Domingo, 28 de março de 2021
Para advogada que acompanha realidade do Estado, subnotificação de morte por covid-19 é a regra nos presídios de Minas
Do Brasil de Fato
Elisangela Colodeti e Naiana Andrade
Belo Horizonte | 28 de Março de 2021
Um detento sob responsabilidade do sistema prisional de Minas Gerais foi internado em estado grave com registro clínico e todos os sintomas de uma infecção por covid-19, teve que ser levado à UTI e ser intubado na unidade hospitalar, morreu no dia 25 deste mês, e seu atestado de óbito - emitido por um hospital público - não registra o novo coronavírus como causa da morte ou faz qualquer menção à doença.
O caso possui uma divergência em dois documentos oficiais que pode ser o primeiro forte indício de uma realidade que já vem sem sendo apontada por especialistas: a subnotificação de casos de morte por covid nos presídios de Minas Gerais.
Paulo Domingos Ribeiro Santos, de 31 anos, foi internado no Hospital Universitário Clemente de Faria, pertencente à Universidade Estadual de Montes Claros (MG), no dia 04 de março, com registro de infecção por coronavírus no protocolo clínico. 21 dias depois, no atestado de óbito, a causa da morte foi descrita como “choque séptico refratário, sepse de foco pulmonar, pneumonia viral”.

