira (12), a Audiência Pública que será realizada na manhã do mesmo dia torna-se uma oportunidade de esclarecer aos parlamentares, e demais presentes,sobre os riscos do projeto para as finanças do país.

Com o tema: “A crise política, econômica, social e ética no Brasil à luz dos Direitos Humanos, com foco na permissão aos entes da federação de utilizar estatais não dependentes para emitir debêntures, sob a justificativa de ceder direitos de créditos tributários e não tributários”, a reunião foi uma iniciativa da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Na manhã desta segunda (12/9), Audiência Pública na Câmara questiona projeto que visa legalizar roubo de recursos do Estado; à tarde audiência discute a PEC 241/2016 que congela gastos e investimentos por 20 anos

Sábado, 10 de setembro de 2016
Da Auditoria Cidadã da Dívida

Audiência pública questiona projeto que visa legalizar roubo de recursos do Estado

Com o adiamento da votação do PLS 204/2016, para a próxima segunda-feira (12), a Audiência Pública que será realizada na manhã do mesmo dia torna-se uma oportunidade de esclarecer aos parlamentares, e demais presentes,sobre os riscos do projeto para as finanças do país.

Com o tema: “A crise política, econômica, social e ética no Brasil à luz dos Direitos Humanos, com foco na permissão aos entes da federação de utilizar estatais não dependentes para emitir debêntures, sob a justificativa de ceder direitos de créditos tributários e não tributários”, a reunião foi uma iniciativa da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

“Não Temer, um governo não é como uma família”

Terça, 6 de setembro de 2016
Da Auditoria Cidadã da Dívida
Por João Luis Abrantes Bertoli (Economista / integrante da ACD/ Santa Catarina)

No dia 31 de agosto de 2016, logo após o impeachment ter sido aprovado no Senado, Michel Temer foi em cadeia nacional de televisão fazer um pronunciamento. Dentre os absurdos ditos pelo atual presidente, um deles me obrigou a ter que escrever uma resposta. Não que temas como a reforma da previdência e ataques à CLT não mereçam ser motivo de um artigo, mas estes temas já costumam com frequência ser pauta de debates ao menos entre a classe trabalhadora. O que me chamou a atenção no pronunciamento da última quarta-feira foi a seguinte frase: “o governo é como a sua família, se estiver endividada precisa diminuir despesas para pagar as dívidas.”

A lógica de bar e a lógica do Estado
Isso me fez lembrar de um bar que eu ia com os amigos no começo da faculdade, como era estudante costumava frequentá-lo porque vendia a cerveja mais barata da região. Uma vez eu escutei de um freguês antigo deste bar que o dono procurava manter à venda algumas cervejas de baixo preço mas, que em períodos de “vacas gordas” do país, ele passava a vender algumas cervejas mais caras e reconhecidamente de melhor qualidade. O objetivo era não perder a clientela, pois nesses momentos a freguesia passava a frequentar outros bares que ofereciam cervejas melhores. Quando as “vacas magras” voltavam a aparecer, ele deixava de comprar as cervejas mais caras e vendia apenas as mais baratas. Assim, ele mantinha uma certa margem de lucro em ambos os momentos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Bancada Federal: os votos do DF contra os servidores

Segunda, 29 de agosto de 2016
Do blog "Brasília, por Chico Sant'Anna"


04_bx

Por Chico Sant’Anna
Numa cidade onde mais de 200 mil famílias estão diretamente vinculadas ao serviço público, seja ele federal ou distrital, votar um projeto-de-lei que prejudique o funcionalismo é um risco eleitoral bastante elevado.

No dia 10/8, a Câmara Federal votou o Projeto de Lei Complementar (PLP) 257/16, de autoria do Palácio do Planalto. Para o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) a proposta gera um efeito devastador sobre os servidores.

Sob pressão de trabalhadores, os parlamentares derrubaram várias medidas consideradas negativas ao funcionalismo. Entretanto, foi mantida e até ampliada para 30 anos o atrelamento do crescimento dos gastos públicos anuais à variação da inflação do período anterior.

A medida é um limitador não só de futuros reajustes dos salários por três décadas, mas também de investimentos em setores sociais vitais para a sociedade como Previdência, Saúde e Educação.
Pois a proposta do Executivo recebeu o voto Sim de ampla parcela da bancada candanga na Câmara Federal.

