Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 7 de julho de 2023

MPF quer retirada de conteúdo discriminatório do pastor André Valadão do YouTube e do Instagram; falas transhomofóbicas

Sexta, 7 de julho de 2023

Pastor fez discurso de ódio contra população LGBTQIA+ nas redes sociais; ação pede, ainda, indenização de R$ 5 mi por danos morais coletivos

Arte: Comunicação/MPF

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça que determine a imediata remoção de conteúdos que englobam discursos de ódio proferidos pelo pastor André Valadão nas plataformas YouTube e Instagram. Utilizando as redes sociais, Valadão fez declarações discriminatórias contra a população LGBTQIA+, inclusive incitando a violência física. Na ação, o MPF também pede a condenação do pastor para que arque com os custos de produção e divulgação de contrapontos aos discursos feitos, a retratação pelas ofensas, e o pagamento de R$ 5 milhões por danos morais coletivos.

Durante o mês de junho deste ano, o pastor André Valadão fez, em seus perfis nas redes sociais, a campanha “Orgulho não” ou “No Pride”. As postagens fazem clara referência discriminatória à população LGBTQIA+, uma vez que a palavra orgulho aparece nas cores da bandeira símbolo do movimento. Em culto religioso transmitido ao vivo pelo YouTube, em 4 de junho, André Valadão associa, em vários momentos, as vivências das pessoas homoafetivas a um comportamento desviante, pecaminoso, imoral e, portanto, algo a ser odiado e rechaçado. Durante a pregação, o pastor ofende a honra e a dignidade dos LGBTQIA+ com expressões como amaldiçoados, nojentos, antinaturais e dignos de ódio.

Já em 2 de julho, também em transmissão ao vivo, Valadão subiu mais um degrau na escalada de ódio e violência, incitando os fiéis a matarem pessoas LGBTQIA+. Em trecho do culto, após mencionar “que se Deus pudesse mataria todos pra começar tudo de novo”, o pastor diz: “Tá com você. Sacode uns quatro do teu lado e fala: vamos pra cima!”. A fala do líder religioso é clara ao estimular os cristãos a repudiarem e a atacarem fisicamente essa coletividade de pessoas que, socialmente, já se encontra em situação de vulnerabilidade social.

Na ação, o MPF ressalta que o que se vê na pregação divulgada em várias redes sociais ultrapassa em muito a liberdade religiosa e de expressão. Destaca-se o tom agressivo e permeado de ataques à população LGBTQIA+, com a intenção de estimular os fiéis a estigmatizar, isolar e ir pra cima pra matar tais pessoas. Inclusive, outros pastores criticaram a propagação de discurso de ódio de Valadão, condenando o uso descontextualizado de trechos da Bíblia para justificar as falas transhomofóbicas.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Autora da ação judicial da "cura gay" é assessora de deputado apadrinhado por Malafaia

Quarta, 20 de setembro de 2017
Do Esquerda Diário
Fernando Pardal
Rozangela Alves Justino, a "psicóloga" autora da ação judicial que gerou a liminar que autoriza a "cura gay", ocupa desde 2016 um cargo no gabinete do deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), membro da bancada evangélica ligado ao pastor notoriamente homofóbico Silas Malafaia.

Sim, aquela mesma "psicóloga" que comparou a militância LGBT ao nazismo, e fala que sofreu a "conspiração gay" do Conselho Federal de Psicologia quando esse a repreendeu por sua tentativa, em 2009, de sair publicamente fazendo propaganda da sua terapia para "curar" gays, como nessa bizarra entrevista à Veja.

sábado, 15 de julho de 2017

Fundamentalismo evangélico e integralismo católico: um "ecumenismo do ódio"

Sábado, 15 de julho de 2017

Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos

"O fenômeno de ecumenismos opostos, com percepções contrapostas da fé e visões de mundo em que as religiões desempenham papéis irreconciliáveis talvez seja o aspecto mais desconhecido e, ao mesmo tempo, mais dramático da difusão do fundamentalismo integralista. É nesse nível que se compreende o significado histórico do empenho do pontífice contra os ‘muros’ e contra toda forma de ‘guerra religiosa’.”
A opinião é do jesuíta italiano Antonio Spadaro, diretor da revista La Civiltà Cattolica, e do pastor presbiteriano argentino Marcelo Figueroa, diretor da edição argentina do jornal L’Osservatore Romano.

sábado, 23 de julho de 2016

'Não sou eu que estou dizendo. É Deus', diz pastor acusado de homofobia por placa

Sábado, 23 de julho de 2016
Ele pendurou em frente a igreja trecho do Levíticos, da Bíblia. MP investiga caso
Do www.correio24horas.com.br (Bahia)
Por Alexandre Lyrio

Ele diz que Jean Wyllys é “digno da misericórdia divina”, bota fé nas lutas de Bolsonaro e Magno Malta e faz cara de nojo ao narrar uma cena de novela em que viu “dois homens se pegando”. “Afff. Não sei como um homem é capaz de se pegar com o outro. Você gosta de homem?”, me perguntou o pastor Milton, que pendurou na fachada de sua igreja uma placa com uma inscrição considerada homofóbica por moradores de Porto Sauípe, distrito de Entre Rios, a 70 quilômetros de Salvador. 
Pastor Milton (Foto: Alexandre Lyrio/CORREIO)

“Em que sentido, pastor?”, retruquei. “No sentido sexual mesmo”. “Não, não, pastor. Eu gosto de mulher. Mas se gostasse de homem isso não faria a menor diferença”. Ontem, no final da tarde, a placa continuava lá. E, se depender dele, vai ficar ali por muito tempo. “Não vou me intimidar. Não tem lei que tire essa placa daí. Conheço a constituição. Tenho direito à liberdade de expressão”, afirmou o líder religioso.

