Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Stedile Ruge: "Nenhum desempregado a mais", "Se mexer na aposentadoria rural haverá uma revolta no campo"

Segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Celso Lungaretti
"Haverá uma revolta no campo. Estou avisando"
Acabou a paciência da esquerda com a presidente Dilma Rousseff. É o que se depreende do tom, contundente ao extremo, que João Pedro Stedile utilizou na longa entrevista concedida a Bruno Pavan, do Brasil de Fato.
 
Vale reconhecer: o líder dos sem-terra disse o que havia mesmo para ser dito, depois de todas as trapalhadas e abandono de princípios que caracterizaram a atuação governamental no desastroso ano que se encerra.
 
Eis os trechos principais (os grifos são todos meus):
 
"2015 foi um ano perdido para os trabalhadores brasileiros. Um ano no qual a mediocridade política imperou. A maioria do povo brasileiro, com seus 54 milhões de votos, reelegeu a presidenta Dilma. Porém, setores das classes dominantes e os partidos mais conservadores não se deram por vencidos e quiseram retomar o comando do Executivo no tapetão. (...) O governo federal se assustou, montou um ministério medíocre, que não representa as forças que elegeram a presidenta. E passou o ano se defendendo, gerando uma situação de disputa e de manobras apenas em torno da pequena política.
"É preciso mudar a política econômica, não apenas o gerente"

"A economia brasileira vive uma grave crise, fruto de sua dependência do capitalismo internacional e do controle hegemônico dos bancos e das empresas transnacionais.  Terminamos o ano com queda de 4% no PIB. Caíram os investimentos produtivos, seja por parte do governo e empresas estatais, seja por parte dos empresários. O governo cometeu vários erros que agravaram a crise. Primeiro, trouxe um neoliberal para o Ministério da Fazenda, que certamente teria sido ministro da chapa Aécio Neves. As medidas neoliberais de aumento da taxa de juros de 7 para 14,15%, os cortes nos gastos sociais, o tal ajuste fiscal, só produziram mais problemas para o povo e para a economia. A inflação atingiu os 10% ao ano e o desemprego alcançou a média de 8,9% da população trabalhadora.  O Tesouro Nacional pagou R$ 484 bilhões em juros e amortização aos bancos. Usaram dinheiro público para garantir o rentismo da especulação financeira, em vez de investir na solução de problemas e no investimento produtivo. Felizmente, o ministro caiu. Deixou, porém, um ano perdido. É preciso mudar a política econômica, não apenas o gerente.
"Entregou a Agricultura ao que tem de pior na política brasileira"
"Também foi um ano perdido para os sem terra e para a agricultura familiar. O governo escalou uma boa equipe no Ministério do Desenvolvimento Agrário e no Incra, porém entregou o Ministério da Agricultura para o que tem de pior na política brasileira. E com os cortes do ajustes fiscal neoliberal, atingiu em cheio a reforma agrária. As poucas conquistas que ocorreram foram fruto de muita mobilização e pressão social. (...) Espero que o governo pare de se iludir com o agronegócio, que se locupleta com o lucro das exportações de commodities pelas empresas transnacionais, mas não representa nenhum ganho para a sociedade.
 
"Se o governo não der sinais que vai mudar, que vai assumir o que defendeu na campanha, será um governo que se auto-condenará ao fracasso.  Pois não tem confiança das elites, que tentaram derrubá-lo, e ao mesmo tempo não toma medidas para a imensa base social, que é 85% da população brasileira. Espero que o governo tenha um mínimo de visão política para escolher o lado certo.
"...a reforma trabalhista, para desmanchar a CLT..."
"E os sinais que o sr. Barbosa esta dando na imprensa não são bons, ao retomar a agenda neoliberal-empresarial, da reforma da previdência, para aumentar a idade mínima, a reforma tributária, para consolidar as desonerações e a reforma trabalhista para desmanchar a CLT. A CUT já avisou que vai lutar contra. E nós também estaremos juntos com o movimento sindical. Se o governo mexer na idade mínima da aposentadoria rural, haverá uma revolta no campo, e contra o governo. Estou apenas avisando.
 
