Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Pesquisa da Fiocruz indica que 20% dos usuários das cracolândias são mulheres

Segunda, 8 de setembro de 2014
A pesquisa apontou que menos de 5% dos entrevistados permaneceram no tratamento até o último mês
Agência Brasil
Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil
A Pesquisa Nacional sobre o Uso de Crack – Quem São os Usuários de Crack e/ou Similares do Brasil? Quantos São nas Capitais Brasileiras?, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), verificou que 20% dos que frequentam as chamadas cracolândias são mulheres. O trabalho ouviu 32.359 pessoas, sendo que 24.977 responderam ao questionário nos próprios domicílios e 7.381, nos próprios locais de uso da droga.

domingo, 22 de setembro de 2013

Especialistas avaliam que a adoção não resolve problema das crianças vítimas do crack

Domingo, 22 de setembro de 2013
Flávia Villela, repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro – A solidariedade tem proporcionado um futuro melhor à crianças filhas de adolescentes viciadas em crack. No entanto, está longe de representar uma solução para o problema. O técnico de rede, Djalma da Silveira Gusmão e sua família, por exemplo, adotaram quatro crianças de uma só vez. Eles participavam de um trabalho comunitário na favela onde morava a mãe das crianças, usuária de crack. A decisão foi há dois anos, depois que a filha mais nova, com apenas 17 dias de vida, foi deixada em casa sozinha após ser jogada no chão.

“Ligaram no meio da madrugada para nossa casa dizendo que a bebezinha tinha sido jogada no chão. Fomos até o local, a Esterzinha [nome da criança] estava com uma fratura na cabeça e a levamos para uma Unidade de Pronto-Atendimento. E foi aí que começou nossa história com elas”, contou Djalma.

Quatro meses depois do início do processo de adoção, a esposa de Djalma morreu, mas ele não desistiu da adoção e teve a ajuda da filha de 18 anos na criação das gêmeas, Isabelle e Isadora, hoje com 6 anos, Ester, de 2 anos, e Pietro, de 3 anos.

“Elas quase não têm lembrança da mãe biológica, pois eram muito novas e graças a Deus, não têm nenhuma sequela e são todas saudáveis”, disse ele. “Fica mais complicado quando as crianças já são maiores”, ponderou Djalma.

A história de adoção dos quatro filhos de Djalma é uma exceção no universo de crianças filhas de dependentes de crack, segundo a conselheira tutelar Liliane Lo Bianco.

“Na vida real, as crianças ficam pela rua, a gente não consegue tirar. Hoje temos um grande número de crianças que são filhas do crack. São meninas viciadas que se prostituem para a compra da droga. O crack amortece, despersonaliza esse sujeito”, explicou ela. “Eles criam afeto pelo crack, que dá o que eles não têm no núcleo familiar, que é prazer, liberdade”, acrescentou.

Para a diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Ivone Ponczek, é importante criar medidas para estimular o vínculo da mãe com o bebê e evitar a perpetuação de um ciclo de abandono.

“A adoção é uma alternativa, mas antes da adoção temos que tentar criar vínculo com a família, por mais precária que ela seja. Se a mãe não puder, pode ser uma tia, uma avó, alguém que exerça essa função materna”, declarou ela, que defendeu que o vínculo materno é, inclusive, um estímulo para a mãe abandonar o vício.

Leia também: Abrigos devem permitir convívio das crianças com familiares, defendem especialistas
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sábado, 1 de junho de 2013

Quanto vale a vida de um jovem? Ou de qualquer outra pessoa?

Sábado, 1 de junho de 2013
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Por que o enfoque na chamada, mas fracassada, “Guerra às Drogas”, ao invés de ênfase na “Paz e apoio médico e social aos usuários”?