Dos oito deputados, cinco deram apoio às medidas de Michel Temer.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Temer se aposentou como procurador aos 55 anos e ganha R$ 45 mil mensais; ele quer que trabalhador só se aposente (se conseguir) aos 70 anos

Quarta, 24 de agosto de 2016
Da Tribuna da Internet
Deu na Gazeta do Povo
Resultado de imagem para temer aposentadoria
Dados do Portal da Transparência do governo do Estado de São Paulo mostram que Michel Miguel Elias Temer Lulia, nome de registro do presidente interino Michel Temer, teve rendimentos brutos de R$ 45.055,99 no mês de junho deste ano, valor bem acima do teto permitido pela Constituição. Ele se aposentou com 55 anos e agora a proposta de reforma da Previdência em estudo pelo governo do presidente interino Michel Temer prevê que um trabalhador terá de completar 70 anos de idade para ter direito à aposentadoria integral – em um primeiro momento 65 anos para homens e 62 para mulheres e depois, em uma segunda etapa, 70 anos para ambos os sexos.
Para Temer, as mazelas do país só serão corrigidas com sacrifício e prejuízo do trabalhador. Enquanto isso, ele próprio goza de aposentadoria fora dos padrões dos assalariados brasileiros. Temer requereu sua aposentadoria como procurador do estado de São Paulo em 1996, quando tinha apenas 55 anos de idade. Já se vão 20 anos que Temer foi aposentado. Não fosse a jovialidade dele na época, o salário é de humilhar qualquer trabalhador aposentado pelo INSS.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

"Não é aceitável que se faça um ajuste fiscal focado apenas na previdência, sem qualquer medida que atinja o último andar da sociedade brasileira"

Quarta, 3 de agosto de 2016
Entrevista especial com Sérgio Gobetti
Do Instituto Humanitas Unisinos
“No ano passado, a conta de juros da nossa dívida ultrapassou os 8% do PIB. Não é possível que o país conviva com uma conta dessa magnitude. Não há superávit primário que dê cobertura suficiente a um custo desses”, constata o economista.
Imagem: http://bit.ly/2afOHl6
Uma análise sobre o gasto público brasileiro nos últimos 15 anos “mostra uma realidade bem diferente daquela imaginada pelo senso comum, que é o de um governo inchado, que gasta principalmente com o pagamento dos seus funcionários e tem muita gordura para cortar”, diz Sérgio Gobetti, autor da pesquisa “Uma Radiografia do Gasto Público Federal entre 2001 e 2015”, publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea.
 
De acordo com o pesquisador, o gasto público no Brasil “mais do que dobrou em valores reais na última década e meia, crescendo a uma média de 4% ao ano acima da inflação”. Contudo, explica, “esse não seria um problema tão grave se nossa economia também crescesse acima de 4% ao ano (...). Mas nossa economia cresceu a uma média de apenas 2,6% ao ano entre 1997 e 2015, o que resultou em que a despesa pública agregada acabou subindo de 26% para 33% do PIB”.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Discussão da PEC Bagulho de Temer que limita gastos públicos (mas que não seja com banqueiros) foi diada para a próxima semana votação

Terça, 2 de agosto de 2016
Carolina Gonçalves - da Agência Brasil
Ficou para a próxima semana, ainda sem data marcada, a decisão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC 241/16), enviada pelo governo interino de Michel Temer, que limita os gastos públicos para as despesas primárias nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Hoje (2), depois que o relator da proposta, deputado Danilo Forte (PSB-CE), leu o parecer favorável à medida, diversos parlamentares apresentaram pedido de vista adiando a decisão sobre o texto.

Nos primeiros momentos da reunião da CCJ, partidos da minoria, como PT e PSOL, defenderam a retirada do texto da pauta de votações. Manifestantes que representavam sindicatos de diversas categorias apoiaram a estratégia que acabou derrotada.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Novo Regime Fiscal (PEC n. 241/2016): Mais um instrumento de arrocho seletivo

Terça, 26 de julho de 2016
Por Aldemário Araujo Castro
Advogado, Procurador da Fazenda Nacional, Professor da Universidade Católica de Brasília - UCB, Mestre em Direito pela Universidade Católica de Brasília - UCB

O governo, ainda provisório, do Senhor Michel Temer, na voz do banqueiro Henrique Meirelles, amplamente festejado pelo todo-poderoso “mercado”, anunciou   o   envio   ao   Congresso   Nacional   de   uma   Proposta   de   Emenda Constitucional (PEC) que cria o “Novo Regime Fiscal”.

