Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 6 de setembro de 2020

Economia deve colocar as pessoas acima dos “ídolos das finanças”, diz Papa Francisco

Domingo, 6 de setembro de 2020


do IHU
Instituto Humanitas Unisinos
Enquanto muitas pessoas ao redor do mundo enfrentam incertezas econômicas devido à pandemia, é necessária uma mudança de paradigma que coloque o bem de muitos acima dos benefícios de poucos, disse o Papa Francisco.
A reportagem é de Junno Arocho Esteves, publicada em Catholic News Service, 04-09-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Como um conceito geral, a economia deveria se tornar “expressão de ‘cuidado’, que não exclui, mas inclui, não mortifica, mas vivifica”, disse o papa no dia 4 de setembro, em uma mensagem aos participantes de um fórum internacional promovido pela European House - Ambrosetti, um think tank econômico com sede em Roma.

sábado, 22 de agosto de 2020

Steve Bannon, o charlatão que inspirava a direita

Sábado, 22 de agosto de 2020
Ateus que fingem ser religiosos. Patriotas que desprezam a história nacional. Fascistas sem a coragem de admitir isso.
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Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos

Com a maldade, fazem-se bons negócios no mercado da credulidade popular. E somos especialistas nisso na Itália. Estilo simpático, insidiosa, de aspecto machão desleixado, pronta para camuflar as infâmias que profere como piadas – porque agora o perfil hitleriano-mussoliniano atrai apenas os fanáticos –, e você encontrará imediatamente alguém que lhe oferecerá um pedestal para as suas ofertas especiais.
A reportagem é de Gad Lerner, publicada em Il Fatto Quotidiano, 21-08-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Steve Bannon é um charlatão que conseguiu arrecadar 25 milhões de dólares com a venda online de tijolinhos da maldade: 330.000 pessoas caíram nessa. “We build the wall” [Nós construímos o muro]: abram as carteiras que nós cuidaremos da construção do muro de fronteira. Para afastar os imigrantes do México que, na campanha eleitoral, Donald Trump definia como “ladrões, traficantes e estupradores”, incentivado pelo próprio Bannon.

domingo, 24 de novembro de 2019

A mentira da década

Domingo, 24 de novembro de 2019
Do
Instituto Humanitas Unisinos
Uma das maiores mentiras da última década foi a de que a Reforma Trabalhista geraria milhares de empregos. Na pratica o que se viu foi o contrário, a Reforma contribui para o agravamento nas condições de contratação, escreve Cesar Sanson, professor na área da sociologia do trabalho, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN.
O ex-presidente Michel Temer (centro) junto a ministros e parlamentares no evento em que foi sancionada a reforma trabalhista, em 13 de julho de 2017. Foto: Agência Brasil.
Eis o artigo.
Caso fossemos catalogar as maiores mentiras dos últimos anos, uma delas estaria entre as maiores, senão a maior. A mentira de que a Reforma Trabalhista iria gerar a criação de seis milhões de emprego. A afirmação foi dada à época, outubro de 2017, pelo então ministro da Fazenda do governo TemerHenrique Meirelles.
Reforma Trabalhista, aprovada no governo Temer em tempo recorde, desmontou por completo a CLT e instaurou a completa flexibilização nas relações de trabalho, particularmente nas modalidades de contrato, uso da jornada e remuneração do trabalho. Abriu-se a porteira para o vale tudo no mercado de trabalho.
O fato é que efetivamente a Reforma Trabalhista, que completou dois anos, não gerou empregos. Antes dela, o país tinha 12,7 milhões de desempregados e hoje tem 12,5 milhões. Destaque-se, porém, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE que foram os empregados sem carteira assinada e trabalhando por conta própria que puxaram essa ínfima redução.