Fotos do Gama Livre. Tarde de 31/5/2013 na Vila Planalto, Brasília. O jovem ficou nessa posição por mais de 25 minutos. Depois levantou-se, mas retornou à posição.

domingo, 26 de maio de 2013

Crack causa 50% mais mortes de neurônios que cocaína, diz pesquisa da USP

Domingo, 26 de maio de 2013
Fernanda Cruz
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) mostra que o aquecimento de dois componentes que formam o crack, o éster metilecgonidina (Aeme) e a cocaína, aumenta em 50% a morte de neurônios em usuários, quando comparado ao consumo isolado das duas substâncias. O crack é produzido a partir da mistura da pasta de cocaína, bicarbonato de sódio e água, sendo que o Aeme é um produto da queima, ocorrida quando o usuário fuma a pedra de crack, explica a professora do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, Tania Marcourakis, responsável pela pesquisa.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Brasil é o maior mercado consumidor de crack do mundo, aponta estudo

Quarta, 5 de setembro de 2012
Fernanda Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O Brasil é o maior mercado mundial do crack e o segundo maior de cocaína, conforme resultado de pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os dados do estudo - que ouviu 4,6 mil pessoas com mais de 14 anos em 149 municípios do país – foram apresentados hoje (5) na capital paulista.

Os resultados do estudo, que tem o nome de Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), apontam ainda que o Brasil representa 20% do consumo mundial do crack. A cocaína fumada (crack e oxi) já foi usada pelo menos uma vez por 2,6 milhões de brasileiros, representando 1,4% dos adultos. Os adolescentes que já experimentaram esse tipo da droga foram 150 mil, o equivalente a 1%.

De acordo com o relatório, cerca de 4% da população adulta brasileira, 6 milhões de pessoas, já experimentaram cocaína alguma vez na vida. Entre os adolescentes, jovens de 14 a 18 anos, 44 mil admitiram já ter usado a droga, o equivalente a 3% desse público. Em 2011, 2,6 milhões de adultos e 244 mil adolescentes usaram cocaína. 

O levantamento do Inpad revelou também que a cocaína usada via intranasal (cheirada) é a mais comum. Aproximadamente 5,6 milhões de pessoas já a experimentaram na vida e, somente no último ano, 2,3 milhões fizeram uso. Entre os adolescentes, o uso é menor, 316 mil experimentaram durante a vida e 226 mil usaram no último ano.

A pesquisa também comparou o consumo de cocaína nas regiões brasileiras em 2011. No Sudeste está concentrado o maior número de usuários, 46% deles. No Nordeste estão 27%, no Norte 10%, Centro-Oeste 10% e Sul 7%. Relatórios com resultado e metodologia estão na página do Inpad na internet.

terça-feira, 31 de julho de 2012

MP considera inútil ação da polícia na Cracolândia e instaura inquérito para identificar responsáveis

Terça, 31 de julho de 2012
Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou hoje (31) um novo inquérito civil para individualizar a apuração das responsabilidades pela operação de combate ao tráfico e de retirada de dependentes químicos da região da Cracolândia, local como ficou conhecido o entorno da Estação da Luz, na região central da cidade. Para o MP, a operação, conduzida principalmente pela Polícia Militar, mostrou-se inútil.

“Uma visita de volta à Cracolândia mostrará que o quadro, infelizmente, é o mesmo do que era antes do começo deste ano. Sexta-feira [27] à noite, pessoalmente, tive essa experiência. Vê-se na Cracolândia a mesma situação que havia antes de janeiro deste ano, o que mostra que todo esse esforço mostra recursos mal empregados e de uma inutilidade completa”, disse o promotor Mauricio Ribeiro Lopes, da área de Habitação e Urbanismo.

Além disso, nesse novo inquérito, os promotores pretendem acompanhar o desdobramento da operação, que pode ser levada para outras regiões da cidade.

Para isso, o Ministério Público solicitou que o Comando da Polícia Militar do Estado de São Paulo encaminhe, no prazo de dez dias, a relação de nomes de todos os oficiais policiais que participaram da operação na Cracolândia, no período entre 20 de dezembro de 2011 e 10 de janeiro de 2012, além de informar o total que foi gasto com a ação.

MPSP obtém liminar sobre operação na Cracolândia

O Ministério Público obteve, nesta terça-feira (31), liminar em ação civil pública contra o Governo do Estado de São Paulo, determinando que a Polícia Militar, em suas ações no chamado bairro da Cracolândia no centro da cidade, “se abstenha de ações que ensejem situação vexatória, degradante ou desrespeitosa em face dos usuários de substância entorpecente, e não os impeça de permanecer em logradouros públicos, tampouco os constranja a se movimentarem para outros espaços públicos, bem ressalvada a hipótese de flagrância delitiva”.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A cracolândia na canção de Chico Buarque

Domingo, 22 de janeiro de 2012
Da Radioagência NP
"A chamada cracolândia de São Paulo apareceu na mídia por conta do balé descompassado no qual escorregaram os poderes públicos municipal e estadual, setores da saúde, da assistência social e a Polícia Militar."