Segundo o “Novo Regime Fiscal”, que vigorará por vinte anos, “será fixado, para cada exercício, limite individualizado para a despesa primária total do Poder Executivo, do Poder Judiciário, do Poder Legislativo, inclusive o Tribunal de Contas da União, do Ministério Público da União e da Defensoria Pública da União”.

Em linhas gerais, o limite referido equivalerá à despesa primária realizada no exercício anterior corrigida pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA, publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, ou de outro índice que vier a substituí-lo, para o período de janeiro a dezembro do exercício imediatamente anterior.   

Merecem destaque as seguintes passagens da Exposição de Motivos da PEC em questão (1):

Texto na íntegra em:

sábado, 16 de julho de 2016

CPMF: Requiescat in Infernum

Sábado, 16 de julho de 2016
Do Blogue Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
Em boa hora nosso colunista Pedro Cardoso da Costa manifestou seu repúdio à cogitada recriação da CPMF.

A festejada equipe econômica de Michel Temer – com a qual até a presidente afastada fez, cinicamente, a maior média –, estará dando um enorme passo em falso se tocar esta ideia de jerico adiante. O mais impopular de todos os tributos tem de ficar exatamente onde está: no inferno.


Sua avassaladora rejeição advém de ela ter sido um conto do vigário que o povo engoliu em 1993, acreditando mesmo que seria uma solução para o custeio da Saúde Pública. O respeitável doutor Adib Jatene emprestou ingenuamente sua imagem ilibada para mais esta pilantragem dos políticos, sempre à cata de novos pretextos para tosquiarem a população.



O cidadão comum, iludido em sua boa fé, ficou espumando de raiva quando lhe caiu a ficha de que o objetivo real da patranha jamais fora o de melhorar a Previdência Social, mas sim o de rechear os cofres do governo, servindo para tampar outros buracos do orçamento federal.

Ainda assim, o mesmo peixe podre foi vendido novamente no período 1997/2007, só que ninguém mais o comprou por livre e espontânea vontade. Foi enfiado goela dos governados adentro.


Extinta para alívio geral, esta herança maldita do FHC foi objeto do desejo dos governos petistas, que a tentaram exumar em 2008, 2011 e 2015. Por meio da amoral rede chapa branca, fizeram o possível para convencer a opinião pública de que a CPMF se tornara um tributo não só necessário, como, inclusive, progressista...



Deram com os burros n'água e acabaram recuando nas três ocasiões, por constatarem que, politicamente, seria um desastre.

O povo não é bobo. Engana-se quem supõe que aceitará de Temer o diploma de otário que atirou de volta na cara do Lula e da Dilma.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Nada de aumento para o funcionalismo público para continuar pagando uma dívida ilegítima daqui a 18 meses

Sexta, 15 de julho de 2016
Da Auditoria Cidadã da Dívida
O PLP 257 e a negociação entre União e estados com relação a suas dívidas escancara cada vez mais a inversão de valores econômicos e sociais a que nosso país está sujeito. O Governo do Paraná também caminha para aceitar o acordo com a equipe econômica de “notáveis” de Michel Temer.

sábado, 9 de julho de 2016

Artigo explica por que Previdência Social é superavitária; É falso que a Previdência tem déficit, ao contrário ela tem superávit

Sábado, 9 de julho de 2016
Da Auditoria Cidadã da Dívida

Manipulações e desrespeito à Constituição maquiam saldos negativos

Governo deveria apresentar três orçamentos, o da Seguridade Social, Fiscal e investimentos das estatais, mas exclui o primeiro, gerando discrepâncias 
por Carlos Drummond publicado na Carta Capital em 06/06/2016
O sistema de proteção social brasileiro é o mais abrangente da América Latina, mas corre o risco de uma regressão se a sociedade e o Congresso aceitarem a reforma da Previdência esboçada pelo governo do presidente interino Michel Temer.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou na segunda-feira 30 o envio ao Legislativo de uma proposta de emenda constitucional para fixar um teto de gasto para o setor, parte de uma reformulação geral provavelmente no estilo preconizado pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional entre as décadas de 1980 e 1990, de viés privatizante.

O encaminhamento da PEC aprofunda a desestruturação, iniciada nos anos 1990, do sistema instituído pela Constituição de 1988 e aponta para a reversão de conquistas obtidas na luta contra a ditadura. Há no País 24,5 milhões de aposentados e pensionistas, 8,6 milhões no meio rural, e dois terços recebem um salário mínimo por mês. 