A mentira foi grande. Não apenas não gerou empregos, como destruiu empregos formais. A informalidade nunca foi tão grande. Atingiu 41,4% da população ocupada, ou 38,8 milhões de brasileiros.

sábado, 15 de junho de 2019

Condenado por abusos sexuais contra meninas indígenas recebe homenagem da Comissão da Mulher de São Gabriel

Sábado, 15 de junho de 2019
Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos

Manuel Carneiro e os dois irmãos levaram uma pena que totaliza mais de 100 anos de prisão.
A reportagem é de Elaíze Farias e Elvira Eliza França, publicada por Amazônia Real, 06-06-2019.
 O vereador Feliciano Borges, à esquerda, entregando o diploma da homenagem a Manuel Carneiro. (Foto: CM SGC)
O comerciante Manuel Carneiro Pinto, um dos quatro condenados pela Justiça Estadual do Amazonas por um dos crimes mais graves previstos no Código Penal, os abusos sexuais contra meninas indígenas de São Gabriel da Cachoeira (a 885 quilômetros de Manaus), foi homenageado pela Câmara do Município. Carneiro, que foi condenado a 29 anos de reclusão em regime fechado, mas está em liberdade por força de recursos, recebeu o título de Guardião da Fronteira da Cabeça do Cachorro em uma sessão solene realizada em 29 de maio.
Quem entregou o título ao comerciante foi o vereador e militar reformado do Exército brasileiro, Feliciano Borges (PROS), conforme divulgou o site Fato Amazônico.
Segundo registro na página da Câmara Municipal de São Gabriel no Facebook, a concessão do “título de honraria” dada ao comerciante Manuel Carneiro Pinto e mais 25 pessoas, foi uma decisão da Comissão dos Direitos da Mulher. O objetivo foi homenagear aquelas pessoas que contribuíram com o desenvolvimento do município de São Gabriel da Cachoeira AM, “tanto na parte política, empresarial e eclesiástica”.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Benefícios econômicos gerados pela mineração não revertem em desenvolvimento humano. Entrevista especial com Heloísa Pinna Bernardo

Quinta, 31 de janeiro de 2019


Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos

Por: Patricia Fachin | Edição: Vitor Necchi
A expressão “maldição da mineração” refere-se a um fenômeno observado nos municípios onde ocorre este tipo de atividade. Uma parcela do efeito positivo que decorre do incremento da economia “é absorvida pelos efeitos negativos da atividade que seriam os impactos sobre o meio ambiente e sobre a saúde das pessoas”, além de geração de subempregos e má distribuição de renda. Nas regiões de base mineral, as taxas de crescimento são inferiores às das regiões nas quais a atividade é inexpressiva.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Não são os ativistas ou o Ibama que emperram as grandes obras, são estudos ambientais mal feitos

Terça, 25 de dezembro de 2018

Fontes
IHU  — Instituto Humanitas Unisinos / The Intercept Brasil

"As propostas de solução para o “problema” são um show de horrores: temos que escolher entre uma ampla flexibilização da legislação ou o estabelecimento de prazo máximo para a emissão de licenças. Se o órgão X não se manifestar no tempo Y, é como se não houvesse discordância e o licenciamento é feito por W.O", escreve André Aroeira, biólogo e mestre em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre pela UFMG, em artigo publicado por The Intercerpt Brasil, em 18-12-2018.

Eis o artigo

Dentre vários derrotados nas eleições brasileiras de 2018, um em especial já havia perdido a disputa bem antes do primeiro turno. A rara unanimidade de candidatos e programas à direita e à esquerda, conservadores e até autointitulados liberais garantiu a vitória contra o licenciamento ambiental.
Prevalece entre os setores políticos, em especial no legislativo, e em parte da sociedade, a percepção de que o licenciamento é culpado por não termos estradas suficientes, ferrovias, linhas de transmissão, portos, usinas, indústrias, importantes projetos minerários. Se a greve dos caminhoneiros parou o país, disseram os oportunistas, boa parte da culpa é das licenças para modais alternativos que nunca saem. A ferrovia ferrogrão, a BR-319, o linhão de Tucuruí e os novos blocos do pré-sal estariam aí para comprovar como o licenciamento é um entrave ao desenvolvimento do país.
As propostas de solução para o “problema” são um show de horrores: temos que escolher entre uma ampla flexibilização da legislação ou o estabelecimento de prazo máximo para a emissão de licenças. Se o órgão X não se manifestar no tempo Y, é como se não houvesse discordância e o licenciamento é feito por W.O.

domingo, 7 de outubro de 2018

Nadia Murad, um Nobel à coragem de uma ''memória viva'' dos massacres do ISIS

Domingo, 7 de outubro de 2018
Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos

Comitê de Oslo concedeu o Nobel da Paz de 2018 a Denis Mukwege e Nadia Murad. A jovem Yazidi sofreu repetidos estupros dos milicianos. Após a fuga, soube encontrar a coragem para denunciar a loucura jihadista.
A reportagem é de Asia News, 05-10-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Um reconhecimento à coragem de “um símbolo e uma memória viva” das violências e dos massacres sofridos por uma população inteira. E o convite a “cuidar das muitas vítimas que ainda esperam enfrentar os traumas pelos abusos sofridos”. É assim que o Pe. Samir Youssef, pároco da diocese de Amadiya (Curdistão), comenta a AsiaNews a atribuição do Prêmio Nobel da Paz de 2018 a Nadia Murad, uma jovem Yazidi vítima de violências e estupros nas mãos do Estado Islâmico (IS, ex-ISIS).
Nos últimos anos, o sacerdote caldeu cuidou de milhares de refugiados cristãos, muçulmanos, yazidis que deixaram suas casas em 2014 para fugir dos milicianos do“Califado”. E viu com seus próprios olhos as devastações sofridas pelas vítimas, muitas vezes mulheres jovens – até mesmo menores de idade – tratadas como verdadeiras escravas sexuais pelos jihadistas.
Nadia Murad (Foto: Asia News)
Na manhã dessa sexta-feira, 5, o Norwegian Nobel Institute de Oslo atribuiu o Prêmio Nobel da Paz ao médico e ativista congolês Denis Mukwege e à ativista Yazidi Nadia Murad. Como afirmam as motivações que levaram à atribuição do reconhecimento, o comitê quis premiar “o compromisso contra o estupro como arma de guerra”. De fato, a violência sexual já é reconhecida como arma usada pelos soldados e é frequentemente associada a massacres ou genocídios de populações inteiras, como aconteceu no Iraque contra a minoria Yazidi.
Nadia Murad, hoje com 25 anos, foi sequestrada em agosto de 2014 no seu vilarejo natal de Kocho, perto de Sinjar, e transferida para Mosul, por muito tempo capital e fortaleza do ISIS no Iraque. Durante o cerco dos jihadistas ao Monte Sinjar, a jovem perdeu seis irmãos e a mãe. Na capital do “Califado”, ela sofreu repetidos estupros e torturas, junto com milhares de outras jovens, algumas delas menores de idade.
Durante o aprisionamento, ela foi espancada, queimada com bitucas de cigarro, estuprada várias vezes. Tendo conseguido fugir aproveitando-se de uma distração dos seus algozes, refugiou-se junto de uma família da região, que a ajudou a chegar a um campo de refugiados em Dohuk, no Curdistão iraquiano.
Em setembro de 2016, ela se tornou a primeira embaixadora da ONU para a dignidade dos sobreviventes do tráfico de seres humanos; um mês depois, ela recebeu o Prêmio Sakharov – a mais alta honraria da União Europeia em termos de direitos humanos – pelo seu compromisso em favor das vítimas.
O povo Yazidi, uma minoria étnico-religiosa no país árabe, está entre aqueles que sofreram em maior medida os crimes das milícias extremistas sunitas do Daesh[acrônimo árabe para o IS], equiparáveis, de acordo com alguns ativistas, a um verdadeiro “genocídio”.
Nadia Murad Basee (junto com Lamiya Aji Bashar) teve a coragem e a força de contar ao mundo o horror sofrido, junto com milhares de outras mulheres, até mesmo menores de idade, sob o jogo jihadista.
“Este prêmio, para o qual o Patriarca Sako também era candidato, é bonito e nos deixa felizes e orgulhosos”, conta o Pe. Samir. Essa designação, continua o sacerdote, é “um sinal de encorajamento, um hino à vida e à esperança após o drama sofrido sob o Daesh”.
Não só para os Yazidi, mas também para “todas as minorias, incluindo a cristã, que tiveram que sofrer a guerra, o terrorismo, os estupros” como armas de guerra. Nadia Murad, afirma, “ensina a todos nós que a vida continua mais forte do que as experiências negativas, que continua apesar do mal e que deve estar unida a um perdão que é fonte de reconciliação”. Sua força e sua coragem “são um sinal do amor de Deus”.
Para o Pe. Samir, o Prêmio Nobel da Paz para Nadia Murad é um convite a “conhecer as histórias de sofrimento e perseguição” que se repetiram nestes anos no Iraque. E um convite a contar. “Eu mesmo – sublinha – conheço muitas jovens que sofreram as mesmas violências e nunca encontraram a força para falar sobre isso. Nós apenas derramávamos lágrimas silenciosas e cheias de vergonha. A esperança – conclui o Pe. Samir – é que o mundo preste mais atenção ao seu drama, aos seus sofrimentos e se esforce para que possam receber uma ajuda adequada e caminhos voltados a ajudá-las a superar o trauma. Ainda hoje, no Iraque, existem centenas de Nadia Murad”.
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Leia também:

domingo, 16 de setembro de 2018

O "voto católico" em Jair Bolsonaro e a instrumentalização da fé

Domingo, 16 de setembro de 2018
Do 
IHU
Instituto Humanitas Unisinos

"Qual a coerência ética e moral de justificar o voto em Jair Bolsonaro, em razão de sua suposta defesa de valores evangélicos como 'a vida', se tal defesa restringe-se apenas a defesa da vida do nascituro ante a questão da descriminalização do aborto, mas desconsidera uma gama de outras formas de atentado à vida, como as inúmeras apresentadas neste texto? A defesa da vida é uma postura integral. Ou defendemos todas as vidas de todas as pessoas, em todos os seus estágios e independentemente de suas condições socioeconômicas, ou não defendemos a vida, mas barganhamos seu direito, o direito de viver e viver com abundância". 
O comentário é de Danillo Silva, mestre e doutorando em Letras/Linguística Aplicada pela Universidade Federal de Sergipe,  professor de Língua Portuguesa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Alagoas (IFAL) e de Linguística e Linguística Aplicada do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Católico leigo, tem se dedicado ao serviço pastoral de formação e ensino na Arquidiocese de Aracaju, Sergipe, desde 2007, atuando sobretudo em temas relacionados à doutrina e à espiritualidade católicas em diálogo com os desafios sociais e políticos do tempo presente.

Eis o artigo. 

A ninguém é permitido invocar exclusivamente em favor da própria opinião a autoridade da Igreja. Mas proporem sempre esclarecer-se mutuamente, num diálogo sincero, salvaguardando a caridade recíproca e atentos, antes de tudo, ao bem comum (GS 43).
Com a proximidade do pleito eleitoral de 2018 e, com ele, o início da corrida presidencial, os católicos do Brasil se veem às voltas na hora de escolherem seus representantes. Velhos modelos elitistas, corrupção legitimada, apatia e nanismo político, propostas utópicas, protofascismo. Enfim, o cenário é desolador e, longe de encher os olhos, traz ainda outros desafios cruciais relativos ao complexo discernimento de candidatos ou candidatas que estejam afinados com as premissas da fé católica, especialmente naqueles pontos mais delicados, para a opinião pública, acerca de sua doutrina moral, a exemplo da despenalização do aborto e do avanço de direitos sociais de minorias sexuais e de gênero.
Embora tenha começado por aí, não trago nenhuma fórmula pronta ou cartilha de como fazer um “voto católico”, uma vez que quando adentramos o terreno da consciência e suas escolhas éticas e morais estamos sempre diante de um chamado particular à liberdade e à responsabilidade. Em quem votar? Qual candidato tem propostas mais alinhadas à fé católica e suas premissas? O que me choca, como pessoa humana, como católico e educador implicado na defesa de direitos humanos, é que para muitos dos meus irmãos e irmãs na fé, a resposta a essas perguntas tem o nome de Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL). Vejam que me detenho não na escolha de seu nome para a presidência simplesmente, o que já seria naturalmente contraditório, mas que isto seja feito sob argumentos religiosos.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Grupo “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” publica carta contra o ódio, a violência e a intolerância

Sexta, 14 de setembro de 2018

Do IHU
Insituto Humanitas Unisinos
O grupo de Facebook “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, que alcançou um milhão de integrantes em menos de uma semana, publicou e enviou para a imprensa uma carta atacando a campanha de ódio do ex-capitão.

Eis a carta.