Chico Buarque fez a canção Brejo da Cruz, em 1984, há mais de vinte e cinco anos, e, já então, anunciava a dita novidade: “a criançada a se alimentar de luz, meninos alucinados ficando azuis, e desencarnando lá no brejo da cruz....” O Brasil está cheio de brejos da cruz, não mais só com meninos, se alimentando do cheiro da cola e de luz, mas agora com mulheres grávidas, jovens, homens e mulheres, também alucinados, sem esperança, em busca, incessante e continua, de mais uma pedra de crack.  

A chamada cracolândia de São Paulo apareceu na mídia por conta do balé descompassado no qual escorregaram os poderes públicos municipal e estadual, setores da saúde, da assistência social e a Polícia Militar, que no comando da orquestra tresloucada, usa não a batuta, mas o  cassetetes, para todo lado.  Tudo num cenário caótico, de falas desencontradas e políticos a querer tirar algum ganho com todo o caos. Os usuários de crack, bem se sabe, compõem a parcela mais excluída dos excluídos desta sociedade brasileira que se quer moderna, em franco desenvolvimento, como cantam os homens da economia, e tão consumista.

Tirar o usuário do mundo do crack é coisa difícil, complexa e que exige mais, muito mais do que tratamento, com ou sem internação (esta, nunca compulsória). É preciso possibilitar que o usuário, não mais usando a droga, encontre seu lugar na sociedade. É preciso dar ao cidadão sua cidadania, oferta de trabalho e marcos de dignidade; dar à criança a educação que merece, e ao jovem o caminho possível de seus sonhos.

De nada adianta limpar as ruas sujas do centro, dispersar a turba, ou tirar o “nóia” do crack e lhe dar uma sociedade que se embriaga em álcool e no cigarro, e um subemprego de mínimos, açoitando-o com o desejo enganoso de que felicidade é comprar um carro ou tv de plasma, em longas prestações... antes de terminarem essas parcelas de um sonho tão volátil, o menino, ou  homem ou mulher, o jovem, sem projetos e sonhos, estará de volta ao crack.

Sem volteios, a sociedade brasileira precisa reconhecer seus males e não apenas querer esconder esses "milhões de seres que não mais se disfarçam tão bem" e, que antes de desencarnarem, ficando azuis, nos apontam que, já existiam eles, sim, muito antes, e que eram crianças, e que "comiam luz” neste triste e brasileiro brejo da cruz. 

Dora Martins é Integrante da Associação Juízes para a Democracia.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Defensoria diz que diminuiu truculência em ação policial para acabar com cracolândia no centro de São Paulo

Quinta, 19 de janeiro de 2012
Da Agência Brasil
Daniel Mello, repórter da Agência Brasil
Na avaliação da Defensoria Pública de São Paulo, diminuiu a truculência policial na operação que é feita desde início do mês na cracolândia, perto da Estação da Luz, no centro da cidade. Na primeira semana de atuação ostensiva da Polícia Militar (PM) e Guarda Civil Metropolitana (GCM), o órgão chegou a coletar 32 denúncias de abuso.

A situação, no entanto, mudou, segundo defensor Pedro Giberti, que visitou hoje (19) o local onde pessoas consumiam e traficavam o crack. “As abordagens passaram a ser feitas de outro jeito, os conflitos diminuíram drasticamente e nós não recebemos mais as denúncias que recebíamos no começo da nossa presença aqui”, disse à Agência Brasil.

Giberti atribui a mudança de comportamento à pressão exercida pela defensoria e outras entidades contra a violência policial. “A percepção de que essas pessoas não estão mais desprotegidas, desassistidas, que nós estamos aqui, está servindo, se não de estímulo, mas pelo menos de alerta para que elas passem a ser respeitadas nos seus direitos”, declarou.

De acordo com a prefeitura, desde o começo da operação, 140 pessoas foram presas, capturados 43 condenados pela Justiça, 99 dependentes químicos internados e 3,6 quilos de crack apreendidos. Também foram retiradas 128 toneladas de lixo e 2,1 mil toneladas de entulho, resultado da demolição de seis imóveis.