Segundo o governo, o principal problema das contas públicas é um déficit previdenciário crônico. Um diagnóstico longe do consenso. Consideradas todas as receitas previstas na Constituição, os saldos são positivos e suficientes para financiar todos os gastos do governo federal com previdência, saúde e assistência social, calcula a economista Denise Gentil, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

“O resultado do encontro do total de receitas e despesas é amplamente superavitário, incluídos os gastos administrativos com pessoal, custeio e pagamento da dívida de cada setor. O superávit foi 56,7 bilhões de reais em 2010, 78,1 bilhões em 2012, 56,4 bilhões em 2014, e 20,1 bilhões em 2015, apesar das enormes desonerações tributárias realizadas nos últimos cinco anos.” 

Nas contas do governo, entretanto, houve um déficit de 85,8 bilhões de reais, em 2015, precedido por saldos negativos de 56,7 bilhões no ano anterior, 51,2 bilhões em 2013, 42,3 bilhões em 2012, 36,5 bilhões em 2011 e 44,3 bilhões em 2010.

A discrepância entre os números decorre de uma manipulação. A Constituição de 1988 determina a elaboração de três orçamentos, o Fiscal, o da Seguridade Social e o de investimentos das estatais. Na execução orçamentária, entretanto, o governo apresenta só dois orçamentos, o de Investimentos e o Fiscal e da Seguridade Social, no qual consolida todas as receitas e despesas e unifica o resultado. 

 [Clique na imagem para ampliá-la]

“Com esse artifício, não é possível identificar a transferência de recursos do orçamento da Seguridade Social para financiar gastos do orçamento Fiscal. Para tornar o quadro ainda mais confuso, isola-se, para efeito de análise orçamentária, o resultado previdenciário do resto do orçamento da Seguridade”, analisa Denise Gentil.

O diagnóstico do economista Milko Matijascic, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, segue a mesma direção. “A Constituição é ignorada e está na hora de fazer uma prestação de contas que respeite as instituições legais”, disse em encontro de entidades de trabalhadores.

“A manobra contábil adotada pelos formuladores das políticas econômicas dos anos 1990, que não trata a seguridade como um todo e desvia parte de seus recursos para outros fins, tornou a Previdência a principal vilã, responsável pelos desajustes nas contas públicas, embora isso não faça sentido pelo prisma legal.” 

A deturpação de informações é chave para incutir uma ideia depreciativa do sistema, de insolvência e de precariedade generalizada, sem correspondência na realidade, aponta Denise Gentil.

Um dos principais usos do dinheiro desviado das receitas é o pagamento de juros da dívida pública. “O problema mais importante das contas públicas não é a Previdência, mas uma conta de juros extremamente elevada”, aponta o economista Amir Khair, ex-secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo e consultor em entrevista concedida em fevereiro a esta revista.

“Em 2015, os juros foram responsáveis por 80% do déficit do setor público, mas isso não é discutido porque a mídia interditou o debate sobre a questão fiscal. Dificilmente se verá nos meios de comunicação a expressão déficit nominal, mas, em qualquer outro país, é o que mede o déficit, e consiste na soma do déficit primário e do déficit com juros.”

As visões opostas sobre as contas correspondem a interesses de classe antagônicos, conclui um trabalho do economista Eduardo Fagnani, da Unicamp. “As conquistas do movimento social das décadas de 1970 e 1980 contrariaram os interesses dos detentores da riqueza. Em grande medida, isso ocorreu porque mais de 10% do gasto público federal em relação ao PIB foram vinculados constitucionalmente à seguridade social.”

Para Fagnani, coordenador da rede Plataforma Política Social, “desde a Assembleia Nacional Constituinte aqueles setores desenvolvem ativa campanha difamatória e ideológica orientada para demonizar a Seguridade Social, em especial o seu segmento da Previdência, com gasto equivalente a 8% do PIB”. 

Os constituintes de 1988 vincularam recursos do orçamento da Seguridade Social para evitar uma prática corrente na ditadura, de captura, pela área econômica, de fontes de financiamento do gasto social. Para surpresa de muitos, os governos democráticos, a partir de 1990, dilapidaram aquela conquista. 
 [Clique na imagem para ampliá-la]
Os interesses em jogo raramente vêm à tona. A defesa do aumento da idade para aposentaria, apresentado como opção única diante do aumento da expectativa de vida, é um artifício para dissimular a busca pela ampliação do espaço das empresas privadas no mercado previdenciário, argumentam Deen Baker e Mark Weisbrot, do Economic Policy Institute, no livro Seguridade Social, a Crise Falsa

“Não há dúvida quanto ao enorme interesse do sistema financeiro na privatização da Seguridade Social. Ele investe na produção de ideias necessárias para propiciar essa transição.” 

