“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Frei Tito foi voz, martírio e memória contra a tortura

Segunda, 15 de setembro de 2025

Relatos do religioso revolucionário denunciaram os horrores da ditadura militar ao Brasil e ao mundo

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29:07




No último registro audiovisual em vida do religioso revolucionário Frei Tito, o frade dominicano relata os detalhes da tortura que sofreu quando foi preso pela ditadura militar. Em entrevista ao documentário “Brazil: a report on torture”, filmado no Chile em 1971 por Saul Landau e Haskell Wexler, ele fala sobre a violência da qual foi vítima, de maneira objetiva e reafirma a própria voz como ferramenta de denúncia dos horrores praticados pelo regime.

Em dado momento da conversa, o ativista fala sobre a tentativa de tirar a própria vida, após sessões de tortura. Perguntado pelos documentaristas sobre o motivo do gesto, ele é enfático. “Cortei as veias do meu braço, em uma tentativa de pôr o fim à tortura e poder fazer assim, uma denúncia verdadeira de que o Brasil não é mais o país somente do samba, do futebol, do Pelé, mas é também um grande campeão da tortura“, diz o religioso.

No ano anterior, enquanto ainda estava preso, Frei Tito escreveu uma carta na prisão que ganhou o mundo. O documento detalhava os métodos de tortura sofridos, incluindo choques elétricos, socos, queimaduras e abuso psicológico intenso. Publicado na imprensa internacional, o texto é considerado um dos primeiros registros públicos dos horrores da ditadura militar. Nele, o calvário do religioso que virou mártir fica explícito, assim como o sofrimento imposto às outras vítimas do regime.

domingo, 30 de março de 2025

João Goulart Filho relembra amizade do pai com Rubens Paiva e diz que país precisa aprender o que foi a ditadura

Domingo, 30 de março de 2025

Ex-deputado defende investigação sobre as mortes de Jango, Juscelino e Carlos Lacerda



Brasil de Fato
Matéria postada originariamente no Brasil de Fato em 28.MAR.2025 ÀS 19H07

O ex-deputado João Goulart Filho, filho do presidente deposto pelo Golpe Militar de 1964, João Goulart, relembrou a relação do pai com o também deputado federal Rubens Paiva, preso e morto pela ditadura militar. Em entrevista ao programa Bem Viver, no quadro Conversa Bem Viver, Goulart Filho destacou a amizade e a militância política dos dois parlamentares.

Ele recorda que seu pai e Rubens Paiva eram filiados ao PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e mantinham um forte laço de companheirismo dentro e fora do parlamento. Segundo ele, ambos se mantiveram fiéis às suas convicções políticas, especialmente ao enfrentar adversários em comum.

Antes do golpe de 1964, o governo de João Goulart incentivou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o financiamento estrangeiro de candidaturas oposicionistas.

“Foram eleitos 174 com dinheiro estrangeiro, com dinheiro vindo diretamente do Departamento de Estado para financiar parlamentares que estivessem contra o governo João Goulart, para que as reformas de base não fossem implantadas. E isso vazou, em certo momento vazou. E o meu pai, o presidente Jango, pediu à bancada do PTB que instalasse a CPI do Ibade. E essa CPI foi relatada, ele pediu que o Rubens Paiva relatasse essa CPI para se investigar aqueles deputados e senadores que foram eleitos com dinheiro de multinacionais e dinheiro de um caixa dois do Departamento de Estado americano.”

Para Goulart Filho, o filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que retrata a jornada de Eunice Paiva em busca da verdade sobre o marido, cumpre um papel essencial ao manter viva a memória da ditadura e destacar a necessidade de justiça para as vítimas do regime.

“A importância desse filme é exatamente trazer de novo a história e memória da tragédia que foi o golpe de Estado, da tragédia que são os golpes em geral, a tragédia que nós não podemos repetir”, afirmou.