A reportagem da Agência Brasil acompanhou o trabalho dos 250 funcionários que limpavam a área onde os imóveis foram derrubados. Segundo a prefeitura, as edificações estavam com a estrutura comprometida. Durante a tarde, enquanto era feito esse trabalho de demolição e limpeza, não foi visto no local qualquer traficante ou pessoa fazendo uso da droga, apenas alguns usuários que dormiam nas calçadas.

Perto posto móvel da Defensoria Pública, uma missão religiosa, chamada de Cristolândia, oferece diariamente refeições, banho e corte de cabelo para cerca de 150 pessoas, entre moradores de rua e dependentes químicos. A missionária Elaine Machado disse que, com a operação policial, aumentou o número de dependentes que procura ajuda.

“Depois dessa operação o nosso trabalho aumentou, porque as pessoas começaram a ver a Cristolândia como um refúgio”, disse. “Somos totalmente contra qualquer tipo de agressão física, moral ou verbal, mas, por meio desse trabalho, pudemos ajudar um número muito maior de pessoas”, completou.

Entre as atendidas pela missão, está Sara Nunes. Grávida de cinco meses, ela é usuária de crack há 16 anos e reside e mora na cracolândia há seis meses. Sara Nunes declarou que sofreu com a forma como os policiais agiram para combater o tráfico e o consumo de drogas na região.

“No primeiro dia fui acordada com um chute na barriga”, diz a moça que admitiu ter fumado crack pela última vez na noite anterior à operação. Na opinião dela, o único objetivo da operação policial é expulsar os usuários de drogas do centro. “Sabe quando a dona de casa limpa a casa? É isso, estão limpando a casa, e nós somos o lixo”, ressaltou.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Quase metade dos usuários de crack da cracolândia do centro de São Paulo se submeteria ao tratamento da dependência

Terça, 10 de janeiro de 2012
Agência Brasil


Bruno Bocchini
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – Pesquisa Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que 47% dos dependentes de crack que frequentavam a cracolândia – região de intenso tráfico e consumo de drogas no centro de São Paulo – disseram que se submeteriam a um tratamento. A maior parte deles, 62,3%, expressaram o desejo de parar de usar drogas.

“O dado é muito relevante, pois aponta que existe uma vontade do usuário de interromper o uso”, disse o psiquiatra Marcelo Ribeiro, um dos coordenadores da pesquisa e diretor de Ensino da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas da Unifesp.

Uma parte menor dos entrevistados (18,8%) declarou que gostaria de se submeter a um tratamento que permitisse apenas diminuir o consumo, e 18,9% não desejam interromper ou diminuir o consumo da droga. A pesquisa, divulgada hoje (10), ouviu 170 dependentes de drogas em dezembro de 2011. Foram 102 homens e 68 mulheres - 10% delas estavam grávidas.

De acordo com o levantamento, 51% dos usuários disseram acreditar que conseguiriam parar de consumir crack sem internação, enquanto 34% manifestaram que aceitariam que o tratamento da dependência da droga envolvesse, ocasionalmente, uma internação involuntária.

“Isso mostra que, em parte, o usuário reconhece que fica refém da doença a ponto de só conseguir se curar se houver uma intervenção mais incisiva, mesmo que à revelia. Apesar de a maioria dos usuários não concordar com a internação compulsória”, apontou o psiquiatra.

A pesquisa mostra também que a maioria dos usuários (61%) já se submeteu a algum tratamento contra a droga. Entre as organizações que ofereceram tratamento estão a igreja (53%), organizações não governamentais (22%), projetos sociais do Poder Público (10%), família ou amigos (5%), casas de recuperação (2%) e 8% não informaram quem ofereceu.

Ministério Público de São Paulo abre investigação sobre operação policial na cracolândia

Terça, 10 de janeiro de 2012

Daniel Mello, repórter da Agência Brasil
O Ministério Público (MP) de São Paulo instaurou hoje (10) um inquérito civil para apurar as razões que levaram a uma operação policial na região da cracolândia, no centro capital paulista. Desde terça-feira (3) da semana passada, a Polícia Militar (PM), acompanhada da Guarda Civil Metropolitana (GCM), ocupou as ruas onde se fumava crack livremente para acabar com o tráfico e uso de drogas no local.