Entre os recursos da Previdência desviados das finalidades originais constam as desonerações concedidas às empresas, mencionadas acima. “As renúncias de receitas decorrentes dos ‘gastos tributários’ geraram uma perda de arrecadação estimada em 986 bilhões de reais entre 2010 e 2014, sendo 136 bilhões ‘garfados’ ao orçamento da Seguridade Social somente em 2014”, calcula a economista Lena Lavinas, da UFRJ.

Além da possibilidade de tornar a Previdência superavitária com o fim dos desvios de receitas e das renúncias fiscais, é possível elevá-las de modo substancial e aumentar a abrangência da proteção social, argumentam o economista José Dari Krein e o auditor fiscal do Trabalho Vitor Araújo Filgueiras, pesquisadores do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho do Instituto de Economia da Unicamp, em estudo recente. 

A formalização do trabalho assalariado sem carteira assinada acrescentaria ao orçamento anual 47 bilhões de reais, o fim da remuneração “por fora” aos trabalhadores 20 bilhões, o reembolso pelas empresas das despesas com acidentes de trabalho 8,8 bilhões, a extinção do enquadramento de acidentes de trabalho como doenças comuns 17 bilhões, e a eliminação das perdas de arrecadação por subnotificação de acidentes, 13 bilhões. 

Segundo os pesquisadores, os números evidenciam que “as contribuições previdenciárias são brutalmente sonegadas pelas empresas no Brasil”.

As cifras do governo sobre o suposto déficit recorrente do sistema estão em questão e as distorções levaram o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, João Batista Inocentini, a definir como proposta única da entidade, “refazer todas as contas da Previdência”. Uma iniciativa necessária e urgente, diante das evidências apresentadas.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Reforma trabalhista: volta à escravatura ou acordo entre guilhotina e pescoço

Quinta, 7 de julho de 2016
Da Tribuna da Internet
Carlos Chagas
É crime chamar de reforma trabalhista o horror que vem sendo preparado no palácio do Planalto. Porque instituir a terceirização, como pretende o governo, significa abolir direitos estabelecidos para o trabalhador nos tempos de Getúlio Vargas. Nem se fala da estabilidade no emprego, mas da simples garantia no trabalho e nas indenizações. Significa regressão à escravatura.

terça-feira, 5 de julho de 2016

No fundo do poço há um alçapão

Terça, 5 de julho de 2016
Da Auditoria Cidadã
A cada dia uma surpresa mais desanimadora. Como se não bastasse o cenário sombrio de ataque aos direitos dos cidadãos, governo ainda fala em aumento de impostos. É para solapar de vez a esperança dos brasileiros. (Leia: http://goo.gl/4T5iCH)

Mas o capital financeiro é pródigo em invenções e intervenções que escapam a qualquer bom senso e moralidade. Tudo em nome de uma meta fiscal, que visa salvar recursos para pagar dívida pública. Sim, essa mesma dívida que juntamente com juros e amortizações consome quase metade de nossos recursos, mas isso parece pouco nesse contexto em que o dinheiro invade tudo e o capital especulativo é o hegemônico. 

Não nos iludamos, impor os interesses do capital é a única prioridade dos governos, por isso a mudança só é possível se vier de baixo para cima, a partir da mobilização social consciente e atuante. 

Conheça mais sobre o endividamento público e como ele afeta todas as esferas políticas, econômicas e sociais.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

A proposta de “autonomia” do BC

Sexta, 20 de maio de 2016
*Rodrigo Avila – Economista
Nessa semana, durante o anúncio de sua equipe econômica, Henrique Meirelles afirmou que pretende promover, por meio de uma Emenda Constitucional, a “autonomia” do Banco Central, ou seja, nas palavras dele, garantir que não haja “questionamento no sentido de que tem autonomia técnica para decidir” sobre a taxa de juros, por exemplo. Segundo ele, tal “autonomia” já existe hoje, mas quer garantir isso na Constituição.
 
