Quinta, 18 de março de 2021
Pesquisadores explicam como o conceito de necropolítica se articula com o discurso e a prática do atual governo
“Uma das grandes causas da fome, da miséria e da violência é o crescimento populacional exagerado. (...) Não tem mais lugar para deitar na praia. É gente demais! Temos que colocar um ponto final nisso se quisermos produzir felicidade em nosso país.”
Esse é um fragmento do discurso do então deputado federal Jair Bolsonaro, em 5 de agosto de 2010, em defesa da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 584, apresentada por ele oito anos antes. A ideia era estimular a esterilização, pelo sistema público, de pessoas que não tinham condições de pagar por uma vasectomia ou laqueadura.
“[Devem ser esterilizadas] Para que não fiquem apenas, cada vez mais, colocando no mundo gente que, infelizmente, em sua grande maioria, não servirão para o futuro do nosso país”, argumentou Bolsonaro, no mesmo pronunciamento na Câmara Federal.
O capitão reformado submeteu, ao todo, três projetos para reduzir a idade mínima e facilitar mecanismos de esterilização no Brasil. Um deles está parado há 12 anos. Os outros dois foram arquivados.
O plano de frear o crescimento populacional no Brasil, defendido por Bolsonaro desde 1991, encontrou, dez anos depois, um aliado mais do que eficiente: o novo coronavírus.