Ele alertou ainda para a persistência da ameaça golpista no Brasil e criticou a falta de conhecimento histórico entre os mais jovens.

quinta-feira, 25 de abril de 2024

DIREITOS DO CIDADÃO —Procuradores ressaltam compromisso do MPF em contribuir para que sociedade conheça o que houve durante a ditadura

Quinta, 25 de abril de 2024

Evento ocorrido em Porto Alegre (RS) permitiu ainda que membros da instituição apresentassem resultados de sua atuação nos estados da Região Sul

Foto de um palco com piso amadeirado com cinco poltronas pretas perfiladas, nas quais estão sentados quatro homens de terno e gravata e duas mulheres (uma segura e fala em um microfone e a outra está com um notebook no colo). Atrás eles, há cinco bandeiras perfiladas - do Brasil, dos três estados da Região Sul e do Ministério Público da União). À direita, ainda aparece um telão com a arte do evento Memória & Verdade

Fotos: Comunicação/MPF









Do MPF

“Para haver Justiça de Transição, é necessário que o Brasil reconheça o que se passou durante o período da ditadura militar iniciada em 1964”. Com essa fala, a procuradora regional da República Daniele Cardoso Escobar, coordenadora do Núcleo de Apoio Operacional (Naop) da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) na 4ª Região, que engloba os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, destacou a importância da atuação do Ministério Público Federal (MPF) na apuração das graves violações de direitos humanos ocorridas no período. A afirmação foi feita na abertura do evento “Memória e Verdade na 4ª Região”, realizado nesta terça-feira (23), no auditório da Procuradoria Regional da República da 4ª Região, e que teve como objetivo prestar contas sobre a atuação do MPF na temática.

O evento contou com a participação dos procuradores regionais dos Direitos do Cidadão Enrico Rodrigues de Freitas (RS), Fábio de Oliveira (SC), Indira Bolsoni Pinheiro e Hayssa Kyrie Medeiros Jardim (PR), que atuam na 4ª Região. Também participaram a procuradora regional dos Direitos do Cidadão de São Paulo, Ana Letícia Absy, o procurador regional da República Paulo Gilberto Leivas e o procurador federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), Carlos Alberto Vilhena.

Daniele Escobar destacou a importância de o MPF promover a ação neste momento que o golpe de 1964 acaba de completar 60 anos e que ainda há muito por se fazer. “São muitas violações de direitos causadas pela ditadura que precisam ser reparadas. É uma obrigação do MPF falar sobre elas para que nunca mais se repitam”, ressaltou.

domingo, 31 de março de 2024

DITADURA NUNCA MAIS! Artigo | Brasil, quantas vezes mais?

Domingo, 31 de março de 2024
"Rememorar o passado não é uma afronta às Forças Armadas ou ao Estado brasileiro". - Site Memória da Ditadura

"Se queremos desassociar do presente qualquer resquício de um passado vergonhoso, não devemos ocultar esse passado"

Maninha* e Raphael Sebba*
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 31 de março de 2024 às 19:33

Engana-se quem pensa que a história está a serviço do passado. Afinal, os acontecimentos consumados não dependem da leitura atual: a ascensão e queda do império romano, a colonização das Américas, a Copa do Mundo de 1970 e quaisquer outros episódios históricos não mudarão, independente da interpretação que fizermos deles. O que muda é a forma como nós percebemos esses acontecimentos e como eles afetam nossas decisões futuras, os valores que assumimos, as noções do que é justo ou injusto, certo ou errado, aceitável ou absurdo.

Em 2024 completam-se 60 anos do dia em que uma coalizão civil-militar achou que era aceitável depor um presidente democraticamente empossado. Depois, considerou aceitável criminalizar partidos, dissolver o Congresso, impor censura, sequestrar opositores, torturar, desaparecer e matar quem ousasse existir sem se submeter aos seus ditames. Quem resistiu e ousou enfrentar a ditadura militar pagou um alto preço. Uns com a própria vida. Outros, marcados para sempre em decorrência da tortura e perseguição sofrida.


A memória não trará de volta os filhos desaparecidos às suas mães, não vai fazer florescer todo potencial que não pôde ser exercido pelas gerações que cresceram em uma ditadura, nem vai fazer com que a dor já sentida deixe de existir.

Rememorar não é ingenuamente querer alterar o que já está consumado.
Os criminosos da ditadura, em sua maioria, já foram vitoriosos. Já viveram suas vidas e mantiveram as mentiras que precisaram manter: receberam homenagens, constituíram patrimônio, foram vistos com orgulho. Eles nunca responderão pelos atos praticados, porém, a história da resistência popular é maior do que a história contada nos quartéis desde 1964.