Para o Ministério Público, a ação não conseguiu atacar as raízes do problema e apenas espalhou os viciados por outras regiões da cidade. “Colocando-os de modo inacessível aos agentes de abordagem social”, segundo o promotor de Direitos Humanos e Inclusão Social , Eduardo Ferreira Valério.

Para o promotor, da maneira como a ação está sendo conduzida, não há enfrentamento efetivo do crime na região, além de causar sofrimento desnecessário aos usuários de drogas. Valério apontou como principal problema da ação a “falta de articulação com os demais órgãos da prefeitura e do próprio estado, sobretudo no que se refere a assistência social e saúde”.

Ele criticou ainda a truculência da força policial. “Não é possível imaginar que essa operação à base de cavalos, gás lacrimogêneo, balas de borracha, dor e sofrimento vai fazer cessar o tráfico na cidade de São Paulo”.

O inquérito assinado também pelas promotorias de Direitos Humanos e Saúde, Infância e Juventude e Habitação e Urbanismo vai ouvir pelo menos nove pessoas. Estão incluídos na lista os responsáveis pela operação policial e autoridades das áreas de saúde, assistência social e habitação dos governo estadual e municipal.

O último balanço da Operação Integrada Centro Legal divulgado hoje, às 11h, diz que até agora foram feitas 23 prisões, 25 recapturas de condenados, apreendidos 447 gramas de crack e 28 internações.

Plano do governo federal previa ação policial na cracolândia só em abril

Terça, 10 de janeiro de 2012

Cronograma obtido pelo 'Estado' mostra que ainda neste semestre Rio, Recife, Salvador, DF e Porto Alegre terão intervenções
 
Bruno Paes Manso - O Estado de S.Paulo
SÃO PAULO - O cronograma traçado pelo governo federal para ser discutido com o Estado e a cidade de São Paulo previa o começo das ações policiais na cracolândia apenas em abril. A proposta era começar o ano fortalecendo serviços de retaguarda nas áreas de saúde e proteção social e inaugurar os consultórios de rua em fevereiro. Só depois seriam instaladas bases móveis da Polícia Militar em locais com alta concentração de consumidores de drogas e iniciado o policiamento ostensivo na região, com monitoramento das ruas por câmeras. Em maio, o policiamento dessas áreas ganharia apoio de equipes de ronda ostensiva - no caso de São Paulo, a Rota.
O cronograma ao qual o Estado teve acesso - e que está sendo coordenado pela Casa Civil do governo federal - prevê uma série de intervenções em cracolândias ainda neste semestre em seis capitais brasileiras: além de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Distrito Federal e Porto Alegre. Mas a antecipação da intervenção no centro paulistano para janeiro acabou prejudicando o diálogo com a União, que deveria ser intensificado neste mês.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Mulher é presa tentando trocar filha por crack em GO

Segunda, 9 de janeiro de 2012
Segundo a PM, mãe de 38 anos ofereceu a filha de dois meses a um traficante

Uma mulher foi presa em Goiânia tentando trocar a filha de 2 meses por pedras de crack, segundo a Polícia Militar. A mulher foi encontrada depois de denúncia anônima, que dizia que ela estava na porta da casa de um traficante negociando o bebê, na noite de domingo, 8, no Setor Parque Amazônia. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Após intervenção na Luz, cracolândias de bairros de classe média crescem

Sexta, 6 de janeiro de 2012
Início do conteúdo
No Campo Belo, várias ruas estão tomadas por pessoas fumando crack

Artur Rodrigues, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Após a intervenção no bairro da Luz, minicracolândias de bairros de classe média nas zonas sul e leste também aumentaram de tamanho. Moradores, comerciantes e até viciados em drogas afirmaram acreditar que esteja acontecendo uma migração de usuários em busca de crack. Leia mais.

Fonte: "O Estado de S. Paulo"

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

NP: Cortadores de cana usam crack para suportar jornada de 14 horas

Quinta, 22 de setembro de 2011
Da Radioagencia NP
Durante visitas feitas aos municípios paulistas, deputados estaduais receberam denúncias de que usineiros estão incentivando o uso do crack entre os cortadores. O objetivo é aumentar a produtividade. Em muitos casos, o trabalho nas lavouras de cana-de-açúcar se estende por até 14 horas, sem interrupções.