O Brasil vive um momento especialmente dramático de sua história. Nas eleições mais conturbadas após o fim da Ditadura civil militar, assistimos à perigosa afirmação, por um dos candidatos à Presidência, de princípios antidemocráticos, expressos num discurso fundado no ódio, na intolerância e na violência.
Se a posição deste candidato era pública, tendo sido reiteradamente manifesta ao longo dos 27 anos em que vem atuando na Câmara Federal, causa perplexidade a adesão a tais princípios por parte significativa da sociedade brasileira.
O tratamento desrespeitoso dirigido às mulheres, aos negros, indígenas, homossexuais, o culto à violência, a agressão contra adversários, a defesa da tortura e de torturadores, constituem manifestações que devem ser combatidas por aqueles que acreditam nos princípios civilizatórios que possibilitam a existência de uma sociedade democrática e plural.
Neste contexto, nós, mulheres, vítimas de agressões e desqualificações por parte deste candidato, viemos à público expressar nosso mais veemente repúdio aos princípios por ele defendidos, conclamando a população brasileira a se unir na defesa da democracia, contra o fascismo e a barbárie.
Somos muitas, para além de UM MILHÃO que integra este grupo. Defendemos candidatos e candidatas distintas, dos mais diferentes matizes político- ideológicos. Temos experiências e visões de mundo diversas, assim como são distintas nossas idades, orientação sexual, identidades étnico-raciais e de gênero, classe social, regiões do país em que vivemos, posições religiosas, escolaridade e atividade profissional.
Na verdade, nos constituímos como coletivo a partir de uma causa comum, expressa nesta carta: a rejeição à prática política do candidato e aos princípios que a regem. Nos constituímos nas redes sociais, unidas numa corrente crescente e ativa, pela necessidade de tornar pública nossa posição no exercício da cidadania e participação, a partir da identidade feminina que nos congrega.
Nós, mulheres, historicamente inferiorizadas e marginalizadas, sujeitas a toda sorte de violência e desrespeito, recusamos hoje o silêncio e a submissão, herdeiras de uma luta há muito travada por mulheres que nos antecederam.
Somos aquelas que constituem a maioria do eleitorado brasileiro, ainda que sub-representadas na política partidária. Somos aquelas que, gestando e alimentado novas vidas, defendemos o direito de todos e todas a uma vida digna.
Somos aquelas que, temendo pelas nossas vidas, pelas vidas de nossos filhos, filhas, companheiros e companheiras, diante da violência que assola e corrói a sociedade brasileira, somos contra a liberação do porte de armas, que só irá piorar o já dramático quadro atual.
Somos aquelas que, recebendo salários inferiores, com menor chance de contratação e progressão nos espaços de trabalho, entendemos que cabe aos governantes, à semelhança do que já ocorre em muitos países, construir políticas de igualdade salarial entre homens e mulheres.
Somos aquelas que, vítimas de assédio, estupro, agressão e feminicídio, defendemos o direito à liberdade no exercício da vida afetiva e sexual, demandando do Estado proteção e punição aos crimes contra nós cometidos.
Somos aquelas que protestam contra a perseguição e violência contra a população LGBTQ, porque entendemos que cada ser humano tem direito a viver sua identidade de gênero e orientação sexual.
Somos aquelas que se insurgem contra todas as formas de racismo e xenofobia, que defendem um país social e racialmente mais justo e igualitário, que respeite as diferenças e valorize as ancestralidades.
Somos aquelas que combatem o falso moralismo e a censura às expressões artísticas, que defendem a livre manifestação estética, o acesso à cultura em suas múltiplas manifestações.
Somos aquelas que defendem o acesso à informação e a uma educação sexual responsável, através de livros, filmes e materiais que eduquem as crianças e jovens para o mundo contemporâneo.
Somos aquelas que defendem o diálogo e parceria com escolas, professores e professoras na educação de nossos filhos e filhas, sustentados na laicidade, no aprendizado da ética, da cidadania e dos direitos humanos.
Somos aquelas que querem um país com políticas sustentáveis, que respeitem e protejam o meio ambiente e os animais, que garanta o direito à terra pelas populações tradicionais que nela vivem e trabalham.
Somos muitas, somos milhões, somos: 
#MULHERES UNIDAS CONTRA BOLSONARO 
CONTRA O ÓDIO, A VIOLÊNCIA E A INTOLERÂNCIA