Ainda assim, seus herdeiros políticos não aceitam que as Comissões da Verdade e sobre Mortos e Desaparecidos funcionem. Não aceitam que a história seja contada, que o Brasil e o mundo saibam profundamente tudo o que aconteceu. Se incomodam porque sentem vergonha? Ou porque defendem esses acontecimentos históricos de forma covarde, escondendo os fatos e consequências reais dos ideais políticos que acreditam? A mentira é uma ferramenta indispensável ao seu projeto. A verdade é um obstáculo ao seu êxito.

A história enfraquece quem, envergonhada ou declaradamente, tem saudosismo pelos anos de chumbo e no íntimo adoraria ver o país novamente subjugado à brutalidade daquele tempo. Os que flertam com autoritarismo compreendem a força da memória, por isso a combatem. Possuem a compreensão que lideranças democráticas não têm quando a tratam com ingênuo e perigoso desdém.

Rememorar o passado não é uma afronta às Forças Armadas ou ao Estado brasileiro. Pelo contrário: é a sua redenção. Se queremos desassociar do presente qualquer resquício de um passado vergonhoso, não devemos ocultar esse passado, mas retratá-lo como o que foi: uma experiência terrível, algo que não é e nem poderá ser novamente possível. Foi esse o caminho adotado pela Alemanha pós-nazismo, foi esse o caminho adotado por vizinhos latino-americanos que também viveram seus traumas ditatoriais.

O 8 de janeiro não foi apenas um episódio pontual: foi um aviso do que pode se tornar a política brasileira se não tivermos a coragem de romper de vez com esse fantasma do passado.


Os atentados autoritários, embora não tenham sido bem-sucedidos, revelam um terreno propício para que ideais antidemocráticas floresçam, contaminem o discurso público, mobilizem milhares de pessoas e envolvam até altas autoridades militares.

Devemos nos perguntar: quantas vezes mais teremos que testemunhar o surgimento de ditaduras antes que governos democráticos percebam que sem memória não há democracia?

*Raphael Sebba é sociólogo e mestre em Arquitetura e Urbanismo

**Maninha é ex-deputada federal, médica e fundadora do Movimento Geração de 68


*** Este é um artigo de opinião. A visão dos autores não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato - DF.




Edição: Flávia Quirino

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Para não esquecer: MPF lança documentário sobre atuação do GT Justiça de Transição no combate a crimes cometidos durante a ditadura militar

Quinta, 11 de janeiro de 2024
Arte: Comunicação/MPF

Do MPF

Produção inédita será veiculada nesta sexta-feira (12), às 20h, na TV Justiça, e no sábado (13), às 14h, no Canal MPF no YouTube

O regime militar no Brasil teve início em 1º de abril de 1964 e durou até 15 de março de 1985. Desde de 1999 o Ministério Público Federal (MPF) trabalha buscando a responsabilização dos agentes que cometeram crimes no período, a reparação das vítimas e a garantia do direito à memória e à verdade. Essa atuação foi reforçada com a criação do Grupo de Trabalho (GT) Justiça de Transição, em 2011. Nesta sexta-feira (12), às 20h, vai ao ar, pela TV Justiça, o documentário inédito Para Não Esquecer, que traz relatos de membros do MPF sobre a época da ditadura e da atuação desses na Justiça de Transição.

O curta-metragem foi produzido com trechos de depoimentos que compõem o acervo audiovisual do Memorial do MPF no Rio de Janeiro, inaugurado em outubro de 2023, e relembra o emblemático caso da Guerrilha do Araguaia, apontado como o ponto de partida de procuradores da República no resgate da memória e da verdade de um período marcado pelo desaparecimento e pelo medo.

O documentário traz também depoimentos de artistas plásticos que sofreram com a repressão em 1968, a noção de como foi um período vivido pela sociedade brasileira de graves violações de direitos humanos e qual o caminho para que isso nunca mais volte a acontecer.

No sábado (13), às 14h, a produção estará disponível no Canal MPF no YouTube.

SERVIÇO
Documentário Para Não Esquecer
Pré-estreia: sexta-feira (12/01), às 20h, na TV Justiça
Estreia: sábado (13/01), às 14h, Canal do MPF no YouTube.