Essa prática foi revelada pelo deputado Donisete Braga (PT), na apresentação de um relatório produzido pela Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, nesta terça-feira (20). O levantamento indica que jovens com idade entre 16 e 25 anos representam 57% dos usuários da droga em São Paulo.

Para Daniel Adolpho Assis, advogado do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDECA), a situação é resultado da disseminação do crack no interior e faixa litorânea do país. Ele acrescenta que os jovens são as maiores vítimas da superexploração do trabalho.

“Ainda não foi exterminado o trabalho forçado e o trabalho escravo propriamente dito no Brasil. Há muita gente que ainda morre por exaustão. Ou seja, por efeito negativo e danoso na saúde a partir da exploração do trabalho. O crack vem para anestesiar, sendo uma droga potente e extremamente aditiva, que causa dependência rapidamente.”

O crack é consumido no mesmo percentual que o álcool em municípios com população entre 50 mil e 100 mil habitantes. Apenas 12% dessas localidades recebem recursos federais para programas de enfrentamento ao problema. Já os repasses estaduais chegam em apenas 5% dos municípios.

Uma pedra de crack pode ser comprada por até R$ 2. O uso crônico provoca perda de peso e aumenta o risco de infecções. O usuário pode apresentar quadros de psicose, agressividade, paranóia e alucinações.
De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Muito lançamento e pouca verba

Quarta, 10 de agosto de 2011
Do Estadão.com.br
Programa anticrack é ameaçado com cortes

Promessa de campanha de Dilma, ação deve ter verba cortada pela metade

Lígia Formenti
Um corte pela metade das verbas previstas para a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) ameaça o programa de combate ao crack do governo federal, uma das prioridades do governo Dilma Rousseff e tema da campanha eleitoral. O alerta foi dado pela própria titular da pasta, Paulina Duarte, durante audiência pública no Congresso. Ela alertou que a diminuição da verba coloca em risco os programas de prevenção e tratamento.

A previsão era de que a secretaria deveria receber, até 2015, R$ 100 milhões por ano para alcançar as metas, ou R$ 400 milhões no total. A tendência, no entanto, é que a fatia prevista no Plano Plurianual para a Senad seja de R$ 200 milhões no período, segundo o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), da Comissão Especial de Políticas Públicas de Combate às Drogas, presente na audiência. O Plano Plurianual será apresentado no Congresso pelo governo até fim de agosto.

Leia mais.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Drogas de governos

Segunda, 22 de novembro de 2010
Arruda, o do Panetone, assumiu o governo do DF em janeiro de 2007. Fitas vão, fitas vêm, ele foi parar na prisão e teve que renunciar para não ser cassado —e veja que seria cassado pelos deputados distritais. Incrível, não?
 
Depois da sua renúncia, vieram Paulo Octávio, Wilson Lima e Rogério Rosso. Nem esses três e nem o eleito nas eleições de final de 2006 aplicaram sequer um único centavo no Fundo Antidrogas do Distrito Federal. Essa constatação foi feita por Chico Leite, deputado distrital do PT.
 
Os quatro governadores preferiram usar os poucos recursos previstos nos orçamentos dos últimos quatro anos para aumentar o superávit do GDF. Depois vêm com discursos de que vão resolver o problema do consumo de crack. Drogas de governos!

