Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

A pandemia abre as diferenças sociais, contrapõe vacina e saúde pública versus medicina de mercado

Sexta, 29 de janeiro de 2021

Do site

Helena Iono*

No debate mundial em torno das vacinas deveria prevalecer a voz das equipes médico-sanitárias e das instituições de pesquisa autorizadas; e entre estas o da ciência verdadeira; aquela a serviço da vida humana num contexto de catástrofe mundial, com uma pandemia de consequências mortais ao nível das guerras mundiais.

É de se pensar que, coincidentemente, os antivacina, os opositores ao debate científico são os mesmos poderes político-mediáticos que reduzem a fabricação das vacinas – ou a vacinação – ao campo ideológico; são os antivacina “russa”, “chinesa”, “cubana”, que não se referem à Pfizer-BioNtech ou à Oxford-Astrazenica como  vacina “norte-americana” ou “inglesa”. Omitem que atrás das vacinas se encontram reconhecidos organismos científicos que as autorizam ou as fabricam, controlados pelo Estado, com comprovada competência como o Instituto russo Gamaleya (desde que a Urss levou o homem à Lua); Sinopharm com suas 2 vacinas (Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan e Instituto de Produtos Biológicos de Pequim); reconhecidas na Argentina pela ANMAT (Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica ), e no Brasil pela ANVISA, respectivamente. Enquanto isso, as vacinas Pfyzer e Oxford-Astrazenica (com participação privada), são denominadas simplesmente pelo nome do Laboratório fabricante, com pouca menção aos países de proveniência.

Certamente que não importam os países, nem há que “ideologizar” a vacina; todas podem ser bem-vindas num contexto de contenção e de emergência. Todas estão exigidas pela transparência científica, para ser um bem público sem fronteiras.  Da mesma forma, não há mal, é um direito da sociedade exigir todas as explicações à Pfyzer sobre a sua fabricação, suas restrições e normas ilegais impositivas, comercializações e distribuições sem controle (em alguns países como Canadá, Europa e nos próprios EUA) e negociações incertas com certos governos. É de conhecimento público que a Pfyzer é uma multinacional de medicamentos e segue a lógica do mercado.