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Importância do Brasil na biodiversidade mundial é maior do que se pensava, dizem cientistas

Segunda, 20 de agosto de 2018
Foto: Pixabay

Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos 
Quase um quarto de todos os peixes de água doce do mundo - mais precisamente 23% - estão nos rios brasileiros. Assim como 16% das aves do planeta12% dos mamíferos e 15% de todas as espécies de animais e plantas.
A reportagem é de Camilla Costa, publicada por BBC Brasil, 19-08-2018.
Esses números estão sendo compilados pela primeira vez por cientistas brasileiros após a publicação do estudo O futuro dos ecossistemas tropicais hiperdiversos, divulgado no final de julho na revista Nature.
"Já imaginávamos que o Brasil tinha essa quantidade de espécies, mas os números exatos estavam espalhados em bases de dados muito diferentes pelo mundo. É uma combinação de dados única", disse à BBC News Brasil a bióloga Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, que participou do estudo e lidera os esforços para compilar os dados brasileiros.
"A condição do Brasil é muito única, mas, nas discussões políticas, o papel que o país tem na biodiversidade mundial é pouco considerável. Precisamos de um conjunto de políticas muito mais fortes e atuantes para lidar com essa biodiversidade."
O estudo, realizado por um grupo de 17 cientistas, incluindo quatro brasileiros, é a maior revisão de dados sobre a biodiversidade nos trópicos, segundo o biólogo marinho, zoólogo e botânico britânico Jos Barlow, da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, que liderou a pesquisa.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A saga dos moradores de rua em São Paulo por um copo d'água

Quarta, 15 de agosto de 2018


Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos
O termômetro marcava 13ºC quando Maria Elisabete da Silva, de 31 anos, acordou na madrugada com o choro de seus dois filhos, que se queixavam de sede. Ela abriu uma fresta na barraca de camping onde mora e notou, preocupada, que os baldes de doce de leite e maionese que a família usa como caixa d'água estavam vazios. Na barraca de Elisabete, embaixo do viaduto Santa Ifigênia, no centro de São Paulo, vivem 11 pessoas; sua irmã, Soraia, de 30 anos, é mãe de outras sete crianças.
A reportagem é de Felipe Souza, publicada por BBC Brasil, 15-08-2018.
Em entrevista à BBC News Brasil, as duas mulheres contaram que, no mês passado, já precisaram racionar por quatro dias uma garrafa de 2 litros de água para toda a família. A água foi usada prioritariamente para escovar os dentes e diluir o leite em pó para amamentar um bebê de apenas 25 dias de vida, que também mora na barraca.
Na ocasião, depois de quatro dias vendo os filhos sem banho por falta d'água no último mês, as duas mães tomaram uma decisão que elas mesmas definem como "desesperadora". "Pegamos a lona da barraca e amarramos dos dois lados para aparar a água da chuva. Depois, a gente despejou num balde e deu banho nas crianças. Só não precisamos beber essa água graças ao menino do mercadinho ao lado que nos ajudou. Mas banho já precisou. E não foi só uma nem duas vezes", afirma Silva.

domingo, 12 de agosto de 2018

SUS é mais do que uma política de saúde pública

Domingo, 12 de agosto de 2018
Foto: cremepe.org.br

Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos
Por: João Vitor Santos | 11 Agosto 2018

