“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 30 de novembro de 2021

Encontro no Paraíso

Terça, 30 de novembro de 2021

No ano de 2010, começou outra conferência mundial, a de número mil e um, em defesa do meio ambiente.
Como de costume, os exterminadores da natureza lhe recitaram poemas de amor.
Aconteceu em Cancun.
Melhor lugar impossível.
À primeira vista, Cancun é um cartão-postal, mas essa aldeia de pescadores se transformou, no último meio século, num modernoso e gigantesco hotel de trinta mil quartos, que no caminho da sua prosperidade esmagou dunas, lagos, praias virgens, bosques virgens, manguezais e todos os obstáculos que a natureza colocava diante de seu exitoso desenvolvimento. Até a areia das praias foi sacrificada, e agora Cancun compra areia alheia.

Eduardo Galeano, no livro ‘Os filhos dos dias’. L&PM Editores, 2ª Ed. Pág. 376.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Dia da Terra

Abril 22
Dia da Terra
Certa vez, Einstein disse:
— Se as abelhas desaparecessem, quantos anos de vida sobrariam para a terra? Quatro, cinco? Sem as abelhas não há polinização, sem polinização não há plantas, nem animais, nem gente.
Ele falou isso numa roda de amigos.
Os amigos riram.
Ele, não.
E agora acontece que existem cada vez menos abelhas no mundo.
E hoje, Dia da Terra, vale a pena lembrar que isso não acontece por vontade divina nem maldição diabólica, e sim
por causa do assassinato dos bosques nativos e da proliferação dos bosques industriais,
por causa dos cultivos de exportação, que proíbem a diversidade da flora,
por causa dos venenos que matam as pragas enquanto matam a vida natural,
por causa dos fertilizantes químicos que fertilizam o dinheiro e esterilizam o solo,
e por causa das radiações de alguns aparelhos que a publicidade impõe à sociedade de consumo.
                  Eduardo Galeano, no livro Os filhos dos dias (Um calendário histórico sobre a humanidade), Editora L&PM, 2012, página 136