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(Millôr Fernandes)

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Impasse —Fundo Garantidor de Créditos cobrou balanços do BRB para analisar empréstimo, diz oposição na CLDF


Quarta, 12 de agosto de 2026

IMPASSE
Fundo Garantidor de Créditos cobrou balanços do BRB para analisar empréstimo, diz oposição na CLDF

Deputados leram trechos de ofício enviado ao GDF em sessão na Câmara Legislativa da última terça-feira (11)

Brasil de Fato — Brasília (DF)
12.ago.2026
Sessão ordinária da CLDF desta terça-feira (11) teve debates sobre a situação financeira do BRB, a Defensoria Pública e renúncias fiscais no DF. | Crédito: ourenço Cardoso/Agência CLDF

A situação financeira do Banco de Brasília (BRB) esteve entre os principais temas da sessão ordinária da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) de terça-feira (11). Deputados da oposição leram em plenário trecho de um ofício do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), enviado ao GDF, dando falta de informações necessárias para analisar a operação de crédito destinada à capitalização do banco.

Datado de 6 de agosto e endereçado à governadora Celina Leão (PP), o documento confirma que o GDF formalizou o pedido de contratação de R$ 6,6 milhões. No entanto, aponta ausência de documentos sobre a situação da instituição, como as demonstrações financeiras auditadas referentes a 2025 e ao primeiro semestre de 2026.

Sem as informações e impedido de concluir a análise, o FGC afirma estar impedido de atestar se o montante solicitado é suficiente para assegurar a viabilidade da operação envolvendo o banco público.


Balanço do BRB volta ao centro das cobranças

O deputado Gabriel Magno (PT) utilizou o conteúdo do documento para questionar declarações da governadora sobre a divulgação do balanço financeiro do BRB. “Celina chamou de burros as pessoas que estão pedindo o balanço do BRB publicado”, criticou.

Em seguida, o deputado leu o trecho no qual o FGC informa não ter recebido do GDF ou do BRB todas as informações necessárias para analisar o pedido do empréstimo de R$ 6,5 milhões.


Para Magno, o documento contradiz a justificativa apresentada para a não divulgação dos dados financeiros da instituição. “Quem esconde o balanço, quem mente deliberadamente, quem ataca os adversários para tentar esconder o roubo do BRB”, acusou.

Chico Vigilante (PT) também apresentou o documento em plenário. O distrital destacou que a correspondência do FGC é uma resposta a um pedido feito pelo próprio Executivo. “Ofício por meio do qual o Governo do Distrito Federal formaliza pleito de contratação de operação de crédito destinada à capitalização do Banco de Brasília”, leu.

Chico também chamou atenção para a documentação ainda pendente. “O Fundo Garantidor de Crédito, até o momento, não recebeu, quer por parte do GDF ou do BRB, a totalidade das informações necessárias à análise do pleito apresentado ao Fundo Garantidor pelo BRB”, disse.

Max Maciel (Psol) relacionou a situação à venda de ativos do banco e questionou a ausência do balanço.

“Então o BRB está há um ano vendendo ativo pelo preço menor do que comprou. É óbvio que o balanço vai estar negativo. E, se apresentar o balanço agora, o Banco Central é obrigado a liquidar”, afirmou.

Na avaliação do parlamentar, o FGC colocou o governo em uma situação contraditória ao exigir as demonstrações financeiras para analisar a operação enquanto, segundo ele, o Executivo condicionaria a apresentação do balanço à obtenção prévia dos recursos.

FGC diz que acordo no STF não o obriga a conceder operação

O documento apresentado pelos parlamentares também faz ressalvas sobre o acordo entre União e Distrito Federal homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Cível Originária nº 3.755. O FGC afirma que apenas a União e o GDF são partes do acordo e que ele não possui efeito vinculante sobre o Fundo ou suas instituições associadas.

Segundo o ofício, o acordo permite ao Distrito Federal comprometer sua Receita Corrente Líquida como fonte de pagamento do empréstimo e prestar determinadas contragarantias. O FGC ressalta, porém, que a decisão judicial não substitui a análise que precisa ser realizada pelo próprio Fundo antes de uma eventual operação.

Outro problema apontado é a estrutura apresentada pelo GDF. De acordo com o Fundo, a proposta prevê vinculação direta de receitas do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) ao FGC, sem a participação do sindicato de bancos fiadores prevista no acordo homologado pelo STF.

Para o Fundo, a estrutura é “substancialmente distinta” daquela autorizada judicialmente e a divergência compromete a segurança jurídica e a higidez econômica necessárias para implementar a operação.

O FGC ressalta ainda que uma eventual operação depende de procedimentos internos de governança, deliberação dos órgãos competentes, análise de risco e de mérito e verificação dos requisitos regulatórios.
Operações com BTG

O deputado Chico Vigilante também fez acusações sobre a relação entre o BRB e o BTG Pactual. O distrital afirmou que operações envolvendo o banco privado estariam mantendo a instituição pública em funcionamento.

“Quem está sustentando até então o BRB ainda vivo é o BTG Pactual”, declarou.

Segundo Chico, o BTG estaria adquirindo carteiras do BRB em condições desfavoráveis à instituição pública. “O André Esteves é um banqueiro que gosta de ganhar dinheiro, está colocando dinheiro no BRB, mas não é para fazer favor ao BRB. Ele coloca o dinheiro no BRB e, em troca disso, está comprando as carteiras do BRB na bacia das almas”, acusou.

As afirmações feitas pelo distrital sobre as operações com o BTG Pactual não constam no ofício do FGC apresentado durante a sessão.

“Quem está tendo prejuízo é o erário público e mentiram para a população dizendo que tinham salvado o Banco de Brasília. É mentira. O banco não foi salvo. E quem está ganhando com isso é o BTG Pactual”, acrescentou.

O ofício do FGC apresentado pelos deputados está identificado como confidencial. Ao final da correspondência, o Fundo afirma que as tratativas e comunicações compartilhadas com a instituição não devem ter seu conteúdo ou existência divulgados sem autorização prévia, expressa e por escrito do FGC.

O documento, no entanto, teve trechos lidos publicamente durante a sessão da CLDF.

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Editado por: Clivia Mesquitz



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