Tal proposta significa, na prática, permitir que o Banco Central possa decidir sobre a taxa de juros sem interferência da Presidência da República. Segundo economistas conservadores, tal “autonomia” seria importante para evitar interferências “políticas” em decisões que deveriam ser “técnicas”, ou seja, deveriam estar “acima da política”.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A riqueza do povo na mão dos banqueiros: ‘Autonomia técnica’ do Banco Central institucionaliza o que hoje é “acordo verbal”

Quarta, 18 de maio de 2016
O espetáculo de horror está prestes a atingir o seu glorioso anticlímax.

Governo Federal, Ministério da Fazenda e a grande imprensa contracenam de forma brilhante.

Uma catastrófica crise financeira é tudo o que o mercado financeiro precisava para justificar a independência do Banco Central, em um arroubo de salvamento da pátria.

Esqueça-se os 45% do orçamento federal que destinamos para pagar juros e amortizações da dívida pública, valor que atualmente supera o R$ 1 trilhão anuais.

Que ninguém comente sobre termos os maiores juros do mundo, e ainda assim, possuirmos uma das mais elevadas inflações do planeta.

Já temos o argumento perfeito, comprado por toda a imprensa e vendido a preço de banana: “É preciso elevar os juros para controlar a inflação!”.

Não importa que todas as outras principais potências do globo consigam manter juros baixos e inflação baixa.

Para fazer do jeito certo, precisamos da independência do Banco Central.

Sim, aquela mesma que vem no primeiro item do Manual do FMI como medida para ser implementada nos países “sob seu domínio”.

Como a independência do Banco Central ainda é um pouco polêmica, vamos falar, por enquanto, em “autonomia técnica”.

Segundo o novo Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, isso significa formalizar “o que hoje é um acordo verbal”.

— Isso é muito importante porque mantém aquilo que prevaleceu do ponto de vista da prática, ou seja, autonomia de decisão para que o BC não tenha suas decisões tomadas questionadas na medida em que tem uma autonomia técnica da decisão — explica Meirelles.

Não vamos falar em independência, mas quem toma todas as decisões (que não podem ser questionadas pelo próprio Governo Federal) é o Banco Central.

Banco Central que vai ser dirigido por um sócio do Itaú Unibanco.

Que tal falarmos em oficializar que quem comanda a política financeira do nosso país são bancos privados?
Não, isso pode soar muito duro.

Apenas queremos fazer a “política de controle da inflação sem a interferência do governo”.

Qual é essa política? Ora… todos sabem! Elevação de juros!

Que os bancos privados são aqueles que mais lucram com os juros elevados, pois aumentam em níveis estratosféricos a dívida pública… melhor não comentar. Poderia parecer conflito de interesses.

E convenhamos, não há conflito algum.

Os interesses estão muito claros e bem resolvidos.

Meirelles não deixa lugar a dúvida: “Independência é algo que é e continuará sendo objeto de análise. Nossa proposta é de autonomia técnica da decisão. Isso já é um avanço enorme em relação ao acordo verbal, que já funcionou muito bem”.

Piatã Müller é jornalista, educador social, presidente do Instituto Sócrates e um dos coordenadores do núcleo curitibano da Auditoria Cidadã da Dívida

Ministro (da Saúde) de Temer diz que o país não pode garantir direitos constitucionais

Quarta, 18 de maio de 2016
Da Tribuna da Internet

Barros é mais um ministro de Temer a fazer declarações absurdas

Pedro do Coutto 
Parece incrível, mas foi o que afirmou o deputado Ricardo Barros, ministro da Saúde do governo Michel Temer, em entrevista à repórter Cláudia Collucci, Folha de São Paulo de terça-feira, manchete principal da edição. Claro. O destaque é compatível com o impacto negativo que as afirmações despertam.

“O Brasil – sustentou – não vai mais conseguir sustentar todos os direitos determinados pela Constituição, como o acesso universal ao sistema de saúde. Precisará rever o modelo no futuro”. Ricardo Barros, reeleito diversas vezes, encontra-se no quinto mandato. É engenheiro civil. Falou na necessidade da adoção de um novo modelo para a saúde pública. Qual poderá ser? – cabe a pergunta.

Sim, porque se ele diz que as obrigações deverão ser repactuadas, pelo fato de o Estado não ter mais capacidade de sustentá-las, que dirá a população, cuja mão de obra ativa, na escala de 50%, segundo o IBGE ganha de um a três salários mínimos e enfrenta um desemprego na escala de 11%?