“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador sandra starling. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sandra starling. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de dezembro de 2015

O que será que andam combinando no breu das tocas?

Domingo, 13 de dezembro de 2015
*Por Sandra Starling (no jornal O Tempo)
Todos conhecemos o adágio segundo o qual “quem vê árvore pode não ver a floresta”. A crise política que se abate sobre nós não tem nos permitido ver o movimento profundo que se desenvolve em torno da implementação de um dos ideários mais caros à ideologia monetarista: o cerceamento à autonomia do Estado para contrair dívidas.

sábado, 30 de maio de 2015

Sandra Starling, sobre Gim Argello: "Não sei como dar um título a coisas como estas . . ."

Sábado, 30 de maio de 2015
Da Tribuna da Internet
Sandra Starling, no jornal O Tempo
O ex-senador Gim Argello agora se chama Jorge Afonso
 
Pensei em intitular como um circo o que anda acontecendo no Congresso. Mas os circos merecem meu respeito e minha saudade. Um mau teatro? Deles podemos escapar: é só não ir. Se a novela é ruim, a gente desliga a televisão. Mas o que fazer com essas excelências?! Vejam só.

Ex-senador pelo PTB, Gim Argello – é aquele mesmo, apadrinhado por Dilma e Renan que seria sabatinado por seus pares para ocupar uma vaga de ministro do TCU e renunciou antes – mudou de nome parlamentar no fim de seu mandato. Se alguém tentar saber algo sobre ele, no Senado Federal, nada mais encontrará nas páginas oficiais. Teria morrido? Não! Está vivinho da silva, mas não adota mais esse apelido de guerra. Voltou a ser o cidadão Jorge Afonso Argello, seu nome de batismo. Até aí, tudo bem.

Todo mundo que usa um apelido – registrado na Justiça Eleitoral –, como Chico Vigilante ou Tiririca, ou que só usa um sobrenome, tem todo o direito de voltar a ser um cidadão comum e, como tal, readotar seu nome completo. Eu mesma só assino Sandra Starling, quando, na verdade, sou Sandra Meira Starling e, até hoje, tomo um susto ou não me reconheço quando, na fila do médico ou de algum exame laboratorial, sou chamada por Sandra Meira. Mas nunca vi ninguém mandar sumir de seu prontuário na Câmara dos Deputados ou no Senado o nome que usou como parlamentar. Pois foi isso o que o Gim fez.

APAGANDO OS RASTOS
No dia 26 de dezembro do ano passado, requereu em ofício ao presidente da Casa que fosse expungido de atas, projetos, relatórios, requerimentos e discursos o nome que usava ao tempo em que circulava como pajem-mor. Você, talvez, não se recorde: era aquele que, na campanha presidencial de 2010, costumava acompanhar a candidata Dilma em suas caminhadas matinais e andanças por missas nas cidades-satélite de Brasília. Deferido o ofício em janeiro por Renan Calheiros, de Gim não resta rastro algum nos registros oficiais do Senado. Talvez – quem sabe? – para não deixar evidências que lhe criem embaraços em investigações judiciais a que já está submetido. Ou evitar que possa ser mencionado na operação Lava-Jato, o que, aliás, já ocorreu. Detalhe: o agora cidadão comum Jorge Afonso foi vice-presidente da CPI da Petrobras do ano passado, aquela que nada concluiu sobre o que investigava.

Tudo isso posto, cabe perguntar: que nome dar a isso aí?!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O que fazer com um partido que é a caricatura de Lula

Quinta, 10 de janeiro de 2013
Sandra Starling
Consigo, finalmente, encontrar coragem para fazer uma volta ao passado e me arrepender do que fiz. Sou levada a isso por um antigo companheiro, que me indagou, diante de meu artigo sobre José Dirceu, se a esquerda seria capaz de rever seus erros. Não sei responder essa pergunta genérica. Sei que eu posso e que posso também apontar o erro principal da maioria em meu antigo partido. Ano Novo é para isso mesmo: momento de reflexão sobre o que foi feito e sobre o que se deve fazer.

No livro do africano José Eduardo Aqualusa “Teoria Geral do Esquecimento”, sobre a luta pela libertação e pela construção do socialismo em Angola, há um personagem, o Pequeno Soba, cuja descrição me instigou: “possuía mais alento do que talento para as tramas da política”. Viajei na maionese vendo Lula na minha frente. Só que esse, ao contrário, possui de sobra alento e talento para as tramas da política.

O PT nasceu da confluência das comunidades eclesiais de base com as organizações clandestinas de esquerda – leninistas e trotskistas, intelectuais e sindicalistas. Nas quatro vertentes, como acontece em todo lugar, convivem oportunistas, pessoas bem-intencionadas, canalhas e ingênuos. As CEBs sempre endeusaram as classes populares e se maravilharam com Lula, porque ele era um autêntico representante do povo brasileiro. A esquerda – na qual me incluía – vivia, equivocadamente, vendo em um operário – por ser operário – a encarnação do sujeito histórico da revolução.

“INTELECTUAIS”

Os intelectuais adoraram ter um líder não iniciado na militância de esquerda e, portanto, vacinado contra os males do stalinismo. Oportunistas, canalhas e mal-intencionados viram nele a “galinha dos ovos de ouro” há muito esperada. Os ingênuos, afinal, enxergaram alguém em quem poderiam confiar.

Julgo que esse endeusamento de Lula cegou-nos a todos para não vermos desde o início suas grandes virtudes, mas também seus enormes defeitos. Não vou me estender sobre as qualidades. Vou falar dos defeitos. Seu ego imenso, a fuga das “bolas divididas”, os “queridinhos da vez” (Osmarzinho, depois, Jacó Bittar, Olívio Dutra e Guschiken, Weffort, Frei Betto). E seus “escolhidos da vez” ou “descartados da vez”: dentre os primeiros, Dilma Rousseff, agora, Haddad. Dentre os segundos, por exemplo, Humberto Costa, na aventura da Prefeitura de Recife agora, em 2010.

De José Dirceu, ele nunca gostou, tenho certeza. Mas ele pressentia que nada seria sem o comandante incansável, o principal mantenedor da ordem no partido, com capacidade de intervenção fora dele. Deu no que deu. Vencida a fase de consolidação da organização interna, Lula tirou de vez a máscara e se arvorou em dono do partido, processo iniciado com a ajuda do próprio José Dirceu quando Wladimir Palmeira foi impedido de ser candidato ao governo do Rio.

Se José Dirceu for mesmo para a cadeia, e outros problemas não surgirem, será finalmente possível saber o que Lula fará com um partido que virou, como se sabe, caricatura de si mesmo.

Fonte: Tribuna da Internet // Jornal O Tempo