"Tenho escutado muitos economistas, empresários, pesquisadores e políticos nacionalistas. E todos têm propostas claras. O problema é que o governo é surdo e auto-suficiente. O governo precisa apresentar urgente um plano de retomada do crescimento da economia, e propôr um pacto entre trabalhadores e empresários que cesse o aumento do desemprego. Nenhum desempregado a mais, a partir de agora."
 
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sábado, 21 de março de 2015

Dilma reafirma que sua resposta para a crise será a saída pela direita

Sábado, 21 de março de 2015
Do Blog Náufrago da Utopia 
Por Celso Lungaretti

A presidenta Dilma Rousseff, em meio à semana mais azíaga de seus dois governos, conseguiu dar outro tiro no pé: compareceu a um evento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, em Eldorado do Sul, apenas para levar merecidos puxões de orelha de João Pedro Stedile, principal porta-voz do MST, e responder-lhe pifiamente, decepcionando mais uma vez aqueles que a elegeram. 
 
Como se não bastassem a goleada que sofreu nas ruas no último domingo (15), a queda de sua popularidade a percentuais nunca dantes vistos neste país num início de governo, o começo da debandada daqueles que tradicionalmente abandonam os barcos quando estão afundando e as novas evidências surgidas de que o programa Mais Médicos torna o Brasil cúmplice de um país que viola os direitos humanos e trabalhistas dos seus doutores, Dilma teve de ouvir, na lata, o que grande parte dos petistas estão pensando do seu segundo mandato, mas poucos têm coragem de dizer.
 
Eis trechos do desabafo do Stedile:
"Nenhum ministro deve se sentir superior ao povo. Porque fomos nós que elegemos a presidenta e apenas demos um mandato para ela escolher os ministros. Então, os ministros da senhora têm de ser mais humildes, como disseram na televisão. Ser mais humilde não é para ir pro Céu. É para ouvir o povo, as nossas organizações, para saber onde tem problema.
 "Se o orçamento tem problemas, por que é que o seu Levy não vem discutir conosco? Porque temos propostas. Não basta querer acertar o Orçamento da União apenas cortando o gasto social. Quem tem que pagar a conta não são os trabalhadores, são os ricos e os milionários [Bravíssimo!!!].
"Não dá para continuar assim, [ao escolher ministros] não olhe para partidos, que entram lá para fazer sua 'cotinha' medíocre. 
"Queremos um novo modelo agrícola, que se baseie na produção de alimentos saudáveis para evitar que continue a proliferação do câncer. O agronegócio é um exportador de veneno! [Bravíssimo!!!]".
Já as falas da Dilma, sem nenhum jogo de cintura para sair dessas saias justas, foram na linha daquele mais do mesmo que só faz aumentar a sua rejeição, pois sinaliza que ela vai insistir no estelionato eleitoral. Continuará marchando na contramão das promessas que fez em campanha, numa aposta insensata no grande capital como sustentáculo do seu mandato, ao invés escorar-se nos explorados: 
"A concepção do movimento é uma, de um governo é outra [Uma pergunta singela: se soubéssemos que era assim que a coisa acabaria, teríamos ralado tanto para colocar o PT no poder?]. O governo olha para o país e vê vários setores, não vê só a agricultura familiar. Olhamos o país e vemos também o agronegócio [Tem a cara da Kátia Abreu, aquela que agora é amiga da Dilma desde criancinha...], vemos todas as reivindicações... Entre a crítica ser democrática e a gente aceitar a crítica tem uma pequena distância [Pequena?! A mim, mais me parece um fosso...]
"Agora nós não temos como continuar absorvendo tudo [refere-se aos impactos da crise internacional, a qual, por sinal, já terminou lá fora. É uma admissão da Dilma, de que cometeu erros crassos no primeiro governo?]. Não estamos pedindo para ninguém assumir toda a responsabilidade. Não estamos acabando com as políticas sociais, estamos ajustando um pouco [Um pouco?! A mim, mais me parece um garrote vil sendo apertado...].
"Esse momento de dificuldade é passageiro e conjuntural. Nós juntos, aprovando o ajuste, saímos disso no curto prazo [E o diploma de otário, quando será entregue aos que engolirem esta patranha? O ajuste inevitavelmente nos imporá rigores acentuados durante 2015 inteiro, provavelmente em 2016 também e talvez nos anos seguintes. Isto lá é curto prazo?!]".
Resumo da opereta: se nas ruas o Fora, Dilma! ganhou (no número de cidadãos presentes às respectivas manifestantes) por 10x1 do Fica, Dilma!, a proporção se manteve no embate com o Stedile. Ele foi convincente nas críticas e ela, persistente no distanciamento de suas bases. Um desastre em termos de comunicação, como da hábito.
 