sexta-feira, 5 de março de 2010

O crack e a violência

Sexta, 5 de março de 2010
 Por Ivan de Carvalho
O governo do Estado elegeu o crack como a principal causa dos homicídios na Bahia. É o que está na propaganda oficial na televisão. É também, aproximadamente, o que disse o líder da oposição na Assembléia Legislativa, o democrata Heraldo Rocha, ao fazer da tribuna a crítica à mensagem anual que o governador Jaques Wagner lera ali, no dia 16 último, na sessão solene de abertura dos trabalhos parlamentares deste ano.
    Em discurso, Heraldo Rocha disse que o atual governo tenta culpar o tráfico de drogas, sobretudo o crack – como registrou na ocasião este jornal – pelo crescimento da criminalidade, citando os outdoors espalhados por todo o estado. “É possível ler, claramente, a seguinte afirmativa: o crack é o responsável por 80 por cento da causa de violência”, relatou.
    De acordo com o líder da oposição, o governo tenta transferir para a droga ilícita a responsabilidade pelo “crescente aumento” da violência na Bahia. “Essa informação – disse Rocha – é um absurdo, contestada até por grandes profissionais como o psiquiatra Antônio Neri. Ele afirma que isso é uma grande inverdade”. Nery é um conhecido psiquiatra baiano estudioso da questão das drogas.
    É claro que o tráfico, comércio e consumo das drogas ilícitas são importante causa de violência, ainda mais quanto ao crack, por seu baixo preço financeiro (o preço pago pela saúde do usuário e pela sociedade é muito alto), acessível a toda a população, pela rapidez com que gera fortíssima dependência e pela dificuldade de erradicá-la, bem como pelo estado cerebral que produz.
    Mas chegar sem mais nem menos àquele “percentual de responsabilidade” de 80 por cento da violência parece realmente demasiado criativo. E mais. Afinal, não é o crack uma droga ilegal cujo comércio cabe ao Estado combater? E não está em sua composição, como elemento básico, a cocaína, importada de países vizinhos por fronteiras mal fiscalizadas pela Polícia Federal e entrando nos Estados por divisas mal fiscalizadas pelas polícias estaduais e pelas polícias rodoviárias? Estarão a PF e as outras polícias aptas a fazerem essa fiscalização? E as polícias civis e militares estaduais, aptas também a combater o comércio do crack? Onde está a prioridade para a segurança pública e exatamente numa questão que seria responsável por 80 por cento da criminalidade violenta, no caso da Bahia? Existem ou não as cracolândias “liberadas”, mostradas na TV?
    E já que citamos a televisão, com certeza é um enorme mal o que fazem certos programas de TV especializados em mostrar violência para ganhar a audiência da parte do público que adora ver misérias, o mesmo público que até provoca congestionamentos de trânsito só para verificar se o motoqueiro acidentado perdeu a cabeça ou ainda está com ela pendurada no pescoço.
    Esse público assiste tais programas e fica com aquele “clima” na mente. Qualquer espiritualista e os cientistas sem preconceitos acadêmicos sabem que o pensamento é poderoso elemento criador (“Ocupai o vosso pensamento somente com o que é bom e belo”, aconselhou São Paulo, que sabia) e o que a mente foca tende a se concretizar. Aí estão esses programas e seus patrocinadores – assim como a insuficiência dos aparelhos policial e judicial – como parceiros do crack na gênese da violência.
Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta sexta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Becos do Gama e becos do crack na Asa Norte

Sábado, 2 de janeiro de 2010
Em reportagem de Guilherme Goulart o Correio Braziliense de hoje (2/1) relata mais uma vez o drama do tráfico e consumo de crack em quadras da Asa Norte, em especial na 314. Mostra o Correio que naquelas áreas logo que o sol desaparece a situação se complica, com traficantes, usuários, brigas e tudo mais de ruim que o tráfico provoca. O problema se estende pelas áreas verdes, pelas áreas dos pilotis dos blocos residenciais e também pelas marquises dos blocos das quadras comerciais. É um campo ocupado pelo tráfico. E o estado, impotente, melhor, incompetente, nada ou quase nada faz para resolver o problema.

Mas agora me veio um sobressalto, um pensamento ruim, um pesadelo. Ora, se na cidade do Gama onde esse tipo de problema nas passagens de pedestres e áreas verdes das quadras residenciais não existia – e nem existe –, mas por um discurso vazio de quem parece não entender de segurança, se aprovou uma lei que doou tais áreas para moradia de militares da PM e dos Bombeiros, qualquer hora dessas podem querer fazer o mesmo com as áreas verdes das quadras da Asa Norte que sofrem com o crack.

Que tal, então, assentar militares nas áreas verdes das quadras atingidas pelo tráfico? Absurdo? Sim, completo absurdo. Tão absurdo que o Pleno do Tribunal de Justiça do DF declarou por 12 votos a dois, em 24 de novembro do ano passado, a nulidade, desde a origem, da Lei 780 /2008 que doou lotes em passagens de pedestres e áreas verdes da quadras residenciais do Gama. Mas ao pessoal da Asa Norte, um alerta: Os principais responsáveis pela aprovação da Lei 780/2008 continuam aí. Um é governador, o outro é deputado distrital. Um, é Arruda. O outro, o Cabo Patrício. Do Buritinga e da CLDF a experiência indica que pode vir qualquer coisa, especialmente o que seja ruim para a cidade.