Como mostra a foto, a placa cita trecho do livro de Levítico, capítulo 20, versículo 13, do Velho Testamento. “Se um homem tiver relações com outro homem, os dois deverão ser mortos por causa desse ato nojento; Eles serão responsáveis pela sua própria morte”. O pastor nega que os dizeres incitem a violência, a homofobia ou incentivem a discriminação.

“Não sou eu que estou dizendo. É Deus. Aí tem que pegar Deus e botar atrás das grades. Diante de Deus, o homossexualismo é pecado. Mas isso não quer dizer que os homossexuais têm que ser mortos. Eles precisam ser salvos. Ali é o ponto de vista de Deus”, diz o pastor. “Mas, o cidadão comum que lê isso aí não pode interpretar como um incentivo à homofobia?”, indaguei.

“Não, não. Mais de 80% da nossa população é católica ou protestante. Todo mundo tem a Bíblia. Se fosse na época do Velho Testamento, era para ser morto mesmo. Apedrejado! Deus condena o homossexualismo, o lesbianismo”, repetiu várias vezes. “Se naquela época era para ser apedrejado, hoje é para ser o que?”. “Hoje é para ser salvo”, insistiu.

“Mas, de tantos escritos e livros da Bíblia, porque destacar este?”. “Porque a coisa tá mudando muito rápido. Os programas de televisão incentivam. Para uma criança, um menino desse aí, isso é normal. Os gays tão morrendo tudo de Aids e ninguém faz nada”, disse o pastor, novamente demonstrando um semblante de nojo. “Falo assim porque quando eles morrerem vão paro o inferno. Eu quero que eles sejam salvos”.

Milton França, 58 anos, é do bairro da liberdade, em Salvador, e mora há seis anos em Porto Sauípe. Ele fazia parte da Congregação Batista Bíblica Salém, que existe há 23 anos. Há um ano, decidiu abrir uma igreja independente e criou o Templo Bíblico Batista Salém. Além dessa placa, há outra que também foi fixada na frente do tempo religioso com a frase em tom de ameaça: “Você é livre para fazer suas escolhas, mas não é livre para escolher as consequências”. 

Veja trecho da fala do pastor:

Quem pode sofrer as consequências do seu ato é o próprio pastor. A promotora Márcia Teixeira, que coordenada o Centro de Apoio dos Direitos Humanos do Ministério Público da Bahia, encaminhou denúncia para o promotor criminal de Entre Rios, que vai analisar o caso e pode indicar a abertura de inquérito policial.

“A liberdade religiosa não autoriza ninguém a fazer apologia ao crime”, defende a promotora. Caso haja uma condenação criminal por incitação ao crime, o pastor pode ser condenado à pena de 3 meses até 2 anos de prisão. O presidente da Comissão de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados da Bahia (OAB-BA), Filipe Garbelotto, criticou a postura da igreja.

Para Garbelotto, a igreja alterou a tradução da frase para estimular a violência. “Não é uma mera reprodução do que está escrito na Bíblia. O texto foi modificado. Ele (o pastor) edita o texto para deixá-agressivo. Está clara a incitação à violência. Ele convoca para que os homossexuais sejam mortos. Isso extrapola qualquer limite da expressão de liberdade religiosa”, afirmou.

O canal LGBT Me Salte, do CORREIO, consultou dez bíblias – com variadas traduções físicas e on line – e em todas a frase é escrita de outra maneira. Na tradução da bíblia por João Ferreira de Almeida, que é uma das mais respeitadas, o trecho diz: “O homem que se deitar com outro homem como se fosse uma mulher, ambos cometeram uma abominação, deverão morrer, e seu sangue cairá sobre eles”. No local, porém, o pastor mostrou à nossa reportagem uma bíblia com escritos idênticos aos da placa.

O presidente da comissão da OAB ressalta ainda que o pastor responsável pela igreja, deve responder civil e criminalmente por isso. “Isso que aconteceu da porta pra fora da igreja é reflexo do momento de preconceito que estamos vivendo na nossa sociedade. A OAB está acompanhando o caso para que haja punição”, explicou o advogado.

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O texto abaixo, reproduzido do Blog do Arretadinho, foi incluído nesta postagem às 12h38, e se refere à postura homofóbica do tal pastor baiano.

Placa de igreja diz que gays devem morrer