Quanto mais precisa dos explorados para salvar sua cabeça, mais Dilma os aliena e tenta convencer os exploradores de que seguirá à risca o desumano receituário neoliberal. A rainha Maria Antonieta não faria melhor.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Stedile afirma que reforma agrária está parada no Brasil

Teça, 23 de outubro de 2012
Ao fazer uma avaliação sobre a questão agrária no país, João Pedro Stedile, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirmou que a "reforma agrária está parada".

www.brasil.agenciapulsar.org
Stedile defende agroecologia (rogeografo)

Stedile assegura que são quatro os motivos pelos quais a reforma agrária está estacionada. O primeiro seria o avanço do agronegócio no país, que hoje tem a hegemonia da produção; o segundo seria a crise capitalista no mundo, que trouxe para o Brasil vários investidores, o que causou um aumento no preço das terras

Outro motivo seria os esforços dos ruralistas para barrar a reforma agrária; e, em último lugar, estaria a dificuldade dos movimentos do campo para retomar as grandes mobilizações por terra. Para o ativista, a população brasileira precisa de uma verdadeira reforma agrária, que recoloque a produção de alimentos, adote a agroecologia e retome o controle dos recursos naturais.

Analisando o governo da presidenta Dilma Rousseff, há dois anos a frente do Brasil, Stedile entende que a atual gestão está engessada para as mudanças estruturais que o país precisa.

A necessidade de fomento à agricultura familiar também foi lembrada pelo ativista do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Ele ressaltou que hoje a estrutura da produção agrícola se configura da seguinte forma: 85% dos recursos são voltados para a produção para exportação e apenas 15% se destinam ao mercado interno.

Stedile defende que a agricultura familiar "seja o centro e não o complemento” na estrutura agrícula. Dentre os caminhos apontados para essa mudança está, segundo ele, a adoção de técnicas da pequena agricultura, como a não utilização dos agrotóxicos e o fortalecimento da agroindústria cooperada. (pulsar/adital)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Para Stédile, invasão da Cutrale foi ação "desesperada" e mídia defende "burguesia"

Terça, 3 novembro de 2009
Da Agência Brasil
São Paulo - O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, foi entrevistado na última sexta-feira (30) no programa 3 a 1, exibido pela TV Brasil. Na entrevista, que vai ao ar no próximo dia 11, ele disse que a invasão da Cutrale, em São Paulo, foi um equívoco do MST e criticou a mídia brasileira, afirmando que ela age em defesa dos interesses dos ricos.

Stédile falou sobre a ocupação da fazenda da Cutrale por integrantes do MST, no final de setembro. Ele classificou a ação de “desesperada” e motivada pela situação em que se encontravam os militantes do movimento acampados na região há seis anos.

“Foi uma atitude desesperada das famílias que ocupavam a fazenda. Com a notícia do próprio Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] de que a área é da União, desde 1910, naquele clima de indignação, alguns dos companheiros pegaram o trator e destruíram os laranjais”, disse o coordenador do MST.

