Do Blog do Vlad
Rui Barbosa e o crime de hermenêutica de Mendonça Lima
Por Vladimir Aras
Na cripta de Rui Barbosa (1849-1923), no fórum estadual que leva o seu nome, em Salvador, pode-se ler: “Estremeceu a pátria, viveu no trabalho e não perdeu o ideal”
Um observador atento às sessões deliberativas do Senado neste 517º ano da descoberta do Brasil pensaria: teríamos voltado ao século XIX?
Vários dispositivos do projeto de lei do Senado
(PLS) 280/2016 (de autoria de Renan Calheiros) e do PLS 85/2017 (cujo
substitutivo foi autografado pelo senador Roberto Requião), sobre a nova lei de abuso de autoridade, parecem ter sido inspirados por uma mens legis retaliatória e autoprotetora, destinada a manietar o Ministério Público e pôr grilhões no Judiciário.
Certa ou errada, esta percepção nos remete às lições de Rui Barbosa em “O júri e a independência da magistratura“, escrito em 1896 e constante de suas Obras Completas (aqui).
Nascido em Salvador em 1849, Rui Barbosa
foi um jurista que orgulhou seus conterrâneos e a todos os brasileiros.
Considerado um dos mais importantes personagens da História do Brasil,
Rui foi também senador, com mandatos entre 1890 e 1921, e advogado. Uma
de suas brilhantes páginas doutrinárias veio à luz quando o tribuno
assumiu a defesa do juiz de direito Mendonça Lima, num processo penal
originado em terras gaúchas, no qual se discutia a independência dos magistrados. Foi neste texto que se consagrou a expressão “crime de hermenêutica“.


