Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 20 de março de 2020

O estrondoso silêncio do lado esquerdo diante dos atentados do capitão

Sexta, 20 de março de 2020
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Não pode mais haver dúvida de que está em curso, à vista de todos, maquinado à luz do dia, um projeto golpista, e que seu líder é o próprio presidente da República, o capitão da reserva remunerada Jair Messias Bolsonaro, descartado da carreira militar por indisciplina e hoje, em face das circunstâncias, líder de generais de variado número de  estrelas. É irrelevante, a esta altura, discutir em qual escaninho das classificações acadêmicas se enquadra o projeto que ameaça a nação. Fascista ou protofascista, ou fascistóide ou  isso ou aquilo, a reprodução do atual governo será sempre uma ameaça autoritária, reacionária e obscurantista. Ninguém tenha dúvida dos riscos que nos rondam: rompidos os frágeis limites  da ordem democrático-constitucional, o arbítrio reinará como aluvião. Todo presidente autocrático, como Bolsonaro tenta ser, é candidato a ditador.

Quando os liberais se convencerão dessa lição cediça? Não lhes teria bastado, para a aprendizagem, a experiência de 1964, quando, sob a ficção de “salvar a democracia”, terminaram apoiando um golpe militar que nos legou 21 anos de ditadura?

No governo, sem projeto de Brasil, sem consciência histórica, inculto mas presumido, o capitão vai dando larga aos seus delírios.