“Evidentemente que foi um equívoco, porque a direita e os órgãos de comunicação deste país, que servem aos interesses da burguesia brasileira, se utilizaram daquelas imagens, que foram gravadas pelo serviço de inteligência da PM de São Paulo, com o uso de helicóptero, e nos execraram na opinião pública”, completou.

Stédile defendeu o movimento da acusação de que militantes haviam invadido casas de trabalhadores da fazenda e causado danos. “Nenhum militante entrou nas casas dos funcionários. Aquilo lá foi uma armação da polícia e da Cutrale, sobretudo da Cutrale. Quem fez o serviço [de entrar nas casas] não foi o MST. Ou seja, tem uma hora aí de espaço. Nós saímos, deixamos tudo bonitinho, não mexemos nas casas. Aí ficou a polícia sozinha com a Cutrale dentro da fazenda por uma hora. Aí depois dessa hora veio a imprensa”, afirmou.

O coordenador do MST ainda criticou a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CMPI) para investigar repasses de verbas do governo ao movimento.

“A CPMI é uma armação. Eles fizeram uma matéria na Veja com dados requentados de três anos. Com a matéria da Veja, convocaram a outra CPMI. Aí nós derrubamos, porque era sintomático. Aí com a ocupação da Cutrale, você acha que por uma ocupação, por algumas laranjas vale a pena abrir uma CPMI? Então é melhor abrir uma CPMI aqui na Assembléia Legislativa de São Paulo para saber por que que que Cutrale tem aquela área grilada”, afirmou.

Stédile explicou também que Organizações Não Governamentais (ONGs) independentes do MST é que recebem dinheiro para a realização de serviços no campo. “Desde o [governo] Fernando Henrique, o governo contrata ONGs para fazer o serviço que deveria ser do Estado. E que recebem dinheiro público. Esse dinheiro vai lá para resolver um problema concreto, ou de escola, ou de contratar agrônomo, ou de fazer casa, ou fazer medição, ou luz elétrica. Quem organiza essas ONGs, às vezes, são grupos de agrônomos, às vezes tem até jornalista, é iniciativa da sociedade”, disse.

“Todo dinheiro é fiscalizado, primeiro pelo Incra, depois Ministério do Desenvolvimento Agrário, depois pelo TCU, de todos esses recursos que não têm a ver conosco. A nossa posição é que isso é esdrúxulo. Somos contra isso, nós dissemos já ao Lula: pelo amor de Deus pare com essa história de ONGs, faça com que o Estado consiga fazer isso”, completou.

O coordenador do MST reafirmou a posição do movimento em defesa da agricultura familiar. De acordo com ele, apenas com uma posição clara do governo e da sociedade a favor desse modo de produção é que a reforma agrária vai andar.

“A reforma agrária, como um programa realmente universalizado, que chegue a milhões de trabalhadores, é só quando o governo e a sociedade brasileira priorizarem a agricultura familiar. E hoje há esse embate entre esses dois modelos [agronegócio e agricultura familiar], e não há uma prioridade clara de dizer a agricultura familiar é política de governo”.

Stédile ainda fez uma avaliação do processo de reforma agrária no governo Lula. “Em alguns aspectos, ela ficou para trás, como o ritmo desapropriações no Nordeste, Sul e Sudeste. O governo continuou priorizando a Amazônia. Em outros aspectos, ela avançou muito, com o Luz para Todos, um outro programa de moradia, que é insuficiente em números, mas os programa é bom. É um balanço equilibrado, é bem melhor que na época do Fernando Henrique, mas ainda insuficiente para enorme demanda dos pobres do campo têm”, afirmou.

Stédile foi entrevistado pelo âncora do programa, Luiz Carlos Azedo, pela jornalista da Folha de S.Paulo Kátia Seabra e pelo jornalista da revista Brasieiros Ricardo Kotscho.