Entrevista especial com Jairnilson Paim
Desde sua criação, o Sistema Único de Saúde - SUS trouxe inúmeros avanços para a saúde pública no Brasil. É o que defende Jairnilson Silva Paim, doutor em Saúde Coletiva. “O SUS dispõe de uma rede de instituições de ensino e pesquisa que interage com os serviços de saúde, possibilitando que um conjunto de pessoas adquiram conhecimentos, habilidades e valores vinculados aos seus princípios e diretrizes”, destaca.
Para o médico, esses avanços revelam o potencial do SUS e sua própria natureza. Afinal, é preciso compreendê-lo como algo muito além de uma política de saúde pública. “O SUS é um sistema público, não um ‘sistema de saúde pública’. A integralidade da atenção supõe a articulação de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde. Com o SUS, buscava-se superar o Tratado das Tordesilhas que separava a saúde pública, confinada no Ministério da Saúde, e a assistência médica prestada pela medicina previdenciária (Inamps) e pelo setor privado”, esclarece.
Segundo Jairnilson, os ataques a que o sistema vem sendo submetido parte justamente dessa lógica de o reduzir a uma política. Por isso defende que se tenha clareza nesse conceito. “Quando os conservadores, os liberais e a mídia misturam o SUS com a saúde pública não o fazem inocentemente: querem limitar o SUS ao controle de doenças e epidemias ou à profilaxia, de modo que a assistência médica fique submetida ao mercado ou, no limite, seja oferecida apenas para os pobres”. Esse erro é tão sério que é cometido até mesmo por setores mais progressistas. “Até mesmo setores de esquerda usam a expressão saúde pública em contraposição à ‘saúde privada’, caindo na armadilha de restringir o SUS conforme a ideologia dominante”, adverte.
Ainda na entrevista, concedida por e-mail à IHU On-Line, o médico observa como essa epidemia de sarampo “é um dos preços pagos pela desestruturação do SUS”. Para ele, o argumento de que as pessoas buscam menos as vacinas porque se baseiam em notícias falsas de redes sociais insuflado por movimentos como o antivacínico não serve para explicar o fenômeno em toda a população. “Será que situações desse tipo, até possíveis de serem observadas na classe média, podem ser generalizadas para o conjunto da população?”, questiona.
Jairnilson Paim | Foto: UFSC
Jairnilson Silva Paim é graduado em Medicina, mestre em Medicina e Saúde e doutor em Saúde Coletiva pela Universidade Federal da Bahia – UFBA. É professor de Política de Saúde do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA e coordenador do Observatório de Análise Política em Saúde. Entre suas publicações estão Reforma Sanitária Brasileira: contribuição para compreensão e crítica (Salvador: Edufba/Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2008), O que é o SUS (Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2009), Desafios da Saúde Coletiva no Século XXI (Salvador: Edufba, 2006), Saúde Coletiva: Teoria e Prática (Rio de Janeiro: Medbook, 2013) e a Crise da saúde pública e a utopia da Saúde Coletiva (Salvador: Casa da Qualidade, 2000).
Confira a entrevista.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

“Se olharmos o que fizeram com o RJ, a história está dando a razão aos 23 condenados”

Sexta, 3 de agosto de 2018

Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos
03 Agosto 2018
No último dia 17 de julho, o juiz Flavio Itabaiana publicou a sentença que condena 23 manifestantes do Rio de Janeiro a 7 anos de prisão, em média, a partir de acusações de associação criminosa e corrupção de menores. Em uma conjuntura de falência generalizada do Estado fluminense, a condenação foi considerada como um ataque aos movimentos sociais e organizações populares. Sobre esse episódio entrevistamos Filipe Proença, professor da rede pública e um dos 23 condenados pela recente sentença.

“Na minha visão e na de muitos companheiros é um processo político que tenta criminalizar dissidência. Se você pegar a sentença, ponto a ponto, isso fica muito claro. Por exemplo, eles tentam colocar o Ocupa Cabral, um movimento legítimo, um acampamento instalado na rua da casa do então governador, como um movimento criminoso que ‘impediria o direito do Sérgio Cabral de ir e vir’. Quer dizer, um Sérgio Cabral hoje preso, condenado por diversas relações promíscuas com empreiteiras, entre uma série de coisas. No entanto, a sentença criminaliza um movimento legítimo e condena pessoas à prisão porque ‘tiravam o direito de ir e vir de Sérgio Cabral’”, ironizou.

Professor da rede pública e militante do SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação), Filipe afirma que está sendo condenado por participar da greve dos educadores que ocorreu em outubro de 2013 e aponta os estragos deixados na sua área de atuação por aqueles que governam o Estado.

“Essa quadrilha do PMDB que se instalou no Rio de Janeiro são verdadeiros vampiros que saquearam o Estado. E a gente vê claramente as consequências disso na saúde, na moradia, segurança pública, em várias áreas. Na educação não foi diferente. O governo Cabral foi um dos que mais fechou escolas, foram centenas. A rede estadual está um caos. Os professores estão há quatro anos sem reajuste, à mercê dos ventos da inflação. As escolas hoje não têm porteiros nem funcionários administrativos – estão abandonadas! Essa gangue destruiu a educação no estado do Rio de Janeiro”, denunciou.

