“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 27 de setembro de 2025

Há algo de novo no front

Sábado, 22 de setembro de 2025

  • Roberto Amaral*
     
    A última semana teve início promissor no domingo, 21 de setembro, pois se ouviu, a lembrar outros eventos, a voz do povo: livre, espontânea, alegre, mas trazendo para as ruas um grito reprimido de inconformismo, um rotundo não! à atonia política que parecia dominar o país, receoso de fazer frente à maré montante da extrema-direita, apresentada como história já acontecida, cantada nas ruas, recitada na imprensa, nos púlpitos, nas portas dos quartéis. As ruas e as praças, o espaço onde o povo atua e faz história, seriam agora o território privilegiado do reacionarismo.
  • A história parava aí.

    Mas o povo, mobilizado, disse não, e com seu gesto pôs de manifesto o torpor de nossas lideranças, políticas e governantes, a anomia dos partidos, o conhecido recesso do movimento sindical.

    Fracassada a intentona de janeiro de 2023, julgados e condenados os principais mandantes, articulava-se à luz do dia, no Congresso e fora dele, uma vez mais — e certamente não ainda pela última (a persistirem os vícios letais da conciliação e da impunidade) — a desmontagem do pacto político democrático conquistado com a constitucionalização em 1988, fruto dos 21 anos de resistência à ditadura instalada em 1º de abril de 1964, sustentada enquanto possível pela aliança dos militares golpistas com o grande capital e o apoio político, financeiro e estratégico dos EUA, este mesmo que hoje azucrina o governo Lula.