Além de comentar detalhes do processo e mostrar esperança com o desfecho que poderá ter, Proença não titubeia em apontar os desmandos das autoridades no Rio de Janeiro, e afirma, com todas as letras, que o que chama de ‘espírito de 2013’ segue vivo: “se olharmos para toda a conjuntura, das reivindicações às respostas do Estado, veremos que a história está dando a razão para os 23”.

A entrevista é de Raphael Sanz, publicada por Correio da Cidadania, 02-08-2018.

Eis a entrevista.

Como você recebeu a notícia da condenação sua e dos outros 22 militantes a, em média, 7 anos de prisão?

Recebi a notícia com uma certa tranquilidade porque já era algo esperado; a sentença não foi uma grande novidade para nós. Quem tem acompanhado o Judiciário como um todo, sabe que ele tem sido bastante conservador, em especial aqui no Rio de Janeiro

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

A favelização da Amazônia e a necessidade de repactuar o papel da floresta na economia do século XXI

Quinta, 2 de agosto de 2018

Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos
Por: Patricia Fachin | 02 Agosto 2018

“O Brasil não sabe o que fazer com a Amazônia, essa é a verdade; ele é muito constrangido a não destruí-la, porque sofre uma pressão da comunidade internacional, dada a importância da Amazônia para regulação do clima global. Por isso fica com essa crise de adolescente que não sabe se sai ou se fica em casa”, adverte Danicley de Aguiar, engenheiro agrônomo e membro do Greenpeace para a Amazônia, na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line.
Segundo ele, enquanto o Estado não tem um projeto para a região, outros atores têm disputado o território amazônico. De um lado, afirma, “o agronegócio sabe o que quer da Amazônia: ele quer terra, porque quer incorporar mais terra ao processo de produção”. De outro, relata, “o PCC e o Comando Vermelho estão disputando Belém no tiro, estão disputando Manaus e Rio Branco. O tráfico de drogas viu na Amazônia um lugar possível de se desenvolver porque o Estado é frágil e a sociedade é carente. Os níveis de violência em Rio Branco, em Manaus e em Belém são quase intoleráveis”. E lamenta: “Estamos vivendo hoje uma favelização da Amazônia. Quem vem a Beléme a Manaus percebe que a pobreza explodiu na Amazônia. Os índices de qualidade de vida são os piores do país e com esse modelo econômico isso não vai mudar”.
Na avaliação dele, além de se discutir sobre as questões ambientais relacionadas à Amazônia, é necessário discutir a região do ponto de vista econômico. “Combater o desmatamento é fundamental, mas a discussão para a Amazônia também é uma questão econômica: precisamos fazer um debate econômico sobre a Amazônia, não só um debate de comando e controle”.
futuro da floresta, sugere, depende de uma repactuação do papel econômico da Amazônia para o país. “O Brasil precisa repactuar o papel da Amazônia: tirá-la desse papel de província mineral e energética e de fronteira agropecuária e dar a ela um papel importante na economia do século XXI.(...) Se a maior riqueza da Amazônia é a sua biodiversidade, por que a sua economia tem que ser predatória da biodiversidade? Por que a economia da Amazônia tem que ser assentada em produção de grão, energia, minério ou petróleo, se a sua riqueza é a biodiversidade? (...) Nós temos os maiores recursos naturais do mundo e somos incapazes de construir uma economia pautada nessa biodiversidade. Este é o desafio: como construímos uma economia baseada na biodiversidade? Ao passo que isso ocorre, a floresta deixa de ser um passivo para ser um ativo”, sugere.
Na entrevista a seguir, Danicley também apresenta um panorama da situação dos indígenas Karipuna, que têm tido seu território desmatado pela grilagem e pela exploração ilegal de madeira. “O que temos visto, seja dentro ou fora do território, é que há uma pressão para que esses territórios sejam diminuídos e colocados à disposição do mercado de terras, do setor produtivo, como se os indígenas não fossem um setor importante da sociedade brasileira. A impressão é que se nada for feito, esses territórios serão incorporados à fronteira agropecuária que está na margem dessas terras”, resume.